Três pistas
Quando Akira Fushikami acordou, já estava coberto por uma manta de lã, e parecia que o cheiro persistente ainda pairava em seu nariz.
"Você acordou!" Daigo Yamato olhou para ele de um lado para o outro, e finalmente assentiu satisfeito, dizendo: "Muito bem, você parece bem melhor."
Akira levou a mão ao rosto e, rapidamente, seu semblante ficou sério ao dizer: "É cheiro de cigarro."
"O quê?"
"Você estava fumando agora há pouco?"
Daigo olhou para ele sem saber o que dizer e respondeu: "Eu não fumo."
Akira retirou a manta e desceu da cama, murmurando para si mesmo: "Talvez o assassino fume."
Ao ouvir isso, Daigo também ficou sério e perguntou: "Você está falando do assassino?"
Akira assentiu com firmeza.
Ele insistira em ficar em Nagano contra a vontade dos tios, primeiro porque ali era seu lar, segundo porque queria encontrar o assassino.
Permanecendo no local do crime, teria mais chances de encontrar quem matou seus pais.
Cigarro...
No sonho escuro, de repente havia o cheiro de cigarro. Seria um aviso do subconsciente?
Akira já mal se lembrava de como fora o dia em que voltara para casa. Havia cheiro de cigarro naquele dia? Talvez sim, talvez não.
Mas se o cheiro de cigarro do sonho era um reflexo de seu subconsciente, então provavelmente ele sentira esse cheiro ao chegar em casa, mas, por estar emocionalmente abalado, não prestara atenção.
"Preciso saber qual marca ele fuma." Akira apanhou o casaco e saiu apressado, pois, embora não tivesse certeza, aquele era o único indício que possuía.
"Espere por mim, Akira!" Daigo, temendo que ele se metesse em problemas, correu atrás dele.
Akira foi primeiro à loja mais próxima de casa. Levava dinheiro, mas sabia que menores não podiam comprar cigarros.
"Meus pais morreram, tia. Meu tio já voltou para Tóquio. Quero comprar alguns maços para deixar no túmulo deles." Com os olhos vermelhos e quase chorando diante da desconfiança da vendedora, Akira suplicou.
O pai de Akira fora professor, e o assassinato fora um caso raro em Nagano; todos à volta já tinham ouvido falar. A vendedora manifestou compaixão e culpa, não fez mais perguntas e lhe vendeu o cigarro.
Akira comprou um maço de cada tipo de cigarro da loja, tanto os que conhecia quanto os que nunca ouvira falar.
Daigo ficou boquiaberto diante daquela cena, e assim que os dois chegaram em casa com as sacolas, trancou bem a porta.
"Você não vai mesmo usar isso para oferenda, vai?"
Akira apenas murmurou um "hum", abriu uma caixa de cigarros e acendeu um.
"Ei, Akira, você não pode fumar!"
"Urgh!" Akira engasgou, rapidamente apagou e jogou a bituca no cinzeiro.
Não era aquele.
Abriu outro maço e acendeu um cigarro.
Também não era. Nem esse.
Terceiro, quarto, quinto...
Havia mais de uma dúzia de marcas na loja. No início, Daigo ainda o impedia, depois ficou apenas observando, preocupado, até que Akira testou o último maço, quando o sol já quase se punha.
Seus olhos estavam vermelhos, tanto pela fumaça quanto pela dor interna.
Deixou a mão pender, o cigarro caiu no chão e Daigo logo o esmagou com o sapato.
"Você está bem, Akira?" Daigo perguntou em voz baixa.
O corpo de Akira tremia. Ele fitava as caixas de cigarros abertas sobre a mesa, parecendo tão frágil quanto porcelana, e ninguém ousava sequer respirar perto dele.
Nenhum serviu. Nenhum.
Demorou tanto para encontrar uma pista, tanto esforço...
"Que absurdo, confiar em um sonho..." Akira sorriu de repente, mas no fundo dos olhos havia um brilho partido. Esforçou-se para manter a voz firme ao dizer a Daigo: "Está quase escurecendo, vá para casa, senão seu pai e sua mãe vão se preocupar."
"Mas, Akira, você..."
"Amanhã vou para a aula."
Daigo ainda quis dizer algo, mas Akira não queria conversar, então ele saiu cabisbaixo.
Não muito depois que Daigo partiu, um lamento baixo ecoou pela casa da família Fushikami, como chuva fria de inverno, causando uma dor que parecia penetrar até os ossos.
No dia seguinte, Akira foi à escola.
Como sempre, carregava a mochila, calmo e sereno. Se não fosse pela magreza, pareceria que a morte dos pais não o afetara em nada.
"Fushikami, está tudo bem com você?"
"Fushikami, ouvi dizer que houve um problema na sua família..."
"Fushikami..."
Os colegas o cercaram, cada um expressando preocupação. Não havia maldade, mas cada palavra parecia abrir um novo corte em sua ferida, sangrando novamente.
Akira respondeu a todos, mas, ainda que fosse educado, não conseguia forçar um sorriso nem suavizar o tom de voz.
"Por favor, parem!" Daigo rapidamente interveio e afastou o grupo.
"Por que tão agressivo, Daigo?"
"Só estamos preocupados com o Fushikami."
Enquanto alguns murmuravam insatisfeitos, Akira respirou fundo e, com educação, disse: "Agradeço a preocupação de todos. Mas me desculpem, meus pais acabaram de falecer. O carinho de vocês só me faz lembrar deles, e fico muito triste. Poderiam, por favor, não tocar mais no assunto?"
Todos ficaram surpresos, e um a um mostraram-se culpados, pedindo desculpas antes de se afastarem.
Daigo voltou-se para Akira e perguntou em voz baixa: "Você está bem mesmo?"
"Está tudo bem." Akira balançou a cabeça.
Órfão de pai e mãe, Akira tornou-se o centro das atenções na escola. Todos pareciam tratá-lo com extremo cuidado, até os professores falavam com mais delicadeza.
Akira respondia sempre com educação, agradecendo a preocupação de todos, mas não era alguém frágil.
No intervalo, enquanto todos descansavam sobre as carteiras, Akira saiu em silêncio para o banheiro.
Ao se preparar para sair, sentiu de repente um cheiro familiar vindo de um dos boxes.
Era...
Os olhos de Akira se iluminaram. Após sair, bateu levemente à porta do box e perguntou: "Tem alguém aí dentro?"
"Ah, só um instante!" Veio a voz apressada do professor Fujii.
Akira esperou do lado de fora. Logo o professor saiu, e o cheiro ficou ainda mais forte.
Era aquilo!
"Professor Fujii, o senhor estava fumando agora há pouco?"
O professor se assustou e imediatamente juntou as mãos, suplicando: "Por favor, não me denuncie, posso perder o emprego."
"Não quero denunciar, só queria saber qual marca de cigarro o senhor fuma."
"Ah?" O professor hesitou, depois disse sério: "Você é estudante, não pode fumar."
Akira repetiu a estratégia, com voz triste: "Quero comprar alguns cigarros para deixar no túmulo dos meus pais. Senti o cheiro e parece ser o mesmo que meu pai fumava. O senhor pode me dizer a marca?"
"Entendo. Desculpe por tocar nesse assunto." O professor logo se desculpou, tirou uma caixa e disse: "É JILOISES, mas é difícil achar essa marca em Nagano. Só tem na loja Ichipin."
"Obrigado, professor Fujii. Gostaria de pedir licença esta tarde." Akira olhou para ele com tamanha sinceridade que era impossível recusar.
Após obter a licença, Akira foi direto à loja Ichipin, que ficava perto da escola, e lá encontrou essa marca de cigarro.
No entanto, investigar quem comprou aquele cigarro não seria tão fácil.
Akira explicou honestamente ao gerente, que ficou confuso.
"Quer dizer que você soube em um sonho que o assassino fuma esse cigarro?"
"Sim."
"Que absurdo. Temos que manter a privacidade dos clientes, desculpe, não posso te dizer."
"Por favor, senhor, isso é muito importante para mim..."
"Não adianta insistir, vá embora e não atrapalhe meus negócios."
Expulso da loja, Akira ficou devastado, mas, sem perder a esperança, ligou para a polícia.
Quando os policiais chegaram e ouviram sobre o sonho, perderam o interesse. Apesar de tentarem consolá-lo, deixaram claro que um caso não podia se basear em sonhos, que não era brincadeira.
"Ei, Kurato, vamos!" Quando estavam de saída, um policial foi chamado.
O policial chamado, de uns vinte e poucos anos, sorriu e acenou: "Pode ir na frente, vou conversar mais um pouco com o garoto."
"Está bem."
O policial se aproximou de Akira.
"Não precisa me consolar, eu entendo que é absurdo. Desculpe incomodar, mas não tenho outra pista." Akira falou com voz baixa.
Quando não resta esperança, só se pode tentar o impossível — era assim que Akira se sentia.
"Investigar só por causa de um sonho não é o procedimento." O policial se agachou, fitou os olhos de Akira com seriedade e disse: "Mas se nem tentarmos investigar, talvez o criminoso escape, e a família da vítima perderá a fé. Meu nome é Kurato Kai. Posso tentar perguntar, mas se o gerente não quiser falar, não posso forçá-lo sem ordem oficial."
Os olhos de Akira voltaram a brilhar.
A investigação correu bem. Apesar de não ter ordem formal, a presença de um policial fazia diferença e o gerente logo listou os clientes que compraram aquela marca de cigarro recentemente.
Kurato não parou por aí. Levou Akira em sua moto para visitar cada um desses clientes, verificando seus álibis e pedindo desculpas repetidas vezes.
No fim, voltaram de mãos vazias.
"Não são eles." Kurato suspirou ao deixar Akira em casa.
Akira murmurou: "Hum." Aqueles clientes tinham álibis ou não tinham relação nenhuma com seus pais. Não podia ser nenhum deles.
"Você... pede desculpa com muita naturalidade."
"Sério?"
"Já tinha se preparado para pedir desculpas, não é?" Akira olhou para Kurato, sentindo-se culpado. "Desde o começo, o senhor sabia que seria difícil achar o assassino assim."
"Você é muito observador. Se fosse policial, também seria excelente." Kurato elogiou com admiração.
"Por quê?" Akira não entendia. Se já sabia que seria quase impossível, por que acompanhá-lo, correndo o risco de ofender alguém ou ser denunciado?
Kurato afagou a cabeça de Akira e apontou para o degrau da sala da família Fushikami: "Aquele dia, vocês estavam sentados ali."
Akira olhou para o degrau, paralisado.
"Você abraçava seu irmão. Mesmo tremendo de medo, ainda tentava acalmá-lo." Kurato sorriu com amargura. "Eu sou policial. Se não pegarmos o assassino, é nossa culpa. Se houver chance de corrigir o erro, não podemos desperdiçar nenhuma pista. Isso é uma responsabilidade, tanto com você quanto com todos os cidadãos."
Akira olhou para Kurato, viu em seu rosto a amargura e o remorso. Algo dentro dele pareceu criar raízes, germinar, prestes a romper a terra e brotar em seu coração.