Capítulo Cinco: Troca de galinha selvagem por banho
Ele olhava para a posição do sol para ter uma noção aproximada das horas.
Após quatro dias nas montanhas, com o corpo coberto de sangue, Li Le sentia-se imundo e desejava desesperadamente voltar para tomar um banho. Ele lamentava a falta de planejamento; se tivesse trazido uma muda de roupa extra, não estaria naquela situação.
Ao chegar em casa, já era meio-dia. Contudo, em vez de se preocupar com o almoço, Li Le pegou uma roupa limpa e dirigiu-se ao balneário.
— Patrão, quanto custa o banho? — perguntou ele ao entrar.
— Quinhentos!
O dono do estabelecimento era um homem gordo, na casa dos trinta anos, com um sorriso constante no rosto que o fazia parecer um Buda.
— Tem serviço de esfoliação e pedicure?
O proprietário acenou com a cabeça, sorridente:
— Temos, sim.
— Quanto fica tudo?
— Banho e esfoliação custam quinhentos, e a pedicure, mil. Ao todo, dois mil.
Se fosse outra pessoa, o dono teria apenas mencionado o valor total, mas ele explicou item por item antes de somar. Para Li Le, que viera de um futuro distante, aquilo era uma forma clara e honesta de cobrar, permitindo que o cliente soubesse exatamente pelo que estava pagando.
— Patrão, eu não tenho dinheiro, mas cacei algumas galinhas selvagens nas montanhas. O que acha de eu lhe dar uma em troca?
Os bolsos de Li Le estavam mais vazios que o rosto; não tinha sequer cem moedas, muito menos duas mil. Ele sabia que uma galinha selvagem valia mais do que o custo do banho, o que o deixaria no prejuízo, mas não podia se dar ao luxo de vender a caça vestindo aquela roupa imunda e sentindo-se tão desconfortável.
— Galinha selvagem? — Os olhos do dono brilharam. — É claro, pode ser!
Pelo porte físico do homem, percebia-se que era um apreciador da boa mesa; seria impossível recusar.
— Obrigado, patrão — disse Li Le, entregando-lhe a ave.
Após receber a galinha, o dono perguntou:
— Diga-me, meu jovem, quantas você conseguiu? Pretende comer todas ou vender o restante?
— Vou guardar uma para mim e vender o resto — respondeu Li Le.
— Ótimo! Venda-me as outras. Pago dez mil por cada uma.
Dez mil era um preço generoso, considerando que um quilo de carne de porco custava apenas cinco mil. Naquela época, as galinhas selvagens, por serem menores e terem menos carne que as galinhas domésticas, não eram tão valorizadas, mas para um entusiasta como aquele dono, o preço era justo.
— Sem problemas! Vou ficar com uma e lhe vendo as outras cinco. Assim que eu terminar o banho, vou buscar em casa e trago para você.
— Combinado, combinado! — concordou o dono, entusiasmado.
Como era meio-dia, o balneário estava vazio. Li Le desfrutou de um banho revigorante e deixou que o funcionário fizesse uma esfoliação completa. A técnica do especialista em pedicure também era impecável. Ao sair, Li Le sentia-se um homem novo. Era muito mais relaxante do que os centros de banho do futuro; aqueles mestres da higiene possuíam um talento genuíno.
Ao chegar em casa, deixou a roupa suja de molho e retirou cinco galinhas selvagens de seu estoque pessoal, levando-as ao balneário.
— Patrão, trouxe as galinhas! — gritou ele do lado de fora.
O dono apareceu rapidamente e, com um sorriso, fez um sinal de positivo com o polegar. Li Le não entendeu bem o gesto — afinal, era apenas uma entrega —, mas entregou as aves.
— Admiro a sua palavra, rapaz. Se tiver mais, pode trazer sempre. Compro quantas você tiver.
O dono imaginava que Li Le caçava no máximo oito ou dez aves por vez. Ele não sabia que, nesta última incursão, Li Le havia abatido centenas de galinhas e coelhos, sem contar os javalis e lobos. Li Le, por sua vez, não levou a promessa ao pé da letra; entregar dez ou vinte aves era viável, mas fornecer toda a sua caça seria um exagero.
— Certo, na próxima vez trarei algumas para você — prometeu.
Com as cinquenta mil moedas em mãos, Li Le voltou para casa. Precisava lavar sua única muda de roupa extra, pois, se o tempo esfriasse, ele não teria nada para vestir. Decidiu que, assim que tivesse dinheiro suficiente, compraria mais peças para se precaver.
Após lavar as roupas e preparar uma das galinhas para o almoço, sentiu-se satisfeito. Com uma galinha em uma mão e um coelho na outra, foi até a rua e montou uma banca improvisada entre tantas outras.
— Galinhas e coelhos selvagens fresquinhos, acabados de caçar! Venham conferir!
Em sua vida anterior, Li Le era vendedor, então o chamado não lhe causava vergonha; pelo contrário, sentia-se em seu elemento. Logo, uma senhora de meia-idade aproximou-se e agachou-se:
— Camarada, quanto custa essa galinha?
— Oito mil cada, pode escolher a que quiser.
No mercado, uma galinha doméstica custava dez mil. Como a selvagem era menor, Li Le pedia oito mil.
— Oito mil é caro, faça um desconto — insistiu a mulher, segurando uma das aves.
— Minha senhora, eu tive que entrar nas profundezas da floresta para conseguir isso, não posso baixar o preço — explicou ele.
Li Le ainda não se acostumara com as formas de tratamento daquela época. Queria chamar a mulher de "tia", mas o protocolo exigia "camarada". Acabou misturando tudo: "Senhora Camarada".
— Você, jovem camarada, pela sua idade, deveria me chamar de "Tia Camarada", não de "Senhora Camarada".
— Er... — Li Le coçou a cabeça. — Tudo bem, Tia Camarada.
A mulher riu e disse:
— Está bem, vou parar de implicar com isso. Quero uma.