094: O Décimo Ofício
— Diga-me, homem das Flores de Cerejeira, qual é a sua profissão?
Ao ouvir as palavras de Ye Huan, o homem engoliu em seco, com o rosto marcado pela tensão.
— N-não me mate! Eu sou do grupo da senhorita Sato, nunca apoiei que vocês fossem exterminados.
— Tudo isso foi porque Fujiwara me ameaçou.
Ye Huan ignorou suas palavras e, com uma “paciência” gelada, repetiu sua pergunta.
— Qual é a sua profissão?
O homem não sabia o que o outro pretendia, engoliu de novo e respondeu com dificuldade:
— Minha profissão é “pugilista”, uma profissão de ataque...
Ye Huan perdeu o interesse assim que ouviu a primeira parte da resposta. Se não se enganava, a profissão deste homem era semelhante à de John; porém, John era “pugilista profissional”, enquanto este era apenas “pugilista”, uma versão inferior.
— Chega.
Ye Huan interrompeu o outro e falou, indiferente:
— Você não tem qualificação para ser registrado.
O homem não compreendia o significado das palavras de Ye Huan, mas sentiu uma premonição sombria e seu rosto se contorceu de desespero.
— E-espera! Não me mate! Eu juro lealdade a vocês...
Bang!
Ye Huan não lhe deu chance de terminar. Apertou o gatilho sem hesitar.
Com um baque surdo, o corpo decapitado tombou no chão. Ye Huan então se virou para a porta da cozinha.
A morte de dois homens em sequência já era suficiente para acionar o anúncio do Mundo do Pesadelo, sem contar o estrondo dos disparos. Não havia como Fujiwara, lá dentro, não ter ouvido.
De fato, uma voz trêmula soou por trás da porta.
— Ye... Ye Huan? Você não pode me matar! O item especial está comigo! Você quer usá-lo para salvar aquela criança, não é? Se me matar, eu o destruirei!
Ye Huan olhou para o relógio. Dos trinta minutos de tempo de ação, dezessete já haviam se passado. Restavam treze minutos para o terremoto. Não podia se dar ao luxo de desperdiçar mais tempo ali.
Ye Huan falou com frieza:
— Acha que Masaki Sato virá te salvar?
Fujiwara, atrás da porta, ficou surpreso por um instante, depois seu rosto se tornou sombrio.
Ele havia trazido seus homens justamente por temer que Masaki Sato tomasse todo o crédito para si. Desde a morte de Yasuda Masayoshi, o posto de maior fugitivo do país das Flores de Cerejeira estava vago. O fato de Masaki Sato ser mulher, apesar de sua competência, impedia que fosse plenamente valorizada; até o cargo de capitã era apenas temporário.
Bastava que os altos escalões do país das Flores de Cerejeira quisessem para destituí-la imediatamente. O objetivo de Fujiwara era “dourar seu currículo” naquele mundo: não importava se matasse Ye Huan ou não, desde que lhe causasse algum problema, ao retornar teria fama suficiente para herdar o legado de Yasuda Masayoshi.
Essa era a razão de seu conflito com Masaki Sato.
Mas tudo aconteceu depressa demais. Quando Fujiwara percebeu, seus dois únicos subordinados já haviam sido mortos por Ye Huan em um piscar de olhos, e ele próprio estava encurralado sem saída.
Se Masaki Sato estivesse em tal situação, certamente não a salvaria; pelo contrário, adoraria ver isso. E o contrário também valia.
Fujiwara olhou para o relógio, entrando em pânico, e apressou-se a dizer:
— Ye Huan, que tal fazermos um acordo?
— Que tipo de acordo?
— Eu te dou o item especial, você me deixa sair. Prometo não te atacar mais, que tal?
Ye Huan rebateu imediatamente:
— E você acha que conseguiria me vencer se tentasse?
Fujiwara ficou sem palavras e, envergonhado, explodiu:
— Então o que você quer de mim? Escute, o terremoto está prestes a acontecer! Se não me deixar passar, todos nós vamos morrer aqui!
Ao longe, o som das sirenes já se aproximava, ecoando cada vez mais alto.
Ao ouvir, Fujiwara ficou radiante:
— Ouviu? Os NPCs deste mundo já chegaram! Se eles virem os corpos no chão, você não conseguirá escapar!
É preciso admitir que Fujiwara era esperto. Tocou exatamente nos pontos sensíveis de Ye Huan.
Em circunstâncias normais, talvez Ye Huan considerasse negociar. Mas agora, além do item especial, ele queria algo mais do oponente.
— Qual é a sua profissão?
Ye Huan perguntou.
— O quê?
Fujiwara achou que tinha ouvido errado e ficou desnorteado por um instante.
Quando Ye Huan repetiu a pergunta, o tom de Fujiwara tornou-se estranho:
— Minha profissão se chama “Mentalista”, algo próximo a um médium, mas sem habilidades de percepção; só posso manipular energia mental para certas tarefas.
Ye Huan logo se lembrou da aparência de Fujiwara ao entrar.
Sua sobrancelha se arqueou.
Aquela profissão era interessante.
Embora desprezasse os homens das Flores de Cerejeira, Ye Huan reconhecia que os fugitivos representantes do país tinham seu valor.
Pensando nisso, disse:
— Certo, aceito. Pode sair.
— Sério?
Fujiwara mal acreditava, mas, cauteloso, continuou:
— Senhor Ye Huan, não é que eu duvide do senhor, é que só tenho uma vida; espero que jure, em nome do seu país, diante de todos, que, se me matar, o Reino do Dragão será destruído e exterminado!
Ye Huan franziu a testa, respondendo friamente:
— É melhor sair logo. Minha paciência é limitada.
Fujiwara percebeu a irritação crescente de Ye Huan, hesitou um instante e disse:
— Senhor Ye Huan, então... estou saindo...
Com isso, empurrou cuidadosamente a porta da cozinha.
Ao sair, um escudo transparente, semelhante a uma casca de ovo, envolvia-o por completo. Nas mãos, trazia alguns copos de café, sendo um deles, com embalagem dourada, especialmente chamativo.
Era o item especial com que chantageava Ye Huan: Café com Leite e Açúcar Três e Meio.
Ao ver os corpos no chão, Fujiwara ficou pálido, o rosto se contraindo antes de forçar um sorriso em direção a Ye Huan.
— Senhor Ye Huan, desculpe-me pelo incômodo, peço seu perdão.
Enquanto falava, estendeu o copo dourado para Ye Huan.
— Sempre admirei os fortes. Por favor, seja generoso e perdoe-me desta vez...
Ye Huan pegou o copo de leite, depois acenou com impaciência.
— Vá embora. Da próxima vez, não serei tão tolerante.
— Claro, claro!
Vendo que Ye Huan realmente não pretendia atacá-lo, Fujiwara não conteve a alegria, fazendo uma reverência antes de sair desajeitadamente do café.
Ye Huan não se preocupou em olhar para trás. Ergueu a mão, contemplando as pequenas estrelas brilhando em seus dedos, e um sorriso surgiu em seu rosto.
A décima profissão estava conquistada.
Quanto ao destino de Fujiwara, pouco lhe importava.
Mesmo poupando sua vida, Masaki Sato certamente não faria o mesmo.