Vocês, povo das flores de cerejeira, realmente têm uma variedade de truques.
Na vida anterior, Ye Huan já havia entrado várias vezes neste mundo.
Ele se lembrava claramente de que Chen Fan, o falecido, jamais tivera um estúdio fotográfico.
Na verdade, o motivo pelo qual Chen Fan chantageava An Zhihe com fotos de violência doméstica era justamente por passar necessidades, a ponto de não conseguir sequer pagar o aluguel.
Mas agora, após conversar com Mei Xiang, Ye Huan confirmou duas coisas:
Primeiro, a trama deste mundo sofreu alterações.
Segundo, além das fotos de violência doméstica que encontrara na casa de Chen Fan, provavelmente havia cópias dessas imagens.
Especialmente considerando que Chen Fan fora morto durante a negociação com An Zhihe, essa possibilidade era ainda mais plausível.
As fotos de violência doméstica de An Zhihe eram provas cruciais do assassinato de Chen Fan. Mesmo que Ye Huan limpasse a cena e não deixasse vestígios, enquanto essas fotos existissem, a polícia teria direito de prendê-lo imediatamente.
Em outras palavras, se a polícia encontrasse essas fotos no estúdio fotográfico, o testemunho de Mei Xiang não teria mais valor.
Ele seria imediatamente retirado do condomínio Primavera no Rio.
Neste mapa, tanto caçadores quanto fugitivos, ao deixarem o condomínio, tinham apenas um destino: o extermínio.
Era por isso que Ye Huan dissera que seu tempo estava se esgotando.
Se aqueles policiais à paisana não fossem tolos, certamente iriam investigar até encontrar o estúdio fotográfico de Chen Fan.
Se não houvesse imprevistos, ali certamente estariam as cópias das fotos de violência doméstica.
Talvez ainda restasse uma hora e meia aos fugitivos.
Mas o tempo de Ye Huan seria ainda mais curto.
Parece que, ao utilizar o poder do mundo contra os fugitivos, os caçadores não ficavam sem pagar um preço.
Desde que o fugitivo não fosse morto de imediato, o caçador sofreria o contragolpe dessa força.
Era assim que o mundo dos pesadelos mantinha o equilíbrio.
Então era isso.
Ao compreender isso, Ye Huan deixou transparecer uma expressão de excitação.
Em sua vida anterior, já perdera a conta de quantas vezes enfrentara crises de vida ou morte.
Mas, desde que chegara ali, há muito levava uma vida pacata.
Tanto tempo que quase se esquecera de como, passo a passo, se tornara um predador de elite.
Para estar no topo da cadeia alimentar, precisava relembrar essa sensação familiar e, ao mesmo tempo, estranha.
...
Alguns minutos depois, os dois chegaram à porta do apartamento 302. Antes mesmo que Ye Huan batesse, a porta se abriu e, do interior, veio a voz tranquila de Yasuda Masayoshi.
"Finalmente vejo você, homem do Reino do Dragão."
Ye Huan entrou lentamente na casa e, logo de cara, viu um cadáver caído numa poça de sangue.
Uma fileira de pegadas ensanguentadas se estendia do corpo até a sala de estar.
No fim dessas pegadas, um homem estava sentado no sofá, com um bebê adormecido nos braços.
Era Yasuda Masayoshi, o primeiro fugitivo do país das Cerejeiras.
Ao ver Ye Huan, um suspiro melancólico surgiu em seu rosto.
"De tão longe, em outro prédio, já conseguiu nos encurralar num beco sem saída. Que habilidade... Não é à toa que até Adam caiu nas suas mãos."
"Tenho que admitir, admiro você. Se não fosse a limitação da nacionalidade, talvez fôssemos bons amigos."
Ao ouvir essas palavras, Ye Huan se manteve indiferente.
Em sua vida passada, matara muitos daqueles que chamava de “pequenos demônios”; essas criaturas imitadoras adoravam discutir código de honra e outras filosofias de guerreiro com os inimigos.
Mesmo praticando atos vis, faziam questão de se cobrir com o manto da moralidade.
Essa hipocrisia, essa máscara dupla, sempre surpreendera Ye Huan.
Ele respondeu com frieza:
“Chega de conversa fiada. O que vocês pretendem fazer?”
Yasuda Masayoshi sorriu com desdém:
“Viemos salvar a senhora Mei Xiang. Desde que ela fique aqui, você pode ir embora à vontade; não o impedirei.”
Ao ouvir isso, Kobayashi Ken e Sato Mieko se assustaram.
Principalmente Kobayashi Ken, cuja reação foi bastante intensa.
“Yasuda, esta é uma oportunidade única! Esse sujeito é só um homem comum. Se o matarmos, nossa missão acaba!”
“Idiota! Kobayashi Ken, não interrompa enquanto eu falo!”
Yasuda Masayoshi vociferou.
É claro que ele sabia que era uma chance rara.
Mas a impressão que Ye Huan lhe deixara era profunda demais.
Embora Yasuda Masayoshi tivesse conseguido, por sorte, virar o jogo e obrigar Ye Huan a entregar Mei Xiang, era só até ali.
A partir de agora, ainda teriam de “escoltar” Mei Xiang para fora do condomínio Primavera no Rio.
Seria uma jornada árdua.
O único desejo de Yasuda Masayoshi era voltar para casa; não queria mais encrenca.
Após o grito de Yasuda Masayoshi, Kobayashi Ken teve o rosto tomado por uma sombra escura.
Sem coragem de desafiar o outro, só lhe restou descontar a raiva em Xu Miaomiao.
Bang!
Kobayashi Ken deu um chute no estômago de Xu Miaomiao, praguejando em seguida:
“Maldição, quando eu sair daqui, juro que matarei cem pessoas do Reino do Dragão!”
“Ah—!”
Xu Miaomiao voou um metro com o chute, soltando um grito miserável. No entanto, preocupada com o bebê, logo conteve o lamento, encolhendo-se no chão, tremendo de dor.
“Miaomiao—”
Mei Xiang devia ser próxima de Xu Miaomiao. Ao presenciar a cena, seu rosto mudou; em seguida, virou-se para Ye Huan, lançando-lhe um olhar de raiva e súplica.
Parecia pedir que ele interviesse.
No entanto, Ye Huan permaneceu inexpressivo.
Fitou Kobayashi Ken com indiferença, como se observasse um cadáver.
Por fim, declarou:
“Se você matar uma pessoa do Reino do Dragão, matarei mil do país das Cerejeiras.”
Kobayashi Ken primeiro se surpreendeu, depois zombou:
“Está brincando? Eu mato apenas escravos que comprei; vocês do Reino do Dragão não têm nada com isso!”
Ye Huan ignorou suas palavras, apenas fechando os olhos devagar.
Quando os abriu novamente, seus olhos estavam completamente vermelhos.
Habilidade de título nível S ativada: Intenção Assassina Borbulhante!
Zum!
Ao encararem o olhar de Ye Huan, os três sentiram uma onda de choque mental.
Sato Mieko soltou um grito e caiu sentada no chão.
Mesmo Kobayashi Ken e Yasuda Masayoshi, ambos com forte domínio mental, sentiram-se mal.
Ao cruzar o olhar com Ye Huan, um temor incontrolável brotou em seus corações.
Yasuda Masayoshi se alarmou, largando qualquer diálogo com Ye Huan e se voltando para Kobayashi Ken.
"Kobayashi, invoque o shikigami! Mas não machuque Mei Xiang!"
Kobayashi Ken já estava atordoado sob o olhar de Ye Huan, sentindo-se mal por todo o corpo. Ao ouvir Yasuda Masayoshi, retirou do bolso um talismã amarelado.
Pegou uma pequena faca, cortou o centro da própria sobrancelha e, ao obter uma gota de sangue, passou-a pelo talismã, gritando em seguida:
"Talismã exorcista, castigue o mal! Venha, cão demoníaco!"
Mal terminou de falar, o corte na sobrancelha de Kobayashi Ken se expandiu várias vezes, transformando-se numa pupila vertical vermelha como sangue.
Ao mesmo tempo, ele se abaixou de repente, como uma fera de quatro patas, fixando o olhar em Ye Huan.
"Rrrr!"
Ele emitiu um rosnado animalesco.
Vendo aquela cena, Ye Huan balançou a cabeça, zombando:
"Outras profissões criam seres espirituais para se proteger ou por outros motivos."
"É a primeira vez que vejo um invocador se sacrificar vivo para seu próprio espírito."
"Vocês, do país das Cerejeiras, têm mesmo muitas artimanhas."