Capítulo Quinze: O Coração da Fofoca (Por favor, votos! Obrigado!)
Depois de esperar quase uma hora, um jipe da Beijing passou. Nem era preciso olhar a placa para saber que era o Cheng Fei.
Naquele prédio comercial, só o Cheng Fei dirigia esse tipo de carro. Não é que o carro fosse ruim, mas ele era grande demais; nenhuma mulher dirigiria algo assim. Quanto aos homens, quem tem dinheiro para comprar esse carro já compra um BBA, ninguém compra esse modelo! Além disso, o carro não é barato, custa mais de quarenta mil. Por que o Cheng Fei comprou? Porque ele não consegue se acomodar em um sedã comum.
Quando Li Le viu Cheng Fei, este também o viu, estacionou o carro e desceu, dizendo: “Eu estava me perguntando por que você saiu assim vestido?”
“Deixa isso pra lá, você comprou a roupa? Vou trocar e depois falamos,” respondeu Li Le.
“Comprei, está no banco de trás, junto com o celular. Ah, o chip no celular é meu… quando você arrumar o seu, me devolve,” disse Cheng Fei.
“Ah, que atencioso você, Fei, nem tinha pensado nisso!” Li Le bateu a mão na testa.
Cheng Fei revirou os olhos e perguntou: “Vai trocar aqui ou no carro?”
“Claro que no carro,” Li Le puxou a porta e entrou.
Cheng Fei balançou a cabeça e entrou também, dirigindo para dentro e estacionando o carro.
Nesse momento, Li Le já tinha trocado de roupa e estava mexendo no celular.
O aparelho era um Huawei novo, igual ao que Cheng Fei usava. Não era que não pudessem comprar um iPhone, mas a empresa tinha uma regra: só era permitido usar Huawei.
“Diz aí, Lezi, o que está acontecendo com você?” Cheng Fei, curioso, perguntou.
“Que nada, não tem nada demais,” Li Le fingiu não entender.
Vendo isso, Cheng Fei percebeu que Li Le não queria falar e não insistiu.
“E aí, Lezi, já achou um lugar para morar? Quando vai se mudar? Se quiser, pode morar na minha casa, não falta espaço,” Cheng Fei sugeriu.
Li Le ficou confuso, não entendeu a situação. Afinal, foi o próprio Cheng Fei quem arranjou a casa na vila tradicional e até ajudou a mudar.
Mas agora ele perguntava se Li Le já tinha encontrado um imóvel e quando se mudaria.
Li Le ficou meio perdido, mas logo entendeu: devia ser coisa do sistema.
Não só transformou aquela vila tradicional em propriedade de Li Le, como também mudou suas memórias, ou talvez nunca tivesse acontecido nada disso.
O sistema era realmente poderoso! Só não sabia se o casal idoso ainda existia.
“O hospedeiro pode ficar tranquilo, o casal ainda existe, mas nunca tiveram essa propriedade na vila. No entanto, sua fortuna aumentou em cerca de dez bilhões,” o sistema informou.
“Dez bilhões?” Li Le engoliu em seco.
Mas não era hora de pensar nisso.
“Fei, já terminei de me mudar,” Li Le disse.
“Terminou? Para onde foi?” Cheng Fei perguntou, lembrando que dias atrás Li Le ainda procurava um lugar por perto.
“Para perto da sua casa, também numa vila tradicional,” respondeu Li Le.
“Ah, então está ótimo. E o dinheiro, deu conta?”
Cheng Fei pensava que Li Le havia alugado um quarto numa vila tradicional, mas os aluguéis eram caros!
“O suficiente, não é caro, moro num lugar barato,” Li Le respondeu, querendo confundir um pouco, falando de aluguel e moradia de forma ambígua para que Cheng Fei pensasse que ele alugava.
Não sabia explicar direito, esperava só que, quando Cheng Fei descobrisse que ele não estava sem dinheiro, não precisaria mais justificar nada.
“Não é caro?” Cheng Fei ficou surpreso.
Alugar numa vila tradicional e não ser caro? Ele sabia que era difícil, porque morava numa dessas.
No centro da cidade, uma vila tradicional não tem prédios altos ao redor, tem luz solar o dia todo, e o local é excelente, perto da sua casa. Mesmo alugando um quarto, o preço não seria barato.
Há pouco tempo, havia um post na internet sobre um casal que trabalhava há quase vinte anos na capital e gastou todas as economias para comprar um quarto de passagem num cortiço. O quarto tinha dois metros de largura, menos de cinco metros de comprimento, e custou mais de 2,6 milhões de yuans, a 1,5 km da Cidade Proibida.
Mesmo que fosse para a escola dos filhos, o preço era absurdo: mais de quarenta mil yuans por metro quadrado.
Cortiços e vilas tradicionais são coisas completamente diferentes, mas mesmo assim os preços já eram altíssimos, imagine uma vila tradicional.
Embora Li Le só alugasse, o preço não era algo que seu salário pudesse cobrir.
“Não é aluguel, só estou cuidando do lugar, então praticamente não gasto nada,” explicou Li Le.
“Ah, entendi, que bom,” Cheng Fei acenou com a cabeça, compreendendo.
“Ha ha ha, ótimo, assim você não precisa mais perder horas no trânsito todo dia,” Cheng Fei comentou, feliz por Li Le.
Os dois eram muito próximos. Cheng Fei cuidava bem de Li Le. Foi ele quem ajudou Li Le a entrar na Xinrong Investimentos e conseguir o cargo fixo.
Naquele momento, Li Le entrou no WeChat e no Alipay.
“Fei, quanto te passo?”
“Nem pense nisso, depois me convida pra jantar,” Cheng Fei respondeu e saiu do carro.
Li Le balançou a cabeça, sem escolha, e também desceu.
“Você procura o lugar, me avisa quando achar,” Cheng Fei disse.
Li Le sabia que, se Cheng Fei falou assim, não queria o dinheiro mesmo.
Para os outros, aquela quantia não era pouca, mas para Cheng Fei, era o preço de uma garrafa de vinho, e nem isso ele pagaria.
Claro, Li Le não deixaria de mostrar gratidão; daria um jantar decente para Cheng Fei, pelo menos não menos do que o valor das compras.
“Combinado, então, vou trabalhar,” Cheng Fei deu um tapinha no ombro de Li Le.
“Certo.”
Os dois entraram juntos e pegaram o elevador, mas em andares diferentes.
Na Xinrong Investimentos, o departamento de investimentos ocupava quase metade do vigésimo oitavo andar. O restante era do escritório do chefe, além dos departamentos financeiro e de recursos humanos.
Li Le trabalhava no departamento comercial, no vigésimo sétimo andar.
“Fei, vou indo,” disse Li Le quando o elevador parou no vigésimo sétimo andar.
“Ok.”
Li Le chegou cedo e, ao entrar no grupo cinco do departamento comercial, não havia ninguém ainda. Faltava mais de meia hora para o expediente começar.
Quem chegaria tão cedo? A não ser que fosse por algum motivo especial, Li Le não teria vindo naquele horário.
Meia hora passou e os colegas começaram a chegar.
“Ei, Li Le, você chegou cedo hoje!”