Capítulo Nove: O Bule de Barro Roxo
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— Ah, Senhor Liu, eu vi que você estava interessado naquele vaso de porcelana azul e branca, por que desistiu da compra? — perguntou Li Le.
— Muito caro — respondeu o Senhor Liu, sem acrescentar mais nada.
— Como assim? Você gostava daquele vaso? — o Senhor Liu lançou um olhar para Li Le.
Li Le coçou a cabeça e disse: — É, tem um certo interesse.
— Eu te aconselho a não comprar, o preço está muito alto. Eu pagaria até 1,2 milhão, que já ultrapassa o valor real. 1,5 milhão? Vamos ser realistas: nos próximos vinte anos, ele não valerá esse preço.
— Ah! — Li Le ficou surpreso.
Se fosse outra pessoa, ao ouvir isso, certamente desistiria da compra. Mas Li Le era diferente, ele era um viajante do tempo.
1,5 milhão era realmente muito alto, equivalente a quatro ou cinco meses de salário de um trabalhador comum.
Mas o que são quatro ou cinco meses de salário? No futuro, quem conseguiria comprar um vaso assim com esse valor?
Nem mesmo quatro ou cinco anos de trabalho seriam suficientes para comprar algo assim.
— Senhor Liu, por favor, me diga o que acha daquele vaso — pediu Li Le.
— É uma peça pequena e fina, mas não vale o preço. Pelo preço atual, no máximo vale um milhão. Se você quiser colecionar, 1,2 milhão é o limite.
Ao ouvir isso, Li Le entendeu: era uma pequena peça fina, e atualmente não tinha muito valor, era o que o Senhor Liu queria dizer.
— Senhor Liu, eu ainda sou jovem. Se eu colecionar agora, quando ficar velho poderei apreciá-lo.
— Ah! — o Senhor Liu ficou surpreso, olhando para Li Le, disse: — Se for assim, não tenho mais o que dizer.
De fato, o vaso não teria muito potencial de valorização nos próximos vinte anos, mas e em quarenta? Afinal, Li Le ainda era jovem!
Ele não viveria para ver, mas Li Le sim!
— Senhor Liu, meu nome é Li Le e moro na Rua Portão Leste — disse Li Le sorrindo.
Ao ouvir isso, o Senhor Liu olhou surpreso e sorriu amargamente balançando a cabeça: — Está bem, então compre.
Quem morava na Rua Portão Leste não tinha uma vida simples, pelo menos sua condição era melhor que a do próprio Senhor Liu. Por isso, a reação dele ao ouvir isso foi assim.
Pelo menos as pessoas daquela região não passavam necessidade, e geralmente eram mais ricas que o Senhor Liu. Para alguém sem problemas financeiros, pagar 1,5 milhão por uma pequena peça fina não era algo significativo.
Mas o que ele não sabia era que Li Le era um caso à parte. Morava na Rua Portão Leste, mas estava realmente sem dinheiro.
— Senhor Liu, não tenha pressa, na verdade eu quero comprar mais duas peças, claro, com preços não tão altos, algo em torno de quarenta a cinquenta mil. Será que o senhor pode me ajudar a escolher? — perguntou Li Le.
O Senhor Liu pensou um pouco e disse: — Está bem.
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Com a orientação do Senhor Liu, Li Le comprou uma chaleira de porcelana roxa e um estojo de tinta, ambos com preços razoáveis: a chaleira por cinquenta e cinco mil e o estojo por quarenta e dois mil.
Claro, ele também não esqueceu o vaso azul e branco, e assim, gastou quase metade de sua fortuna.
Mas essa fortuna era apenas dinheiro, sem incluir a casa.
— Senhor Liu, obrigado. Que tal eu te convidar para jantar? Você escolhe o lugar — disse Li Le, depois de receber os objetos.
— Não precisa, foi uma ajuda pequena — recusou o Senhor Liu.
Isso deixou Li Le um pouco desconfortável. Para o Senhor Liu, era realmente um gesto simples, mas para Li Le, significava muito.
— Senhor Liu, se o senhor não aceitar, eu vou ficar mal comigo mesmo. Você me ajudou tanto, não posso deixar de convidá-lo para jantar.
— Ah! Não é nada. Além disso, hoje tenho um compromisso. Que tal na próxima vez? Da próxima vez, com certeza vou.
Li Le sabia que o Senhor Liu estava apenas dando desculpas. Não era certo dizer se eles se encontrariam de novo, mas já que ele disse assim, insistir não faria sentido.
— Tudo bem, mas da próxima vez você não pode recusar — Li Le concordou, aproveitando para sair por cima.
— Com certeza, com certeza. Aliás, você vai voltar agora? — perguntou o Senhor Liu.
Li Le pretendia sair, mas ao ouvir isso, respondeu rápido: — Não, vou dar mais uma olhada.
— Então, à tarde tem um leilão de caligrafia e pinturas. Se não tiver pressa, pode ir dar uma olhada.
Ao ouvir isso, os olhos de Li Le brilharam. Pinturas eram coisas valiosas e de grande valor.
Se conseguisse uma boa obra, valeria muito mais do que tudo que ele havia comprado.
— Não tenho pressa, só não sei onde fica — perguntou Li Le.
— Fica na Galeria de Pinturas Antigas, cerca de duzentos metros daqui — respondeu o Senhor Liu.
A Galeria de Pinturas Antigas era uma loja especializada em pinturas, caligrafia e artigos para escritório na região de Liulichang.
— Certo, eu sei onde fica. Vou levar essas coisas para casa, que é perto, e depois do jantar volto aqui — disse Li Le.
— Hum! — o Senhor Liu assentiu.
Ao sair da loja, Li Le não foi para casa. Primeiro, encontrou um beco vazio e guardou os objetos no espaço oculto.
Depois, procurou um pequeno restaurante próximo a Liulichang.
— Quero um prato de tiras de carne ao molho de feijão de Pequim e uma tigela de arroz — pediu Li Le ao garçom.
— Por favor, aguarde, já vai sair — respondeu o garçom.
— Hum!
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Para ser sincero, Li Le não gostava muito de tiras de carne ao molho de feijão de Pequim, mas não havia outras opções, como tiras de carne com pimenta.
Naquela época do ano, simplesmente não havia pimenta.
Não era como no futuro, quando independentemente da estação, sempre se encontrava qualquer tipo de verdura.
Depois do almoço, Li Le não foi direto para Liulichang, pois ainda faltava um tempo para o meio-dia.
Enquanto caminhava, chegou a uma loja. Era o ano de 1950, ainda sob controle militar, portanto não existiam cooperativas de distribuição.
Cooperativas só surgiram após a nacionalização mista, quando passou a ser necessário usar cupons para comprar alimentos.
Naquele tempo, quase tudo era privado, inclusive as lojas. Poderia-se dizer que as indústrias estatais eram raras ou mesmo inexistentes.
— Bem-vindo! O que deseja? — perguntou a atendente ao ver Li Le entrar.
— Quero comprar algumas garrafas de bebida alcoólica. Quais marcas vocês têm?
— Temos todas as marcas disponíveis na capital. Qual você prefere?
— Tem Maotai?
— Temos — confirmou a atendente.
— Quanto custa?
— Trinta mil por garrafa!
Na realidade, Li Le já tinha lido um livro dos anos 60 que dizia que Maotai custava cerca de 2,9 yuans.
Claro que naquela época era preciso ter um cupom para Maotai, mas agora, sem cupom, o preço de 30 mil equivalia a cerca de 3 yuans nos anos 60.
Ou seja, não era caro.
— Quero dez garrafas — pediu Li Le.
— Certo! Mais alguma coisa?
— Tem Xifeng?
— Temos.
— Também quero dez garrafas.
Li Le gostava de bebidas alcoólicas, e sua família também. Seu avô, sua avó, seus pais, todos gostavam de beber um pouco de vez em quando.