113: A Escolha Mais Difícil

Jogo do Pesadelo: O Mundo Contra Mim, Caço Todas as Nações Máquina Número Três Extremamente Assustadora 2700 palavras 2026-03-26 22:36:33

O diálogo peculiar entre os dois fez com que quem assistia à transmissão franzisse a testa imediatamente. Qualquer observador atento podia notar que, a partir de certo momento, a atmosfera entre Chris e Charles tornou-se estranha. No entanto, a maioria das pessoas estava confusa. Não entendiam por que, embora Charles parecesse estar jurando lealdade a Chris, as expressões de ambos eram tão peculiares.

Do outro lado, naquela sala de aula abandonada, Yorick, que assistia à transmissão, riu.
— Esse garoto, Charles, não soube esconder suas intenções e acabou sendo superado por Chris. Se ele realmente cortasse apenas um dedo, bastaria que Chris cortasse dois para sair da jaula.
Os fugitivos sentados na sala eram veteranos calejados em mares de sangue e carnificinas; captaram o truque de Charles num piscar de olhos. Embora sentissem desprezo por ele, a expressão desses fugitivos era claramente sombria. O jogo de Ye Huan era insidiosamente cruel. Ele fez com que dois fugitivos suspeitassem um do outro e se enfrentassem, enquanto ele próprio observava a luta de camarote. Se fossem eles naquela situação... Ao pensarem nisso, muitos sentiram um aperto no peito. Fugitivos presos por correntes, mesas de trabalho repletas de ferramentas cortantes... Já podiam imaginar o que viria a seguir.

Após a troca de farpas, o local mergulhou novamente no silêncio. Os dois encaravam-se, e era possível ouvir um alfinete cair. Muito tempo depois, Chris apontou para a contagem regressiva ao lado e disse a Charles:
— Você já desperdiçou um minuto do meu tempo. Charles, você continua tão inútil quanto antes.

Ao ouvir isso, Charles respirou fundo e respondeu:
— Chefe... não, Chris. Tudo o que conquistei até hoje devo ao seu treinamento. Mas, ao longo desta jornada, também paguei um preço imenso.
Dito isso, Charles olhou para o outro lado, com o semblante carregado de sombras.
— Para sobreviver, não me resta outra escolha.

Ao ver que o outro havia descartado qualquer fachada, Chris ficou furioso.
— Eu sabia que você, esse plebeu, seria virado contra mim. Seu verme, acha que se me matar conseguirá sair ileso?
Chris ocupava um cargo de alto escalão nos Estados Unidos e possuía um grupo de subordinados leais do lado de fora. Com aquela frase, ele ameaçava diretamente a família de Charles. Os olhos de Charles brilhavam como brasas na escuridão.
— Depois de te matar, matarei Ye Huan, e ninguém poderá me deter.
Sem mais delongas, ele moveu o corpo até a mesa. Após hesitar por um momento, escolheu um facão afiado.

Charles não golpeou as correntes como Chris esperava; cerrando os dentes, colocou a mão esquerda sobre a mesa.
— Es... espere!
Ao ver a cena, as pupilas de Chris contraíram-se como agulhas. Ele estendeu a mão bruscamente e gritou:
— Pare! Charles! Podemos resolver isso de outra forma!
Charles nem sequer olhou para ele e disse, palavra por palavra:
— Você tem muitas saídas, mas eu não tenho nenhuma. Chris, você não deveria ter mexido com Jenny.
Dito isso, ele ergueu o facão e desferiu um golpe pesado.

*Pá!*
O facão atingiu a articulação do ombro esquerdo de Charles, o sangue jorrou, tingindo metade de seu corpo de vermelho.
— Aaaaah! — Charles soltou um grito de agonia extrema. Enquanto o sangue jorrava, seu rosto se contorcia em uma máscara de dor, com lágrimas e muco escorrendo juntos. Com a mão direita trêmula, ele segurou o cabo da lâmina e ergueu-a novamente.

*Pá!*
O segundo golpe desceu, e Charles soltou outro grito ensurdecedor. A cena deixou Chris paralisado. Ele jamais imaginou que o sempre falastrão Charles seria capaz de chegar a esse ponto. Aquele sujeito... teria enlouquecido? Logo, ele sentiu um calafrio. Não. Se Charles cortasse a própria mão esquerda e a jogasse na balança, que preço ele teria que pagar para superá-lo? Sua constituição era muito mais franzina que a de Charles. E, somando o peso dos ossos de um braço inteiro...

*Pá!*
Chris, desesperado, agarrou-se à grade de arame e rugiu para o outro lado:
— Charles, espere! Eu estava errado! Pare, pare!
No entanto, Charles não o ouviu. Talvez a dor insuportável e seus próprios gritos tivessem obliterado sua percepção do mundo exterior. Agora, Charles tinha apenas um objetivo: cortar. Cortar sua própria mão esquerda. Cortar para sobreviver!

Terceiro golpe, quarto, quinto, sexto... A expressão de Charles tornava-se cada vez mais frenética. A frequência com que golpeava aumentava. Sangue e lascas de osso respingavam em seu rosto, misturando-se às lágrimas e ao muco. Mas ele não parava. Como Charles dissera, Chris não deveria ter mexido com sua noiva.

— Aaaaaah.
Acompanhado por um grito rouco, o facão de Charles ficou preso na articulação. Ele soltou um gemido, levantou a mão direita e agarrou o cabo com força. Após arrancar a lâmina, ergueu-a novamente e golpeou de forma inútil. Tecnicamente, um ato tão cruel impõe uma pressão física e psicológica avassaladora. Mas, para sua sorte ou azar, o veneno em seus corpos continha um leve efeito analgésico, e a resistência física natural dos fugitivos permitiu que aguentassem até ali. Mesmo assim, Charles havia atingido seu limite.

Atrás das grades, o estado mental de Chris também estava à beira do colapso. Ele esmurrava a grade de arame enquanto amaldiçoava Charles.
— Seu bastardo! Demônio do inferno! Como pode fazer isso comigo? Sem mim, você ainda seria aquele plebeu insignificante! Sem mim, você não teria dinheiro para sustentar seus pais! Canalha, como pôde me fazer isso?

Após um tempo de insultos, Chris parou de repente. Não porque estivesse cansado, mas porque abriu a boca e nenhum som saiu. A situação persistiu por alguns segundos antes de passar. O que estava acontecendo? O rosto de Chris empalideceu. Ao se lembrar de algo, virou a cabeça para o relógio — ele desperdiçara sete minutos sem perceber. Agora, restavam apenas vinte e três minutos. O efeito do veneno em seu corpo estava começando a se manifestar.

Ao pensar nisso, o rosto de Chris tornou-se sombrio. Ele olhou para a outra jaula e viu que o braço de Charles já estava quase decepado. Sabia que não tinha mais tempo para hesitar.
— Maldito, maldito...
Com os olhos injetados, Chris encarou as próprias mãos. Seus pensamentos oscilaram até que ele fixou o olhar na própria perna esquerda. Sua habilidade especial exigia o uso das mãos; se perdesse um braço, estaria acabado. Além disso, seu braço não pesava necessariamente mais que o de Charles. Portanto, a única opção restante era a perna.
— Maldição, Ye Huan! Quando eu sair daqui, vou te matar!
Chris rugiu para a escuridão, antes de caminhar, com os olhos vermelhos, até a mesa e pegar lentamente um facão.