11 Ataque à Meia-Noite

O Trabalhador Modelo da Destilaria Caça Fantasmas Todos os Dias Pequena verdade de mil gerações 2703 palavras 2026-07-31 03:29:25

A noite ia caindo. Kurosawa Jin estava deitado na cama, sem conseguir dormir por muito tempo.

O fantasma não aparecera naquela noite; a essa altura, ele certamente já deveria ter chegado. Kurosawa já havia notado um padrão nos movimentos daquela entidade: se aparecesse durante o dia, geralmente não voltava à noite. E, quando surgia de dia, passava quase todo o tempo ali. Hoje, porém, o fantasma ficara apenas um pouco pela manhã e desaparecera. Por que não viera à noite?

Kurosawa franziu os lábios. O fantasma era mesmo pouco confiável; aproveitando-se de sua capacidade de ir e vir sem deixar rastros, perambulava por aí, sabe-se lá onde, fazendo sabe-se lá o quê.

De repente, Kurosawa ouviu um ruído. Alguém se aproximava.

Seu olhar tornou-se gélido. Como esperado, o instrutor Gray Goose não desistiria tão facilmente, embora ele não imaginasse que o problema surgiria tão rápido.

Assim que sentiu a presença do invasor ao lado da cama, Kurosawa saltou bruscamente. Na escuridão, várias sombras se lançaram sobre ele. Em um instante, todos estavam emaranhados em uma luta.

— O que está acontecendo? — perguntou o número 172, com a voz atordoada, enquanto dormia no beliche acima de Kurosawa.

— Acenda a luz! — ordenou Kurosawa.

O 172 correu para acender a luz. O brilho iluminou o quarto inteiro, revelando os agressores: exceto por Kurosawa e o 172, todos os outros seis colegas de quarto estavam ali.

— O que vocês querem com o chefe? — O 172, percebendo a situação, gritou: — Não façam besteira, vou chamar o instrutor!

— Volte aqui! — um deles o interceptou imediatamente e, usando seu porte físico avantajado, imobilizou o garoto gordinho sob seus punhos.

Os outros cinco também não estavam para brincadeira e atacaram Kurosawa simultaneamente. Mesmo para ele, a situação tornou-se difícil de controlar. Enquanto Kurosawa estava ocupado repelindo os ataques, alguém se esgueirou por trás dele, empunhando uma adaga, pronto para atingir seu coração.

Nesse exato momento, o cobertor que estava sobre a cama ergueu-se sozinho e caiu diretamente sobre a cabeça do agressor.

— Maldito, o que é isso? — A lâmina brilhou, mas o agressor, com a visão obstruída, errou o alvo e apenas cortou o braço de Kurosawa.

O rosto de Kurosawa mudou drasticamente. Ele desferiu um chute violento no invasor que, ainda coberto pelo lençol, não via nada e acabou sendo dominado por Kurosawa.

— Ninguém se aproxime! — Kurosawa agarrou a adaga e a pressionou contra o pescoço do homem.

O agressor finalmente se libertou do cobertor e, ao ver a cena, ficou paralisado de medo. Kurosawa lançou um olhar para o cobertor caído no chão e ameaçou os outros: — Se não quiserem que ele morra, não se movam!

Os demais trocaram olhares e avançaram contra Kurosawa novamente; eles nunca se importaram com a vida dos próprios companheiros.

— Droga! — Kurosawa praguejou, nocauteou o refém e avançou com a faca contra o peito de outro agressor. O homem desviou por pouco e também sacou sua própria lâmina.

— Ah! — O homem que espancava o garoto gordinho soltou um grito de dor, segurando o braço mordido, permitindo que o garoto escapasse.

— Matem-no! — alguém gritou.

O agressor saiu em perseguição. Se o garoto conseguisse chegar até os instrutores, o plano de eliminar o número nove falharia.

Enquanto Kurosawa lutava desesperadamente, o "cobertor" caído no chão estava em pânico. Furuya Takura não entendia o que se passava. Ele havia dormido um pouco mais tarde e, ao chegar ali, viu alguém tentando esfaquear o nove. Assustado, agiu por impulso para cobrir a cabeça do agressor. Embora controlar objetos ainda fosse exaustivo após os exercícios do dia, ele dera o seu melhor.

Mas agora, suas forças pareciam ter se esgotado completamente. Ele apenas observava, angustiado, rezando para que nada de terrível acontecesse ao nove.

*Bang!*

Alguém chutou a porta do dormitório. O 172 não era bobo; sabendo que o dormitório dos instrutores era longe, ele correu gritando por ajuda até encontrar o número um.

O número um entrou em cena, chutando os homens que cercavam Kurosawa. Seus subordinados não precisaram de ordens para imobilizar os agressores, espancando-os sem piedade.

— Nove, você está bem? — O um aproximou-se de Kurosawa e franziu a testa ao ver o braço ferido. — Vá para a enfermaria.

Kurosawa hesitou, olhando para o cobertor no chão. O um não notou e o arrastou para fora do dormitório.

Quando retornaram após o curativo, os instrutores já haviam chegado. Gray Goose não estava lá; em seu lugar, vieram Gosselin e uma instrutora que Kurosawa nunca vira. O treze parecia muito familiarizado com ela, conversando e rindo.

— Voltaram? — A instrutora interrompeu a conversa e olhou para Kurosawa. — Você é o nove, certo?

— Sim.

— Sou Ice, uma de suas instrutoras e administradora da base. — Ice tinha cabelos ruivos vibrantes e um ar de autoconfiança.

— Olá, instrutora.

— Já investiguei tudo. Eles foram instigados por Gray Goose, que prometeu formá-los após a avaliação de fim de ano. — Ice percorreu os seis homens ajoelhados com um olhar de escárnio. — Eu não sabia que Gray Goose tinha tal autoridade. Já ordenei que ele fosse detido. Quanto a eles...

Os seis pareciam aterrorizados, mas um deles, com a voz trêmula, ousou dizer: — Instrutora Ice, na base, as lutas internas entre alunos são permitidas.

O olhar de Kurosawa escureceu. Era verdade; mesmo que houvesse mortes, os instrutores raramente intervinham em conflitos entre alunos. Ele supôs que, desta vez, seriam perdoados com facilidade.

Ice sorriu com malícia e assentiu levemente. — Você está certo, raramente pedimos contas por isso. Não é que eu não tolere brigas internas, mas seis homens não conseguiram dar conta de dois? Vocês são inúteis? Formigas podem matar um elefante, mas a base não tolera formigas.

No segundo seguinte, Ice sacou sua arma e disparou contra a cabeça do homem.

*Bang!*

*Bang!*

Os quatro restantes, apavorados, tentaram fugir, mas foram eliminados um a um pela mira precisa de Ice. O último, recuando em pânico, gritou: — Foi o instrutor Gray Goose quem nos mandou fazer isso! Foi ele! Por que está nos matando?

— Não se preocupe, ele também será punido. — Ice sorriu e disparou o último tiro.

Em um instante, seis corpos jaziam no chão. Ice olhou para Kurosawa com um sorriso intrigado. Kurosawa sentiu a pressão, mas não recuou. Ele não era uma formiga.

Satisfeita, Ice guardou a arma e caminhou até ele, levantando seu queixo com dedos longos. — Diferente de Gray Goose, não odeio gênios, e, diferente de Gosselin, não sou obcecada por eles. Sua habilidade é excepcional, mas não é isso que valorizo. Nove, perdoe minha superficialidade, mas prefiro rapazes bonitos.

As pupilas de Kurosawa dilataram. Sua expressão, antes estoica, tornou-se de repulsa, e ele deu um passo atrás para evitar o toque da instrutora.

Observando seus dedos parados no ar, Ice soltou um suspiro de lamento. — Eu realmente gosto de você, por que não considera?

Gosselin interveio: — Ice, não se esqueça de Gray Goose.

— Quase me esqueci. Rapaz bonito, tem interesse em ver o destino de Gray Goose? — Ice estendeu a mão para Kurosawa, piscando de forma ambígua.