Capítulo Dezenove: Conquistando a Fonte e Resgatando o Menino
O vento cortante do norte soprava frio, obrigando as pessoas a apertarem as mangas do casaco, e a temperatura caía cada vez mais. Embora fosse março, no norte, o frio ainda penetrava até os ossos.
Leandro e Maurício já estavam no norte havia muito tempo. Não sabiam como estavam as outras três equipes, e apesar do frio intenso, por aqui o ambiente era de um calor acolhedor e resplandecente. Assim como Wu Mei e Muxiao Tong, quanto mais avançavam para o norte, mais pessoas encontravam.
Foi apenas agora que Maurício, ao analisar o mapa marítimo, percebeu que o Continente Central ficava logo acima e à direita da área que exploravam. Descobriram, ao mesmo tempo, o quão imenso e assustador era o Continente Central — maior do que todos os outros juntos, justificando plenamente seu nome. Presumiam que, além de vasto, o Continente Central era provavelmente o centro do mundo inteiro.
Mas o que mais os surpreendeu foi o fato de, apesar do frio gélido em que estavam, ouvirem dizer que o Continente Central, situado ainda mais ao norte, desfrutava de um clima ameno durante o ano todo, sem registros de frio extremo. Um mistério difícil de acreditar.
Ainda mais surpreendente era saber que as ilhas mais próximas do Continente Central eram chamadas de “Ilhas do Condado”. Essas ilhas não se comparavam à Ilha Tianfeng — eram ainda maiores e mais ricas em recursos. Mais ao norte, as ilhas próximas ao Continente Central recebiam o nome de “Ilhas da Cidade”, cada uma delas quatro ou cinco vezes maior que a Ilha Tianfeng.
Entre essas Ilhas da Cidade, havia matrizes de teletransporte, e mesmo algumas Ilhas do Condado possuíam tais matrizes. Isso demonstrava a força do norte. A princípio, eles ficaram animados com a possibilidade de viajar por teletransporte, mas logo se decepcionaram: cada viagem custava cinco pedras de essência inferior — e isso para distâncias curtas. Para longas distâncias, como ir direto ao Continente Central, eram necessárias três pedras de essência média. Desse modo, passaram a economizar ao máximo, percorrendo o norte a pé.
Apesar das adversidades, tiveram grandes ganhos. Por estarem próximos ao Continente Central, as ilhas comuns eram repletas de bons materiais para cultivo, talvez porque o Continente Central ficasse distante demais ou porque os cultivadores poderosos de lá não se interessassem por essas terras. Havia ótimos recursos, mas poucas técnicas de cultivo circulavam pelo norte.
Ainda assim, a densidade de energia era muito maior do que na Ilha Tianfeng, para não falar de Qizhou. Além disso, eles tinham uma vantagem: só recrutavam crianças que nunca haviam cultivado antes, o que evitava concorrência e facilitava o recrutamento de discípulos.
Assim, a equipe de Leandro e Maurício foi crescendo, assim como a de Hao Yunshi e Mao Qing’er. Ao longo do caminho, recrutaram nove discípulos, todos com talentos excepcionais, sendo quatro deles com aptidão total para os cinco elementos — uma sorte fora do comum.
Além disso, Maurício teve um golpe de sorte ao descobrir uma pequena nascente de energia mística, um lugar onde a energia se concentrava e circulava naturalmente, tornando-se cada vez mais pura. Um verdadeiro tesouro.
Quando a encontraram, ainda não haviam recrutado nenhum discípulo. Passaram ali cerca de dez dias cultivando. Graças a isso, Leandro, que estava no início do estágio de concentração de energia, logo chegou ao estágio intermediário e, com o auxílio da nascente, avançou rapidamente para o estágio avançado. Maurício, que estava no estágio intermediário, conseguiu alcançar o ápice desse mesmo estágio.
A descoberta da nascente deveu-se ao talento de Maurício para matrizes e formações: ele percebeu algo estranho em um local pouco notado e, assim, puderam cultivar ali. Depois, instalaram uma matriz oculta ao redor da nascente e prepararam tudo para retornarem no futuro.
A elevação de seus níveis deixou Leandro radiante, rindo todos os dias e dizendo que agora estava igual a Muxiao Tong, enquanto Maurício só podia suspirar, vendo as piadas do companheiro.
Quase três meses depois, durante uma de suas andanças, a equipe chegou a uma grande ilha. Lá, acompanhados dos discípulos, encontraram uma criança com talento promissor. Como Wu Mei e Muxiao Tong, ficaram primeiro surpresos, depois conformados. Quando consultaram a “Pedra de Detecção de Talentos”, viram a indicação: “Corpo Místico dos Cinco Elementos Inatos”, o que os deixou atônitos.
Esse era um corpo místico raríssimo! Deixaram os outros discípulos na hospedaria, sob os cuidados de um dos mais velhos, chamado Wu Tie, e partiram juntos em busca da criança.
A perseverança foi recompensada. A certa distância da entrada de uma mansão, sobre uma pequena plataforma, encontraram o alvo: um menino de nove ou dez anos, sentado em um pequeno altar de pedra, olhando para o céu e murmurando algo.
Os dois se concentraram para ouvir. O menino dizia: “Meu pai disse que eu não posso cultivar. Mas eu, Oriental Granito, não acredito nisso. Um dia, serei forte.” Logo depois, parecia cochilar, sentou-se de pernas cruzadas e começou a meditar.
Ambos se entreolharam, surpresos. Maurício perguntou a Leandro, hesitante: “O que acha disso, irmão Leandro?” A situação parecia complexa. Leandro observou o menino, então sugeriu: “Vamos nos aproximar e ver melhor.”
Aproximaram-se devagar. Oriental Granito ainda estava mergulhado na meditação, provavelmente no momento crucial do exercício. Decidiram esperar, sem incomodá-lo, e o ambiente ficou em silêncio.
Muito tempo se passou até que o menino abriu os olhos, suspirando: “Ainda não deu certo.” Só então percebeu a presença dos dois homens diante dele e perguntou: “Quem são os senhores?”
Leandro e Maurício sorriram um para o outro. Maurício respondeu com um sorriso amável: “Seu nome é Oriental Granito, certo?”
O garoto, embora jovem, era esperto. Percebeu que, se quisessem fazer-lhe mal, já o teriam feito. E, afinal, estavam perto da “Vila da Espada Oriental”. Qualquer pessoa mal-intencionada já teria levado ele dali sem esperar que acordasse.
Após pensar um pouco, respondeu: “Sou eu.”
Maurício, ao ver sua postura, notou que vinha de uma família culta e era muito inteligente. Perguntou: “Você deseja muito cultivar, não é?”
Ao ouvir isso, o menino sentiu-se profundamente tocado. Ficou sério e respondeu: “Senhor, meu pai diz que meus canais não são adequados, que não posso cultivar.”
“Oh?”, Maurício olhou para Leandro, depois voltou-se para o menino: “Seus canais são bloqueados? Posso verificar?”
O garoto hesitou, desconfiado: “Por quê? Esses dois parecem corretos, mas e se forem inimigos do meu pai?”
Ao notar a hesitação, Maurício riu: “Não se preocupe, Oriental Granito. Não somos maus. Somos recrutadores da Seita Celestial.”
O menino ficou surpreso: “Vieram recrutar discípulos? Podem levar meus irmãos mais velhos. Eu... eu...” Sentiu-se frustrado, sem conseguir terminar a frase.
Leandro e Maurício riram. Maurício continuou: “Não se preocupe, Granito, não lhe faremos mal.” E afastou-se um pouco, mostrando boa intenção.
Diante da atitude deles, o garoto ponderou: “Será que algo bom me espera?” Resolveu tentar a sorte e estendeu a mão direita para Maurício.
Maurício riu satisfeito: “Muito bem.” Segurou o pulso do menino e começou a examinar.
Após alguns minutos, Maurício virou-se para Leandro: “É verdade, os canais estão bloqueados.”
Ao examinar, descobriu que os canais do menino estavam obstruídos por algo, provavelmente desde o nascimento.
Perguntou ao garoto: “Granito, seus pais já lhe contaram a origem do seu corpo?”
“Não tenho mãe. Meu pai contou que ela morreu ao me dar à luz.” O menino respondeu triste.
Leandro então consultou Maurício: “O que podemos fazer?”
Maurício pensou e disse: “Seria ótimo se o mestre estivesse aqui. Mas talvez possamos tentar desbloquear os canais dele.”
Leandro concordou: “Vamos tentar.”
Maurício se dirigiu ao menino: “Granito, vou tentar tratar você. Permite que eu tente?”
O garoto pensou: “De qualquer forma, já sei que é assim. Se for para tentar, que seja agora. Se não der certo, paciência.” Endireitou-se e respondeu: “Por favor, faça o que for necessário.”
Fechou os olhos, resignado ao destino.
Maurício pegou sua mão e canalizou energia mística, tentando penetrar nos canais. Logo sentiu que eram duros como pedra, impedindo totalmente a passagem da energia.
Sem abrir o primeiro canal, não havia como ligar os outros pontos e meridianos do corpo. Maurício começou a ficar preocupado.
Leandro, vendo o semblante tenso do companheiro, também se inquietou.
De repente, Maurício percebeu que, embora os canais fossem duros, não eram impossíveis de serem abertos. Bastava criar uma brecha para que a energia penetrasse, desbloqueasse os canais e, a partir daí, pudesse trabalhar os demais pontos do corpo.
Era como passar uma agulha pelo tecido, unindo o interior ao exterior. Retirou a mão, virou-se para Leandro: “Irmão, tive uma ideia, mas preciso de sua ajuda.”
Leandro sorriu, ouviu o plano e concordou.
Maurício disse ao menino: “Granito, tentei antes e não consegui, mas agora acho que vai dar certo. Vai doer muito. Você aguenta?”
O menino, já conformado, estendeu novamente a mão: “Faça o que for preciso. Suportarei.”
Desta vez, Maurício não hesitou. Junto com Leandro, canalizou energia ao mesmo tempo. Leandro abriu espaço nos canais, empurrando dos lados, enquanto Maurício aproveitou a fenda para desbloquear o ponto principal, suavizando as obstruções e, finalmente, abrindo o primeiro canal.
O menino sentiu uma dor lancinante, mas, apesar da pouca idade, resistiu bravamente.
Então, ao ouvir um “Conseguimos!”, sentiu a dor diminuir quase por completo. Uma explosão de energia percorreu seu pulso, e, ao olhar, viu Maurício sentar-se e meditar para se recuperar.
Em êxtase, o menino não pôde conter a emoção: ajoelhou-se e exclamou: “Por favor, mestre, aceite-me como discípulo! Eu, Oriental Granito, desejo ingressar na Seita Celestial!”
Maurício, terminando de meditar, trocou um olhar satisfeito com Leandro e disse: “Granito, se quer ser meu discípulo, siga as minhas orientações. Venha conosco agora, em silêncio. Se precisar, pode voltar para se despedir e pegar suas coisas.”
O menino respondeu prontamente: “Mestre, se eu voltar para casa agora, talvez não consiga sair de novo. Não tenho nada importante lá. Minha família sempre me tratou bem, mas cultivar é meu sonho acima de tudo. O senhor concorda?”
Maurício e Leandro trocaram olhares, conversaram em voz baixa e decidiram: “Muito bem, partimos agora.”
Mal terminou de falar, Leandro carregou o menino nas costas e, junto com Maurício, desapareceram rapidamente entre as montanhas que cercavam a Vila da Espada Oriental.
Quase meio dia depois, a vila estava em alvoroço. Todos saíram à procura, e os gritos de “Granito!”, “Terceiro Jovem Mestre!”, “Meu filho!” ecoavam pelas montanhas.
Depois de um tempo, ouviu-se a voz de um homem maduro: “Granming, Grandan, encontraram Granito?”
E responderam, em uníssono: “Pai, não o encontramos.”
Ouviu-se então um brado desesperado: “Ó céus, por quê? Por que tanta injustiça com Oriental Lua? Meu pobre filho Granito!”
Após um lamento prolongado, a noite caiu e a Vila da Espada Oriental voltou à tranquilidade.