087: Terremoto: X Graus (Parte Um)
As palavras ditas pela Sombra do Abismo no Mundo dos Pesadelos também repercutiram entre os espectadores do Reino da Cerejeira no mundo real.
— Maldição, se Sato e os outros perderem, estaremos todos condenados?
— Os dragoneses nunca vão nos perdoar. Se soubéssemos disso, nunca teríamos provocado eles.
— O melhor seria que as autoridades se ajoelhassem diante do Reino do Dragão e pedissem desculpas. Se não funcionar, selecionem alguns para cometer seppuku. O importante é pedir desculpas primeiro; com certeza o governo do Reino do Dragão pressionará Ye Huan.
— Não se preocupem, não vai ficar tão ruim assim. Não esqueçam que somos centenas de milhões; se os dragoneses fizerem isso, vão se isolar do resto do mundo.
— Os dragoneses seguem o caminho do meio, não têm coragem de fazer algo assim. Nem cobraram a conta da última vez.
Ao ler essas falas do povo do Reino da Cerejeira, os espectadores do Reino do Dragão ficaram furiosos.
— Que isolamento internacional o quê! Se não atacarmos vocês, outros países vão nos poupar?
— Vocês já mataram tantos dos nossos, e acham que é só apontar alguns bodes expiatórios e pronto?
— Já pensaram que talvez a conta antiga e a nova sejam cobradas juntas?
Enquanto os dois grupos ainda não se tocavam no Mundo dos Pesadelos, os internautas já travavam discussões acaloradas no mundo real.
Diante desse conflito, os países espectadores não se surpreenderam, pois a rivalidade entre os dois já havia chegado ao ponto de vida ou morte.
No Departamento Especial dos Pesadelos.
Zhang Yang fitava a tela da transmissão ao vivo, onde o tsunami cobria o céu, e uma sombra de preocupação passou por seu rosto.
Embora soubesse bem da força de Ye Huan, mesmo alguém tão poderoso não sairia ileso de um desastre desse porte.
Ainda mais agora, com Ye Huan sendo apenas um fugitivo, a situação era ainda mais perigosa.
Mesmo assim, sua confiança em Ye Huan era inabalável.
— Desta vez, vamos vencer de forma espetacular!
...
No Mundo dos Pesadelos.
Quando o tsunami varreu a cidade, os primeiros a sofrer foram as instalações elétricas espalhadas por toda parte.
Apesar dos cabos serem revestidos por grossa camada de borracha, eram frágeis diante de uma calamidade dessa escala.
Incontáveis fios elétricos tombaram na água, e, assim que tocaram a superfície, todos os que lutavam para sobreviver ali começaram a tremer.
Em poucos segundos, vapor subiu de seus corpos, e um a um perderam a consciência, afundando na água.
Em questão de minutos, sessenta por cento dos habitantes da cidade de Gao morreram ou ficaram feridos.
Os que restaram, alguns ficaram presos em espaços fechados, observando desesperados a água subir.
Outros estavam nos terraços dos edifícios, olhando impotentes para o horizonte.
No limite de sua visão, uma tênue linha começava a se elevar.
A tragédia ainda não havia terminado: a segunda onda do tsunami estava prestes a chegar.
Era o verdadeiro apocalipse.
Dois minutos antes, próximo à costa da cidade de Gao.
Com a aproximação do tsunami, as ondas ao redor do barco ficavam cada vez mais violentas. Mesmo com a habilidade passiva de "Timoneiro", Chen Yan quase foi lançado ao mar.
— Huan, vamos sair do mar de uma vez! — disse ele, pálido de medo ao ver a muralha de água à frente.
Até a horrenda cena do Lago dos Mortos não o assustara assim; agora, porém, o pavor era genuíno.
O medo do ser humano frente ao poder da natureza é visceral.
No instante seguinte, ouviu a notificação do Mundo dos Pesadelos:
[Sua taxa de susto aumentou em 5%.]
[Sua taxa de susto atual é de 9%.]
Ao ouvir isso, Chen Yan lembrou-se de que, além de enfrentar a fúria da natureza e os ataques do povo do Reino da Cerejeira, ainda precisava evitar que sua taxa de susto subisse demais.
A dificuldade era absurda.
Ye Huan percebeu a inquietação de Chen Yan. Ao ver o aumento na taxa de susto, disse com voz tranquila:
— Não pense demais. Eu vou te levar para casa.
Chen Yan retrucou, tenso:
— Quanto mais você fala assim, mais nervoso eu fico...
Enquanto falava, as ondas já se aproximavam perigosamente da costa, e a taxa de susto de Chen Yan aumentou mais 5%.
Diante disso, Ye Huan suspirou internamente.
Sua própria taxa de susto era de 3%. O motivo de não crescer tanto era a experiência: já conhecera mundos assim e sabia o que esperar.
Além disso, como fugitivo calejado, raramente se deixava abalar por situações comuns.
Escolhera aquele mapa exatamente para entrar sozinho.
Jamais imaginou que o Mundo dos Pesadelos lhe pregaria uma peça tão grande.
Não podia mais perder tempo.
Com isso em mente, Ye Huan colocou Chen Yan nas costas e ordenou firmemente:
— Segure firme!
Assim que terminou, saltou do barco e desceu em direção ao mar.
No instante em que tocou a água, ativou a segunda habilidade central de "Timoneiro":
[Nome da habilidade: Jovem do Mar.]
[Categoria: Exclusiva da profissão "Timoneiro".]
[Efeito exclusivo: permite andar sobre a água; quanto maiores as ondas, mais rápido se move.]
[Atenção: em ventos e ondas extremas, mesmo o Jovem do Mar pode naufragar. Use com cautela.]
[Descrição: afinal, isso é um timoneiro ou um marinheiro?]
Splash!
Ao pousar sobre a água, o céu acima deles já se tornara negro.
No instante em que prestes foram engolidos pelas ondas, Ye Huan de repente deixou um rastro de imagens, deslizando velozmente para frente.
A habilidade "Jovem do Mar" parecia inútil à primeira vista, mas em um ambiente extremo como aquele era um verdadeiro milagre.
Ye Huan acelerava cada vez mais e, quando estava prestes a alcançar terra firme, ouviu o grito assustado de Chen Yan:
— Huan, cuidado à frente!
À frente?
Ye Huan olhou e viu o "caminho" à frente completamente livre, sem perigo algum.
Mas, após alguns segundos de reflexão, mudou bruscamente de direção, abrindo mão da chance de desembarcar.
Boom!
No mesmo instante, um enorme navio de cruzeiro emergiu das águas, como uma montanha engolindo tudo ao redor, e desabou violentamente sobre a terra à frente.
Boom, boom, boom!
O navio colidiu com os edifícios e, ao que pareceu, inflamou seu tanque de combustível. Em segundos, bolas de fogo subiram ao céu, provocando explosões violentas.
Explosões cercaram os dois, enquanto pessoas eram arremessadas pelas ondas e engolidas pelo mar.
Vendo tudo isso, Ye Huan ergueu as sobrancelhas surpreso.
Sem o aviso de Chen Yan, ele ainda teria como desviar do navio — mas gastaria pontos de conquista desnecessários.
Era esse o poder da "percepção"?
Ye Huan inspirou fundo e declarou:
— Muito bem. Continue assim.
Chen Yan, ainda em choque, olhou para o mar de fogo abaixo e implorou, quase chorando:
— Huan, tenho medo de altura, vamos logo para baixo!
Era exatamente o que Ye Huan desejava.
Seu ritmo aumentava sem parar, mas a energia já se esgotava.
Se não parassem para descansar, mais cedo ou mais tarde seriam engolidos pelo tsunami.
A cidade estava fora de questão.
Pensando nisso, Ye Huan disse:
— Segure firme, vamos ao Monte Aso.