117: Trabalho em equipe
A situação já estava bastante clara naquele momento. Eles precisavam sair dali em cinco minutos, caso contrário seriam engolidos pelo incêndio. Embora o combustível tivesse sido derramado por Jesse, Yorick acreditava que, mesmo se ele não tivesse agido, Ye Huan encontraria outra maneira de criar aquela situação. Pensando nisso, Yorick respirou fundo e falou com firmeza:
— Todos, procurem pistas no local! John Cramer não mata sem motivo!
Ele dizia isso não por confiar em Ye Huan, mas porque essa era a regra de John Cramer. Seu jogo era extremamente elaborado, e os caçadores comuns, uma vez presos, não conseguiam escapar. Contudo, se conseguissem superar aquela fase, a recompensa seria generosa.
Yorick olhou ao redor. A única pista que Ye Huan dera era que as correntes deveriam ser presas aos cintos de cada um. Embora parecesse uma armadilha que os prenderia, não havia outra saída.
Mordendo o lábio, ele ordenou:
— Cada um, pegue a corrente com seu nome.
Muitos olharam para ele surpresos. Um dos integrantes questionou incrédulo:
— Chefe, isso é claramente uma armadilha dos dragões. Vamos mesmo cair nessa?
O rosto de Yorick endureceu.
— Nos jogos de John Cramer não existem becos sem saída, lembrem-se, nem ele próprio pode contrariar essa regra.
John Cramer realizava esses jogos sob o pretexto de punir aqueles que não valorizavam seus corpos. Em outras palavras, todos os selecionados tinham pecados originais; bastava purificá-los para sobreviver.
Sem hesitar, Yorick puxou a corrente e a prendeu em si. Influenciados por ele, os outros integrantes também começaram a fazer o mesmo.
Por fim, quando Jesse, visivelmente irritado, colocou a corrente no corpo, todos os membros do time B estavam conectados às correntes.
Com um estrondo, o dispositivo cilíndrico no centro da sala começou a girar. Logo, parte da superfície irregular afundou, revelando sulcos em forma de impressões de mãos.
Naquele instante, a voz de Ye Huan ecoou:
— Para sair deste quarto prestes a ser consumido pelo fogo, basta colocar a mão direita no sulco correspondente.
— Durante esse processo, uma pessoa que cometeu um grave pecado será punida: seu braço direito permanecerá para sempre aqui.
— Apenas sangue e carne verdadeiros podem abrir a porta da vida.
— Se a pessoa punida retirar o braço antecipadamente, a porta se fechará para sempre.
— Então, você está disposto a sacrificar seu braço pelo time? Vamos aguardar sua decisão.
As palavras de Ye Huan deixaram todos perplexos. Agora, até os mais tolos entendiam. Para salvar o grupo, um dos escolhidos teria que amputar o próprio braço; caso contrário, todos morreriam.
O silêncio tomou conta do ambiente. Queriam sair dali, mas ninguém desejava ser o alvo de Ye Huan. Afinal, aquela equipe era a elite da nação, representando sua força máxima. Perder um braço, por qualquer motivo, significava ser expulso rapidamente.
Vendo o silêncio, Yorick declarou:
— Fiquem tranquilos, é só um braço, não é fatal.
— Quem quer que sofra o ataque de Ye Huan, todos nós lembraremos desse sacrifício.
— Eu, Yorick, pessoalmente, recompensarei você com um milhão!
Sem mais, ele se aproximou do dispositivo e colocou a mão. Lentamente, seu braço foi fixado por um mecanismo interno, impossibilitando retirá-lo.
Inspirados pelo capitão, os demais também colocaram as mãos nos sulcos.
Porém, durante o processo, alguém expressou descontentamento.
— Capitão, acho que você confia demais nesse dragão — disse Jesse, encarando Yorick, palavra por palavra.
— Isso não seria uma violação das regras?
— Seu idiota! — Yorick estremeceu de raiva.
— Ye Huan segue apenas as regras dos caçadores. Não confio no dragão, mas nos dados do nosso conselho.
Jesse, embora duvidando, acabou por colocar a mão.
Logo, todas as mãos do time B estavam dentro dos sulcos.
Mais uma vez, a voz de Ye Huan ressoou:
— Senhor Garcia, no mundo real, você destruiu uma família apenas porque a dona da casa lhe agradava.
— Como caçador, lamento usar este jogo para testá-lo.
— Felizmente, seu time escapou da morte por pouco.
Assim que a voz cessou, lâminas afiadas surgiram diante de Garcia, girando ameaçadoramente.
Ele ficou pálido e gritou:
— Foi aquela mulher que me seduziu primeiro! Não!
Tentando puxar a mão, foi imediatamente impedido por um tapa rápido de Jesse no ombro.
Jesse, furioso, o encarou:
— Se você tirar a mão, todos nós morreremos!
— Mas, mas...
Garcia tremia, olhando para Yorick com súplica.
— Capitão, você sabe minha profissão. Se perder a mão direita, estou acabado.
Garcia era cidadão de um pequeno país ao sul da Nação Farol, escultor de barro, capaz de criar peças delicadas com as mãos, similares a um bartender básico. Era um personagem marginal dentro da equipe.
Perder o braço significava o fim de sua carreira. Tinha muitos inimigos e, sem o grupo, estaria condenado.
Enfurecido, ele lutava e gritava:
— Não posso perder o braço! Não me obriguem! Isso é conspiração dos dragões!
Quando parecia que puxaria o braço, um vento forte soprou por trás dele. Jesse, empunhando seu enorme machado com uma mão, desferiu um golpe contra a nuca de Garcia.
— Não envergonhe o time B, seu inútil! — rugiu Jesse.