Capítulo Dois: O Dom Especial Chega

Transmigração Simultânea: Tornando-se uma Lenda em Todos os Céus Tesouro das Quatro Estações 4597 palavras 2026-07-31 03:23:09

Luque olhou com cautela para os dois à sua frente, e só se aproximou com cuidado ao perceber que não havia hostilidade em seus olhos. A névoa tênue não era suficiente para atrapalhar a visão de perto, então Luque observou da esquerda para a direita.

À esquerda estava um homem corpulento, com feições rudes e audaciosas, corpo que parecia ultrapassar dois metros, físico robusto, uma espada presa à cintura, exalando masculinidade e imponência. À direita, uma criança de cerca de dez anos, rosto delicado e belo, a ponto de ser difícil distinguir o sexo à primeira vista, vestindo uniforme escolar branco e calça azul, corpo magro, transmitindo uma estranha sensação de fragilidade.

— Bem-vindo, novo Luque.

O gigante foi o primeiro a falar, abrindo um sorriso tão grande que parecia capaz de morder metade da cabeça do garoto ao lado, e perguntou:

— De qual mundo você veio?

Luque não compreendeu de imediato o que ele queria dizer, hesitou e permaneceu em silêncio. Quanto mais olhava para os dois, mais sentia uma estranha familiaridade, apesar das grandes diferenças físicas; era como se olhasse para um espelho.

A criança se aproximou de Luque com leveza, lançou um olhar atravessado para o gigante e resmungou:

— Se todos ficarem conversando tanto quanto você, vamos perder muito tempo. Vamos direto ao ponto.

Estendeu a mãozinha branca, fez sinal para o gigante, e ambos colocaram a mão sobre Luque ao mesmo tempo.

No instante em que os três se tocaram, Luque sentiu sua consciência se expandir como nunca antes, tudo ao redor tornou-se confuso, e então, dentro de sua mente, duas memórias que não lhe pertenciam explodiram como uma torrente avassaladora.

As duas memórias, em suas primeiras partes, eram semelhantes à de Luque: seguindo a tradição familiar, escolheu ginecologia, o hospital do sobrinho fechou, fracassou em entrevistas, tentou trabalhos temporários pela internet mas desistiu devido aos baixos salários, envolveu-se em rumores com influenciadores digitais e acabou atropelado.

A partir daí, as lembranças divergiam.

Na primeira, ele renasceu no corpo do chefe da guarda do Reino de Alabasta, do mundo dos Piratas. Ao analisar a situação, descobriu que o reino sofria com seca há meio ano, enquanto a capital, Albana, era banhada por chuvas constantes. Após infrutíferas tentativas de ajuda dentro de suas possibilidades, Luque decidiu fugir levando todas as suas economias.

Não havia outra escolha: Crocodile já tramava seus planos, e em dois anos e meio começaria uma guerra civil. Ele, sendo insignificante, só podia correr.

Primeiro, fugiu para Vila Fuschia, trabalhou como segurança no bar de Makino, e após receber seu “dedo dourado” meio ano atrás, sentiu-se confiante e partiu para o Dojô Shimotsuki aprender esgrima com Koushirou.

Após seis meses de treino, estava longe do nível de mestre espadachim, mas seu corpo, cada vez mais robusto, evoluía para algo quase sobre-humano.

A segunda memória vinha daquele que, apesar da aparência infantil, já passava dos quarenta anos. Vivia vagando pelo Distrito Rukongai e fora o primeiro Luque a entrar no misterioso espaço. Depois de compartilhar experiências com o Luque pirata, sua alma duplicou de qualidade, e ele conseguiu ingressar na Academia Espiritual Central.

Ainda estava em fase inicial, nem sequer havia despertado sua Zanpakutou, conhecia apenas magias de baixo nível, suas habilidades de shunpo eram medianas, mas, graças ao reforço do Luque pirata, era razoável no combate corpo a corpo, ficando acima da média dos novatos.

Teve sorte: sua linha temporal era 1998, Hitsugaya acabara de se tornar capitão da 10ª Divisão e Ichigo Kurosaki só nasceria no ano seguinte, muito antes do início dos principais eventos.

Ao digerir essas duas memórias, Luque finalmente compreendeu a função de seu “dedo dourado”: compartilhava tudo com as outras versões de si mesmo em diferentes mundos, incluindo, mas não se limitando a, aptidão física, força mental, energia, talentos, habilidades e capacidades.

No instante do contato, ele recebeu de imediato uma pressão espiritual considerável, magias de alto nível e o físico incomparável do Luque pirata, além de técnicas básicas de esgrima.

Um dedo dourado e tanto.

O canto da boca de Luque se ergueu em um sorriso cada vez mais arrogante. Em poucos instantes, sua postura passou de neutra e ordeira para caótica e bondosa, com tendência a evoluir para o caos maligno.

O Luque pirata, ao ler as lembranças do Luque ninja, arregalou os olhos:

— Plágio do Pinduoduo? E ainda fez Konoha entrar numa competição interna de produtividade? Isso pode mesmo ser feito?

Sua cabeça ficou confusa; no mundo dos piratas, todos resolviam tudo na força.

Desde que chegou ao mundo dos piratas, sentia-se desligando aos poucos. No início, ainda pensava em estratégias de fuga, mas, depois de chegar ao bar da Vila Fuschia, o álcool começou a embotar seus pensamentos. No dojô, sua rotina se resumia a comer, dormir e duelar com os colegas — nada mais a fazer além de treinar esgrima e o corpo.

Lutar era divertido!

Já o Luque shinigami, com aparência de criança, fez um gesto de desdém:

— Luque ferreiro, mais um reserva.

Além de um pouco de chakra irrelevante e um corpo saudável com alma estável, não havia nada de especial — nota baixa, sem discussão.

Já era a segunda vez que servia de fonte de energia para si mesmo. Segunda vez!

O rostinho bonito do Luque shinigami parecia ainda mais melancólico.

A boa notícia: o dedo dourado chegou.

A má notícia: os dois que vieram são aproveitadores.

Luque ninja ficou sem palavras diante do apelido, o rosto escureceu na hora.

— Que ferreiro nada, me chame de Luque ninja!

— É Luque ferreiro sim, Luque ferreiro, Luque ferreiro, Luque ferreiro! — O Luque shinigami parecia ter regredido à infância, entrando numa discussão infantil consigo mesmo. Apontou para o Luque ninja:

— Você é o Luque ferreiro.

Depois apontou para o Luque pirata.

— Você é o Luque burro.

O Luque pirata encolheu seu corpo de mais de dois metros, sentindo-se injustiçado:

— O que eu tenho a ver com isso? Por que está me xingando também?

— E não devia? Quando chegou era pior que o ferreiro, ele ao menos tinha chakra. Você, um chefe da guarda real, com físico igual ao de um civil, só sabia jogar cartas, beber, contar vantagem e delegar o trabalho. Não fazia nada, só curtia a vida. Existe coisa melhor?

Luque ninja ouviu aquilo cheio de inveja:

— Chefe da guarda real é um cargo de prestígio, hein? E você fugiu mesmo assim... Mas, diga, com uma posição tão alta, por que não vi nenhum detalhe picante nas memórias?

Luque pirata suspirou, resignado:

— O que eu podia fazer? Eu era o guarda pessoal do rei, onde ele ia eu ia. Nem tinha chance de conhecer mulheres, e no mundo dos piratas elas são de extremos — ou muito bonitas, ou muito feias. No reino, as bonitas eram só a princesa Vivi e a rainha.

Os olhos de Luque ninja brilharam, aproximando-se do Luque pirata:

— Vivi me parece uma boa opção...

— Até que é, mas quando cheguei ela tinha só quinze anos, muito nova, não teria coragem — respondeu o Luque pirata, olhando para o Luque ninja como se visse um pervertido.

— A rainha sim, muito bela, corpo e rosto perfeitos, mas o velho rei era um sujeito bacana, me tratava como um filho. Não teria coragem de traí-lo assim.

É preciso ter princípios, até sendo Luque.

Luque ninja assentiu com um toque de decepção, depois perguntou:

— Por que o velho rei gostava tanto de você? Não seria você um filho bastardo?

Com tantas memórias, ele só pôde dar uma passada geral, sem se aprofundar nos detalhes.

— Nada disso. Quando o rei foi atacado por um assassino, meu pai morreu protegendo-o. É normal que ele trate bem o filho do homem que salvou sua vida.

Se for assim, Naruto teria algo a dizer, pensou Luque ninja, ironicamente.

O rosto do velho Luque pirata corou um pouco, então revelou seu verdadeiro objetivo:

— Na verdade, meu alvo era a Makino, mas antes que eu conseguisse algo, recebi o dedo dourado. Pensei em melhorar minhas habilidades antes de procurar uma parceira, por isso fui ao Dojô Shimotsuki.

O resultado todos conhecem: garotas como Kuina, que treinam esgrima, são raras, e o dojô nem é tão famoso assim — poucos colegas e só homens.

No fim, suspirou com um pouco de frustração:

— Tenho o tesouro, mas não posso usá-lo.

Luque ninja só balançou a cabeça. "Tesouro", dizia ele, mas só tinha nível médio, não devia se gabar tanto.

Foi então que, ao olhar para o corpo de mais de dois metros do Luque pirata, algo lhe veio à mente, e seus olhos se estreitaram.

Quase esqueci do corpo avantajado dos piratas.

Luque ninja revirou as memórias recém-adquiridas e sentiu um calafrio.

— Ei... Sem segundas intenções, só queria saber: nosso dedo dourado permite compartilhar partes do corpo também?

Não sabia se era potencial próprio de Luque ou se o solo dos piratas era tão fértil que produzia frutos mutantes daquele tamanho — mas era impossível não sentir inveja.

Luque pirata assentiu honestamente:

— Dá sim pra desenvolver o corpo até o mesmo porte.

— Oh, oh, oh!!!

Que dedo dourado atencioso.

— Ei, ei, vocês dois, estão de brincadeira? Estou tentando dar uma bronca e vocês ficam de papo!

Luque shinigami, vendo os dois distraídos, quase pulou para bater em seus joelhos.

— Coloquem um pouco de juízo nessas cabeças, vocês dois!

Luque ninja, com a mesma habilidade de bagunçar o cabelo do irmão mais novo, afagou a cabeça do Luque shinigami. Com o compartilhamento ativado, experimentou simultaneamente a sensação de bagunçar o cabelo de uma criança e de ter o próprio cabelo bagunçado — uma experiência curiosa.

— Fique tranquilo, tenho certeza de que um dia chegará o Luque pernas-de-aço.

Naquele mundo, o plano de destruição de Konoha ainda levaria uns seis, sete anos para acontecer; tirando o massacre Uchiha, não haveria grandes eventos. Era só manter distância dos Uchiha, afinal, nem conhecia ninguém de lá.

Luque ninja: ┐(‘~`)┌ De boa.

— Pois é, pois é — concordou o Luque pirata. Seu mundo era tão vasto que bastava evitar os pontos principais da trama e não se meter em encrenca. Por ora, só queria duelar com os colegas de dojo.

Quando se tornasse mestre espadachim, aí sim sairia pelo mundo!

Luque shinigami revirou os olhos, tirou a mão do Luque ninja de sua cabeça:

— É bom que vocês tenham um pouco de senso de perigo. Nós três estamos só começando, mesmo que compartilhemos forças, ainda somos peixes pequenos em nossos mundos. A princípio, seguindo o roteiro, não corremos riscos, mas nunca se sabe quando pode surgir um efeito borboleta.

— Tem razão — refletiu Luque ninja, percebendo que não podia se acomodar. — Quando voltar, vou testar minhas novas habilidades e pensar em como ficar mais forte.

Com os talentos dos outros dois Luque, agora extraía chakra muito mais rápido. No mínimo, poderia funcionar como bateria para os outros dois ampliarem suas reservas de energia.

Luque pirata acariciou a espada presa à cintura:

— Koushirou é filho do mestre artesão Shimotsuki, primeiro professor do Zoro. Acho que ele tem muito a ensinar, mas só fala em teoria e ensina apenas o básico... Quando eu virar espadachim de verdade, vou buscar aprender o Haki.

Ingressar na Marinha não seria má ideia; lá, o caminho de crescimento é bem estruturado.

Luque shinigami, satisfeito ao ver que os outros dois escutavam, assentiu:

— Ainda não tenho ideia de como despertar minha Zanpakutou. Vou focar no shunpo, é sempre bom treinar as táticas de fuga.

Após mais um tempo de conversa, cada um seguiu seu caminho.

...

Luque abriu os olhos, sentindo o corpo leve como pluma; o cansaço de um dia inteiro de trabalho desaparecera completamente, como se estivesse livre da gravidade e pudesse voar com um salto.

O mundo parecia mais claro, seus sentidos ampliados, até as batidas do coração no peito pareciam mais fortes do que nunca.

Tirou a roupa e se olhou no espelho: seu corpo havia mudado visivelmente.

Antes, o físico adquirido pelo trabalho não era ruim, mas a distribuição muscular era um pouco desigual; agora, estava perfeitamente simétrico e harmonioso.

Luque apalpou os abdominais bem definidos e o peito firme, depois olhou satisfeito para a contribuição do Luque pirata.

As mudanças externas eram um mero adorno; o essencial estava no interior. O corpo sólido do Luque pirata e a força da alma do Luque shinigami haviam transformado Luque por completo.

Os ninjas, em geral, têm ataque alto e defesa baixa, físico voltado mais para agilidade e técnica do que resistência, força ou defesa. Mesmo os mais fortes, a menos que sejam especialistas em taijutsu, podem ser facilmente feridos por armas brancas se não usarem chakra para reforçar o corpo.

Agora, porém, sentia-se capaz de derrotar um jounin só na força física. Claro, isso considerando que o adversário não reforçasse o corpo com chakra, não atacasse de surpresa, nem usasse ninjutsu, taijutsu ou genjutsu — apenas combate direto corpo a corpo...

Bem, pensando assim, ele só havia evoluído de um figurante irrelevante para um figurante de início de história; nem figurante de meio de história chegava a ser.

A energia em seu corpo, vinda da pressão espiritual do Luque shinigami, aumentara seu chakra em dez vezes!

Se não fosse sua reserva original ser quase nula, teria achado esse aumento incrível. Agora, seu chakra mal se igualava ao de um chunin comum, mas só perguntando ao Kakashi para ter certeza.

A maior deficiência de Luque era a falta de experiência em combate.

Os três Luque eram inexperientes: o pior, ele próprio, nunca brigara na vida; o shinigami, sempre à deriva; e o melhor, o pirata, só duelara com colegas, o que não era combate real.

Somando tudo, não era nenhuma maravilha; se tivesse que lutar de verdade, provavelmente perderia para um chunin — talvez vencesse um genin, se o outro não usasse veneno ou selos explosivos...

Pensando bem, nem contra um genin tinha vitória garantida.

Ainda era fraco, o jeito era se manter discreto.

Luque tomou a decisão em silêncio: até ter o nível de um Kage, sobreviver seria sua prioridade absoluta!

Uma vez decidido o rumo, sentou-se de pernas cruzadas e começou a tentar refinar seu chakra.