099: O Acordo
【Data: 16 de abril de 20XX.】
【Latitude norte 35,66, longitude leste 138,57: Condado de Pêra de Inverno.】
【O condado de Pêra de Inverno fica a leste da Cidade das Cerejeiras, a oeste do Monte Fuji, sempre foi um destino turístico.】
【Em meia hora, este lugar será atingido por um terremoto de grau XII.】
【Grau XII: todas as construções completamente destruídas, a geografia alterada de modo irreversível, toda a fauna e flora aniquilada.】
Se os dois graus anteriores ainda tinham uma certa ambiguidade na descrição da intensidade, o grau doze não deixa margem para dúvidas.
Todas as construções destruídas.
A geografia completamente transformada.
Toda a vida animal e vegetal erradicada.
Três frases breves, capazes de instilar terror em qualquer ser inteligente.
É uma verdadeira calamidade apocalíptica.
Quando Ye Huan e seu companheiro abriram os olhos, estavam mais uma vez de pé na rua, como no primeiro dia.
Aquela avenida era muito mais larga que as do Condado de Gaocang, e os veículos que circulavam por ali eram visivelmente mais luxuosos.
Diante deles, erguia-se uma montanha: o Monte Fuji, símbolo do País das Cerejeiras.
O condado de Pêra de Inverno é próximo ao Monte Fuji, por isso tornou-se um famoso ponto turístico.
Nesta estação, turistas do mundo todo vêm visitar. Hoje não era exceção.
Por toda a avenida do condado, havia estrangeiros de todos os tipos.
Ye Huan reparou que a maioria das lojas ao longo da rua vendia produtos típicos e lembranças, todas parecendo animadas e movimentadas.
Mas tudo isso seria rapidamente consumido pelas chamas.
Ye Huan sabia que não tinha tempo para sentimentalismos; o terremoto do terceiro dia duraria quinze minutos inteiros.
Após esses quinze minutos, tudo desapareceria.
Durante esse tempo, não haveria sequer um lugar seguro para pisar.
Assim, só restava uma coisa a ser feita: fugir, correr para o sul, sair do condado de Pêra de Inverno, afastar-se o máximo possível do epicentro.
Nesse momento, Chen Yan murmurou suavemente:
— Huan, temos uma situação.
Ye Huan ergueu lentamente os olhos e olhou adiante, franzindo o cenho.
Do outro lado da rua, em frente a uma loja, estavam duas pessoas: Masaki Sato e Kage Shinkai.
A cena era idêntica à do primeiro dia, exceto que o grupo de fugitivos do País das Cerejeiras havia diminuído de seis para apenas dois.
Além disso, Kage Shinkai perdera a mão esquerda, não se sabia quando, e seu rosto estava pálido, claramente marcada pelas feridas do dia anterior.
Masaki Sato caminhou sorrindo até Ye Huan, e quando chegou diante dele e de Chen Yan, foi direta:
— Senhor Ye Huan, nos encontramos novamente.
Ye Huan lançou-lhe um olhar e respondeu:
— Senhora Sato, faz tempo. Parece que realmente tem muita sorte.
Masaki Sato sorriu com doçura, sem deixar transparecer que ambos já haviam sido inimigos mortais.
Quem não soubesse, pensaria que ela e Ye Huan eram parceiros próximos.
Ela prosseguiu:
— Senhor Ye Huan, vamos fazer um acordo.
— Um acordo?
— O conteúdo é simples: o País das Cerejeiras se renderá ao País do Dragão, compensará tudo o que aconteceu antes, e depois da compensação, será um estado subordinado, como há centenas de anos.
Era evidente que Masaki Sato havia pensado muito sobre esse 'acordo', pois sua voz não hesitou nem um instante ao anunciá-lo.
Temendo que Ye Huan recusasse, acrescentou:
— A força dos fugitivos do País das Cerejeiras já foi quase toda exterminada por você, não há mais risco de resistência.
— Se aceitar o acordo, eu e Kage nos suicidaremos, entregando-lhe a vitória deste mundo.
As palavras de Masaki Sato surpreenderam Chen Yan.
Ele pensara inicialmente que aquela mulher era covarde, buscando salvar a própria vida através da rendição.
Mas agora via que não era bem assim.
Ye Huan não se deixou convencer, enxergando de imediato as intenções de Masaki Sato.
— Por que eu deveria prometer abrir mão do que está prestes a ser meu?
— De que me serve a sua vida?
Na visão de Ye Huan, estava certo de que venceria naquele mapa.
Portanto, o acordo e o suicídio que Masaki Sato propunha eram questões irrelevantes.
De fato, mesmo que ela não propusesse isso, Ye Huan mataria os dois e destruiria o país deles depois.
Masaki Sato percebeu a determinação de Ye Huan, franziu o cenho, sem entender por que ele era tão inflexível.
— Senhor Ye Huan, permita-me dizer: é a rendição de um país que você está aceitando. Seu nome ficará para sempre nos livros de história, e você ganhará uma fama muito maior do que simplesmente destruir uma nação.
— Para qualquer pessoa, isso só traz benefícios.
Ye Huan ignorou suas palavras e perguntou friamente:
— Você pode representar o País das Cerejeiras?
Masaki Sato balançou a cabeça.
— Não importa se posso ou não, este é o fato. Desde que revelei o Arco Negro, já perdi.
— Além disso, não importa o resultado, não posso mais deixar este mundo. Sendo assim, prefiro fazer o que estiver ao meu alcance, como lutar por condições melhores para meus compatriotas.
Não se podia negar que a expressão de Masaki Sato era sincera e comovente.
Muitos do País do Dragão ficaram tentados por seus argumentos.
Conquistar sem lutar, isso também correspondia ao pensamento de alguns no País do Dragão.
Mas a resposta de Ye Huan foi a mesma de sempre.
Ele balançou a cabeça lentamente.
Desta vez, o sorriso sumiu do rosto de Masaki Sato.
Ela olhou para Ye Huan, olhos cheios de incompreensão.
— Por quê?
Ye Huan encarou-a, palavra por palavra:
— Porque eu não gosto de vocês.
Masaki Sato imaginara muitas possibilidades, mas jamais pensara que Ye Huan recusaria por esse motivo.
Não gosta de vocês?
Ela ficou em silêncio por um momento, depois perguntou:
— Realmente não há negociação?
Ye Huan ignorou-a, acenando para Chen Yan.
Este entendeu, e seguiu Ye Huan, ambos deixando o local.
Vendo Ye Huan partir, Masaki Sato ficou com uma expressão complicada.
Kage Shinkai aproximou-se e murmurou:
— Masaki, se não houver opção, deveríamos lutar até o fim?
Masaki Sato ficou calada, depois sorriu amargamente.
— A diferença de forças é grande demais. Nem mesmo temos o direito de lutar até a morte.
— Masaki, você não está superestimando ele?
Kage Shinkai olhou para Masaki Sato, sem entender.
Para ela, por mais forte que Ye Huan fosse, ainda era um fugitivo, uma pessoa comum.
E pessoas comuns têm fraquezas.
Mas a frase seguinte de Masaki Sato a fez ficar em silêncio.
— Me diga, este mundo já chegou ao último capítulo, você sabe qual é a profissão de Ye Huan?
Kage Shinkai ficou surpresa, pensou um pouco e seu rosto empalideceu.
De fato.
Qual é a profissão daquele homem do País do Dragão?