Prólogo
Neste mundo, certas coisas são simplesmente assim: mágicas e afortunadas!
Como descrever algo que é mágico e afortunado? Por exemplo, há quem, com apenas dois reais, ganhe o grande prêmio da loteria. E há outros que apostam todos os dias, cada aposta valendo dezenas de vezes mais que dois reais, e nunca viram sequer a sombra de um prêmio principal.
Por isso se diz: algumas pessoas já nascem com sorte! E Haurício Pedra é exatamente esse tipo de pessoa!
Naquela época, nos anos oitenta, quando a política de abertura econômica mal havia começado, era justamente o momento em que a sociedade começava a se animar, e também o auge da juventude dourada de Haurício Pedra.
Jovem, com a mente ágil, e como, depois de concluir o ensino médio, não conseguiu ingressar na universidade, a família passou a pressioná-lo para que arranjasse logo um emprego, em vez de ficar em casa vivendo às custas deles.
Aproveitando a juventude, ele decidiu se dedicar a pequenos negócios. Mas não era um negócio qualquer.
Ele partia para os vilarejos mais atrasados do interior, comprava dos camponeses algumas “reservas” deixadas pelos antepassados, e revendia-as nos grandes centros urbanos para departamentos de compra ou famílias que já experimentavam um certo conforto, lucrando com a diferença de preço.
Chamava-se, com um toque de elegância: “comércio de antiguidades”!
E assim, mesmo não chegando ao topo, conseguiu garantir uma vida confortável, melhor do que muitos, vivendo sossegado. Sempre que voltava, trazia algum dinheiro suado, e a cada mês podia se dar ao luxo de não se preocupar com o básico.
Desde que começou nesse ramo, a família deixou de cobrar tanto, e a mente de Haurício Pedra encontrou paz. Aqueles dias eram realmente prósperos e alegres; ele vivia com uma felicidade difícil de descrever. Muitos o invejavam ao vê-lo.
E além dos negócios irem bem, seu trato com as pessoas era impecável, sempre deixando todos satisfeitos em qualquer situação. Por isso, seu comércio prosperava cada vez mais.
Com o negócio se estabilizando, a qualidade de vida cresceu, e ele, sem preocupações, desfrutava do sucesso. Sempre que despachava ou recebia mercadorias, repetia seu bordão: “Quem é que não tem uma reserva dos antepassados em casa?”
E se falamos de sorte, era mesmo sorte! Não tinha passado muito tempo desde que começou o negócio, quando uma sorte ainda maior bateu à sua porta.
Numa das compras, adquiriu um objeto aparentemente sem valor, que, após avaliação oficial, foi considerado uma falsificação sem importância.
Justamente quando reclamava do prejuízo, cortou o dedo e, atordoado, tornou-se inadvertidamente um honrado cultivador espiritual.
O mundo é assim mesmo, nada é absoluto!
Haurício Pedra começou a cultivar nos anos oitenta, e ninguém sabe que sorte extraordinária o acompanhou, pois sua compreensão, domínio das técnicas, estado físico — tudo atingiu o auge do extremo.
De maneira surpreendente e tranquila, alcançou o mais alto estágio da prática espiritual. E estava prestes a ascender aos céus!
Assim, a história começa aqui, lentamente, a se desenrolar.