Capítulo Onze: Mudanças Surpreendentes na Pequena Ilha
A brisa suave do mar acariciava a Ilha Tianfeng, um dos subgrupos do Salão Wanfeng, proporcionando uma sensação de tranquilidade e renovação. Chamavam-na de ilha, mas era, na verdade, de tamanho considerável — muito maior do que qualquer covil de piratas, seu perímetro assemelhava-se ao de um condado inteiro.
Nos últimos dias, Hao Yunshi estava mergulhado em tristeza; com o passar do tempo, e após sepultar três de seus irmãos e irmãs de discípulo na Ilha Tianfeng, seu espírito começou lentamente a se recuperar. Mérito não pequeno foi de Mao Qing’er, que, com palavras suaves e constantes, ajudou a estabilizar o coração de Hao Yunshi.
Foi só nesses dias que Hao Yunshi compreendeu: Qizhou era apenas uma pequena parte do mundo, e chegando à Ilha Tianfeng, percebeu que existiam outros estados além de Qizhou. Ali, descobriu que Qizhou era pobre em energia mística, e que as pedras de energia eram inexistentes. Na ilha, o comércio era feito tanto com prata quanto com pedras de energia de qualidade inferior, sendo que a prata tinha utilidade apenas em pequenas vilas das ilhas; fora isso, pouco servia.
Aprendeu também que as criaturas marinhas eram classificadas em níveis, e aquele líder das Bestas Marinhas Gugu era na verdade um líder menor. Assim, após vender esse líder menor, e todas as riquezas — somando treze mil taéis de prata, dos quais reservou três mil e trocou o restante por pedras de energia inferiores, obtendo mil trezentas e vinte e oito unidades — deixou Mao Qing’er e outros seis na Ilha Tianfeng, garantindo a eles segurança antes de partir para explorar.
Apressando-se em um pequeno barco para o leste, Hao Yunshi chegou a cem li da Ilha Tianfeng. Já estava ali há dois turnos de hora; apesar de ter chegado em um dia, passaram-se vários sem que encontrasse qualquer ilha. Chamou então por Caos, cuja voz ecoou: “Yunshi, não conseguiu encontrar?”
“Se tivesse encontrado, não te chamaria,” respondeu Hao Yunshi, irritado.
Risadas de Caos ressoaram: “Assim não vai encontrar nada.” Hao Yunshi ficou ainda mais aborrecido, sem saber o que dizer.
“Caos, pequeno travesso, está de brincadeira de novo?” Hao Yunshi explodiu em raiva.
“Tudo bem, vou te ajudar. O motivo de não encontrares é que a ilha não está na superfície do mar,” respondeu Caos, rindo.
“Como assim?!” Hao Yunshi se assustou, olhando para a água profunda.
“Exatamente. Você pode usar a Torre Caótica para mergulhar, mas há uma condição: ao chegar ao destino, precisa sair da torre e inserir toda a torre num ponto chave,” explicou Caos.
“E onde fica esse ponto?” Hao Yunshi perguntou.
Caos estendeu um dedo de dentro da torre: “Veja por si mesmo.”
Uma informação surgiu, deixando Hao Yunshi boquiaberto. Ele viu, através de Caos, que a cerca de duzentos metros abaixo da superfície, havia uma base meia altura de um homem. E essa base era idêntica à Torre Caótica. Hao Yunshi quase perdeu o fôlego de tão surpreso.
“Yunshi, observe com atenção,” insistiu Caos.
Concentrando-se, Hao Yunshi percebeu que dentro dos duzentos metros, cento e cinquenta metros eram território das Bestas Espadarte Marinhas. Ele sabia, pelo que lera nos livros do Salão Wanfeng, que essas criaturas tinham bocas longas como serpentes, corpos flexíveis como cobras, e um tentáculo no topo da cabeça. Viviam em grupos, como tribos, e raramente deixavam seu território. Não atacavam humanos, servindo de alimento para os habitantes das ilhas; eram omnívoras, comendo tudo que caía na água. Tinham o tamanho exato de uma pessoa.
Hao Yunshi observou os Espadartes Marinhos nadando e suspirou: “Como se não bastasse, mais essa dificuldade!”
Caos comentou: “Antes de tudo, preciso montar uma grande formação ao redor da torre, cobrindo um raio de cinco metros. Mas essa formação só dura dois turnos de hora, e a torre não pode se ocultar agora.”
Hao Yunshi calculou suas opções por uma hora inteira.
“Então, preciso atravessar cento e cinquenta metros do território das Bestas Espadarte Marinhas e, a duzentos metros, sair da torre e inseri-la na base, tudo em menos de dois turnos de hora, certo?”
“Correto, Yunshi,” confirmou Caos.
“Certo, deixe-me tentar,” disse Hao Yunshi, pulando no mar.
Movendo-se com agilidade, Hao Yunshi usou sua Espada Longa do Rio Celestial e liberou três grandes técnicas, abrindo caminho com energia de espada. Em poucos golpes, matou e feriu dezenas de Espadartes Marinhos, descendo rapidamente.
Dez metros... sessenta metros... “Não consigo mais, preciso emergir,” pensou Hao Yunshi.
Impulsando-se, voltou à superfície. “Quanto tempo?” perguntou a Caos.
“Menos de um turno de hora,” respondeu Caos. Ao olhar para baixo, viu que as Bestas Espadarte Marinhas voltaram a nadar em grupo. Notou que comiam até os corpos dos seus próprios companheiros, e demoravam um quarto de hora para se reorganizarem.
Comendo os próprios semelhantes... Hao Yunshi teve uma ideia. “Então, devo atacar e abrir caminho,” disse a Caos.
“Atacar?” Caos questionou.
“A Torre Caótica tem dois níveis, certo? Temos Pílulas de Respiração, posso tomar uma e descer até cento e cinquenta metros, você me recolhe na torre, e ao chegar a duzentos metros, eu insiro a torre na base, e me recolhe novamente.”
“Não vai funcionar, a torre não pode ser recolhida assim que inserida na base, e a pílula só dura até cento e quarenta metros,” explicou Caos.
“O quê?” Hao Yunshi olhou para a água, decidiu: “Não importa, vamos fazer assim, você calcula a distância, quando eu abrir cinco metros, ative o núcleo da formação, assim economizaremos tempo.”
Caos, vendo sua determinação, concordou.
Hao Yunshi pegou um frasco de Pílulas de Respiração na Torre Caótica. Caos, com sua forma de criança de luz, começou a montar a formação ao redor da torre.
Hao Yunshi engoliu a pílula e mergulhou. Caos finalizou a formação, faltando só ativar o núcleo.
No mar, Hao Yunshi usou a técnica Rio Celestial, com energia de espada do vento, soprando os corpos dos Espadartes Marinhos por mais de vinte metros. As criaturas, enlouquecidas, perseguiram os restos. Ao alcançar cinco metros de profundidade, Caos ativou o núcleo da formação, aparecendo ao lado de Hao Yunshi.
Com mais técnicas, Hao Yunshi abriu um canal de mais de vinte metros de largura. Quanto mais fundo, mais difícil ficava.
Cento e quarenta e um... cento e quarenta e oito... cento e quarenta e nove metros. Estranhamente, ali não havia Espadartes Marinhos. Quando Hao Yunshi estava no limite, a Torre Caótica o recolheu, atravessando a zona perigosa.
Foi por pouco!
Um estrondo ecoou: chegou a duzentos metros! Hao Yunshi, dentro da torre, recuperou-se, viu que ainda tinha um quarto de hora. “Caos, agora é o momento!”
Viu que faltavam dez passos até a base, uma pequena diferença.
“Isso é duzentos metros debaixo do mar,” exclamou Caos.
“Vamos, ou não teremos tempo,” decidiu Hao Yunshi.
Caos não hesitou, lançou Hao Yunshi para fora da torre.
Movendo-se como um velho doente, Hao Yunshi avançou passo a passo, e ao restar apenas meio quarto de hora, finalmente inseriu a Torre Caótica na base.
Exausto, seu corpo explodiu em energia, que o lançou quinze passos para longe da base.
Nesse instante, a terra submarina tremeu, e com um estrondo, subiu rapidamente à superfície, formando uma ilha de cinquenta li de raio. Curiosamente, o processo foi tão suave que parecia que a ilha surgira do nada, sem causar qualquer agitação.
Hao Yunshi levantou-se, surpreso ao examinar o entorno. “O que é isso?” exclamou.
“Cinco elementos, exatamente!” Caos riu ao seu lado.
No alto da Torre Caótica, Hao Yunshi viu cinco montanhas ao redor do pico central, formando um arranjo de cinco elementos em uma ilha de cinquenta li de raio.
“Yunshi, sinta o ambiente,” sugeriu Caos.
Hao Yunshi, intrigado, concentrou-se. Ao canalizar sua energia mística, sentiu uma corrente cem vezes mais pura que em Qizhou ou na Ilha Tianfeng.
“E então?” Caos riu.
Hao Yunshi exultou: “Que maravilha!”
“Não terminou,” Caos continuou.
“O que falta?” Hao Yunshi perguntou.
“Venha, vamos ao Pico de Madeira,” disse Caos, avançando, seguido por Hao Yunshi.
Em menos de meio quarto de hora, chegaram ao Pico de Madeira. Caos ergueu a mão e gritou: “Poder da Torre Caótica, abre-te!”
Imediatamente, uma entrada surgiu no alto do pico. Chamou Hao Yunshi para seguir, e juntos subiram. A distância foi vencida em instantes.
Lá dentro, Caos retirou um objeto e o colocou numa pequena janela aberta na caverna. As portas de pedra fecharam-se, um estrondo ecoou, e o Pico de Madeira cresceu dez metros, superando os outros quatro.
A energia de madeira tornou-se tão pura que condensou em vapor d’água.
“Isso... isso...” Hao Yunshi ficou pasmo.
“Lembras do tesouro que encontramos no pequeno jardim?” Caos riu.
“A fonte dos cinco elementos?” Hao Yunshi exclamou.
“Exatamente. Basta reunir a fonte do ouro (mica), da água (essência de nascimento), do fogo (espírito da chama) e da terra (solo vital), e então este lugar será um pequeno mundo divino! Haha,” riu Caos.
Hao Yunshi, radiante: “Perfeito!”
“Além disso, a formação que acabei de montar nos protege daqueles dois lá em cima, e do seu pensamento, um total de três — em suma, tudo fica escondido,” explicou Caos.
“Aquele pensamento? O que é?” Hao Yunshi perguntou.
“Quem sabe? Detesto ser observado. Mas essa formação só dura mil e quinhentos anos, falta energia!”
“E de onde vem a energia?” Hao Yunshi quis saber.
“Do espaço onde obtivemos a energia original do caos,” respondeu Caos.
“Maldito, escondendo tesouros!” Hao Yunshi explodiu em raiva.
“Bah,” Caos respondeu com desdém.
Hao Yunshi percebeu: “Então só temos mil e quinhentos anos.”
“Exato,” confirmou Caos.
O céu já escurecia. “Hora de voltar e buscar o grupo. E a Torre Caótica...?” Hao Yunshi apontou.
Caos explicou: “A Torre Caótica permanece, mas aqui é apenas uma cópia.”
“Entendi,” Hao Yunshi assentiu.
Caos gesticulou, recolhendo a torre, que se fundiu ao pico central e desapareceu. Caos entrou na torre, unindo-se a Hao Yunshi, sumindo de vista.
Hao Yunshi encontrou o pequeno barco, levou-o até uma praia da ilha, pegou os remos e partiu rapidamente em direção à Ilha Tianfeng.
Ao afastar-se, a ilha fundiu-se ao espaço ao redor, tornando-se invisível, desaparecendo tranquilamente.