Capítulo Oito: O Jovem Mestre Liu, da Nobreza dos Oito Estandartes

O que fazer se eu puder voltar ao passado? O gume chega ao mundo 2398 palavras 2026-07-31 03:04:50

Ao voltar para casa, Luís tirou do espaço uma lebre selvagem, a esfolou e limpou as entranhas, colocando o animal inteiro na panela. Depois de adicionar água, ele pegou um punhado de pimenta vermelha e jogou dentro, pois adorava comida picante, quase ao ponto de não conseguir viver sem. Acrescentou alguns temperos e sal, e então acendeu o fogo, preparando-se para cozinhar a lebre.

Em um dia assim, desfrutar de uma refeição bem apimentada de lebre cozida era realmente agradável. Com a lenha bem arrumada, Luís voltou para dentro da casa para pegar algumas coisas; queria mudar de quarto para dormir, pois planejava designar o atual como seu quarto de viagem no tempo. Assim, quando conseguisse bons itens, os guardaria naquele quarto e, ao retornar ao mundo real, esses objetos viriam com ele.

O quarto estava praticamente vazio, então não levou muito tempo para esvaziá-lo. Olhando para o espaço vazio, Luís assentiu satisfeito. Enquanto isso, a lebre cozida estava pronta; ao abrir a tampa da panela, um aroma picante e delicioso se espalhou no ar. Luís estava muito satisfeito — esse sabor, desde que atravessara para esta época, era o primeiro que experimentava.

Sem perder tempo, tirou a lebre da panela e arrancou uma perna para começar a comer, sentindo uma onda de satisfação imediata. Comeu o animal inteiro e ainda bebeu meio prato da sopa, batendo na barriga e dizendo: "Que conforto."

Depois da refeição, lavou as panelas e utensílios, e voltou para o quarto para dormir. Na manhã seguinte, Luís não cozinhou; preferiu sair para um café da manhã com pão frito, leite de soja e dois grandes pães recheados. Gastou dois mil e trezentos yuans nessa refeição, um valor nada barato, suficiente para o sustento diário de uma pessoa.

Após o café, Luís foi até a Rua de Liulichang. No mundo real, sempre que alguém falava de antiguidades, citava-se dois nomes: o Mercado Panjiayuan e a Rua Liulichang. Panjiayuan só foi construído nos anos oitenta e noventa e, na época, ainda não existia, mas Liulichang já estava lá.

Luís queria ver se conseguia comprar algumas antiguidades para levar de volta, garantindo assim dinheiro no mundo real. Infelizmente, sua área de estudo não era essa, o que tornava tudo mais difícil. A rua não ficava muito longe de sua casa, então foi a pé. Chegando lá, percebeu que estava realmente movimentada.

Não era um período muito distante, era logo após a fundação do país, um tempo considerado próspero; como diz o ditado, em tempos de prosperidade, as antiguidades florescem, e em tempos de caos, o ouro se valoriza. Portanto, a agitação era natural. As lojas de antiguidades em ambos os lados da rua tinham muitos clientes entrando e saindo. Luís entrou em uma delas de forma casual.

A loja não era muito grande, tinha uns cinquenta a sessenta metros quadrados, modesta, mas razoável. Havia muitas pessoas no interior, e como Luís não entendia nada do assunto, ficou apenas observando as negociações e conversas sobre preços. Os valores eram altíssimos: um vaso que Luís julgava comum custava mais de um milhão; até mesmo um pequeno tabaco de rapé chegava a custar entre duzentos e trezentos mil.

Luís ficou perplexo. No mundo real, nos romances, uma porcelana imperial famosa custava apenas dez a vinte yuans, o que não correspondia em nada àquilo. O que Luís não sabia era que ele havia atravessado para uma linha temporal muito anterior; dali a alguns anos, os preços seriam até mais baixos do que nos livros, e alguns anos depois, os valores não seriam tão altos. Mas em 1950, logo após a fundação do país, a situação era diferente.

Muitos acreditavam que uma era de prosperidade havia chegado, incluindo alguns capitalistas, o que mantinha os preços das antiguidades elevados. Muitos desses capitalistas compravam para colecionar, fazendo com que os preços subissem ainda mais, principalmente os itens mais raros, cujos valores eram inimagináveis para Luís.

Em resumo, ele não podia comprar nada, nem mesmo com todo o dinheiro que tinha. Depois de observar por um tempo, sacudiu a cabeça e saiu, já que ninguém o atendia, provavelmente o considerando apenas um curioso.

Luís entrou então em outra loja, bem maior e com muito mais pessoas. Logo ao entrar, ouviu um homem de meia-idade dizer: “Dono da loja, e se a porcelana azul e branca for um pouco mais barata?” “Senhor Liu, isso não é possível, comprei por um preço alto! Me dê um lucro razoável.” “Cento e vinte mil, o senhor certamente vai lucrar!” respondeu o homem chamado Liu. “Senhor Liu, cento e vinte mil é realmente pouco; se quiser de verdade, cento e cinquenta mil e pode levar.”

Liu balançou a cabeça: “Cento e cinquenta mil está um pouco alto, vou dar uma olhada em outras coisas.” Luís não entendia de antiguidades, mas sabia que a porcelana azul e branca era valiosa, pois já ouvira falar. Claro que sabia que nem toda porcelana azul e branca era igual, mas isso não significava que aquela peça não fosse boa, caso contrário, o senhor Liu não teria se interessado.

Além disso, o fato de Liu ser chamado de “senhor” indicava que era um cliente fiel. Na capital do império, ser chamado assim significava ter uma posição importante, especialmente naquela época. Quanto aos que hoje se intitulam “senhor”, na maioria das vezes é apenas pose, com poucos verdadeiros descendentes de nobres.

“Então, fique à vontade para olhar, se gostar de algo me avise,” disse o dono da loja, encerrando a negociação sobre a porcelana. Luís, sem entender muito, decidiu acompanhar o senhor Liu. Este examinou vários objetos, mas não parecia encontrar o que procurava.

De repente, Liu percebeu Luís e perguntou: “Jovem, por que está me seguindo?” “N-nada, só quero comprar algumas antiguidades para colecionar, mas não entendo muito,” respondeu Luís, coçando a cabeça sem jeito.

Ele foi sincero, pois conhecia o temperamento daquelas pessoas e sabia que mentir só pioraria as coisas. “Ora, agora os jovens já sabem valorizar os tesouros deixados pelos antepassados?” Liu brincou. “Não, não, é só uma paixão,” Luís acenou rapidamente.

“Isso é bom! Mas cuidado, esse meio é complicado,” Liu olhou ao redor, sem terminar a frase. Luís entendeu o recado: não podia falar abertamente, pois poderia ofender alguém, mas ainda assim alertava.

“Entendido,” Luís assentiu, sem insistir. “Já que nos encontramos, é sinal de destino. Se gostar de algo, posso dar algumas dicas,” ofereceu Liu. “Não, só estou olhando,” respondeu Luís. “Assim está certo,” disse Liu, dando um tapinha no ombro de Luís.