Capítulo 6: Senhora Xin
— Sim, senhorita.
Xiao Qing respondeu alegremente e contou a Li Mingzhao, detalhadamente, tudo o que havia descoberto.
O temperamento de Shi Zhao mudou drasticamente; ela não deixou de desconfiar por um instante.
Mas essa dúvida durou apenas um momento. Rapidamente, ela atribuiu todas as mudanças de Shi Zhao ao fato de, antes, ter sido reprimida e, posteriormente, rebelar-se.
Afinal, ela fora a criada pessoal de Shi Zhao, e tinha visto a determinação da jovem ao se vestir de homem para conduzir negócios fora.
No entanto, fora do lar, Shi Zhao era decidida e implacável.
Ao retornar à Prefeitura, assumia uma postura submissa e reprimida, incapaz de reagir a qualquer afronta.
Às vezes, nem mesmo Xiao Qing conseguia entender aquela pessoa tão estranha, como se fosse uma marionete cujas cordas todos manipulavam à vontade...
As informações que Xiao Qing trouxe eram superficiais.
Mas Li Mingzhao logo percebeu o ponto crucial. — A joia de jade?
Ela lançou um olhar sutil para Xiao Qing, que sentiu uma pressão inexplicável e assentiu timidamente. — Sim, a velha Xin me disse que aquela joia de jade, a senhorita já usava quando voltou para a casa junto com o senhor e a senhora. Depois, desapareceu, reaparecendo apenas quando a segunda senhorita voltou, e então o senhor da prefeitura sugeriu que a senhorita desistisse do compromisso matrimonial para que escolhessem um noivo melhor...
Li Mingzhao abaixou os olhos, escondendo o brilho sombrio que surgia.
Ela conhecia a velha Xin, uma serva rústica da prefeitura, que acompanhava a família Shi Junsheng desde Liangzhou até Yuzhou.
No início, era a única responsável pelos cuidados pessoais de Zhong Shuyi, mas como falava demais e recusava bajulações, caiu em desgraça e foi relegada a serva rústica.
E assim permaneceu por vários anos.
Na memória, a velha Xin sempre fora gentil com a protagonista original, trazendo pequenos bolos quando ela estava triste, aconselhando-a a pensar mais em si mesma e não se entregar completamente àquela família...
Mas...
Um sorriso irônico curvou os lábios de Li Mingzhao. Entre pessoas sem ligação, não há cuidado gratuito.
— A velha Xin ainda está na prefeitura?
Li Mingzhao intuía que ela poderia ser uma boa pista.
Pelo tom com que Xiao Qing mencionou a joia, sentiu que aquela serva não era simples.
Xiao Qing assentiu. — O senhor da prefeitura ordenou que a senhora e os dois jovens senhores deixassem a cidade de Yu, levando consigo os servos mais confiáveis e vigorosos, deixando apenas o mordomo e alguns servos idosos.
—
Enquanto Xiao Qing falava, Li Mingzhao batia levemente com o dedo indicador no braço da cadeira, em ritmo inconsciente.
Em seu pensamento, traçava planos.
As nomeações e transferências de oficiais em Dàshèng e no Reino Jiang seguiam regulamentos semelhantes.
Normalmente, a não ser que o oficial fosse promovido ou permanecesse pelo menos três anos na nova função, sua família ficava na terra natal, em residências designadas pela corte.
Ao lembrar da menção de He Xuan sobre a cidade de Yè...
Os olhos de Li Mingzhao se estreitaram.
— Você descobriu mais alguma coisa sobre a transferência de Shi Junsheng hoje?
Xiao Qing pareceu surpresa por Li Mingzhao ter chamado o senhor da prefeitura pelo nome completo.
Ela hesitou, mas um brilho de compreensão passou em seu olhar — não era estranho que a senhorita guardasse rancor, visto o tratamento severo da prefeitura.
Envergonhada, respondeu: — Não sei.
Li Mingzhao mudou de assunto, focando em outra questão que a interessava.
— E a guerra entre Dàshèng e o Reino Jiang...
Antes que pudesse terminar, Xiao Qing a interrompeu, assustada, tampando a boca.
— Senhorita, não podemos mais falar disso. Embora Dàshèng tenha vencido, o senhor da prefeitura disse que na cidade de Yè foram afixados editais imperiais proibindo discussões sobre o assunto...
Ainda proibido falar...
Li Mingzhao abaixou o olhar.
Ela já sabia, pelas memórias de Shi Zhao, que após sua morte, Dàshèng venceu o Reino Jiang.
Mas algo a intrigava: Dàshèng cobiçava há muito tempo as dezesseis regiões de Yōuzhōu do Reino Jiang. Após a vitória, poderia facilmente avançar e tomar aquelas terras, invadindo a passagem de Píngyáo.
No entanto, Dàshèng não tomou um centímetro do território inimigo, o que era estranho e anormal.
A guerra fora exatamente pelo rico território de Yōuzhōu.
Como país vitorioso, seria natural exigir a cessão daquelas terras e anunciar a façanha para o mundo, reforçando a grandeza do império.
Mas o comportamento da família imperial de Dàshèng soava como inseguro...
O que estaria a temer?
— Senhorita, eu tenho feito o possível para descobrir o que precisa saber, mas... embora queiramos ganhar dinheiro, não podemos arriscar a vida por isso.
O murmúrio de Xiao Qing trouxe Li Mingzhao de volta à realidade.
No início, ela não entendeu o que a criada queria dizer, até ouvir que “não se pode ganhar dinheiro que pode custar a cabeça”.
Aquela ingênua ainda pensava que ela queria investigar assuntos militares para lucrar com a desgraça nacional.
Será que confiava tanto nela?
Li Mingzhao não explicou mais, sorriu e mandou Xiao Qing preparar água e comida.
Antes de se retirar, deu uma última ordem: — Amanhã, quando receber o dinheiro, troque parte por moedas menores e compre alguns bolos fáceis de digerir para a velha Xin. Diga que agradece os cuidados que ela teve no passado e que gostaria de convidá-la para tomar um chá na casa de chá.
Xiao Qing não pensou muito, achando que Li Mingzhao tinha guardado dinheiro para emergências, e saiu sorrindo.
Depois que a criada saiu, Li Mingzhao escondeu o sorriso.
No quarto escuro, sem acender a luz, sentou-se diante do espelho improvisado, quase fundindo-se com a sombra.
Passaram-se quase trinta minutos sem que Xiao Qing retornasse.
Li Mingzhao controlou seus pensamentos e saiu à procura.
Não muito longe da ala oeste, num canto do corredor, encontrou uma jovem criada agachada, limpando lágrimas silenciosamente.
Na segunda entrada da residência, haviam poucas luzes, concentradas na ala leste.
Com passos largos, Li Mingzhao se aproximou, iluminada pela luz da lua, e viu claramente a jovem com o rosto inchado e roxo, cabelo embaraçado, mangas e gola sujos de fuligem da cozinha — sinais evidentes de que havia sido espancada e perdido a luta.
Percebendo o movimento atrás de si, Xiao Qing virou-se justo a tempo de encontrar Li Mingzhao com os braços cruzados, olhando com um sorriso enigmático.
Ela olhou ao redor, nervosa por não ver mais ninguém, e chamou timidamente: — Senhorita.
Li Mingzhao apertou os lábios, impassível, e virou-se para voltar.
Xiao Qing, sentindo-se culpada, levantou-se e a seguiu silenciosamente.
Com o coração pesado, suas lágrimas caíam ainda mais abundantes.
— Até quando vai chorar?
Aquela pessoa, que momentos antes se virou sem hesitar, parou diante dela.
Seus olhos brilhantes e profundos, capazes de perscrutar a alma, agora estavam cheios de dúvida.