Capítulo Quatro: O Duelo Mortal e a Tristeza Segunda Parte

Pedra Celestial do Destino O Deus do Futebol 4174 palavras 2026-02-07 12:34:08

O Vale dos Cadáveres, só pelo nome já soa poético, mas na verdade não passa de um local onde se depositam corpos, e ainda por cima, a céu aberto. O Vale dos Cadáveres ficava de frente para o Palco da Vida e da Morte, tendo o formato de uma cavidade, ninguém sabe ao certo quando se formou. De fato, eram dignos rivais em imponência.

—Irmã mais velha Qing'er, irmã mais velha Qing'er, espere por mim!— Uma voz ansiosa ressoou, mas Mao Qing'er, à frente, não tinha ânimo para responder. Naquele momento, sua mente já voava para o Vale dos Cadáveres.

—Irmã, espere!— De repente, dois discípulos de manto cinza barraram-lhe o caminho.

—Por que me impedem?— perguntou Mao Qing'er, olhos reluzentes.

—Há um cheiro intenso de sangue no Vale dos Cadáveres. Sem o medalhão de um ancião, não se pode entrar.— respondeu um deles, com serenidade.

—O quê?— Mao Qing'er, que correra desde o Palco da Vida e da Morte, esquecera-se de pedir o medalhão ao avô.

—Sem o medalhão, não posso entrar no vale, e se voltar para buscá-lo, perderia duas ou três horas. O irmão mais velho está em estado crítico, talvez ainda haja tempo para salvá-lo, mas... mas...—

Presa em seus pensamentos, o desespero só aumentava. Incapaz de conter-se, gritou: —Por acaso o céu está mesmo cego? Vai deixar o irmão mais velho morrer?—

De repente, ela se agachou no chão diante do Vale dos Cadáveres e, tomada pela angústia, deixou que as lágrimas finalmente corressem pelas faces.

Após longo tempo refletindo, os olhos se firmaram, os dentes cerraram. —Muito bem! Se o céu não quer que o irmão mais velho viva, do que adianta eu, Mao Qing'er, continuar viva? Melhor morrer logo.—

—Irmã Qing'er, não faça isso!— gritou Li'er, apavorada.

No mesmo instante, ouviu-se o som de uma lâmina sendo desembainhada. Uma longa espada foi erguida, pronta para deslizar com força pelo pescoço de Mao Qing'er.

Era amor levado ao extremo, paixão profunda!

No instante crítico, porém, a espada não caiu. Ao ouvir o grito de "vovô!", Mao Qing'er virou-se e viu o pulso sendo firmemente segurado por Mao Tianfeng. A mão que segurava a lâmina não se movia.

—Menina tola, por que está fazendo isso?— disse Mao Tianfeng, um pouco irado.

—Vovô, que bom que veio! Dê-me logo o medalhão de ancião, preciso salvar o irmão mais velho!— Sua fala era desordenada, o olhar insano.

—Você enlouqueceu, menina? Se eu pudesse salvá-lo, não o faria?— bradou Mao Tianfeng.

—Mas por quê, vovô?— perguntou Mao Qing'er, lágrimas escorrendo, o coração tomado de dor.

—Ah! Você já alcançou o oitavo nível, deveria saber sobre a Palma do Rio Celeste de Hao Chuyin. Ainda mais, o golpe atravessou-lhe do peito às costas, e ainda pressionou. Nem um imortal conseguiria salvá-lo.— suspirou Mao Tianfeng.

—Não pode ser, você está mentindo para mim.— Os olhos de Mao Qing'er vidraram-se sobre Mao Tianfeng.

—Irmã Qing'er, não fique assim.— Li'er, com olhos vermelhos, aproximou-se.

—Não pode ser, não pode ser, o irmão mais velho não vai morrer. Vocês estão todos mentindo! Não é possível!— Mao Qing'er já estava à beira da loucura.

—Ha ha ha, céus, por que é tão cruel? Irmão mais velho!— Já não sabia se sentia dor ou desespero. O sofrimento invadia-lhe o peito.

Vendo o estado em que se encontrava, Mao Tianfeng, conhecendo seu temperamento, olhou para o céu, calculou que se a deixasse assim, algo ruim aconteceria.

Puxou Mao Qing'er com força e disse a Li'er, em tom severo: —Li'er, nestes dias cuide bem dela, não se afaste um só instante.—

—Sim, Grande Ancião.— respondeu Li'er, decidida.

E assim, arrastando Mao Qing'er, afastaram-se dali.

O olhar de Mao Qing'er, vazio, entre risos e choros roucos, não dizia palavra. Foi levada à força, cada vez mais longe do Vale dos Cadáveres, até desaparecer.

O sol poente descia lentamente até a linha do horizonte, sumindo atrás da linha tênue do céu, e a noite chegava devagar.

O tempo passou, e mais sete dias se esvaíram.

O sol da manhã nasceu, fazendo com que o cheiro de sangue, de cadáveres e de terra, bem como o zumbido dos insetos no Vale dos Cadáveres, diminuíssem um pouco.

—Irmã Qing'er, ainda está triste?— ouviu-se a voz de Li'er ao longe, chamando Mao Qing'er.

—Ah... De que adianta a tristeza?— Uma voz plana respondeu. Parecia que, nestes dias, já não tinha mais forças para lutar.

Li'er, vendo o estado em que estava, compreendeu e calou-se, acompanhando-a em silêncio na direção do Vale dos Cadáveres.

—Irmã, pare aí.— Os guardas do vale barraram-na novamente.

Mao Qing'er, sem responder, sacou de súbito um medalhão: —Aqui está o medalhão de ancião.—

Os dois guardas inclinaram-se: —Irmã, pode entrar.—

—Podem se retirar.— disse Mao Qing'er, puxando Li'er. Ao som de um "sim", as duas adentraram o Vale dos Cadáveres.

—Irmã, já encontrou?— Li'er, tapando o nariz, gritava para baixo.

—Ainda não. Continue procurando bem.— respondeu Mao Qing'er, sem pressa.

As duas vasculharam o vale minuciosamente.

De repente, —Achei, Li'er! Venha!— chamou Mao Qing'er. Li'er seguiu a voz e viu, junto a uma pedra baixa, um corpo em trapos, deitado ali.

Aproximando-se, viu que era o corpo do irmão mais velho, que Mao Qing'er colocara deitado de costas sobre a grande pedra.

Sete dias! Mao Qing'er já chorara incontáveis vezes, mas agora, ao vê-lo, nenhuma lágrima mais saía. A dor atingira seu máximo.

Muito tempo se passou, quase uma hora de silêncio.

—Li'er, vá buscar alguns dos nossos irmãos.— disse Mao Qing'er.

Li'er entendeu o que queria. —Mas se eu sair, o cheiro de sangue...— disse, aflita.

—Não faz mal, isso não me afeta. E você voltará.— Ao ouvir isso, Li'er não hesitou, pegou o medalhão e correu ao portão do vale.

Quando o medalhão saiu, o cheiro de sangue envolveu-a de imediato.

Mao Qing'er sacou um frasco de pílulas, engoliu uma e voltou-se ao trabalho do dia: retirar as roupas ensanguentadas e secas do irmão mais velho.

O corpo de Hao Yunshi, após sete dias, estava intacto, sem sinais de decomposição.

Na ferida, algumas larvas se moviam lentamente.

Mao Qing'er tirou de dentro das vestes um estojo de agulhas, pegou duas longas e, uma a uma, foi retirando as larvas.

A agulha era como uma espada, a espada como agulha.

Com sua habilidade no oitavo nível e a prática constante da Espada do Rio Celeste, suas mãos voavam rápidas. Não chorava, apenas retirava com precisão, como se cada picada pudesse devolver-lhe a vida. Mas não havia resposta.

—Trezentas e oitenta e cinco, trezentas e oitenta e seis, trezentas e oitenta e sete. Pronto, todas retiradas.— murmurou para si.

Havia tirado todas as larvas do corpo de Hao Yunshi. Sentou-se, imóvel.

A dor que sentia era indizível, como se a cada picada, uma gota de sangue saísse do próprio coração. Era uma tristeza profunda e sem explicação.

—Irmã Qing'er.— Uma voz suave quebrou seu devaneio. Dois jovens de cinza, cada um carregando baldes d'água, fitavam-na, atônitos.

—Obrigado pelo esforço, irmãos.— murmurou, envergonhada, deixando-os sem jeito.

Um jovem robusto disse em voz alta: —Irmã Qing'er, não se preocupe, eu, Lei Dazhu, sempre admirei o irmão mais velho, pena não poder ajudá-lo mais. Pode contar comigo para o que precisar, até atravessar o fogo e a água.—

—O correto é atravessar a água e o fogo, Fang Qingshu já te ensinou isso.— corrigiu o jovem magro ao lado.

—Hehe.— Lei Dazhu riu sem graça.

—Qingshu!— Li'er lançou um olhar a Fang Qingshu, que, percebendo, piscou para Mao Qing'er.

Mao Qing'er entendeu a intenção e disse logo: —Não faz mal. Ah, irmãos, poderiam trazer duas tábuas de porta e uma esteira? Obrigada.—

Embora não entendessem o motivo, obedeceram, pegaram o medalhão e saíram do vale.

Raspa, raspa.

Mao Qing'er então começou a limpar cuidadosamente o corpo de Hao Yunshi. Li'er, tendo tomado uma pílula contra o cheiro de sangue, quis ajudar, mas foi impedida por Mao Qing'er e apenas observou.

A cada movimento, Mao Qing'er limpava com tanta delicadeza, quase esquecida de si, como se não fosse o corpo do irmão mais velho, mas as recordações dos dias que viveram juntos.

A tristeza pairava no ar, e até o cheiro de sangue parecia amainar, tornando o ambiente mais sereno e plácido, de uma tristeza extrema.

Li'er, não suportando mais, deixou que as lágrimas corressem, chorando em silêncio.

Foi só com o retorno de Lei Dazhu e Fang Qingshu, e os esforços de todos, que, ao vestirem o corpo de Hao Yunshi com um manto branco, Li'er enfim recuperou-se.

Mao Qing'er olhou longamente para o corpo, fixando o olhar, como se petrificada, sem conseguir mover-se.

Os outros três também ficaram imóveis por um momento.

O tempo passou devagar, até que alguém disse:

—Coloquem-no sobre a esteira.— suspirou Mao Qing'er.

Os quatro, juntos, estenderam a esteira, ajustaram as tábuas à pedra e começaram a enterrá-lo.

Lei Dazhu passou um cinzel a Fang Qingshu, que começou a gravar.

Enquanto Mao Qing'er enterrava junto a espada do Rio Celeste de Hao Yunshi, com a bainha, em pouco tempo uma nova tumba estava pronta.

Quando olhou para a grande pedra, viu que ela brilhava, ganhando cor, e nela se lia: "Túmulo do irmão mais velho Hao Yunshi, da Vila Madeira Seca".

Mao Qing'er ficou ali, observando, como se voltasse ao passado.

Por fim, disse suavemente: —O irmão mais velho sempre me dizia: 'Qing'er, se eu morrer, não quero caixão de madeira seca, nem velas de ouro, nem grandes cerimônias. Só preciso de tábuas de porta, uma esteira, uma tumba solitária e uma pedra azul.'—

Dito isso, não pôde mais conter-se. Abraçou a pedra sobre a tumba e chorou em prantos.

Não era apenas o luto de sete dias, mas todo o amor, toda a história entre ambos, que transbordava, levando os outros três a chorarem também.

Passado muito tempo, Li'er olhou para o céu e disse:

—Irmã Qing'er, aceite o luto, precisamos voltar.—

—Ah...— suspirou Mao Qing'er, contendo as lágrimas, e, passo a passo, deixou o Vale dos Cadáveres com os outros três.

Ao chegar à entrada, voltou-se e, de frente para o vale, fez uma longa reverência.

Sussurrou: —Irmão mais velho, se houver próxima vida, Qing'er estará contigo novamente. Vá em paz!— Após um leve suspiro, afastou-se cada vez mais, até sumir no fim do caminho.

O sol poente desceu novamente, e o cheiro de sangue no Vale dos Cadáveres voltou a se condensar, retomando o cenário original.

Diante de tal cena, só mesmo um poema poderia expressar:

No Palco da Vida e da Morte se decide o destino,
Sem arrependimentos segue-se ao além.
O corpo se vai, o caminho se purifica,
A alma ereta renasce na eternidade.