Capítulo 21 — Um cão sem dono

Só restam sete dias de vida? Ela enlouquece e mata todo mundo Fênix brilhante do veado 2365 palavras 2026-07-31 03:10:18

Ming Zhu levantou-se do chão, virou-se e devolveu a adaga a Feng Yaoguang, dizendo mais uma vez: — Muito obrigada, General.

Em seguida, retornou ao salão, com o passo ainda difícil e pesado.

Ao cruzar a entrada, ouviu o questionamento descontrolado da Senhora Chu e viu sua expressão, semelhante à de uma mulher enlouquecida; ele sentiu um breve momento de torpor. Aquela que, outrora, era a inabalável matriarca da família Chu, a mulher que todos viam como alguém de posição elevada e intocável, sempre fora para Ming Zhu uma existência elegante e inalcançável.

Agora, porém, ela parecia um cão vadio, louco e desesperado, gritando furiosamente com Yan Donghuang, como se desejasse desesperadamente lutar até a morte. Contudo, a Princesa Real, sentada no assento principal, sequer ergueu as pálpebras, enquanto os soldados de elite a ambos os lados mantinham a Senhora Chu firmemente a dez passos de distância. Mesmo que ela usasse toda a força que tinha, não conseguia se aproximar um único passo da Princesa.

Mesmo sob tanta fúria, desespero e ressentimento, os termos mais cruéis que a Senhora Chu usou para insultar a Princesa foram apenas "divindade maligna". Esse era o contraste mais vívido diante da disparidade de status e poder. Os olhos da Senhora Chu estavam vermelhos de desespero. Quando Ming Zhu entrou, o olhar dela caiu instantaneamente sobre ele, carregado de um ódio tão profundo que parecia querer devorar sua carne e triturar seus ossos.

A nobre e arrogante Senhora Chu, afinal, também tinha momentos de loucura. Portanto, todos aqueles seus métodos frios e implacáveis, sua indiferença pela vida e pela morte, e seu desdém pela vida humana, precisavam de uma base de sustentação. Sua origem nobre, seus poderosos protetores, o status social herdado, bem como a calma e a elegância mantidas por joias valiosas e uma vida de luxos. Ela não era uma divindade; não era verdadeiramente indiferente à vida e à morte. Ela apenas ignorava a vida e a morte daqueles com status inferior ao seu; o que ela desprezava como ervas daninhas eram as vidas dos filhos bastardos, concubinas e servos.

Se um dia surgisse alguém mais poderoso que ela, ela também sentiria raiva, desespero e ressentimento; ela também se tornaria histérica como uma louca. Se um dia seus filhos fossem feridos ou mutilados, ela também uivaria de dor.

Ming Zhu silenciou por um momento e falou com voz contida:
— A senhora tem razão. Sou um desprezível, por isso não consigo retribuir todos os anos de tortura que vocês impuseram a mim e à minha mãe. Por ser alguém de baixa estirpe, qualquer sofrimento que eu suporte é merecido; vocês, por serem nobres, devem... apenas provar um pouco disso.

— Seu pequeno animal! Eu deveria ter matado você há muito tempo! — A Senhora Chu rangeu os dentes. — Deveria ter arrancado sua pele, extraído seus tendões, cozido seus ossos em sopa e feito você cair no inferno da reencarnação após a morte!

Ming Zhu piscou levemente, com o olhar vazio:
— A morte, para mim, não é assustadora. O inferno da reencarnação não é assustador. Arrancar tendões, esfolar a pele, cozinhar os ossos em sopa... nada disso é assustador. O que é assustador é desejar a morte e não poder alcançá-la.

O que é o inferno? Algumas pessoas, aparentemente puras como o jade, são jovens nobres cortejados por todos, mas, em privado, são muito mais cruéis que demônios.

Ming Zhu respirou fundo, caminhou até o assento principal e ajoelhou-se lentamente:
— Agradeço a benevolência de Vossa Alteza, mas este escravo apenas deseja morrer.

Assim que terminou de falar, um choro abafado e desesperado ecoou pelo salão.
— Ming Zhu... — a Concubina Chen mordeu os lábios com força, sem ousar chorar alto. — Se você morrer, o que será de mim?

Ming Zhu baixou os olhos e não respondeu. Ele já não encontrava motivos para continuar vivendo. Foram tantos anos sem ver a luz do dia, isolado do mundo, incapaz de conviver com as pessoas normalmente. Ele era de origem humilde, não conhecia literatura, não sabia lutar, e seu corpo, devido às torturas prolongadas, era extremamente frágil, incapaz até de servir aos outros. De que servia alguém como ele vivo? Apenas desperdiçaria ar e comida.

— A morte não é assustadora, nem difícil — disse Yan Donghuang com um tom indiferente. — O difícil é aceitar um novo nascimento.

Ming Zhu não compreendeu o que ela queria dizer. Ele nunca fora à escola, nunca teve interações significativas com o mundo exterior e, às vezes, mal entendia as palavras ditas. Nos últimos anos, as palavras que mais ouviu foram as maldições e insultos extremamente cruéis que a Senhora Chu e Chu Yuanzheng costumavam repetir. Dia após dia, sem interrupção. Como se, a cada momento, o lembrassem de que sua existência era um pecado e que ele nascera apenas para servir de alvo para o desabafo alheio. Ele não tinha dignidade, não tinha liberdade, nem mesmo o controle sobre sua própria vida ou morte. Ele era desprezível, uma vergonha, algo imundo, um inseto.

— A partir de hoje, seu nome não será mais Ming Zhu, mas sim um... da residência da Princesa Real. — Yan Donghuang parou a frase no meio, seus olhos pousando na figura frágil e sem forças dele. Pensando que ele não apenas era incapaz de lutar, mas também não tinha instrução, ela ficou sem saber que status lhe atribuir e olhou para Feng Yaoguang: — Yaoguang, para que ele serve?

Feng Yaoguang respondeu sem pensar:
— Um jovem senhor doente e fraco que cai com um sopro de vento, uma vida feita para a riqueza.

Yan Donghuang contraiu o canto da boca e silenciou. As palavras "vida feita para a riqueza" soavam, naquele momento, como uma ironia cruel.

— Leve-o primeiro para minha residência e peça a um médico que o examine. Quanto às correntes, espere um pouco; mandarei alguém buscar a chave — ordenou Yan Donghuang. — Depois de acomodá-lo, não precisa voltar aqui. Leve seus homens à mansão do Duque da Nação e leve todos da família Sheng para a masmorra da residência da Princesa.

A família Chu era vasta e poderosa; ela ainda precisava esperar que o exército Qīngluán terminasse a revista, e Sheng Jing'an era seu inimigo; ela jamais permitiria que ele se safasse tão facilmente. Feng Yaoguang originalmente queria ficar com ela, mas, ao ouvir sobre a família Sheng, algo lhe veio à mente e ele aceitou a ordem com satisfação:
— Este subordinado irá agora mesmo.

Feng Yaoguang virou-se para os membros da família Chu, percorreu com o olhar os rostos entrelaçados por ódio e medo, e voltou-se para Mo Lin:
— Deixo este lugar sob seus cuidados. Não importa o que aconteça, garanta a segurança de Vossa Alteza.

Mo Lin assentiu. Feng Yaoguang chamou dois homens para apoiarem Ming Zhu e então caminhou em direção à saída.

O comandante da Guarda Imperial, Ying Rong, e seus homens estavam retidos do lado de fora do portão da família Chu. Si Ying e Rong Ying, os mais habilidosos do séquito de Yan Donghuang, eram tanto os braços direito e esquerdo do exército Qīngluán quanto os enigmáticos guardas da sombra. Ying Rong, conhecido como o maior mestre da guarda imperial, já não conseguia vantagem contra Xie Yunjian, e contra Si Ying e Rong Ying, não tinha chance alguma.

Feng Yaoguang cruzou o portão da família Chu, encontrou o olhar sombrio de Ying Rong, ergueu as sobrancelhas e disse com um tom preguiçoso e divertido:
— Será que o Imperador só tem você como mestre à altura? Como o Comandante Ying já está ferido e o Imperador a quem você serve ainda o faz correr de um lado para o outro sem parar, ele não teme que você morra fora do palácio e ele fique sem ninguém para protegê-lo?

Ying Rong disse friamente:
— O Imperador tem um decreto imperial, mas o exército Qīngluán me bloqueou fora da mansão, impedindo-me até de ver a Princesa Real. Isso é considerado desobediência aberta ao decreto?

Feng Yaoguang pareceu ponderar por um momento e, pouco depois, acenou lentamente:
— Bem, suponho que sim.

A expressão de Ying Rong escureceu, e um brilho intimidador irrompeu de seus olhos.