079: Profissão desbloqueada: Observador das Estrelas
Após ouvirem as palavras de Yefan, Charlie e os outros se entreolharam, perplexos. Uma mulher loira soltou uma risada mordaz:
— Realmente não entendo por que vocês, do Reino do Dragão, têm um temperamento tão agressivo.
— Está claro nas normas internacionais que entre fugitivos não há distinção de nacionalidade. Vocês, do Reino do Dragão, realmente têm uma visão muito limitada.
Charlie, por sua vez, sorriu:
— Meu caro, fique tranquilo. Dentro do que for possível, estaremos ao seu lado. Não precisa ser tão hostil.
Yefan não respondeu, apenas assentiu levemente.
Tanto nesta vida quanto na anterior, esses canalhas eram sempre cheios de discursos piedosos, jamais mencionando o que realmente haviam feito. Yefan já estava acostumado à hipocrisia deles.
Diante de pessoas assim, a única coisa a fazer era calá-las para sempre.
— Vamos — disse ele, sorrindo para Charlie. — Senhor Charlie, estou ansioso para cooperar com você.
...
Dois dias depois.
Yefan apareceu no mesmo local, coberto de sangue. Ele sacudiu as mãos, livrando-se do sangue, e ficou ali, aguardando em silêncio.
Charlie e seu grupo já haviam sido eliminados por Yefan, sem sombra de dúvida.
No entanto, para sua surpresa, os companheiros de Charlie não se resumiam àqueles quatro; havia mais fugitivos do Reino do Sol Poente a caminho. Antes de morrer, Charlie já havia passado a informação adiante.
Em meio dia, aqueles homens chegariam.
Yefan, apesar de já ter concluído a primeira missão realista e poder avançar para a próxima etapa a qualquer momento, não tinha pressa. Decidiu permanecer ali, aguardando a chegada dos “convidados”.
Com tantos fugitivos do Reino do Sol Poente entrando em massa no Reino do Dragão, as autoridades locais certamente perceberiam. Ao saber que Yefan estava na capital, Zhang Yang não pouparia esforços para eliminar qualquer ameaça ao redor.
No entanto, Zhang Yang não tomou nenhuma medida. Isso significava que ele não havia recebido a informação.
Alguém estava ocultando a movimentação dos fugitivos do Sol Poente.
Para conseguir isso, a pessoa envolvida deveria ter, no mínimo, o mesmo nível de Zhang Yang.
Ou seja... havia um traidor no alto escalão do Reino do Dragão.
Ao pensar nisso, Yefan semicerrrou os olhos.
Em sua vida anterior, de fato houvera traidores, mas nunca ouvira falar de alguém tão bem posicionado.
Seria sua presença que havia alterado o curso da história?
Após ponderar por instantes, ele pegou o telefone e enviou uma mensagem a Zhang Yang.
Feito isso, guardou o aparelho e fechou os olhos devagar.
Havia ainda muitas questões para resolver; os parasitas internos do Reino do Dragão ficariam a cargo de Zhang Yang.
...
Pouco depois, Zhang Yang respondeu, com uma mensagem breve:
— Precisa de reforços?
Yefan digitou rapidamente:
— Não é necessário. Prepare-se para declarar guerra. Quando eu aparecer de novo, será para declarar guerra ao Reino das Cerejeiras.
Assim que enviou a mensagem, uma melodia soou em seu bolso. Ele retirou um celular manchado de sangue — era o telefone de Charlie.
Do outro lado da linha, estava um dos fugitivos restantes do Reino do Sol Poente.
Quando Yefan atendeu, ouviu uma sequência de frases em inglês:
— Charlie! Maldito, por que só agora você atende?
— Já faz dois dias que estamos dando voltas por aqui! Droga, estamos na capital do Reino do Dragão, você sabe o quanto foi difícil nos esconder?
— Envie logo as coordenadas, não aguentamos mais esperar!
Sem dizer nada, Yefan desligou. Vasculhou o aparelho, encontrou o local exato e enviou a posição para o número correspondente.
Depois disso, lançou o telefone de Charlie nos arbustos e virou-se, mergulhando na escuridão.
Pouco depois que Yefan desapareceu, um grupo de fugitivos do Sol Poente chegou ao local.
Ao avistar a extensão de escuridão à frente, seus olhos brilharam.
— Agora entendo por que Charlie desligou na minha cara. Ele não aguentou esperar e entrou logo para pegar a recompensa!
— Maldito Charlie, queria ficar com tudo só pra ele! Vamos entrar depressa!
— Ouvi dizer que o caçador desta missão possui uma habilidade parasitária. Se encontrarem alguém vivo, não deixem escapar — podem já estar infectados.
Ao ouvirem isso, os fugitivos arregalaram os olhos, cobiça estampada nos rostos.
Eles sabiam que essa missão realista era uma rara missão em cadeia, com recompensa de itens de classe B que poderiam ser levados ao mundo real.
Afinal, até mesmo a Caixa das Sombras, que Jin Canjun exibira, era apenas um item de classe B.
Se conseguissem obter um artefato do mesmo nível, ao retornarem ao país teriam acesso a poder e fortuna inimagináveis.
Os fugitivos do Reino do Sol Poente avançaram sem hesitação na escuridão.
Logo, o local voltou à calmaria.
Dois dias depois.
Yefan emergiu lentamente da escuridão.
Desta vez, o sangue cobria quase todo seu corpo, mas seu semblante permanecia sereno.
Os fugitivos do Sol Poente estavam todos mortos, e Yefan ainda obtivera um ganho inesperado.
Eis seus dados atuais como fugitivo:
Nome: Yefan.
Nacionalidade: Reino do Dragão.
Nível: 7.
Profissão: Observador das Estrelas (não ativada).
Velocidade: D+.
Força: D-.
Espírito: C-.
Habilidades atuais: Mar de Estrelas, Registro dos Astros.
Itens em posse: ...
Estado: em andamento na missão realista.
No plano de Yefan, imaginava que só após concluir três missões realistas conseguiria ativar os fundamentos de sua profissão.
Surpreendeu-se ao perceber que, ao finalizar o segundo desafio, já havia alcançado o objetivo.
Depois de refletir, percebeu o motivo: foi por matar Charlie e seu grupo durante a tarefa.
De fato, ao matarem fugitivos de outros países, também recebiam experiência. Mas, ao matar conterrâneos, não havia recompensa.
Isso lhe deu uma ideia: caso um dia se tornasse alvo de uma caçada internacional, poderia dividir os fugitivos entre si.
Afinal, o “solo” fértil para divisões, o mundo do pesadelo, já estava pronto para ele.
Yefan tossiu, cuspindo sangue, e retornou à escuridão.
A missão em cadeia estava apenas em seu segundo estágio; restava o mais difícil.
Embora já tivesse alcançado sua meta, não podia deixar a missão realista inacabada ali — seria um perigo constante para seus compatriotas na capital.
Yefan não podia se omitir; era esse seu verdadeiro propósito ao vir até ali.
Mas havia algo que o intrigava.
Ele sabia da missão nos arredores distantes porque possuía lembranças do futuro.
Como Charlie e os outros souberam?
A escuridão aos poucos envolveu Yefan.
Sumiu também o sorriso frio em seu rosto.
O traidor que não existia na história.
A Caixa das Sombras, que roubou suas memórias do futuro.
E o Colégio Monte Maya, que já o considerava sua propriedade.
Este mundo parecia ser muito mais interessante do que ele imaginara.