Soldado contra soldado, nação contra nação.
Em teoria, uma vez que o fugitivo entra no mundo do pesadelo, não pode mais receber informações do mundo real. Não importa como tentem enviar mensagens do lado de fora, o fugitivo jamais saberá de nada. O país do Kimchi está ciente disso, por isso costuma usar outros artifícios para anestesiar seus cidadãos.
Ao ouvir as palavras de Kim Chan-jun, pessoas de outros países ficaram em alerta, aguardando a resposta de Ye Huan. Pode-se dizer que o diálogo entre os dois definirá as regras do jogo entre as nações para as próximas décadas.
Do outro lado do fone, Ye Huan ficou em silêncio por um tempo, então respondeu, palavra por palavra:
— Esqueça, não vou aceitar seus termos.
Ao ouvir isso, o sorriso de Kim Chan-jun tornou-se ainda mais distorcido.
— Parabéns, cidadão do Reino do Dragão. Neste exato momento, você abandonou oito mil compatriotas. A partir de agora, você é oficialmente o assassino número um do seu país! Hahahaha!
O riso de Kim Chan-jun era tão contagiante que, por um breve instante, os outros seis também riram. Mas logo, o riso cessou.
Pois, do outro lado, Ye Huan disse com frieza:
— Sabem, antes de entrar neste mundo, eu havia discutido um plano com o Reino do Dragão. Sim, você pode matar os escravos do meu país que estão em suas mãos. Mas nós também manteremos o direito de declarar guerra a vocês. Nesta situação, se ao menos um compatriota meu morrer aqui, o furioso Reino do Dragão não medirá esforços para levar o país de vocês ao colapso, mesmo que seja preciso sacrificar tudo.
Diante da resposta firme de Ye Huan, Kim Chan-jun mergulhou em silêncio. Ele havia pensado cuidadosamente no número de oito mil escravos. Se fossem apenas oitocentos, não seria suficiente para intimidar. Se fossem oitenta mil, chamaria atenção demais da parte do Reino do Dragão. Oito mil era o número perfeito: não provocaria uma reação extrema do governo, mas destruiria a reputação de Ye Huan. Esse era o roteiro esperado.
Mas bastou uma mensagem de Ye Huan para transformar um confronto pessoal numa batalha pela dignidade de duas nações.
Vendo o silêncio de Kim Chan-jun, Ye Huan pressionou:
— O que foi? Está com medo? Arrependeu-se? Não se preocupe, será exatamente como você imaginou: seu país travará uma guerra sangrenta contra o meu, até que um dos dois desapareça da história para sempre.
Kim Chan-jun começou a desmoronar, cambaleando até se apoiar no chão. Ao lembrar das palavras de Ye Huan, seu rosto perdeu toda a cor. O outro tinha razão: já não era mais um duelo entre dois homens, mas uma disputa onde, pela sobrevivência, as duas nações se enfrentariam ferozmente.
Era uma guerra de nações. Uma verdadeira guerra total.
Embora o Reino do Dragão tenha enfraquecido, ainda é um gigante adormecido; não é um simples país de Kimchi que irá humilhá-lo. Ao pensar nisso, Kim Chan-jun sentiu as mãos e os pés gelarem. Se o conflito realmente escalasse a esse ponto, seu país pagaria um preço terrível — algo que nunca estivera nos planos.
...
Ye Huan percebeu o longo silêncio do adversário e comentou calmamente:
— Está animada a noite, não acha?
Animada? O que ele quis dizer com isso?
Enquanto os fugitivos do país do Kimchi se perdiam em dúvidas, Ye Huan deu-lhes uma lição prática.
De repente, uma labareda surgiu no dormitório de Kim Chan-jun. Logo, outras chamas começaram a surgir nos demais quartos.
— Droga! Quando o fogo ficou tão grande assim?
— Apaguem logo! Cuidado para não perdermos pistas!
— O fogo está se espalhando rápido, vai explodir!
Bang! Bang! Bang!
No instante em que alguém dava o alerta pelo fone, estrondos ensurdecedores ecoaram nos ouvidos de todos.
Ye Huan retirou os fones com tranquilidade e os jogou para Kim Chan-jun.
Kim Chan-jun olhou para ele, atônito, e gaguejou:
— Você... você realmente colocou explosivos na escola? Está louco?
Ye Huan não era louco. Ao ouvir isso, lançou-lhe um olhar frio e respondeu:
— Em vez de se preocupar com eles, preocupe-se consigo mesmo.
Kim Chan-jun ficou confuso e, de repente, seu rosto mudou de expressão. Afinal, toda a comunicação com Ye Huan havia sido feita via fone de ouvido. Quando foi que ele apareceu em sua frente?
De repente, Kim Chan-jun tentou se levantar, mas sentiu uma força esmagadora em sua cabeça. Com um baque surdo, seu cérebro latejou de dor, especialmente na parte de trás. Lutando para ficar consciente, viu diante de si um homem mascarado, usando uma fantasia de boneco.
Ainda que estivesse vestido de mascote, o homem se moveu com incrível velocidade, e em poucos segundos esfaqueou mortalmente o atônito Kim Chan-jun que estava frente a frente com ele.
Mesmo após a morte, Kim Chan-jun mantinha os olhos arregalados, o rosto tomado pela incredulidade. Como seu pai conseguira atravessar um dormitório feminino, sem ser notado, e encontrá-lo ali? Se fosse um entregador, por que ele tinha tanta certeza de que Kim Chan-jun desceria justamente hoje para pegar a encomenda?
Mistérios sem resposta pairavam sobre sua mente. Ele sabia que não podia recuar, ou cairia na armadilha do homem do Reino do Dragão. A celebração continuava, mas Kim Chan-jun estava completamente perdido. No último instante antes de perder a consciência, ouviu a voz gélida de Ye Huan ao seu ouvido:
— Bem-vindo ao meu mundo. Esta será sua primeira morte, aproveite, pois talvez não tenha tanto tempo da próxima vez.
Primeira... morte?
Ao ouvir essas palavras, Kim Chan-jun, tomado pelo desespero, abriu os olhos de repente. É verdade! Morrer aqui não é o fim! Enquanto seu nível de susto não atingir cem por cento, ainda há chance de virar o jogo! Animado com a possibilidade, ele se endireitou e encarou Ye Huan, rangendo os dentes:
— Isso não acabou, vou me vingar de você!
Enquanto ameaçava, Kim Chan-jun saiu cambaleando porta afora. Ao ver isso, Ye Huan caminhou lentamente até a janela. Quando Kim Chan-jun estava prestes a pular, Ye Huan o segurou de súbito:
— Não fuja.
Sua voz era como a de um demônio vindo das profundezas do inferno. Ele se inclinou ao ouvido de Kim Chan-jun e disse, pausadamente:
— Vamos jogar mais um jogo. Se ganhar, talvez consiga me derrotar!
Ao ouvir isso, Kim Chan-jun se animou, mas manteve a cautela e perguntou:
— E se eu perder? E se eu ganhar?
Ye Huan deu uma risada fria:
— Se você ganhar, não só o deixo ir embora, como ainda lhe dou meia hora a mais no mundo real. Mas se perder... aceite sua morte.
Diante das palavras de Ye Huan, Kim Chan-jun mergulhou numa intensa luta interna.