Capítulo Dezessete: Mas Eu Me Recuso!
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“Mestre, como você pode pensar assim de mim?”
Desta vez, Lucas realmente chorou. Ele sempre considerou Kenshirou como um irmão ou até um pai, e todos do dojô eram amigos íntimos, quase como família, irmãos de alma. Nunca imaginou que seus sentimentos seriam tratados como lixo pelos outros.
Dói, dói demais.
“Como posso pensar em você? Como devo pensar em você? Como mais posso pensar em você?”
Kenshirou sentia seu corpo já frágil piorar com a raiva, e de repente, a tristeza o dominou, as emoções explodindo sem controle.
“Você só pagou uma vez no meu dojô, quinhentos mil berries, sabe quanto você come? Os outros discípulos comem em tigelas, mas você, seu comedor, come por baldes!”
A quantidade que esse comedor consumia dava para alimentar trinta discípulos. Desde que ele chegou, as despesas com alimentação do dojô dobraram. Além disso, cada vez que treinava, não poupava ninguém; os irmãos de treino ficavam quase mortos, três dias sem sair da cama.
O óleo medicinal também era usado sem parar nos irmãos de treino... Esse óleo era para ativar a circulação e dissipar hematomas.
Tudo isso custa dinheiro!
A taxa de quinhentos mil berries virou uma despesa de vinte milhões berries por causa desse comedor insaciável.
Se não expulsassem esse monstro devorador de dinheiro, o dojô teria que vender suas melhores espadas para continuar funcionando — primeiro as boas, depois as grandes, e depois não haveria mais o que vender.
E esse desavergonhado ainda teve a cara de pau de exigir uma boa espada com bainha. Não tem vergonha na cara.
Os irmãos também tinham reclamações. Quando Lucas chegou, mal conseguia segurar uma espada; em poucos meses, já os igualava, sua força aumentava drasticamente a cada treino, e vivia falando sobre como lutar era divertido, sempre batendo nos outros.
Em menos de meio ano, ele conseguia derrubar todo o dojô sozinho. Os irmãos tinham passado dez anos treinando duro e ainda não chegavam ao nível dele em poucos meses. Como não ficariam frustrados?
O mais irritante era que ele ainda ia tomar banho no vestiário, na frente de todo mundo.
Que falta de educação, nem um lenço para cobrir o pescoço.
Era como se não soubesse o que significa “honra masculina”.
Os irmãos mais velhos já haviam perdido a fé na disciplina do dojô por causa dele. Os mais jovens, embora acreditassem que ainda poderiam ultrapassá-lo, viviam procurando atalhos e truques para crescer rápido, desejando secretamente se dar um “fertilizante” enquanto urinavam.
Enfim, esse sujeito não podia ficar.
Kenshirou respirou fundo, controlou suas emoções e voltou ao modo de mestre benevolente. Tirou um envelope do bolso e entregou para Lucas.
“Este é o bilhete de barco que alguns de seus irmãos juntaram dinheiro para comprar. Você embarca amanhã de manhã. É um pequeno gesto deles, então não recuse.”
Lucas não esperava tanta frieza dos colegas, expulsá-lo assim de repente o machucou. Depois de tanto tempo juntos, ele gostava desses irmãos que comiam e moravam junto.
“Entendi, mestre. Vou arrumar minhas coisas esta noite.”
Ele pegou o envelope, suspirou com tristeza e perguntou:
“Não sei quando voltarei desta vez. Por favor, cuide bem da sua saúde e de todos.”
Eles vão cuidar da saúde melhor sem você.
Kenshirou sorriu aliviado.
“Fico feliz que pense assim. Quando puder, mande notícias ao dojô. Se não se adaptar lá fora, volte.”
“Mesmo?” Os olhos de Lucas brilharam.
Kenshirou piscou nervoso, mudando de assunto.
“A espada Yansun é uma boa espada. Não a desperdice. A espada escolhe o guerreiro, e você tem um vínculo com Yansun. Não abandone essa ligação facilmente.”
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“Pode deixar, mestre. Vou cuidar bem dela.” Lucas assentiu sério e continuou:
“Você disse que se eu não me adaptar lá fora...”
“Se possível, procure um de seus irmãos chamado Roronoa Zoro. Ele saiu e não voltou, o pessoal do dojô está preocupado.”
“Sem problema, se o encontrar, farei ele mandar notícias. Você disse que...”
Kenshirou tossiu duas vezes.
“Vou te descrever a aparência dele. Ele tem traços afiados, cabelo verde, carrega três espadas na cintura, uma delas é a grande espada Wadou Ichimonji que você mencionou.”
“Certo, anotei. Você disse que...”
“Já basta, já é tarde, não vou te prender. Vá fazer o que tem que fazer, ou se despeça bem dos irmãos.”
Kenshirou interrompeu a conversa apressadamente.
Lucas ficou em silêncio por um momento, seus olhos tristes deixaram Kenshirou desconfortável. Depois ele suspirou:
“Pode me dizer quem foram os irmãos bondosos que compraram minha passagem?”
“O que você quer com isso?” Kenshirou ficou sério. “Não faça besteira, eles tiveram um gesto de bondade e você não vai agradecer?”
“Desculpe a intromissão, só quero agradecer.”
Kenshirou riu por dentro. Se fosse acreditar nas palavras de Lucas, o dojô nem precisaria mais existir.
“Vá, mestre está cansado e quer descansar.”
Vendo que Lucas não insistiria, ele levantou do assento sem força.
“Se não me contar, eu mesmo vou descobrir.”
Kenshirou ficou calado, fingindo não saber.
Ele achava que Lucas ainda era muito jovem. O dojô era unido, e mesmo que não fosse, para expulsá-lo todos estavam de acordo.
...
Meia hora depois.
Lucas segurava uma foto do dojô, chamou o irmão que o avisara para encontrá-lo e o examinou com olhos semicerrados.
“Irmão, você sabe de alguma coisa, não sabe?”
Quem mandara chamá-lo não poderia se omitir.
“Eu... não sei de nada, irmão. Ainda não terminei meu treino, quero ir embora.”
O irmão desviava o olhar, claramente um garoto honesto que raramente mentia, mas agora estava nervoso.
Lucas riu de forma estranha, com tom ameaçador:
“Se você falar, só vou bater neles. Se não, vou bater em todo mundo do dojô.”
Ele se aproximou do irmão, que media apenas um metro e sessenta, sua sombra cobriu completamente o garoto.
“Vamos, só preciso que diga quem são, ninguém vai saber.”
O irmão tremeu de medo, lembrando das lutas passadas, seu corpo começou a estremecer.
“Mesmo? Se eu contar, você me perdoa?”
“Claro, sim. Você nem é tão próximo deles, não precisa protegê-los. Diga os nomes.”
O sorriso no rosto de Lucas se abriu, guiando o pensamento do irmão.
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O corpo do irmão parou de tremer e ele inclinou a cabeça, sério:
“Mas eu recuso.”
“Eh?”
“Eu, Watanabe Sawaki, mais gosto de dizer não para monstros como você.”
Lucas: “...”
Que diabos, “monstro”.
Às vezes, enfatizar uma característica mostra que se importa, o que revela uma fraqueza. Lucas sorriu balançando a cabeça.
Adolescente é muito ingênuo, nem sabe disfarçar seus pensamentos. Do jeito que é, vai sofrer muito em relacionamentos amorosos, vai ser manipulado por mulheres más.
Deixe que o irmão aprenda uma lição!
“Vou perguntar mais uma vez: você sabe quem comprou minha passagem?”
“Esqueça, não vou trair o pessoal!”
Lucas arqueou uma sobrancelha e falou devagar:
“Na verdade, tem um segredo.”
“Que segredo?”
O irmão Watanabe ficou confuso, mas logo entendeu e gaguejou:
“Você quer dizer...”
“Isso, exatamente. Se você contar, eu te digo como crescer, monstro.”
Watanabe abriu a boca, lutando contra a decisão.
“Você é um demônio, não vou trair ninguém.”
“Só te dou três segundos para pensar.” Lucas levantou três dedos.
“Esqueça, não vou contar!”
“S...”
“Foi o irmão Tetsumei, o irmão Kanjou e o discípulo Karishitsu.”
Watanabe apontou rapidamente os três na foto e, gentilmente, disse os nomes para ajudar Lucas a lembrar.
O quarto ficou silencioso por um momento.
Lucas: (ー`´ー)
Watanabe: (●′ω`●)
Você, garoto, não foi rápido demais em trair?
Ainda nem contei até três!