Capítulo Três: Renascimento Após a Surpresa Segunda Parte
O tempo passou apressadamente, e dez anos se foram neste mundo. Era início da primavera, março, quando todas as coisas despertam, e esse período marca a época de semeadura do ano.
Na vila dos Wu, situada cinquenta li ao redor de Tianshanfeng, numa pequena casa de tijolos baixos, ressoavam vozes apressadas.
“Vovó Wu! Vovó Wu! Irmã Ru está mal, venha rápido!” Pela voz, reconhecia-se a pequena Yun Zhu, que fora apenas uma menina anos atrás.
“Já estou indo! Já estou indo! Por que tanta pressa?” A resposta firme vinha de uma mulher de cerca de sessenta anos, passos firmes cruzando o salão. Era a própria vovó Wu.
Ao longo da década, vovó Wu mostrava agora ainda mais fios brancos entre as têmporas redondas, mas seus passos eram cada vez mais sólidos e pesados.
Ela cruzou o salão e chegou à porta do quarto lateral, levantou a cortina de tecido e entrou. Assim que entrou, uma forte presença de sangue tomou o ar, trazendo à casa um presságio sombrio.
Uma jovem de vinte e três anos correu apressadamente até vovó Wu, apontando para a cama e dizendo aflita: “Vovó Wu, veja logo!”
Vovó Wu, sem mover as mãos, franziu o rosto redondo, esfregou o nariz e, ao olhar atentamente para a cama, não pôde deixar de exclamar: “Ai! Hemorragia ruim! Se não cuidar, o bebê não vai sobreviver.”
A mulher delicada, de vinte e sete anos, deitada na cama, ouviu isso e se alarmou: “Não! Por favor, vovó Wu, ajude-nos! Salve a criança! É o único filho de Dan! Por favor!” Dizia enquanto segurava a beirada da cama, como se quisesse se levantar para se curvar, e lágrimas escorriam pelo rosto delicado.
Ao ver a cena, vovó Wu avançou rapidamente, pressionou a mulher com força e ordenou com firmeza: “Não se mova, fique deitada.”
Ru, conhecendo vovó Wu desde pequena, viu a expressão dela e não ousou protestar, apenas olhou em silêncio.
Yun Zhu, a menina ao lado, também ficou sem fôlego, apenas observando em silêncio, ciente da gravidade da situação.
Vovó Wu então ajeitou o corpo, assumiu uma expressão séria e disse: “Tudo depende de você, Ru.”
“Quero dar à luz, não me arrependo de nada,” respondeu Ru, fraca mas decidida.
Vovó Wu percebeu a determinação e não tentou dissuadir. “Muito bem! Eu, velha que sou, já ajudei muitos partos, mas nunca um caso de hemorragia. Hoje será a exceção. Yun Zhu, traga água.”
Yun Zhu, ao ouvir, saiu apressada, levantando a cortina. Logo voltou trazendo água.
De fora, uma brisa começou a soprar.
“Está ventando. Yun Zhu, feche janela e porta,” ordenou vovó Wu.
Yun Zhu, entendendo a gravidade, fechou rapidamente tudo. Com o fechamento, o quarto escureceu, e o mundo lá fora, sob nuvens cada vez mais densas, também se tornou sombrio.
Curiosamente, as nuvens cobriam apenas os arredores da pequena casa, enquanto além dela, o sol brilhava e a primavera seguia tranquila.
Dentro, vovó Wu já preparara os utensílios do parto. Tocando suavemente Ru, falou com ternura: “Ru, força!” Era hora do nascimento.
Lá fora, o vento se intensificava, e as nuvens se tornavam cada vez mais espessas.
Pingos de chuva começaram a cair.
A chuva se intensificou.
Depois de um longo tempo, cerca de uma hora, vovó Wu incentivou: “Ru, força!” Ru, suando muito, lutava para expulsar algo de seu corpo, exausta.
A chuva lá fora caía mais forte, as nuvens escureciam, e relâmpagos começavam a cintilar, criando um espetáculo fascinante.
O parto prosseguia.
“Assim não vai dar, Ru, mais força!” incitava vovó Wu.
O bebê, com a cabeça já parcialmente exposta, inexplicavelmente recuava.
“Não pode ser, Ru, força!” A voz de vovó Wu era severa, e Yun Zhu, ajoelhada ao lado, segurava a mão de Ru com força, observando ansiosa.
A chuva se tornava torrencial, batendo no pátio com um som musical. As nuvens no céu reluziam com uma luz negra, os relâmpagos se acumulavam, prestes a romper.
Ru, ao ouvir vovó Wu, reuniu todas as forças e empurrou. O bebê, antes com a cabeça exposta, agora só faltava sair o pé.
Vovó Wu preparava os fórceps para ajudar.
“Como assim? Por que está recuando de novo?”
Com o questionamento, o bebê inexplicavelmente voltou ao peito da mãe.
Que coisa estranha! Extremamente anormal!
A chuva e o vento aumentavam, as nuvens reluziam ainda mais intensamente com relâmpagos, como se prestes a explodir.
O clima no quarto era de tensão e mistério.
“Eu, velha, nunca vi algo assim em todos esses anos de parto. Não dá, Ru, você precisa se esforçar!” Vovó Wu falou com voz ainda mais dura.
Yun Zhu também incentivava: “Ru, força!” Apertava a mão de Ru com mais intensidade.
Ru, ciente da urgência, reuniu forças, empurrando com toda vontade.
Um grito rasgou o ar, e o sangue jorrou intensamente, encharcando o vestido de Ru.
A chuva aumentava, o vento também. As nuvens agora reluziam com um brilho púrpura, e os relâmpagos se acumulavam, incapazes de conter-se.
De repente, um trovão rachou o céu e um relâmpago caiu.
Ao mesmo tempo, dentro da casa, ouviu-se um estrondo, seguido por um choro de bebê, um pequeno ser ensanguentado veio ao mundo.
“Nasceu, haha!” exclamou vovó Wu, cortando rapidamente o cordão umbilical e lavando o bebê.
Yun Zhu, ajudando, enrolou o bebê em um pano. Ambas estavam maravilhadas com a força do destino daquela criança.
“Ah, rápido, mostre o bebê para Ru,” apressou-se vovó Wu.
Mas ao se voltarem para a cama, ficaram chocadas e tristes: Ru já não estava entre os vivos.
O vento continuava, a chuva se intensificava, relâmpagos caíam incessantemente. Mas dentro do quarto, o silêncio era absoluto, a ponto de se ouvir o cair de um alfinete.
“Ah, pobre criança! É uma vida trocada por outra!” Vovó Wu chorou.
“Vovó Wu, não fique triste. O bebê está aqui, precisamos dar-lhe um nome,” sugeriu Yun Zhu, tentando distraí-la.
Vovó Wu enxugou as lágrimas, olhando firmemente para Yun Zhu: “Menina tola, que bobagem! Todos os grandes nomes da região, até mesmo os poderosos de Jiyang, sabem quem é o pai deste bebê!”
Ela então pegou cuidadosamente o pedaço de jade que Ru segurava antes de morrer, amarrou-o com um fio vermelho e colocou-o no pano do bebê.
Após examinar por um tempo, decidiu: “O nome, eu mesmo vou dar.”
Pensou por um momento, e disse: “Entre os antigos, damos nomes simples às crianças. Esta, porém, é forte como uma pedra, seu destino é extraordinário. Que se chame Hao Yun Shi.”
Não se sabe se o bebê entendeu ou se por acaso, parou de chorar e, de olhos fechados, soltou um som de risada.
Lá fora, de repente, o vento cessou, a chuva parou, as nuvens desapareceram.
Num instante, voltou o brilho ensolarado da primavera de março.