Capítulo Quatorze: Cheng Fei, o Gordinho (Por Favor, Vote!)
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Antes de começar a mudar as coisas de lugar, ele decidiu primeiro procurar algumas roupas para trocar de roupa.
Afinal, no mundo real já era abril! O tempo havia esquentado. Embora ainda não estivesse na época de ligar o ar-condicionado, dentro de casa já não era necessário usar casaco.
Como aquele pátio residencial agora pertencia a ele, tudo o que havia ali também era dele.
Li Le abriu a porta da sala principal e foi até o quarto dar uma olhada. De fato, havia bastante roupa, mas todas eram do tipo usado por pessoas mais velhas.
Naquele momento, Li Le não podia se dar ao luxo de escolher. Pegou qualquer conjunto e o vestiu; depois compraria roupas novas.
Embora todos os seus pertences tivessem desaparecido, inclusive o celular, o dinheiro ainda não havia sumido! Ele continuava na conta do Alipay.
Bastava conseguir um celular e entrar na conta para recuperar o acesso ao dinheiro.
Sim, naquele momento ele sequer tinha dinheiro para comprar um celular, mas isso não era um problema. Poderia pedir um empréstimo temporário ao seu veterano, Zhou.
Cheng Fei tinha vinte e oito anos, era conhecido pelo apelido de Gordo, media um metro e oitenta e dois e pesava pelo menos cento e vinte quilos.
Era um herdeiro de família rica. A casa de sua família ficava a nordeste do pátio de Li Le, a menos de quinhentos metros em linha reta.
Também era um pátio residencial tradicional. Embora não fosse tão grande quanto aquele, ocupava uma área superior a quinhentos metros quadrados.
Li Le já havia ido à casa dele algumas vezes. Seus pais eram muito gentis e tratavam Li Le realmente bem; embora não o considerassem exatamente um filho, a diferença não era grande.
Cheng Fei era seis anos mais velho que Li Le. Quando Li Le estava no primeiro ano da faculdade, Cheng Fei cursava o último ano do mestrado.
Os dois haviam escolhido a mesma área de estudos, mas trabalhavam em departamentos diferentes na empresa.
Cheng Fei trabalhava no departamento de investimentos como supervisor, enquanto Li Le era apenas um pequeno funcionário do departamento comercial. Embora os conhecimentos de Li Le sobre finanças não fossem inferiores aos de Cheng Fei — e fossem até um pouco melhores —, ele não possuía um diploma tão elevado quanto o do amigo.
Desde criança, Li Le sempre fora um aluno brilhante. Se seus pais não o tivessem impedido de avançar séries, provavelmente já teria concluído o mestrado e estaria trabalhando.
Ainda assim, aos dezessete anos ele fora aprovado em uma universidade de primeira linha, integrante dos programas 985 e 211, e se formara aos vinte e um.
Não era que não pudesse fazer um mestrado; simplesmente não queria. Durante a faculdade, já havia estudado todo o conteúdo do curso de pós-graduação.
Essa era também a razão pela qual conhecera Cheng Fei. Assim que entrou no primeiro ano, sempre que não tinha aula, saía por aí assistindo às aulas dos outros.
Fossem disciplinas de graduação ou de pós-graduação, ele assistia a todas. Foi justamente durante uma dessas aulas que conheceu Cheng Fei.
Depois de trocar de roupa, Li Le voltou ao quarto de antes — o espaço designado para a viagem entre mundos — e primeiro levou as antiguidades e as pinturas para a sala de estar.
Em seguida, foi buscar o vinho e o transportou para um dos quartos laterais.
Quando retornou à sala, Li Le viu, como esperava, um título de propriedade sobre a mesa. Abriu-o para verificar e descobriu que o nome registrado realmente havia mudado para Li Le.
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Li Le guardou o título de propriedade em um lugar seguro. A essa altura, já estava quase uma da manhã. Ele ainda arrumou a cama e, assim que se deitou, adormeceu. Afinal, teria de trabalhar no dia seguinte!
Logo cedo, Li Le acordou e se levantou apressadamente para se lavar — lavar o rosto e enxaguar a boca de verdade.
Não havia outro jeito. Como tudo desaparecera, ele nem sequer tinha escova ou pasta de dentes, e só pôde fazer uma higiene rápida.
Quando achou que já estava na hora, Li Le saiu, trancou o portão e foi para a rua.
— Irmão, posso usar seu celular para fazer uma ligação? — perguntou depressa ao encontrar um jovem passando.
— Claro, pode ligar.
O jovem entregou-lhe o celular.
— Obrigado!
Li Le pegou o aparelho e ligou para Cheng Fei.
— Alô! Quem é? Quem liga tão cedo? — perguntou Cheng Fei, ainda sonolento.
Não era preciso dizer mais nada. Só pela voz, dava para saber que ele ainda não havia saído da cama.
— Fei, sou eu.
— Lezi! Por que está me ligando tão cedo? — Ao saber que era Li Le, Cheng Fei pareceu despertar um pouco.
— É o seguinte: perdi meu celular. Daqui a pouco, compre um para mim. Aproveite e compre também uma muda de roupa. Encontramo-nos na empresa.
— Está bem. Vou me levantar agora e, depois do café, compro tudo para você — concordou Cheng Fei.
— Certo! Então espero por você na empresa.
As roupas que Li Le vestia até podiam ser usadas para sair, mas eram antiquadas demais.
Depois de desligar, Li Le devolveu o celular ao jovem.
— Obrigado, irmão!
— Não precisa agradecer. Foi só uma ligação.
De fato, hoje em dia ninguém se importava com aquilo.
Quando o jovem se afastou, Li Le bateu na testa.
— Droga! Esqueci de pedir ao Cheng Fei para trazer o café da manhã.
Depois de dizer isso, massageou o estômago. Não havia nada a fazer: naquele momento, não tinha um único centavo consigo e teria de passar fome.
Ainda era cedo. Se fosse para a empresa naquele instante, provavelmente o prédio nem estaria aberto, por isso Li Le não tinha pressa.
Além disso, sem dinheiro, não podia pegar um táxi nem um ônibus. Nem sequer conseguia desbloquear uma bicicleta compartilhada.
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Só lhe restava ir a pé. Felizmente, a empresa não ficava muito longe; a caminhada levaria menos de meia hora.
Mesmo assim, Li Le queria chegar cedo, de preferência trocar de roupa antes do início do expediente.
Meia hora depois, Li Le chegou à frente do prédio da empresa. O edifício não pertencia inteiramente à companhia; ela ocupava apenas dois andares.
Tratava-se de um edifício comercial com mais de dois mil metros quadrados e mais de trinta andares. Podia ser considerado o melhor prédio comercial das redondezas.
A empresa onde Li Le trabalhava chamava-se Investimentos Xinrong e possuía ativos de vários bilhões.
E isso se referia apenas aos ativos próprios da empresa, sem contar o dinheiro dos clientes. Somando os recursos administrados, o total chegava facilmente a cinco ou seis bilhões.
Não era possível compará-la às maiores empresas de investimentos, mas sem dúvida era uma grande companhia — mesmo estando na capital.
Afinal, uma empresa de investimentos era diferente das outras: seus ativos eram essencialmente dinheiro em espécie!
Muitas empresas anunciavam um valor de mercado de dezenas ou centenas de bilhões, mas, se alguém lhes pedisse alguns bilhões ou mesmo algumas centenas de milhões em dinheiro vivo, provavelmente poucas conseguiriam apresentar essa quantia.
As portas do edifício ainda não estavam abertas. Sem alternativa, Li Le dirigiu-se à guarita dos seguranças.
Embora não soubesse seu nome, o segurança reconhecia Li Le. Ao vê-lo chegar, perguntou:
— Ué! Por que veio tão cedo hoje?
— Saí para me divertir ontem à noite e não voltei para casa. Então vim diretamente para a empresa esta manhã — mentiu Li Le.
Não havia outra explicação possível. Com aquelas roupas, ele não parecia alguém que tivesse acabado de sair da própria casa.
Ao ouvir aquilo e olhar para as roupas de Li Le, o segurança exibiu um sorriso malicioso.
De fato, com aquele traje, Li Le realmente parecia ter ido à casa de uma garota, passado a noite lá e saído na manhã seguinte vestindo as roupas do pai dela.
— Você pode parar de fazer essa cara maliciosa? — Li Le lançou-lhe um olhar reprovador.
— Não estou fazendo cara nenhuma.
O segurança dizia que não, mas, por mais que se olhasse, aquele sorriso parecia exatamente o que ele negara.
Li Le também se sentia impotente. A culpa era de ter saído vestido daquele jeito. Qualquer pessoa acabaria pensando besteira.
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