Capítulo 7: Resolver o problema pela raiz
Xiao Qing não conseguiu mais se conter. Com um baque surdo, ela caiu de joelhos diante de Li Mingzhao, abraçou suas pernas e começou a soluçar copiosamente.
— Minha senhora, a culpa é desta serva inútil, que nem sequer conseguiu usar o fogão da cozinha...
Sob o choro e as lamúrias de Xiao Qing, Li Mingzhao logo compreendeu o ocorrido. Não passava de uma estratégia dos criados insolentes, sob ordens da família Zhao, para humilhar a patroa e sua criada. Não apenas tinham negado o jantar delas, como também tinham recolhido os ingredientes e bloqueado o acesso ao fogão. Quando Xiao Qing tentou argumentar, acabou entrando em confronto com a cozinheira e o criado. Na confusão, o homem, um sujeito de rosto carnudo e seboso, aproveitou-se da situação para assediá-la.
— Está bem, pare de chorar.
Li Mingzhao a ajudou a levantar e enxugou as lágrimas de seu rosto. Sob o olhar atônito de Xiao Qing, Li Mingzhao disse com firmeza:
— Nesta situação, chorar só serve para deixar seus olhos inchados e arruinar sua aparência. Não tem utilidade alguma. Em vez disso, é melhor pensar em como fazer aqueles dois canalhas pagarem pelo que fizeram.
Xiao Qing esqueceu-se até de deixar as lágrimas caírem. Seus olhos estavam arregalados, como se estivesse vendo Li Mingzhao pela primeira vez. Ela sabia que sua senhora havia mudado de temperamento num único dia, mas não esperava que ela se tornasse tão audaciosa.
— Mas... o contrato de serviço das pessoas da cozinha ainda está com a mansão do governador...
Antes de terminar, Xiao Qing parou de repente. Não, se a mansão do governador já havia rompido os laços com sua senhora, por que eles manteriam os contratos dos servos da família Zhao? Com certeza, não era por um bom motivo.
Xiao Qing levantou o olhar e viu as costas de Li Mingzhao. Ela a seguiu apressada:
— Minha senhora, o que faremos agora? Não podemos deixar que eles nos manipulem desse jeito.
— Já que rompemos os laços, não é bom que fiquemos mantendo essa relação de dependência.
Embora caminhassem enquanto conversavam, a respiração de Li Mingzhao permanecia perfeitamente calma. Xiao Qing abriu a boca para dizer algo mais, mas Li Mingzhao parou e fez um sinal de silêncio, apontando para o pátio lateral oeste. Sob a luz pálida do luar, Xiao Qing viu uma figura estranha esgueirando-se em direção ao quarto de Li Mingzhao. A pessoa usou uma haste de junco para perfurar a tela da janela e soprou algo para dentro do cômodo.
— Minha...
Li Mingzhao tapou a boca de Xiao Qing e sussurrou:
— Não alerte o inimigo.
Dito isso, ela puxou Xiao Qing e se escondeu atrás de uma grande rocha em frente ao pátio.
Observaram a figura se afastar sorrateiramente.
— Minha senhora, aquele homem certamente não tem boas intenções — disse Xiao Qing, batendo o pé de impaciência. — Quem sabe o que ele soprou dentro do seu quarto?
Um brilho de diversão passou pelos olhos de Li Mingzhao.
— Eu também estou curiosa.
Em seguida, ela se aproximou do ouvido de Xiao Qing e deu instruções. Ao ouvir, Xiao Qing arregalou os olhos:
— Minha senhora, isso não vai...
Li Mingzhao deu um sorriso frio:
— Problemas não são assustadores; basta resolvê-los pela raiz.
...
A lua brilhava no horizonte. Li Mingzhao, prendendo a respiração, arrastou o homem que havia desmaiado nos fundos e o jogou dentro do quarto, subindo habilmente para o telhado. Embora este corpo não tivesse energia interna, era muito mais leve e ágil do que o seu corpo anterior, que sofria com as limitações de ferimentos graves. Ela estava satisfeita. Se a energia interna se fora, bastava praticar o cultivo novamente. Com um corpo ágil, seus movimentos seriam ainda mais letais.
Quase no momento em que se deitou sobre o telhado, viu uma figura curvada entrar furtivamente em seu quarto. O andar do indivíduo era vacilante e desordenado; era evidente que se tratava de alguém que levava uma vida de excessos. Uma suspeita formou-se em sua mente, e uma onda de nojo misturada com uma fúria avassaladora tomou conta de Li Mingzhao.
A porta rangeu ao abrir. Li Mingzhao aguçou os ouvidos, confirmou a posição do intruso e levantou suavemente uma das telhas. Viu, então, o homem que acabara de entrar atirar-se sobre a cama sem hesitação.
— Minha bela, deixe que o papai cuide bem de você...
— Ah!!
Um grito estridente assustou os pássaros que repousavam nas árvores.
Dentro do quarto, o criado, que estava no chão tateando no escuro enquanto se despia e ainda não tinha tido tempo de se virar para cometer suas atrocidades, teve a raiz da coxa pisoteada pelo intruso. Aquele grito agonizante fora dado pelo criado.
A pessoa que o pisoteou, tropeçando, rolou pelo chão junto com o criado.
— Por que é um homem?! — exclamou uma voz cheia de frustração.
Li Mingzhao confirmou sua suspeita: o invasor era, de fato, Zhao Dachuan, o pai viciado em jogo de Zhao Xun. Ao perceber as intenções de Zhao Dachuan, um brilho assassino surgiu em seus olhos. Olhando para o criado, viu que ele, com o rosto afogueado, já tateava o corpo de Zhao Dachuan, que lutava para se libertar.
Sem hesitar, Li Mingzhao saltou do telhado com agilidade, entrou pela janela, pegou um acendedor, acendeu a lamparina e, "por descuido" ao recuar, pisou em cheio nas partes íntimas de Zhao Dachuan.
— AHH!!
Desta vez, não apenas os pássaros, mas os ocupantes dos outros quartos foram despertados.
Zhao Xun, lá no pátio leste, ao ouvir o grito do pai, pensou imediatamente que o velho idiota havia sido descoberto por sua falta de jeito. Temendo complicações, arrastou Liu Xuerou para fora da cama, sem que ela pudesse sequer se vestir direito, e correu para o pátio oeste.
Quando chegou, ofegante, deparou-se com uma cena degradante: Zhao Dachuan, a cozinheira e o criado estavam despidos e pendurados de cabeça para baixo em uma árvore retorcida em frente ao pátio. A criada de Li Mingzhao, Xiao Qing, batia gongos e tambores, convidando todos a observar.
— Venham ver! Vejam este velho sem-vergonha que entrou furtivamente no quarto da nora no meio da noite para se divertir! Olhem bem, não percam o espetáculo! Lembrem-se deste velho pervertido; se ele passar pela porta de suas casas, fechem tudo, para que ele não se irrite e acabe por não poupar nem o cachorro!
A voz de Xiao Qing era potente e cortante. Embora ninguém tivesse coragem de observar tão abertamente, as cabeças que espreitavam pelos muros eram suficientes para fazer Zhao Xun sentir que o mundo estava girando. Ao ver Li Mingzhao vestida, abanando-se com um leque como se nada tivesse acontecido, ele, furioso, agarrou o pulso dela e a arrastou para perto da árvore.
— Você tem ideia do que está fazendo? Solte-os imediatamente! Como ousa causar tal escândalo?
— Agora está apressado? Quando esse velho pervertido corria pela mansão inteira despido, por que você não o conteve?
Li Mingzhao soltou uma risada sarcástica e se desvencilhou do aperto de Zhao Xun, sem se dar ao trabalho de fingir inocência. Zhao Xun, chocado com tamanha insolência, fulminou-a com o olhar:
— Cale a boca! Quem lhe deu permissão para difamar seu sogro assim?
Li Mingzhao pareceu surpresa:
— Ah, então esse velho pervertido é seu pai? Eu estava me perguntando: que tipo de canalha teria a audácia de entrar no meu pátio para se divertir com quem bem entendesse?
— Eu só entrei na porta errada... foi só um erro, eu juro — balbuciou Zhao Dachuan.
Como perdera alguns dentes, sua boca estava cheia de sangue e sua fala era incompreensível; era preciso muito esforço para decifrar o que ele dizia.