Capítulo 13
Duas semanas antes do Ano Novo Chinês, Ji Xing trabalhava como de costume, cuidando da transição de suas tarefas. Ao saberem que ela estava de saída, os colegas, relutantes, tornaram-se extraordinariamente gentis com ela. Ji Xing sorria de volta, embora mantivesse o coração sereno e indiferente.
Chen Songlin tentou convencê-la a ficar, mas ela recusou. Ela não deixou claros os motivos, sentindo até certa compreensão pelo comportamento interesseiro dele, mas simplesmente não podia mais continuar trabalhando sob suas ordens.
Naquele período, Ji Xing sentia-se leve, porém tingida de uma ponta de ansiedade.
Desde pequena, ela sempre foi uma pessoa planejada, com objetivos claros, esforçada e inteligente, por isso seguiu sempre um caminho tranquilo: universidades de prestígio, graduação e emprego. Agora, diante desse revés, ela se perguntava se a causa de suas dificuldades profissionais — que se acumulavam como palhas sobre seu ombro, sem se dissiparem como as de outros — não seria sua própria natureza, talvez afiada demais e pouco diplomática, altiva demais e pouco pragmática, idealista demais e pouco realista.
Mas, a esta altura, refletir sobre isso não adiantava de nada.
Com o tempo livre que surgiu, ela logo começou a traçar seu próximo passo. Com seu currículo, conseguir um novo emprego seria fácil, com aumentos de salário e cargo.
No entanto, a ideia de seguir carreira solo nasceu novamente.
Em vez de trabalhar para os outros a vida toda, era melhor arriscar enquanto ainda era jovem. Aquilo não era um impulso repentino.
Ela já desejava trabalhar com dispositivos médicos personalizados, conhecia o mercado interno e a tecnologia, e já havia lidado com fornecedores durante o trabalho. Nada disso era difícil para ela. Além disso, Su Zhizhou, um colega de faculdade, sempre quis ser seu sócio, e agora, finalmente, o desejo de ambos podia se concretizar.
Uma semana antes do Ano Novo, os dois se encontraram em um café da faculdade, conversaram a tarde toda e se entenderam rapidamente.
Ji Xing detinha um vasto banco de dados de pacientes e experiência em controle e fabricação mecânica, enquanto Su Zhizhou e seus colegas dominavam o design mecânico e a programação de ponta. Ambos tinham o mesmo objetivo: o mercado de dispositivos médicos personalizados, utilizando a impressão 3D industrial para criar produtos que atendessem às necessidades específicas de cada paciente.
Eles conversaram durante toda a tarde e encheram dezenas de folhas de rascunho. Após uma análise estruturada, concluíram: tecnologia eles tinham; gente, eles conseguiriam; dinheiro, eles não tinham.
O bônus de final de ano de Ji Xing, somado às premiações de projetos e economias, mal dava para a entrada de um apartamento, muito menos para financiar um projeto.
Embora Shao Yichen tivesse lhe dado suas economias, os equipamentos de impressão industrial de boa qualidade custavam um ou dois milhões cada, sem contar outras despesas.
Encontrar investidores era a questão urgente a ser resolvida.
Certa vez, bebendo com suas amigas, Li Li comentou: "Se você precisa de dinheiro, dou um jeito de arranjar. Talvez uns cem mil, no máximo; você sabe que ainda estou pagando o financiamento do meu apartamento."
Ji Xing recusou, dizendo que a pressão seria grande demais.
Li Li retrucou: "Se não aguenta nem esse pouquinho de pressão, é melhor voltar a procurar um emprego."
Ji Xing: "..."
Wei Qiuzi, por sua vez, foi mais pragmática: "Impressão 3D? Não houve um veterano da faculdade que tentou isso? O negócio faliu. Aprenda com os erros deles e seja cautelosa."
"Eu pesquisei", disse Ji Xing. "Eles falharam porque não tinham tecnologia, não tinham público-alvo e não encontraram o nicho certo. Ou usavam o conceito apenas para captar recursos em educação tecnológica, ou tentavam fazer brinquedos. Com custos tão altos, como abrir mercado para brinquedos?"
"Mas, na medicina, é diferente."
"Aeroespacial, medicina e automóveis — a impressão 3D tem um potencial imenso nessas três áreas. Estou muito otimista com o desenvolvimento da indústria médica nas próximas décadas. Quando o mercado se especializar, a demanda por materiais médicos personalizados crescerá exponencialmente. Nesse ponto, Shao Yichen também me apoia."
Wei Qiuzi concordou: "De fato, a medicina tem um futuro ilimitado."
"Mas abrir uma empresa não é tão simples", ponderou Li Li, pousando o copo. "Tecnologia, instalações, pessoal... tudo precisa ser considerado. E as vendas? Onde estão os clientes e os canais de distribuição?"
"Quanto aos pesquisadores, por enquanto são apenas colegas da faculdade. O principal agora é o equipamento, ou seja, o dinheiro." Ji Xing suspirou. "Dinheiro...". Depois do Ano Novo, ela teria que encontrar uma forma de conseguir investimentos, mas, no momento, ela só tinha um conceito. Quem daria atenção a ela?
Li Li disse: "Não posso ajudar muito agora, mas assim que a empresa começar, farei o possível para ajudar com o mercado ou vendas."
Qiuzi acrescentou: "Quanto às matérias-primas, farei o que puder."
Os amigos a apoiavam, mas seus pais tinham ressalvas.
Ao voltar para casa no Ano Novo, sua mãe não parava de resmungar:
"Não há necessidade de uma moça se sobrecarregar tanto. Daqui a dois anos você terá que se casar. Na verdade, já poderia casar agora. Com a situação financeira das duas famílias, dar uma entrada em um apartamento em Pequim não seria problema algum. Seus salários são altos e o financiamento não seria um peso. Não seria maravilhoso levar uma vida tranquila? Seus pais ainda não se aposentaram, não precisam que vocês os sustentem."
Ji Xing se irritou ao ouvir aquilo: "Toda vez a mesma coisa. Nem emprego eu tenho e já quer que eu me case?"
"Arrumar emprego é fácil."
"Mas eu quero tentar o meu próprio negócio."
"Por que se esforçar tanto? Acho que seria ótimo se vocês apenas trabalhassem e casassem."
"Ai, mãe, você não entende. Não se meta na minha vida."
"Não me meto." A mãe balançou a cabeça, suspirando, e perguntou: "E anteontem, quando você foi jantar na casa do Yichen, o que os pais dele disseram?"
"Nada", murmurou Ji Xing.
Ela mentiu.
Ao visitar a família de Shao Yichen, a mãe dele mencionou casualmente que o dinheiro para o casamento do filho já estava guardado, mas Shao Yichen mudou de assunto.
Desde que começou o mestrado, ela era pressionada silenciosamente todos os anos. Se não fosse pelo pedido de demissão repentino, o casamento já estaria marcado.
Mas Shao Yichen não a pediu em casamento simplesmente porque a conhecia bem demais. Ao sair da casa dele naquele dia, Ji Xing perguntou: "Você quer casar?"
Shao Yichen pensou um pouco e respondeu: "O que sinto agora com você não é diferente de estarmos casados."
Ji Xing sorriu, abraçando o braço dele de forma manhosa: "Pode esperar eu me estabilizar no trabalho?"
"Sim."
Ele a entendia demais e a protegia demais. No dia anterior ao retorno de Ji Xing a Pequim, enquanto ela arrumava as malas, houve uma discussão com seus pais, que insistiam para que ela procurasse um emprego. Shao Yichen, presente, interveio: "Deixem-na fazer o que ela quer. Se não fizer agora, terá arrependimentos depois. Além disso, não é um capricho; acho a ideia dela muito valiosa e ela tem capacidade para vencer."
O pai de Ji Xing retrucou: "Vocês são muito jovens. Não querem seguir o caminho seguro e insistem em se aventurar, só ficando satisfeitos depois de quebrarem a cara. Ela é uma moça, não quero vê-la sofrer. Se falhar, todo o investimento vai pelo ralo e ela ficará sem nada."
"Ela não ficará sem nada. Eu não estou aqui?", sorriu Shao Yichen. "Se ela realmente voltar à estaca zero, eu tenho condições de sustentá-la."
Os pais de Ji Xing ficaram em silêncio.
No dia da partida, o pai de Ji Xing a levou à estação de trem. Sem lhe dizer nada, deu um recado a Shao Yichen: "A Xing é ingênua e impulsiva, teimosa e orgulhosa. Fique de olho nela e tenha paciência."
Shao Yichen respondeu: "Pode deixar."
Sem preocupações, Ji Xing voltou a Pequim e começou a cuidar da empresa. Ela escolheu um nome brilhante: "Tecnologia Xingchen". O capital inicial da empresa foi a soma de todas as economias dela e de Shao Yichen.
Logo, o trabalho começou de forma intensa. Alugar instalações, montar laboratórios, comprar móveis, contatar parceiros, contratar engenheiros assistentes, registrar a empresa... O trabalho era minucioso e exaustivo, mas a prioridade era criar um conceito e um plano principal para a Xingchen. Mesmo sem equipamentos, ela precisava de simulações computadorizadas para atrair investidores.
Ji Xing, que antes vivia atarefada no trabalho, descobriu que empreender era ainda mais exaustivo. No início, a empresa era um caos; ela tinha que cuidar de tudo e quase não havia dias de folga.
Felizmente, ela sempre foi uma pessoa determinada. Em termos de coragem, resistência e tenacidade, ela superava muitos rapazes de sua idade. Uma vez disparada a flecha, não há como voltar atrás; ela estava decidida a alcançar seus objetivos, mesmo que tivesse que lutar com todas as forças. Talvez houvesse em seu subconsciente o desejo de ser superior aos outros, mas, acima de tudo, ela tinha metas que queria realizar, para não ser apenas mais uma pessoa comum vivendo uma vida medíocre. Ela não queria mais ser assediada ou ter seu destino decidido por terceiros.
Ela conseguiu contato com o primeiro investidor após meio mês. Dizia-se que o homem viera de outra cidade especialmente para encontrá-la. Naquela época, a Xingchen ainda não tinha as simulações computadorizadas, mas o investidor não se importou. Ji Xing preparou o plano e os documentos com entusiasmo.
O homem tinha pouco mais de trinta anos, vestia terno e gravata, e tinha o rosto reluzente de óleo. Ele folheou os documentos com desdém e começou a tagarelar sobre suas experiências em diversos setores: transporte, e-commerce, logística... não havia área em que não estivesse envolvido.
"Nunca investi no setor médico, por isso estou muito interessado. Não importa qual setor entre em decadência, a medicina nunca entrará, certo? Sendo sincero, não entendo de medicina, mas não preciso entender, vocês é que entendem. A tecnologia fica com vocês, eu só entro com o dinheiro. Desde que vocês tenham competência, eu invisto."
Ji Xing ouviu aquela falação por mais de uma hora, sentindo-se um pouco constrangida. Embora o investidor ideal fosse alguém que apenas fornecesse o dinheiro e não interferisse, ela esperava, pelo menos, ter uma conversa agradável.
Enquanto ela ainda ponderava, o homem disparou: "Vamos fazer o seguinte: invisto quinhentos mil e fico com vinte por cento da empresa. O que acha?"
Ji Xing: "..."
Após um longo silêncio constrangedor, ela respondeu: "Nossa rodada inicial de investimento está estimada em vinte milhões por dez por cento."
O homem ficou paralisado por alguns segundos e, de repente, explodiu em uma gargalhada, como se tivesse ouvido uma piada: "Que alta tecnologia é essa que vale vinte milhões? Eu achava que sabia enrolar, mas você é melhor do que eu."
A reunião terminou mal.
Ji Xing não esperava que o primeiro investidor fosse desse tipo.
No entanto, os que vieram depois, mesmo parecendo mais profissionais, reagiam com desdém ao ouvir o valor do investimento. Isso desanimou profundamente Ji Xing, que decidiu não tratar de valores até ter as simulações prontas.
Em meados de março, a equipe principal da Tecnologia Xingchen estava estabilizada e os designs iniciais dos primeiros produtos começaram a tomar forma. Nas simulações computadorizadas, Ji Xing e sua equipe selecionaram um paciente real, que necessitava de uma ponte de safena, e imprimiram, com base em suas condições únicas, uma prótese cardíaca personalizada.
Isso animou Ji Xing, renovando suas esperanças. A compra de equipamentos era urgente e eles precisavam de muito capital.
Ji Xing voltou à árdua tarefa de buscar investimentos.
Mas o caminho continuava difícil. Ela encontrou presidentes de empresas, investidores profissionais e firmas de investimento; falava com muitos, mas fechava com poucos. Alguns tinham segundas intenções, outros exigiam demais ou não compartilhavam da mesma visão. Ela simplesmente não encontrava o parceiro ideal.
O que chegou mais perto foi um investidor chamado Liu, que gostou muito do conceito e da criatividade da Xingchen. Contudo, o impasse foi novamente o valor: ele só queria investir nove milhões por dez por cento das ações.
Ji Xing não pôde aceitar. Talvez, na época, ela ainda fosse orgulhosa demais, acreditando que eles tinham a tecnologia, a equipe e fariam a maior parte do esforço. Por que ceder tantas ações para alguém que apenas entrava com dinheiro, e menos da metade do que precisavam?
O homem pareceu perceber o que ela pensava e, quando a negociação fracassou, ironizou: "Você é ingênua. Existem muitas pessoas com tecnologia e talento neste mundo, mas poucas com dinheiro sobrando e dispostas a investir em algo que nem produto físico tem. Empresas como a sua surgem aos milhares todos os anos; são apenas brinquedos para ricos apostarem a sorte."
Essas palavras atingiram Ji Xing como um tapa, sendo mais humilhantes do que a primeira ofensa, já que durante a conversa eles haviam discutido o futuro da Xingchen com entusiasmo. A mudança de atitude ao final da negociação foi, no mínimo, chocante.
Ji Xing bloqueou o contato do homem e ficou furiosa por um bom tempo.
Mas o tempo passava e a realidade batia à porta. Vendo que a empresa paralisaria sem os equipamentos, Ji Xing começou a se desesperar. Sem saída, lembrou-se de Xiao Yixiao e da Investimentos Zhongheng.
A Zhongheng era conhecida no mercado por ser confiável e visionária.
Como ela e Xiao Yixiao só tinham se visto uma vez, procurá-lo diretamente parecia indelicado.
Após uma intensa luta interna, o desespero falou mais alto e ela decidiu arriscar.
Sem agendamento, o secretário disse que era impossível falar com o Sr. Xiao. Ela engoliu o orgulho e insistiu várias vezes, mencionando que já o conhecera, mas nada adiantou.
Com os ombros caídos e derrotada, ela saiu do prédio.
Mas, ao chegar à saída, pensando em todos na empresa esperando pelo investimento, ela tomou coragem e decidiu esperar na saída do estacionamento.
A cada carro que saía, ela arregalava os olhos, tentando identificar qual seria o de Xiao Yixiao e se ele estava no banco de trás.
Ela esperou no vento frio por um tempo indeterminado, até que escureceu. Quando já começava a duvidar se ele já teria saído, um Mercedes preto se aproximou.
Naquele nível, certamente seria o carro de um executivo.
O motorista estava na frente e a pessoa no banco de trás era difícil de identificar. Ji Xing estreitou os olhos. De repente, o celular da pessoa no banco de trás acendeu, refletindo a luz em seu rosto. Era exatamente Xiao Yixiao.
Ji Xing bloqueou o caminho imediatamente.
O motorista parou o carro e colocou a cabeça para fora, curioso: "O que você está fazendo?"
"Quero falar com o Sr. Xiao!", disse Ji Xing em voz alta, correndo para o banco de trás.
A janela baixou. Xiao Yixiao tinha uma vaga lembrança dela, por isso foi educado: "Algum problema?"
"Ouvi dizer que o Sr. Xiao trabalha com investimentos, então vim trazer uma proposta." Ji Xing explicou brevemente e entregou a pasta. Ela queria dizer algo mais, mas outros carros vinham atrás, então ela sorriu: "Espero que o Sr. Xiao tenha tempo de olhar. Meus contatos estão aí dentro."
Xiao Yixiao sorriu: "Tudo bem."
O vidro subiu. Ji Xing observou o carro partir, cheia de esperança. Quando uma rajada de vento veio, ela estremeceu de frio, esfregou as mãos geladas e foi embora.
Xiao Yixiao subiu o vidro e jogou o documento de lado. Ele não tinha uma boa impressão de Zeng Di, por isso não levava fé em Ji Xing. Contatos? Que tipo de contatos? Humpf.
Ao descer do carro, ele nem se lembrou do arquivo, que ficou ali, esquecido no banco.
Três dias depois, ao encontrar o documento por acaso no carro, ele o abriu e, conforme lia, suas sobrancelhas se ergueram.
Ele leu página por página com atenção e, após ver o vídeo de simulação no CD, pegou o telefone e ligou para Han Ting.
Após alguns toques, a outra pessoa atendeu: "Alô?"
"O que está fazendo?", perguntou Xiao Yixiao, folheando os papéis.
Era horário de trabalho, então a pergunta era redundante. Han Ting respondeu: "Dormindo."
Xiao Yixiao riu.
Han Ting: "Se tem algo a dizer, não enrole."
"Desta vez você vai ter que me agradecer muito", disse Xiao Yixiao.
...
Sem resposta por três dias, Ji Xing achou que não daria em nada.
Mas, no quarto dia, Xiao Yixiao a adicionou. Ele disse que não tinha interesse no projeto, mas que um amigo achou interessante e queria conversar, enviando um cartão de visitas em seguida.
A foto de perfil da pessoa era um quadrado preto e o nome era "ht".
Ji Xing adicionou o contato, enviou a apresentação da Tecnologia Xingchen e perguntou se ele tinha interesse.
Logo veio a resposta: "Qual o seu telefone?"
Ji Xing enviou o número imediatamente.
No segundo seguinte, o telefone tocou.
Ji Xing atendeu: "Alô?"
"Olá." Era um homem, com uma voz grave e profunda, educada, porém direta: "Você tem tempo para uma reunião amanhã, às 11 da manhã?"
Ji Xing hesitou por um momento, mas respondeu: "Sim."
"Ótimo." Ele passou o endereço e, após uma pausa de um segundo, perguntou: "Anotou?"
Ela assentiu: "Anotei. Ah, como devo chamá-lo?"
"Meu sobrenome é Han", ele disse. "Até amanhã."
Ji Xing desligou e percebeu que havia uma mensagem não lida na conversa com Xiao Yixiao. Ao abrir, logo abaixo do cartão de visitas de "ht", havia um comentário:
"É aquele que estava sentado à sua direita naquele dia."