118: A resposta é...
Estrondo!
O machado gigante de Jesse desceu com força avassaladora. Mesmo sendo empunhado com apenas uma mão, o golpe cortou o ar com um assobio pesado e letal. Ouviu-se apenas um baque surdo e, antes que os outros pudessem reagir, a parte de trás da cabeça de Garcia explodiu em sangue. Ele tombou inerte no chão, sem emitir mais nenhum som. Estava claro: Garcia estava mais morto do que nunca.
Clang!
Assim que Garcia perdeu toda a resistência, as lâminas do dispositivo entraram em ação. O som de metal cortando carne ecoou pelo recinto. Quando os outros olharam novamente, a mão direita de Garcia havia sido completamente decepada.
— Seu maldito! — Yorick, furioso, encarou Jesse assim que tudo terminou. — O que você fez?
Jesse olhou para ele com desdém.
— Eu salvei a todos nós. Fiz o que você deveria ter feito.
Yorick rugiu:
— Era preciso sacrificar o Garcia? Você sabia muito bem quais eram as preocupações dele!
Jesse deu uma risada fria:
— Nosso objetivo sempre foi Ye Huan, Yorick. Não me diga que você perdeu o foco.
Yorick, ciente da gravidade da situação, respirou fundo e apontou o dedo para Jesse, com um olhar gélido.
— Esta é a última vez, Jesse. Se você ousar tocar em um dos meus homens novamente, eu matarei você!
Jesse apenas zombou, mantendo-se em silêncio. Ambos eram especialistas em força bruta, mas Yorick era ligeiramente superior, o que explicava a constante tensão entre os dois.
*Click, clack!*
Enquanto discutiam, o dispositivo que os prendia começou a se soltar, permitindo que recuperassem a liberdade de movimento. Assim que as correntes caíram, um estrondo ecoou pela sala. Ao olharem para cima, viram o dispositivo cilíndrico, junto com o braço decepado de Garcia, descendo lentamente. Simultaneamente, ouviram o som de uma grande porta se abrindo. O ruído parecia vir debaixo de seus pés.
Yorick caminhou até o centro da sala e percebeu que, com o rebaixamento do dispositivo, uma tampa de ferro circular havia surgido no chão. Ao abri-la, um novo cômodo foi revelado. A saída estava logo abaixo!
Ao verem aquilo, todos ficaram atônitos. Quão profundo era aquele lugar maldito? Onde eles chegariam se continuassem descendo? Seria... o inferno?
Yorick foi o primeiro a pular. O cômodo não era alto, cerca de dois metros e meio, e, graças à sua compleição física, ele aterrissou sem dificuldade. Ao se estabilizar, observou o local e franziu a testa. Era quase idêntico ao anterior, apenas um pouco mais iluminado. O que o deixou inquieto foi um entalhe retangular no centro do chão, do tamanho de um adulto. Embora estivesse vazio, Yorick sentiu um perigo instintivo.
A Equipe B contava com nove homens. Yorick sabia que os métodos de Ye Huan não seriam "gentis"; cada sala seria mais perigosa que a anterior. Enquanto ele refletia, os outros membros saltaram. Quando o último deles chegou, um movimento estranho ocorreu acima: a tampa de ferro foi fechada novamente.
Os membros da Equipe B se entreolharam, chocados. Não havia mais ninguém lá em cima, exceto o cadáver de Garcia. Aquilo não poderia ter sido obra dele. A conclusão era óbvia: Ye Huan estava logo acima de suas cabeças.
— Merda, ele está brincando com a gente!
Jesse xingou e ergueu seu machado para golpear o teto, mas Yorick o deteve com um grito autoritário.
— Pare! Já esqueceu o que aconteceu quando você agiu por conta própria?
Jesse parou o movimento bruscamente, furioso.
— Ele está bem acima de nós! Por que você me impede? Se eu o matar...
Yorick o interrompeu, impaciente.
— Ye Huan é cem vezes mais astuto do que você imagina. Tudo o que você consegue pensar, ele já previu. Aposto minha mão que, se você atacar o teto agora, disparará uma armadilha. Quer apostar?
Diante daquela ameaça, Jesse, sempre tão agressivo, recuou. Para um fugitivo focado em força bruta como ele, suas mãos eram seu bem mais precioso. Ele não podia correr aquele risco.
— Você é o capitão, seguirei suas ordens... mas, se algo der errado, a responsabilidade será toda sua — disse Jesse.
— Não preciso que você me diga o que fazer — respondeu Yorick friamente.
Após a discussão, a voz de Ye Huan ecoou novamente nos ouvidos dos fugitivos:
— *Bom trabalho, senhores. Bem-vindos à segunda fase. Nesta etapa, vocês precisarão trabalhar em equipe para realizar uma tarefa. Ela envolve a vida de todos vocês...*
Enquanto Ye Huan falava, o entalhe retangular no centro do cômodo se abriu lentamente. Um caixão de vidro emergiu. Dentro, jazia um cadáver com o rosto desfigurado por cortes de faca, mas os fugitivos reconheceram imediatamente o uniforme da Equipe A. Era um corpo ensanguentado de um de seus rivais.
Alguns sentiram um calafrio, um presságio de seu próprio fim. A voz de Ye Huan continuou:
— *Este é um corpo sem nome. Ele está contaminado com uma neurotoxina letal. Essa toxina corrói seus nervos silenciosamente; quando atingir o nível crítico, vocês perderão toda a capacidade de resistência. Mas não se preocupem, o antídoto está escondido em algum lugar. Se resolverem o enigma, sobreviverão. A pista está no bolso do casaco do cadáver. Observem: a toxina fará efeito total em dez minutos. E, meia hora após o efeito, o incêndio lá em cima consumirá tudo. Apressem-se para o próximo nível.*
A voz de Ye Huan desapareceu, deixando uma atmosfera tensa. Todos olharam uns para os outros, horrorizados com a percepção de que, se Jesse tivesse atingido o teto, a gasolina teria vazado e o fogo os teria alcançado. Eles olharam para Yorick com gratidão.
Yorick aproximou-se do cadáver e, após revistar o bolso do casaco, encontrou um pedaço de papel manchado de sangue. Ao abri-lo, leu apenas uma frase:
*O antídoto está no cérebro de Yorick.*