Capítulo 7

Você é mais bonita que Pequim Alvorada de Setembro 5040 palavras 2026-07-31 03:29:40

Às seis e meia, horário combinado, Ji Xing chegou ao cruzamento dez minutos mais cedo, para evitar que, caso o trânsito estivesse bom e Zeng Di chegasse primeiro, ela tivesse de esperá-la.

Em Pequim, no auge do inverno, às seis e meia, o céu já estava escuro há muito tempo. O tráfego na estrada era incessante, e as luzes de neon brilhavam nas vitrines do comércio.

Toda aquela opulência não dizia respeito a Ji Xing. Sob três graus negativos e um vento norte cortante, ela saltitava na calçada para tentar se aquecer.

Às seis e vinte e cinco, o carro ainda não havia chegado.

Seu rosto estava entorpecido pelo vento. Quando pensou em usar o cachecol para se proteger, desistiu, com medo de manchar o tecido com seu batom. Afinal, custara mais de sete mil.

O vapor de sua respiração parecia algodão-doce, dissipando-se em nuvens na escuridão. O frio era lancinante, a ponto de fazer seus olhos lacrimejarem.

Finalmente, um Tesla branco parou na beira da estrada. O vidro do banco traseiro deslizou para baixo, revelando o belo rosto de Zeng Di, com um sorriso curvado nos lábios pintados de vermelho: "Suba."

Enquanto a janela subia, o olhar de Zeng Di percorreu Ji Xing de cima a baixo com indiferença: a maquiagem e o traje estavam adequados; era bonita e jovem o suficiente.

Ji Xing entrou no carro, com as faces pálidas e tremendo levemente.

— Esperou muito?

— Não! Vim andando, mas o vento estava muito forte no caminho — respondeu Ji Xing, esforçando-se para sorrir.

— A temperatura caiu nos últimos dias. Assim que o sol se põe, o frio aperta. O tempo estava bom dias atrás, mas não teremos mais dias assim por um bom tempo — disse Zeng Di. — O inverno de verdade chegou.

Ji Xing deu um riso sem graça, sem saber como continuar a conversa. Diante da diretora de sua empresa, ela se sentia inevitavelmente frágil e cautelosa, incapaz de relaxar.

A luz amarelada dos postes de rua deslizava pelo interior do carro em movimento. Ji Xing não resistiu e olhou para Zeng Di. Ao entrar, notou o quanto ela estava deslumbrante: um suéter branco de gola alta e corte largo, uma saia de lantejoulas cinza-prateadas; uma combinação elegante e moderna que Ji Xing vira dias atrás em fotos de celebridades no exterior. Seu cabelo estava preso em um coque simples, com grandes brincos de pérolas redondas e brilhantes, e um bracelete de platina com diamantes no pulso, esbanjando feminilidade.

Ji Xing desviou o olhar rapidamente, notando, pelo canto do olho, um casaco cor de café e uma bolsa Hermès Birkin ao lado. Ela apertou a alça de sua própria bolsa da LV e olhou silenciosamente para a janela.

O destino não era longe: um restaurante de culinária chinesa escondido entre árvores e gramados. Se fosse primavera, verão ou outono, a paisagem seria pitoresca. Mas, no inverno, apenas galhos secos e retorcidos se estendiam em direção ao céu noturno.

Ao entrar, Zeng Di mencionou o nome "Sr. Han", e uma atendente vestida com um qipao sóbrio e elegante as conduziu para o interior. O caminho era adornado com murais, luzes suaves e entalhes em madeira; um ambiente refinado. O corredor era impregnado por um perfume suave de pinho.

Ji Xing pensou que os empresários ricos adoravam fingir um refinamento que, na verdade, era apenas um desperdício de um lugar tão bonito com tanta pompa. Mas isso não era problema dela; se a chefe a levara, certamente era porque discutiriam assuntos profissionais. Bastava ter um bom desempenho.

Ao abrirem a porta do reservado, um tapete macio com estampas de montanhas em nanquim cobria o chão, fazendo os pés afundarem como se estivessem nas nuvens. O espaço era vasto, com uma mesa redonda de jacarandá perto de janelas de madeira e vidro. A mesa estava posta com primor, guardanapos dobrados em forma de borboletas e grous dentro de copos de cristal.

Contudo, a mesa estava vazia.

No outro canto, em uma mesa quadrada, cinco ou seis homens altos e imponentes jogavam cartas. Quando Ji Xing entrou, uma rodada acabara de terminar, e o ambiente estava cheio de risadas. Ji Xing percebeu que todos tinham rostos belos e um ar distinto, longe da vulgaridade comum em jantares de negócios. Apenas um homem, de costas para a porta, permanecia sentado com os ombros largos e postura ereta, alcançando as cartas espalhadas.

Zeng Di entregou seu casaco à atendente e caminhou com elegância até o homem, apoiando a mão no encosto de sua cadeira:

— Quem ganhou?

— Quem mais seria? Aquele que está bem à sua frente — respondeu Xiao Yixiao, sentado à esquerda, com uma risada franca.

Ele se referia ao homem em cuja cadeira Zeng Di se apoiava. Ji Xing só conseguia ver a nuca dele e um par de mãos esguias e claras, com dedos longos e nós dos dedos bem definidos, embaralhando as cartas com fluidez.

— Ele conta as cartas, como não ganharia? — disse o homem à direita. — Levar o jogo tão a sério... Sr. Han, eu me rendo.

Xiao Yixiao comentou:
— Onde quer que haja uma vitória ou derrota em jogo, não há nada que ele não leve a sério.

Os outros ao redor brincavam, mas o tal "Sr. Han" mantinha-se alheio, concentrado em embaralhar. As cartas voavam entre seus dedos com destreza.

Zeng Di sorriu:
— Se ele ganhou, ele paga o jantar?

— Ah, não. Han Ting disse que quem paga é você — Xiao Yixiao olhou para Zeng Di e notou Ji Xing, que permanecia parada ao fundo como um cenário. Ao ver que era uma desconhecida, seu olhar hesitou por um breve momento.

Zeng Di voltou-se:
— Esta é minha engenheira, Ji Xing. Uma jovem ainda um pouco tímida; trouxe-a para conhecer o mundo e aprender. — E completou: — Ji Xing, este é Xiao Yixiao, da Zhongheng.

A Zhongheng era uma empresa de investimentos renomada no setor. Ji Xing deu um passo à frente e inclinou a cabeça:
— Prazer, Sr. Xiao.

Xiao Yixiao sorriu em resposta, mas não disse nada. O clima caloroso entre os amigos esfriou um pouco. Ji Xing, achando que Zeng Di apresentaria os outros, percebeu que isso não aconteceria, concluindo que Xiao Yixiao era a pessoa mais importante ali.

Zeng Di olhou para o copo na mesa e disse casualmente:
— Ji Xing, sirva mais água para o Sr. Xiao.

Assim que ela falou, o silêncio pairou por um instante na sala.

Ji Xing viu que o copo dele estava realmente vazio e apressou-se a enchê-lo, culpando-se internamente pela falta de atenção: ela era apenas uma funcionária e não tinha a perspicácia necessária para perceber algo tão simples, precisando da lembrança da chefe. Que desastre.

Ao colocar o copo de volta, ela tentou ser proativa. Olhou para os copos dos outros três e, vendo que o do Sr. Han também estava pela metade, serviu-o também. Quando ela repôs o copo, Han Ting, que distribuía as cartas, disse em voz baixa:

— Obrigado.

A voz era grave, madura e muito agradável. Ji Xing olhou para ele instintivamente. Como ela estava de pé e ele sentado, só conseguiu vislumbrar parte de seu perfil, que parecia ser muito bonito.

Aquele jantar superava todas as suas expectativas. Ela esperava um ambiente enfumaçado, cheio de bajulação e falsidade, algo vulgar que ela teria de tolerar. Mas ali parecia ser um encontro de amigos íntimos, e, apenas pelo relógio, abotoaduras e roupas, ela podia notar que não eram pessoas comuns. O tom de voz e a atitude educada para com a mulher ali presente demonstravam um nível superior de civilidade.

Como uma "ninguém", estar diante daquele grupo a deixou estranhamente acuada.

Zeng Di disse de repente:
— Sente-se. — E apontou com o queixo para uma cadeira ao lado de Xiao Yixiao.

Mas a chefe ainda estava em pé. Ji Xing deu um passo atrás:
— Sra. Zeng, pode sentar-se.

Zeng Di olhou para ela e sorriu:
— Eu disse para sentar, então sente-se.

Ji Xing não teve escolha a não ser obedecer.

Xiao Yixiao, que estava em silêncio, virou-se para ela e perguntou:
— Quantos anos você tem?

— Vinte e quatro — respondeu Ji Xing.

— Eu diria vinte e um ou vinte e dois — disse Xiao Yixiao, abrindo suas cartas. — Sem mentiras?

— É a verdade.

— Tão jovem...

Ji Xing disse em voz baixa:
— Vocês também parecem jovens.

Ao ouvir isso, os homens riram, de forma benevolente e inofensiva. Xiao Yixiao virou-se novamente, encarando-a com olhos brilhantes e curiosos:
— Quantos anos você acha que eu tenho?

— Vinte e oito? — Ji Xing realmente não era boa em julgar idades.

Ele riu alto:
— Obrigado!

— Sua vez de jogar — disse Han Ting.

Xiao Yixiao voltou ao jogo e não falou mais com ela. Ji Xing ficou ali, observando as cartas de Xiao Yixiao de um lado e as de Han Ting do outro.

Zeng Di riu:
— Ji Xing, não vá contar os segredos do Sr. Xiao, hein?

Xiao Yixiao não respondeu. Ji Xing sorriu sem jeito e, inadvertidamente, olhou para Han Ting, notando que seu perfil era anguloso e imponente.

Naquele momento, uma luz suave em forma de cone iluminou seu rosto. Ele olhava para as cartas, e seus cílios baixos projetavam uma sombra profunda em suas órbitas. No segundo seguinte, seus lábios se curvaram ligeiramente, não em um sorriso, mas em uma expressão de quem tem a vitória garantida. Ao levantar os olhos, o brilho da luz refletiu em seu olhar. Ele espalhou as cartas sobre a mesa e houve um suspiro coletivo:

— Ganhou de novo!

Ele apenas deu um sorriso casual, como se não estivesse totalmente satisfeito. Enquanto conversavam, ele voltou a embaralhar.

O homem à sua frente perguntou de repente:
— Vocês não acham que a boca dela é um pouco parecida com aquela da família Meng? Aquela com quem o Han Ting teve um encontro às cegas?

Todos os homens olharam para Ji Xing. Han Ting, organizando as cartas, não deu importância. Xiao Yixiao balançou a cabeça:
— Não se parece. — E franziu a testa: — O que há com seus olhos?

— Não se parece? Han Ting, veja você mesmo, se parece ou não? — o homem insistiu.

Ji Xing ficou rígida, vendo Han Ting, sentado à sua direita, virar o rosto. Um rosto extremamente bonito, muito atraente. Seus olhos tinham um brilho sedutor, mas ele mantinha uma expressão neutra. Seu olhar, profundo, fixou-se nos olhos dela, examinando seu rosto em um silêncio absoluto que fez o coração de Ji Xing parar por um instante. Ele terminou a análise, virou o rosto e disse:

— Não se parece.

E voltou a embaralhar.

O coração de Ji Xing batia forte. Ele parecia familiar, mas ela não conseguia se lembrar de onde; talvez se parecesse com algum ator?

— Realmente não parece — concordaram os outros.

Ji Xing, sem saber de quem falavam, permaneceu em silêncio.

Zeng Di, porém, mudou de expressão. Ela se lembrava da época em que soube do encontro às cegas arranjado pelo patriarca da família Han. Ele estava vestindo uma camisa, e ela, saindo da cama, o abraçou por trás:
— Encontro às cegas? Você não vai mesmo se casar, vai?

Han Ting respondeu:
— Difícil dizer.

Ela não conseguia imaginar e riu:
— Se você se casar, o que será de mim?

Ele, abotoando os punhos, disse casualmente:
— Acabou.

Naquele momento, o coração de Zeng Di sentiu como se tivesse sido arrancado pelas raízes. Ela sabia que ele falava sério e que cumpria o que dizia. Em todos aqueles anos, não havia ninguém que conhecesse melhor o caráter dele. Sua ambição e desejo residiam na carreira, na fama, nos negócios; ele não tinha grandes desejos sentimentais. Alguém criado sob uma educação familiar rígida valorizava o dever e, acima de tudo, a reputação da família. Se ele escolhesse alguém para casar, jamais permitiria que alguém como ela interferisse na honra de sua esposa legítima.

Como sua amante há tantos anos, foi a primeira vez que Zeng Di sentiu uma crise. Nem ela mesma acreditava que, com seu orgulho, tinha ido investigar o local de trabalho da tal pretendente. Ela era cirurgiã em um hospital militar, vestia um jaleco branco, era magra e delicada, com um ar puro e tranquilo, parecendo alguém que nunca conhecera privações materiais e vivia alheia à vulgaridade do mundo; exatamente o tipo de pessoa do círculo social de Han Ting.

Naquele dia, Zeng Di sentiu pânico; sua intuição dizia que, pelo caráter de Han Ting, ele não se oporia ao casamento com aquela mulher.

Mas, depois, tudo se desfez. Zeng Di percebeu que tinha imaginado demais; Han Ting era frio e insensível, implacável demais para o casamento. Após aquele episódio, ele não teve mais encontros às cegas, pois não tinha desejo pelo matrimônio. E ela continuou com ele em uma relação aberta e livre. Parecia algo que poderia acabar a qualquer momento, mas, para alguém como Han Ting, aquilo era o máximo que se podia ter.

Enquanto ela pensava, a rodada terminou e Han Ting venceu novamente. O serviço de jantar começou. Como o banheiro do reservado estava ocupado, Han Ting saiu para lavar as mãos.

Assim que ele fechou a torneira, a porta do banheiro foi aberta, fechada e trancada. Han Ting olhou para Zeng Di pelo espelho, pegou papel para secar as mãos e não disse nada. Zeng Di aproximou-se, abraçou sua cintura e olhou para cima:

— Por que pareces descontente?

Qualquer mudança mínima em suas emoções, que ninguém mais notaria, não escapava aos olhos dela.

Han Ting disse:
— Trazer funcionárias da empresa para esse tipo de jogo. Não tem mais nada sério para fazer?

— Não é que vocês, rapazes, têm um padrão muito alto? As pessoas que encontro nos clubes certamente não os agradam. Tive muito trabalho. — Ela, sem medir as palavras, continuou a brincar, mas ele franziu o cenho levemente: — Essa moça sabe qual é o seu objetivo?

— Não deixei claro. Não sei se o Sr. Xiao vai gostar. E você, o que acha?

Han Ting sorriu:
— Acho que se você fosse pessoalmente, o efeito seria melhor. Afinal, você já tem experiência, não é?

Embora ele sorrisse, o coração dela afundou; ela sabia que o tinha irritado. Ela percebeu que sua estratégia fora um erro. Ela sabia que Han Ting não gostava de certas atitudes dela, mas, como não o afetava, ele não se importava. Mas, ao envolver seu círculo privado, ela havia cruzado a linha proibida.

— Já que não pretende fazer negócios de verdade, não conte comigo para nada no futuro — ele jogou o papel na lixeira.

Ao vê-lo sair, ela o bloqueou:
— Eu errei, está bem?

Vendo que a mandíbula dele ainda estava tensa, ela se aproximou, sussurrando:
— Está bem, eu errei. Prometo não fazer de novo, está bom? — Enquanto dizia isso, ela beijou o queixo dele, quase se pendurando em seu corpo.

A expressão de Han Ting suavizou um pouco, mas ele não baixou a cabeça. Ela tocou as costas dele através da camisa e provocou:
— Ainda está bravo? Como quer que eu me desculpe? Aquela garota é bonita, quer que eu a entregue para você se acalmar?

Han Ting baixou os olhos, encarando-a:
— Está querendo se exibir?

— Ah — Zeng Di riu levemente. — Só estou tentando te agradar. Não fique assim.

Han Ting não respondeu e, antes de sair, disse:
— Mande-a embora depois do jantar.

— Está bem — ela respondeu com um tom arrastado.

No entanto, antes mesmo de servirem o jantar, Zeng Di inventou uma desculpa e dispensou Ji Xing, dizendo aos presentes que havia um assunto urgente na empresa. Ninguém prestou atenção ou se importou com aquele pequeno episódio; ela era, afinal, alguém sem importância.

Ji Xing voltou para casa sob o vento gelado e, enquanto comia macarrão instantâneo agachada na cadeira, lembrou-se de que Zeng Di dissera que precisariam tratar de assuntos confidenciais e que sua presença não era conveniente, pedindo desculpas pelo trabalho perdido.

Naquela hora, embora seu coração estivesse ferido, ela sorriu e disse que não havia problema. Ela conseguia entender. Uma chefe, afinal, pode decidir quem fica e quem sai com uma única palavra.

Mas, enquanto comia o macarrão, ela sentiu uma leve humilhação e tristeza. Tinha passado tanto frio para se vestir bem e desperdiçado toda a maquiagem que sua amiga fizera nela.