065: O fugitivo da Nação Kimchi que rompeu todas as máscaras
O método de massacre de Ye Huan ultrapassava tudo o que fugitivos e espectadores haviam imaginado. Jamais pensaram que a arte de matar pudesse se dividir em tantas formas distintas.
No momento, no mundo do pesadelo, os gritos lancinantes de Li Xuanwu ecoavam por todo o corredor, fazendo com que Jin Canjun, logo atrás, ouvisse tudo com clareza. Assim que reconheceu a voz do outro, Jin Canjun ficou momentaneamente atônito, mas logo uma expressão de fúria tomou seu rosto.
— Maldito Li Xuanwu, então é você, canalha, armando essas jogadas! Se tem coragem, espere aí, eu não vou te deixar escapar!
O rugido de Jin Canjun soou pelo comunicador, assustando Li Xuanwu, que empalideceu. Com esforço, levantou-se do chão e correu adiante. Durante esse movimento, seu corpo tremia como vara verde; ao adentrar a escuridão, sua expressão tornou-se ainda mais aterrorizada.
Era o início de um ataque de claustrofobia; a partir de agora, o medo tomaria conta de seu peito. Sintomas como falta de ar, tontura, náusea e suor frio surgiriam em sequência. Na fase final, mesmo antes da morte súbita, ele poderia desmaiar por falta de oxigênio.
E desmaiar no mundo do pesadelo tinha consequências óbvias e fatais.
Ainda assim, Li Xuanwu não parou.
A cena aterradora criada por Ye Huan era apenas um golpe psicológico para ele. Se fosse alcançado por Jin Canjun, estaria realmente condenado.
Na equipe do País do Kimchi, Jin Canjun ocupava uma posição absoluta, podendo decidir o destino de qualquer integrante. Não importava se era Li Xuanwu ou seu irmão Li Xuanwen; se Jin Canjun os matasse, ninguém o culparia — pelo contrário, muitos aplaudiriam sua atitude.
Li Xuanwu nunca entendeu ao certo por que era assim. Eles também arriscavam a vida para salvar o país, eram considerados heróis, mas acabavam tratados como descartáveis.
Não importava o quanto lutassem, toda glória era atribuída a Jin Canjun.
Ele já não suportava mais essa vida.
— Cof, cof, cof...
Li Xuanwu atravessou o corredor apressado, com uma expressão cada vez mais insana.
— Maldito Jin Canjun...
— ...Você quer me tirar daqui, mas eu vou sobreviver.
— Quando eu encontrar o chiclete, vou matar você. Vou matar todos vocês e me tornar o fugitivo mais poderoso do País do Kimchi!
Enquanto falava, uma luminosidade azul transparente envolveu suas pernas, fundindo-se lentamente à roupa.
Li Xuanwu era o “Corredor”, profissão que lhe conferia grande explosão nas pernas e três habilidades: duas ofensivas e uma de aceleração.
Neste momento, ele ativava a aceleração.
A habilidade só podia ser usada uma vez por mundo, mas era extremamente eficaz, salvando Li Xuanwu da morte em diversas ocasiões.
Agora, toda sua esperança estava depositada nela.
Quando o brilho azul se dissipou, sua velocidade aumentou várias vezes. Ao mesmo tempo, seu nível de terror disparou, mas ele não se importava: estava cada vez mais próximo das coordenadas do chiclete.
Cada vez mais perto.
Sem perceber, seus olhos estavam vermelhos de tanto esforço, e a respiração já era pesada.
Bastava atravessar o corredor e entrar na sala de atividades para pegar o chiclete.
Pum!
Li Xuanwu escancarou a porta com um chute. Diferente do exterior, a sala era impecavelmente limpa; nem sangue, nem cadáveres.
Ele entrou cambaleando e rapidamente avistou o alvo — um chiclete verde brilhante sobre a mesa.
O chiclete estava embalado em uma caixa de metal, com um aspecto sofisticado.
Ao vê-lo, Li Xuanwu sorriu de felicidade. Gritando e rastejando, chegou até o chiclete e o pegou.
Nesse instante, a porta atrás dele foi arrombada — Jin Canjun também chegara.
Ao ver o chiclete nas mãos de Li Xuanwu, Jin Canjun ficou horrorizado, largando qualquer disfarce e explodindo em insultos.
— Maldito Li Xuanwu, pare já! Isso é meu!
Li Xuanwu olhou para ele, e um sorriso frio surgiu em seu rosto.
— Durante todo esse tempo, sempre que o mundo do pesadelo termina, os benefícios são seus, a honra é sua, até as mulheres mais belas e sedutoras são suas. O que sobra para nós?
Jin Canjun ficou lívido.
Jamais imaginara que o traidor se rebelaria justo agora.
Aquele chiclete era valiosíssimo.
Não podia permitir que Li Xuanwu o pegasse.
— Maldito! Sem mim, você e seu irmão não passariam de ratos de esgoto, nunca entrariam em Seul!
Enquanto falava, as veias da testa saltavam de raiva.
— Tudo o que vocês têm hoje fui eu que lhes dei. E agora quer me trair? Você é mesmo um animal!
Li Xuanwu começou a rir convulsivamente.
— Canjun, diga o que quiser, mas o chiclete agora é meu!
Nessa altura, seu nível de terror já estava em 88%. Precisava comer o chiclete o mais rápido possível.
— Desgraçado!
Ao ver Li Xuanwu estendendo a mão, Jin Canjun ficou com os olhos arregalados de fúria, já sabendo que não conseguiria impedir o rival.
Gritou:
— Eu não vou te perdoar! Vou te matar! Vou te matar!
No entanto, antes que terminasse a frase, percebeu que Li Xuanwu estava imóvel, completamente paralisado.
Ao ver aquilo, Jin Canjun pensou que o outro havia congelado de medo, sentindo-se satisfeito.
Rapidamente, aproximou-se, arrancou o chiclete das mãos de Li Xuanwu.
Estranhamente, Li Xuanwu não reagiu de modo algum.
Quando Jin Canjun abriu a caixa, também ficou perplexo.
Dentro, nada. Vazia.
— Onde está o chiclete?
Perguntou Jin Canjun.
Li Xuanwu balançou a cabeça, murmurando:
— Como pode não estar aqui? Como pode não estar aqui?
Jin Canjun franziu o cenho:
— Será que o caçador pegou?
Logo descartou essa hipótese.
Itens especiais como chiclete têm restrições no mundo do pesadelo. Mesmo que o caçador o pegue, não pode usar. Após algum tempo, o chiclete retorna ao local original.
Ou seja, apenas um fugitivo poderia ter feito isso.
Mas quem?
A expressão de Jin Canjun ficou cada vez mais sombria.
Logo pensou em alguém.
Mordeu os dentes e pronunciou o nome:
— Park Mi-hye!
— Até você me traiu?
Alguns minutos antes.
Em algum ponto do ginásio.
Park Mi-hye, inconsciente, despertou lentamente.
Ao abrir os olhos, percebeu que segurava um doce brilhante na mão.
Reconheceu de imediato o que era, e um brilho de cobiça surgiu em seus olhos.