Onze de janeiro.

Após Transmigrar para o Livro, Morri de Depressão por Não Ter Celular Senhor do Ataque Total 4726 palavras 2026-07-31 03:26:06

Entre a vida e a morte, Long Xiang entrou novamente no reino da neve.

Ouviu alguém pedir desculpas, palavras simples, porém sinceras.

Em seguida, algo foi colocado em sua boca. Ela instintivamente engoliu e uma onda de frio percorreu seus meridianos e membros. Quando abriu os olhos novamente, Beitings Xue estava sentado em seu trono de gelo, observando-a de longe.

Ela olhou para si mesma e notou um brilho prateado em seu dantian. Após o frio dissipar-se, uma força ilimitada começou a fluir por todo o seu corpo.

...Não se lembrava de tal episódio no livro original.

Quando a personagem secundária quase morreu na história original, foi Beiting Chun quem trouxe o elixir dado pela Rainha. O remédio foi forçado goela abaixo, e a moça sofreu a noite toda até se recuperar, ganhando assim dez anos de vida. Beiting Chun prometeu prolongar sua vida novamente após uma década, o que fez a jovem chorar de gratidão. Poder viver significava ter a chance de ver a mãe e de se aproximar de Beitings Xue, valendo o sofrimento atroz daquela noite.

Considerando que muitos eventos inesperados já haviam ocorrido, não era estranho que o enredo tivesse mudado. O sistema 4897 não apareceu, o que significava que a trama principal não fora afetada. Se não prejudicasse sua missão e ainda a permitisse viver melhor, seria perfeito.

Long Xiang hesitou por um momento e perguntou:
— Vossa Alteza, o que aconteceu comigo?

Beitings Xue estava distante. No reino da neve, o vento soprava e os flocos caíam, mas suas vestes e cabelos permaneciam imóveis; apenas o vento incessante e a neve a impediam de ver seu rosto com clareza.

Ele respondeu:
— Você estava morrendo.

— ... — Long Xiang ficou sem fala por um instante, antes de perguntar: — E por que ainda não morri?

Beitings Xue disse vagarosamente:
— Você possuía uma raiz espiritual, que foi destruída deliberadamente. Eu a restaurei.

Long Xiang já havia suspeitado, mas, ao ouvi-lo confirmar, sentiu-se atônita. Ela ficou imóvel e disse:
— Alteza, o senhor não estava exausto? Como ainda tem forças para...

Antes que pudesse terminar, o vento no reino da neve intensificou-se, fazendo Beitings Xue parecer instável. Era como se aquele reino não fosse uma técnica secreta que ele controlava, mas sim uma existência que o aprisionava e o suprimia. Quanto mais fraco ele ficava, mais forte o reino se tornava.

Beitings Xue começou a tossir violentamente. Sem obter mais respostas, Long Xiang despertou na realidade.

Ao abrir os olhos, deparou-se com um par de olhos negros e serenos. Beiting Chun finalmente chegara, mas Long Xiang não precisava mais dela. Beiting Chun também percebeu, embora não parecesse surpresa.

— A senhorita Long não deve mais precisar disto.

Ela guardou o frasco de porcelana e desviou o olhar.
— Agora que possui uma raiz imortal e o Reino Beiting é rico em energia espiritual, temo que você possa absorver energia demais inconscientemente. Aconselho-a a não fazê-lo.

Beiting Chun levantou-se e acenou para as oficiais que esperavam do lado de fora, dispensando-as.
— Vou ensiná-la a respirar e a controlar suas forças.

Ela não perguntou como Long Xiang obteve a raiz imortal. Sentou-se de pernas cruzadas à frente dela e começou a guiar suas mãos para formar um selo, cumprindo assim a ordem da Rainha de tratá-la. Long Xiang observou o perfil de Beiting Chun pensativa; não resistiu, mas sentia uma aversão profunda ao ser tocada por ela.

Assim que suas mãos foram forçadas a um selo distorcido, a energia que fluía constantemente em seu corpo começou a vazar, e Long Xiang sentiu-se fraca novamente. Ela desfez o selo imediatamente e recusou:
— Estou muito melhor, não quero incomodá-la, senhorita Beiting.

— Pode me chamar de A-Chun — disse Beiting Chun. — Há muitas senhoritas Beiting no palácio, seria difícil distinguir.

Long Xiang concordou prontamente:
— Então, obrigada, A-Chun. Estou bem melhor e não preciso mais de sua ajuda. Se não há mais nada, pode ir.

Beiting Chun olhou para ela por um tempo, levantou-se e respondeu:
— Sim.

Sem objeções ou insistências, Beiting Chun foi até a porta, o que surpreendeu Long Xiang, que já preparava novas recusas. Contudo, antes de sair, Beiting Chun olhou para trás.

Com um olhar indescritível, ela murmurou:
— Senhorita Long, pense bem.

— ? — Pensar bem sobre o quê?

— A Rainha não ficará contente.

Dito isso, ela partiu. Long Xiang refletiu por um momento e, ligando o fato à sua raiz imortal recuperada, não foi difícil adivinhar o motivo. O protagonista a ajudou, e a Rainha não gostou. Por quê? Por ter desperdiçado a essência espiritual do protagonista? Ou...

O pensamento cessou ali. Long Xiang deitou-se e dormiu.

***

Estava exausta. Agora que seu corpo estava bem e Beiting Chun havia ido embora, ela não queria pensar em nada daquilo. Dormir era o mais importante; sem seu celular, nada valia o esforço de ficar acordada.

No outro extremo do palácio, a Rainha entrou nos aposentos do Rei, sentindo o cheiro forte de sangue. Médicos de vestes brancas ajoelhavam-se atrás da cortina, sussurrando:
— O Rei não vai aguentar muito mais.

Não era a primeira vez que a Rainha ouvia aquilo. Sua atitude foi a de sempre, calma e indiferente:
— Façam o que puderem.

Após os médicos se retirarem, ela não entrou na câmara principal. Olhou para o sangue que manchava o chão atrás da cortina e partiu sem expressão.

O atual Rei de Beiting herdou apenas uma ínfima parcela da linhagem de profecia. Em toda a sua vida, fez apenas duas previsões: a primeira, que a Escada Celestial seria destruída e o mundo do cultivo não teria forças para resistir aos demônios; a segunda, que seu filho, Beitings Xue — o único que herdou a linhagem de profecia com força muito superior à sua —, precisaria do sangue de um "filho da sorte" para aliviar a decadência de seu corpo e prolongar a vida.

Para isso, ele tomou duas decisões: trezentos anos atrás, escondeu a cidade de Beiting. Agora, ordenou que a cidade se revelasse para buscar a predestinada de Beitings Xue nos seis mundos.

A Rainha estava na porta, observando a neve cair. Ela detestava a neve. Beiting Chun chegou apressada para relatar a situação de Long Xiang. A Rainha não disse nada, apenas estendeu a mão para receber um floco de neve e soltou um riso frio.

No continente imortal de Lihuo, Yue Zhou confirmou repetidamente que a lâmpada da alma de Long Xiang não só não se apagou, como brilhava com mais vigor. Pela cor da chama, sua raiz imortal fora restaurada. Ele ficou inquieto e, ignorando Lin Ziru, disse a Yun Weiyu:
— Vá buscar sua irmã agora mesmo.

Sua filha era o seu pilar, e ele precisava ver Yue Fuling. Lin Ziru, mais estável, também notou a anomalia, embora soubesse que a pessoa que enviara era uma mortal sem poder espiritual. Ela franziu a testa:
— Ela tinha raiz espiritual, mas você a destruiu?

Yue Zhou não respondeu. Yue Fuling chegou e, vendo o conflito entre os pais, protegeu o pai:
— Mãe, o que houve?

Lin Ziru hesitou, sem querer preocupar a filha.
— Nada.

Antes que Yue Fuling pudesse falar, o pai agarrou seus ombros, perguntando com urgência:
— Fuling, você sentiu algo?

Yue Fuling balançou a cabeça, confusa. Yue Zhou franziu a testa ainda mais. A verdadeira predestinada do Príncipe de Beiting era Fuling. Se Beitings Xue ajudara Long Xiang, não deveria Fuling, sua irmã, ter alguma conexão? Nada? O que estava acontecendo em Beiting? Long Xiang falaria algo imprudente?

As palavras de Long Xiang ecoaram em sua mente: *Imortal, saiba que não há segredo que não se revele. Mesmo que me force a jurar pelo sangue, não é uma garantia. Você viverá com medo de que a cidade de Beiting descubra seus segredos e nunca terá paz.*

— Não — disse Yue Zhou com frieza. — Não pode continuar assim.

Ele precisava fazer algo. Teria de ver a mãe de Long Xiang.

Em contraste total, Long Xiang dormiu como um anjo. Acordou revigorada, sentindo-se finalmente uma pessoa viva. Ao ver a neve caindo lá fora, aproximou-se da janela aberta. Ela dormira a noite toda com a janela aberta; antes, teria congelado, mas agora não sentia nada.

Sentia-se leve, como uma borboleta capaz de voar para qualquer lugar. Um floco de neve entrou no quarto, e ela observou suas bordas com clareza. O livro dizia que, quando nevava em Beiting, era sinal da decadência do protagonista. Aquela neve intensa mostrava que ele estava pior do que nunca.

Ela sentiu um aperto no peito. Teria sido por causa dela?

— Não, não — pensou. — Isso é uma ninharia para ele. Ele não vai morrer agora, ainda precisa se sacrificar no final contra o Rei Demônio.

Mas ele devia estar sofrendo. Ela se lembrou do rosto pálido dele na neve e daquele pedido de desculpas sincero.

— Que irritante — murmurou.

Ela andou pelo quarto. Se ele realmente estivesse sofrendo, os nobres de Beiting não ficariam parados; provavelmente viriam buscá-la para que ele pudesse se alimentar. Ela esperaria. Tinha uma raiz espiritual agora; embora não soubesse cultivar, com certeza suportaria melhor a necessidade dele.

Ao anoitecer, Long Xiang decidiu sair. Pela primeira vez desde que chegara, caminhou pelo palácio sem ser impedida. O local estava mergulhado no silêncio da tempestade.

Caminhou até o palácio de gelo. Não havia guardas. Perfeito.

Entrou, o ar frio contrastando com seu hálito quente. Ao chegar diante do leito, viu o homem belo, porém frágil, deitado. Ela pegou uma xícara de porcelana, quebrou-a no chão e, com o caco mais afiado, cortou a palma da mão.

A dor era suportável. Aproximou-se, forçou o queixo de Beitings Xue para que ele abrisse a boca e deixou o sangue escorrer.

— Beba — disse ela, inclinando-se sobre ele. — Beba até ficar satisfeito.

Ela observou o rosto dele, coberto por gotas de seu sangue. Era lindo. Ela adorava aquele rosto. Adorava vê-lo assim, frágil, passivo, submetido ao seu sangue.

— Beba o quanto quiser.