090: A habilidade de Masaki Sato

Jogo do Pesadelo: O Mundo Contra Mim, Caço Todas as Nações Máquina Número Três Extremamente Assustadora 2580 palavras 2026-03-04 19:33:24

Como líder daquela equipe, Masaki Sato mantinha a mente sempre lúcida.

Ela não sabia exatamente o que Ye Huan pretendia fazer, tampouco conhecia os planos que ele tinha em mente. Mas havia algo de que estava certa: Ye Huan jamais permitiria que aquela criança sofresse algum dano.

Afinal, um médium era valioso demais para o país. Já que Ye Huan não havia atacado o grupo deles, era evidente que o objetivo era proteger o garoto.

Portanto, ele iria antes para algum lugar seguro. Era uma lógica simples.

Quando o homem de nariz adunco tentou protestar, Masaki Sato o repreendeu severamente.

— Fujiwara, o teu protetor, Masayoshi Yasuda, está morto. Não te esqueças das palavras do imperador antes da partida: não desonres tua família!

Ao ouvir isso, o rosto do homem se contorceu, soltou um resmungo frio e ficou em silêncio.

Pelo diálogo, era nítido que Masaki Sato e esse Fujiwara pertenciam a facções opostas e vinham se confrontando há muito tempo. De fato, se Ye Huan não tivesse matado Masayoshi Yasuda, Masaki Sato talvez nunca tivesse tido uma chance de se destacar, sempre subjugada pelo rival.

Nesse sentido, ela deveria agradecer a Ye Huan.

Depois de silenciar os murmúrios de discórdia no grupo, Masaki Sato deu a ordem final:

— Peguem todos os equipamentos preparados em seus depósitos pessoais. Se alguém ficar para trás desta vez, não vamos esperar!

...

Com o passar do tempo, a sintonia entre Ye Huan e Chen Yan tornava-se cada vez mais perfeita.

Muitas vezes, Chen Yan dizia apenas metade de uma frase, e Ye Huan já compreendia rapidamente o sentido.

Assim, Ye Huan, aproveitando as habilidades do timoneiro, atravessou grande parte das ruínas do condado de Gao até finalmente alcançar o destino — o antigo solar.

Embora o terremoto tivesse cessado, Ye Huan não baixou a guarda. Restavam vinte e quatro minutos para o fim do primeiro dia, e a qualquer momento as réplicas poderiam acontecer.

Chen Yan, de repente, se lembrou de um problema fatal:

— Huan, o condado de Gao está inundado. Será que o bunker ainda pode ser aberto?

— Sim — respondeu Ye Huan.

A rota do bunker fora testada em sua vida passada: havia um corredor secreto no solar, partindo do quarto do proprietário diretamente para o abrigo, tornando o acesso extremamente conveniente.

Embora o lugar não resistisse à lava que viria depois, a água ao redor poderia amenizar bastante o impacto destrutivo. Quando a temperatura transformasse o bunker numa panela de pressão, ambos já teriam partido.

Ainda assim, embora essa rota tenha funcionado no passado, Ye Huan havia mudado o futuro e não podia garantir que nada mudaria. Por isso, tratava tudo apenas como plano alternativo.

Ele não contava que o tsunami chegasse tão rápido — dez minutos antes do que na vida anterior.

Enquanto Ye Huan refletia, ouviu a voz de Chen Yan:

— Huan, sinto alguém nos seguindo. Não é com boas intenções.

Ye Huan assentiu. Era provável que fossem os estrangeiros.

Mas não tinha tempo para se preocupar; respondeu com tranquilidade:

— Continue indicando o caminho, já estamos quase lá.

— Certo... — Chen Yan concordou, mas logo sorriu com amargura: — Quando voltarmos, preciso comer mais nozes, fortalecer o cérebro. Essa “percepção” consome muito a mente.

Diferente dos fugitivos comuns, um médium usava sua própria força mental ao ativar habilidades, não pontos de realização. No mundo do pesadelo, poucos profissionais conseguiam isso.

Dez minutos depois, chegaram ao solar. Ye Huan pôs Chen Yan no chão; o rosto do outro estava pálido, tanto pelo desgaste mental quanto pelo terror das cenas vistas no caminho.

Chen Yan nunca vira tantos cadáveres em condições tão horríveis: queimados, afogados, esmagados por vigas, caídos de alturas mortais. Os corpos eram jogados pela terra em movimento, misturando-se à lama e sumindo no subterrâneo.

Era uma carnificina distinta do Lago dos Mortos: uma matança indiscriminada de homens, mulheres, crianças, idosos. Uma tragédia nacional.

Chen Yan olhou fragilmente para Ye Huan:

— Huan, nosso país não vai passar por isso, vai?

Ye Huan respondeu:

— Comigo aqui, não vai.

A resposta tranquilizou Chen Yan. Só então ele voltou a atenção para o solar à frente, com um sorriso nervoso:

— Tem mesmo um bunker aqui?

Diante deles, restava apenas um monte de ruínas; pelas marcas das paredes, ainda era possível perceber o esplendor antigo. Mas tudo fora consumido pelo terremoto.

Ye Huan examinou o local e logo encontrou pistas entre os escombros.

Para facilitar o acesso ao bunker, o quarto do proprietário ficava no topo, projetado para permitir abrigo em condições extremas. Mesmo com o solar em ruínas, o corredor permanecia sólido. Bastava segui-lo...

Depois de alguns passos, Ye Huan avistou uma escada parcialmente soterrada nos destroços. O vento soprava lá embaixo; ele lançou uma pedra e não ouviu o som de água.

Aquilo lhe trouxe satisfação: o acesso não estava inundado, o bunker ainda funcionava.

— Huan, eles estão chegando, mas estão longe.

Ye Huan olhou na direção indicada por Chen Yan. Num prédio arruinado próximo, cinco figuras empoeiradas estavam de pé: os estrangeiros.

A distância era de cerca de dois mil metros em linha reta; eles não conseguiriam alcançá-los antes de entrarem no bunker.

— Vamos — disse Ye Huan friamente, lançando um olhar aos estrangeiros, com uma centelha de intenção assassina.

A presença de Chen Yan e a chegada antecipada do tsunami o impediam de lidar com eles naquele dia. Mas no segundo dia, não teria tantos obstáculos.

Já tinha um plano para eliminá-los.

— Vamos — Ye Huan voltou o olhar ao solar.

— Ainda não é hora de enfrentá-los.

Chen Yan concordou, seguindo Ye Huan.

Sobre as ruínas, Masaki Sato observava os dois se afastando, com uma faísca de ódio nos olhos.

Ye Huan já era motivo de temor; agora, com o médium, o equilíbrio de forças pendia ainda mais para o outro lado, aumentando a pressão sobre ela.

Um deles precisava morrer.

A determinação assassina reluziu em seu olhar.

Em seguida, Masaki Sato ergueu a mão direita e removeu a luva.

Seu braço já fora substituído por uma prótese mecânica sofisticada.

Num movimento rápido, a prótese se transformou numa longa arco vermelho, mesclando máquina e carne.

Ela posicionou o arco no peito, mirou Chen Yan a dois quilômetros de distância e murmurou suavemente:

— Pelo futuro do nosso país, peço que morra.