Capítulo 8: Crescimento

O Rugido da Espada nos Nove Céus Pequeno Xie 2614 palavras 2026-07-31 03:19:47

Jian Xiaotian parecia ter amadurecido da noite para o dia. Elan, ora alegre, ora apreensiva, raramente via o sorriso inocente que antes iluminava o rosto do rapaz.

Após deixarem a Floresta das Bestas Mágicas, chegaram a uma pequena aldeia chamada Karl, situada a menos de cem milhas dali. Os aldeões eram extremamente hospitaleiros e, ao verem a beleza de Elan e a doçura de Jian Xiaotian, trataram-nos com um carinho especial. Assim, Elan decidiu que ali seria o seu lar temporário.

Graças à sua beleza e aos seus conhecimentos médicos excepcionais, Elan conquistou o afeto de todos. Não faltaram aldeões entusiasmados tentando arranjar-lhe pretendentes, mas ela sempre recusava com um sorriso tímido e educado. Jian Xiaotian, por sua vez, era um jovem perspicaz e diligente, sempre disposto a ajudar nas tarefas da aldeia.

Elan observava com curiosidade os exercícios diários de Xiaotian. Parecia que ele estava a treinar, embora Jian Tiannan nunca lhe tivesse ensinado uma técnica completa. Ela não fazia ideia de que ele praticava o "Manual dos Nove Céus", um método de cultivo cobiçado por todos no continente, capaz de elevar um mortal ao nível de divindade. A cada dia, ela sentia que o rapaz mudava.

Quando ainda vivia no vale, Xiaotian já havia completado o primeiro estágio do seu treino, fazendo a energia vital circular pelos trinta e seis meridianos do corpo.

Todas as manhãs, ia para o bosque próximo à aldeia para praticar a respiração e a meditação, guiando a essência do mundo para dentro de si e expelindo as impurezas. Com o tempo, sentia-se revigorado e pleno. Depois, pegava na espada de ferro forjada pelo ferreiro local e ia caçar. Embora ainda não compreendesse totalmente o "Caminho da Espada" descrito pelo Mestre dos Nove Céus, ele agia seguindo o seu instinto. Os seus golpes, embora sem uma forma rígida, estavam em perfeita harmonia com o seu coração. Durante as batalhas contra bestas mágicas menores, aprimorava constantemente a sua técnica. O manual enfatizava a "velocidade", ensinando que "todos os golpes sob o céu podem ser quebrados, exceto os que possuem a rapidez". Xiaotian, ainda jovem, não compreendia a profundidade daquelas palavras, mas sabia que ser veloz era a chave para obter a vantagem.

Na aldeia, vivia um guerreiro de sexto nível chamado Weil. Apesar de o seu talento ser limitado, ele possuía uma vasta experiência e uma compreensão profunda sobre o cultivo marcial. Xiaotian, fascinado pelas histórias que Weil contava sobre o continente, passou a procurá-lo diariamente.

O tempo passou, e oito anos voaram. Jian Xiaotian tornou-se um rapaz de treze anos, com a ingenuidade substituída por uma maturidade serena.

Certo dia, sentado em posição de lótus no bosque, Xiaotian praticava a sua respiração. O corpo estava relaxado e a mente, em paz. Com o passar dos anos, o seu oceano de energia no dantian tornara-se vasto e quase saturado. De repente, a circulação da energia acelerou e, por um momento, ele quase perdeu o controlo. Rapidamente, focou a sua consciência interior e viu que a energia no seu dantian girava velozmente, formando um vórtice. A energia circulava pelo corpo e retornava a esse redemoinho, num ciclo incessante.

Finalmente, o vórtice estabilizou-se. Após oito anos de esforço, Xiaotian tinha superado o terceiro estágio do Manual dos Nove Céus; o redemoinho no oceano de energia estava formado.

Ao levantar-se, sentiu-se mais forte do que nunca. Empunhando a sua espada, percebeu que a energia fluía com uma precisão absoluta, permitindo-lhe executar movimentos que antes eram impossíveis. A máxima de que a "velocidade prevalece" fazia agora todo o sentido. Os seus ataques eram como relâmpagos, e os seus movimentos, leves como andorinhas em pleno voo.

Com o tempo, aprendeu a identificar as falhas nas defesas das bestas mágicas, atingindo-as com precisão cirúrgica. Desenvolveu um olhar aguçado, antecipando os movimentos dos oponentes antes mesmo de eles atacarem. Já era capaz de enfrentar bestas de sexto nível em igualdade de condições. A sua técnica de espada não tinha padrões fixos; era fluida e adaptável, moldando-se à fraqueza do inimigo. Como dizia o ditado: "A forma que pode ser definida não é a forma verdadeira". Para Xiaotian, a ausência de técnica era a técnica suprema.

Ao regressar a casa, Elan ficou surpreendida ao ver que o rapaz emanava uma aura de imensa calma e solidez, como uma montanha inabalável.

— O que aconteceu, Xiaotian? — perguntou ela.
— Pequena mamã — sorriu ele —, tornei-me mais forte!

Elan, radiante, acariciou-lhe o rosto com ternura.

Enquanto isso, na mansão do Príncipe Liu Xian, Liu Qitian treinava incessantemente. O seu progresso era notável, superando qualquer jovem da sua idade. No entanto, enquanto o pai se orgulhava, as suas esposas, movidas pelo ciúme, detestavam cada vez mais o rapaz e a sua mãe.

No topo de uma montanha, sob o sol nascente, Jian Xiaotian meditava. Uma epifania surgiu na sua mente. Ele tentou forçar a circulação da sua energia pelos doze meridianos principais e pelos oito meridianos extraordinários, mas a dor foi imediata. Percebendo o erro, acalmou-se, compreendendo que o caminho exigia paciência e que seguir a ordem natural das coisas era o único modo de atingir a verdadeira perfeição.