Capítulo Três: Disputa
Duas horas depois, Lucas abriu os olhos, surpreso e radiante. A velocidade com que refinava chakra havia aumentado consideravelmente; em apenas duas horas, ele produziu mais chakra do que em meio mês anteriormente. Achava que o aumento seria apenas duas ou três vezes maior, mas percebeu que o aprimoramento de seu talento não seguia uma simples multiplicação. Agora, seu domínio sobre a energia corporal e espiritual era muito mais forte; sob seu controle, ambas se fundiam rapidamente, permitindo que refinasse chakra quase dez vezes mais rápido do que antes.
Além disso, o corpo vigoroso fornecido pelo Lucas pirata e a alma refinada do Lucas ceifador compunham uma base sólida. Antes, após duas horas, sentia-se exausto e precisava parar, sob risco de prejudicar o trabalho do dia seguinte. Agora, no entanto, após duas horas, não sentia nem sombra de cansaço, tão disposto e revigorado quanto no início.
Lucas apreciava satisfeito a esfera de chakra dentro de si, ponderando sobre arranjar uma maneira de testar a barra azul de certa unidade de medida, para calcular quanto tempo precisaria refinar até alcançar uma "carta" de poder.
Além disso, já era hora de considerar métodos de combate. Aprender a Técnica de Refinamento de Chakra fora fácil, mas dominar técnicas ninja era outra história — algo reservado apenas aos verdadeiros ninjas, para os quais ele não tinha nem antecedentes nem acesso.
Precisaria bolar alguma estratégia...
De repente, a porta do quarto foi aberta e seu irmão mais novo, Quim, veio chamá-lo para o café da manhã.
— Mano, levanta, está na hora de comer!
Assim que entrou, Quim se deparou com o irmão sentado de pernas cruzadas, sem camisa. Imediatamente fez uma careta de desagrado e, arregalando os olhos, espiou através dos dedos abertos, sem piscar.
— Mano, você já está grande e ainda não sabe se vestir direito, que vergonha!
— Qual o problema? Com esse corpo, não tenho nada do que me envergonhar.
Se fosse antes, talvez Lucas tivesse ficado constrangido, mas agora sentia-se renovado. Sentir vergonha? O que era isso mesmo? Que valor tinha o orgulho?
Com naturalidade, respondeu e só então foi buscar roupas no armário.
Naquele dia, Lucas pretendia sair para encomendar algumas coisas, preparando-se para os futuros treinamentos.
— Tenho que admitir, você está mais bonito que antes — avaliou Quim, observando-o por um instante e assentindo.
A partilha ia além da força; até o carisma parecia somar-se. Faltava saber se conceitos etéreos como sorte e destino também se acumulariam.
Enquanto vestia-se, Lucas refletia sobre os limites desse compartilhamento, ao mesmo tempo em que pensava em que desculpa dar para as compras.
— Mano.
Quim chamou-o de repente.
— O que foi? — Lucas respondeu, distraído.
— Eu também vou crescer assim?
Lucas seguiu o olhar do irmão, e a boca se contraiu. As crianças desse mundo não amadureciam cedo demais?
— Não se fazem perguntas dessas!
Ser questionado tão diretamente pelo irmãozinho fez Lucas pigarrear, finalmente sentindo um pouco de vergonha e a responsabilidade de não dar maus exemplos.
Vestiu as calças rapidamente e, de passagem, deu um peteleco na testa de Quim.
— Ai!
Quim, com expressão ressentida, segurou a cabeça e se agachou, lançando um olhar acusador ao irmão, mas percebeu que Lucas o encarava pensativo, o olhar cada vez mais brilhante.
Reconhecia aquele olhar: sempre que o irmão mais velho quebrava alguma porcelana em casa, usava sua pouca idade como desculpa para escapar do castigo, colocando a culpa nele.
Sentindo um mau presságio, Quim quis fugir, mas logo foi agarrado por uma mão grande, ficando suspenso, como um gatinho apanhado pelo cangote.
— Quim, você ainda quer entrar na escola ninja, não é?
O menino assentiu obediente:
— Mas você não disse que não queria me deixar ir?
— Hehe, talvez não seja mesmo preciso...
Mas, usando como desculpa o desejo do irmão de entrar para a escola ninja, não seria estranho comprar alguns itens que os alunos usavam.
Quim piscou os olhos inocentes:
— Não estou entendendo nada, mano.
Lucas apertou as bochechas fofas do irmão:
— Não precisa entender, só deixa comigo.
Afinal, comprar alguns equipamentos de treino para o futuro estudante não seria demais, certo?
...
Após o café, como de costume, Lucas pegou o martelo. O que antes parecia pesado, agora era leve como uma pena. Sentiu-se energizado e trabalhou com afinco; em apenas uma hora, concluiu tudo o que havia planejado, sem suar quase nada. Os kunais e shurikens que forjou estavam mais sólidos e de qualidade superior.
Se não fosse pela presença do pai, poderia ter sido ainda mais rápido, mas, claro, havia limitações de material e técnica; ainda assim, era notável.
— Hoje tenho um compromisso, não volto para o almoço. Avise a mamãe para não se preocupar com a minha parte.
Lucas tomou banho, vestiu-se com roupas limpas e, sorrindo, avisou ao pai.
O pai, desconfiado, observou-o. Achava que o filho estava diferente: vivaz, radiante, mais bonito do que nunca. A atitude também mudara: antes sempre calado, agora parecia mais espontâneo, sorrindo abertamente, como se tivesse deixado de ser reservado para se tornar extrovertido.
Após refletir, lembrando-se da juventude, o pai achou que o filho estava apenas... apaixonado.
Afinal, estava em idade de pensar em casar; viver só para o trabalho, como antes, era que soava estranho.
Ao sair, Lucas seguiu direto para uma loja de armas ninja de alto padrão, decidido a comprar uma espada e alguns pesos para treino.
— Seja bem-vindo.
O gerente, um homem de meia-idade de quarenta e poucos anos, ia receber o cliente com entusiasmo, mas ao ver que era Lucas, fechou a cara e demonstrou abertamente sua frieza.
— Ora, se não é o moleque da família Chikawa. O que veio fazer aqui? Não está vindo desafiar, está?
O tom era sarcástico.
A loja tradicional sofrera com a concorrência das armas de segunda linha fabricadas pela ferraria da família Chikawa, e as vendas caíram muito. Os donos das lojas tradicionais até chegaram a pressionar a ferraria.
As lojas que abasteciam os clãs não podiam se dar ao luxo de ofender os Chikawa, mas Lucas, prevenido, conversou longamente com os donos e, no dia seguinte, após uma explicação sobre marketing e vendas limitadas, tudo mudou.
Os preços dobraram, contrataram civis para divulgar que suas armas eram fruto de gerações de tradição, itens de luxo para os grandes ninjas, lançaram edições limitadas e garantiram que só clãs nobres poderiam comprá-las.
Diziam ainda que os produtos da ferraria eram de categoria inferior, e só os nobres mereciam usar armas legítimas.
Assim, as vendas voltaram a crescer. Os grandes clãs compravam apenas nas lojas tradicionais, enquanto ninjas civis e alunos da escola ninja preferiam a ferraria dos Chikawa. Cada grupo ficou com seu mercado.
— Senhor, vim apenas comprar algumas coisas.
Lucas sorriu.
— Quero uma espada de boa qualidade e cem quilos de pesos para as pernas.
O gerente riu com desdém, abrindo os braços:
— Sinto muito, mas está tudo esgotado.
— E o que está na vitrine?
— Você sabe que aquilo é só para exibição!
Lucas fechou o semblante:
— Como faço para conseguir?
— Só membros podem comprar. Você não é de um clã nobre, fica difícil para mim...
Lucas: o( ̄ヘ ̄o#)
Gerente: ㄟ(▔,▔)ㄏ
Lucas sentiu que estava pagando o preço por suas próprias estratégias de venda.
— Então, o que você tem para vender?
O gerente tirou uma pedra de amolar:
— Este é nosso novo lançamento. Veja a textura, o acabamento...
— Quanto custa?
— Dez mil moedas de ouro.
— Quanto?!
— Dez mil moedas.
Você tem ideia que até missões de classe S valem um milhão?
Lucas ficou em silêncio, impressionado com o descaramento do gerente, que conseguia ser ainda mais sem vergonha que ele.
— Se eu comprar, vai liberar o restante dos itens?
— Talvez sim, talvez não. Quem sabe? Compre primeiro, depois vemos.
Lucas não se conformava:
— Isso é roubo!
— Roubo seria se eu fosse pego pela polícia, mas vendendo armas ninja, não há problema! — respondeu o gerente com orgulho. — Os Uchiha são nossos melhores clientes.
Não era para menos: ricos, orgulhosos, competitivos e, quando irritados, perdiam completamente o juízo. Um exemplo claro de quem tem muito dinheiro e pouca sabedoria.
Os Uchiha tinham contrato com a loja de armas dos gatos, mas para ostentar seu status, acabavam comprando itens caros e desnecessários.
O orgulho realmente custa caro.
Em poucos meses, Shisui perderia o olho para Danzō, e dois anos depois Itachi iniciaria o massacre do clã; a fama de principal linhagem de Konoha passaria para os Hyūga.
Lucas semicerrava os olhos.
— Gerente, estou falando sério. Não dificulte para mim. Usar minha própria estratégia contra mim não parece justo.
As lojas tradicionais absorveram as táticas de Lucas, forçando os nobres a serem seus principais clientes. Mas nem todos eram tolos: pagar a mais pelo status era aceitável até certo ponto; preços abusivos, ninguém aceitaria.
O preço anunciado estava claramente fora do padrão.
— Hmph — resmungou o gerente, admitindo que estava provocando Lucas de propósito.
Na época, foram até a ferraria exigir explicações, mas acabaram convencidos pelo argumento do garoto, saindo de lá frustrados. Ganharam dinheiro, mas perderam o orgulho para o jovem prodígio Chikawa.
Mas negócios são negócios; ninguém recusa dinheiro. Muitos até pensavam em contratá-lo como consultor caso a ferraria fechasse.
— Diga exatamente o que procura.
— Quero uma espada de boa qualidade, resistente e durável. Se for feita de metal condutor de chakra, melhor ainda. Quanto aos pesos, basta não serem perceptíveis.
O gerente franziu o cenho:
— Uma espada de metal de chakra? Está sonhando alto. Nem temos, e mesmo se tivéssemos, não poderia pagar. Pesos, tenho: dois de cinquenta quilos servem?
— Então me dê uma espada comum, mas de material resistente — Lucas não insistiu. Precisava de uma arma mais por precaução.
Se Lucas do mundo dos ceifadores soubesse forjar zanpakutō, não precisariam comprar nada... Talvez pudesse sugerir isso em um próximo encontro no espaço misterioso.
Pensando nisso, lembrou-se que as zanpakutō eram feitas por Nimaya Ōetsu, um dos cinco capitães da Divisão Zero, enclausurado no Palácio Real. Impossível encontrá-lo.
Melhor comprar logo.
O gerente pegou uma espada de aparência simples, com cerca de um metro, e jogou para Lucas, junto dos pesos para as pernas.
— Das armas feitas com materiais resistentes, só tenho essa espada. Não é de metal de chakra, mas equilibra peso e durabilidade.
— Armas de média e alta qualidade precisam ser registradas. Para que vai usar os pesos e a espada?
Lucas puxou um pouco a lâmina, viu o brilho cortante e a guardou, sorrindo:
— É para meu irmão. Em meio ano, ele vai entrar na escola ninja e quero preparar tudo com antecedência.
Soava absurdo, mas a justificativa bastava; ninguém ligava para detalhes.
Se nada acontecesse, nem mesmo os ninjas inspecionariam os registros das lojas. E, se alguma coisa desse errado, Lucas sabia que suas tentativas de ocultação seriam facilmente descobertas por um ninja especializado em informação.
Por ora, não pretendia causar problemas; só precisava passar essa fase.
O gerente ficou incrédulo.
— Ele nem tem altura para essa espada, e você quer que um garoto de seis anos use cem quilos de peso?
Dar uma espada de um metro e cem quilos de peso para um menino de seis anos? Só com anos de atrofia cerebral para pensar nisso.
Seja razoável!
Mesmo assim, o gerente fez o registro, pois, se desse problema, a responsabilidade seria do comprador, não dele.
Negócio é negócio.
Calculou rapidamente no ábaco.
— Trinta mil moedas de ouro.
Lucas: ?
Fique sabendo, quando uso um ponto de interrogação, não é porque não entendo, mas porque acho que quem tem problemas é você.