Capítulo Trinta e Sete – O Monumento Secreto da Espada Primeira Parte

Pedra Celestial do Destino O Deus do Futebol 3792 palavras 2026-02-07 12:36:12

A noite se estendia longamente, mergulhada em um silêncio absoluto. Em todo o continente de Zhongzhou, as noites eram sempre prolongadas, mas justamente naquela, havia algo de inusitado, um toque de ironia sutil, tornando-a ainda mais longa e peculiar, causando um certo estranhamento.

No interior da Mansão da Espada que Ouve as Ondas, o triunfo de Dongfang Xuan Shi no combate de intenções ocorrido durante o dia anunciava a ascensão poderosa de uma seita. Por isso, aquela noite parecia diferente das demais.

— Hum! Bela ação, a sua! — Hao Yun Shi exclamou com um resmungo, fitando o espaço à sua frente, incapaz de conter a irritação.

Diante dele, Dongfang Xuan Shi, já tomado pelo medo, ajoelhava-se, curvando-se profundamente, sem ousar levantar a cabeça. Claramente, sabia do erro que cometera e não tinha coragem de encarar Hao Yun Shi.

Este, ainda furioso, voltou a falar:

— Você é realmente ousado! Nem vou comentar o que lhe disse na Mansão da Espada Oriental, mas ainda assim se atreveu a desafiar alguém?

Dongfang Xuan Shi, sem ousar erguer o rosto, respondeu com a voz baixa e trêmula:

— Mestre, por favor, não se irrite. O discípulo reconhece o erro, reconhece mesmo!

A resposta só fez aumentar a fúria de Hao Yun Shi:

— Veja só esse seu temperamento arrogante! Ainda se diz discípulo da nossa seita!

Ele lançou um olhar severo ao jovem prostrado à sua frente, que apenas manteve-se calado, curvado ainda mais, murmurando palavras inaudíveis.

Ao perceber o estado de Dongfang Xuan Shi, Hao Yun Shi respirou fundo e, com o semblante menos tenso, ordenou:

— Levante-se e fale. Escute o que tenho a dizer.

Dongfang Xuan Shi se recompôs, ainda tímido, erguendo-se devagar e dirigindo um olhar respeitoso ao mestre.

Hao Yun Shi, vendo o discípulo mais calmo, continuou:

— Não é que eu não queira que venha a Zhongzhou, mas sua presença agora faz com que a Seita Qingyuan passe a nos observar de perto, entende?

Dongfang Xuan Shi, confuso, questionou:

— Mestre, o que quer dizer com isso? Não compreendo...

Hao Yun Shi, reconhecendo o temperamento do discípulo, suspirou e explicou-lhe em detalhes sobre a Seita Qingyuan.

No início, Dongfang Xuan Shi absorveu as informações com calma, mas à medida que ouvia, sua expressão foi se tornando cada vez mais distorcida de indignação, até explodir:

— Uma seita tão perversa, como podem agir assim? Mestre, por que ainda mantemos relações com eles?

Hao Yun Shi sorriu levemente diante da reação:

— E, segundo suas ideias, o que deveríamos fazer?

— Se depender de mim, Dongfang Xuan Shi, exterminarei cada membro dessa seita desprezível!

— Ah! — Hao Yun Shi se assustou com tal ímpeto, não conseguindo conter um suspiro.

— Que loucura é essa? Se fizermos isso, qual será o destino da nossa própria seita? — perguntou, severo.

Desta vez, foi Dongfang Xuan Shi quem ficou sem palavras, assustado com a própria ousadia. Um pouco envergonhado, voltou a prestar atenção ao mestre, esperando novas orientações.

Hao Yun Shi, ao notar que Dongfang Xuan Shi se acalmara, prosseguiu:

— Você se esqueceu do que lhe disse na Mansão da Espada Oriental? Falei sobre mostrar fraqueza, não foi?

Ao ouvir isso, Dongfang Xuan Shi finalmente compreendeu, seu semblante relaxando à medida que assimilava o ensinamento.

Então, questionou novamente:

— Mestre, agindo assim, e quanto à Plataforma da Alma...?

Interrompeu-se na metade da frase, insinuando que, mesmo mostrando fraqueza, a outra parte ainda detinha a Plataforma da Alma.

Hao Yun Shi apenas fitou o discípulo, sem responder.

Mudando de assunto, perguntou:

— Nestes dias, você esteve na Mansão da Espada que Ouve as Ondas. O que achou dela?

Dongfang Xuan Shi assumiu uma postura séria e respondeu:

— Notei que aqui só há um mestre, Hong Xing, no auge do Reino da Fundação Aberta.

Fez uma expressão intrigada, lançando um olhar questionador ao mestre. O ambiente carregou-se de dúvidas.

Hao Yun Shi, calmo, indagou:

— Você realmente acredita nisso?

A questão atingiu direto o âmago de Dongfang Xuan Shi, deixando-o sem resposta, apenas encarando o mestre, atônito.

Hao Yun Shi sorriu e continuou:

— Você ainda é jovem. Com um pouco de análise, perceberá que, ao longo dos anos, a Mansão da Espada que Ouve as Ondas tornou-se uma das oito grandes seitas de segunda ordem em Zhongzhou.

Fez uma pausa, certificando-se de que o discípulo o acompanhava, e prosseguiu:

— Não lhe parece estranho que, em todos esses anos, só haja Hong Xing no auge desse reino?

Dongfang Xuan Shi, iluminado, finalmente entendeu.

Preferiu não estender o assunto e perguntou por outro ângulo:

— Então, mestre, e quanto à Plataforma da Alma...?

Na verdade, era simples: a Mansão da Espada que Ouve as Ondas não poderia contar apenas com um único mestre ocultando seu poder. Havia, sem dúvida, outros escondidos, em uma clara demonstração de fraqueza estratégica, mas com alguém à frente — Hong Xing.

Hao Yun Shi sorriu:

— Eu, Hao Yun Shi, quero ser essa pessoa a se expor. Entende agora, Xuan Shi? Eis o motivo de eu ter impedido vocês de virem a Zhongzhou.

Essas palavras ressoaram com força nos ouvidos de Dongfang Xuan Shi, que, tomado pela emoção, ajoelhou-se diante do mestre.

Sem ousar levantar a cabeça, falou com sinceridade:

— Mestre, o discípulo estava errado, realmente errado. Por favor, castigue-me.

Hao Yun Shi, apressando-se, levantou-o gentilmente.

— Pronto, já basta. Agora que você está aqui, não há como voltar atrás. Nem mesmo o mestre pode desfazer o tempo.

Dongfang Xuan Shi, ajudado a erguer-se, sorriu abertamente.

Hao Yun Shi respondeu no mesmo tom:

— Sabia que seria assim. Ah! — suspirou longamente.

Ao ver o semblante descontraído do mestre, Dongfang Xuan Shi entendeu que a ira já se dissipara.

Então, riu:

— Mestre, quando soube que veio até aqui, achei que fosse por causa daquele objeto, mas vejo que veio por mim.

— Objeto? Que objeto? Fale, quero saber — Hao Yun Shi mostrou-se curioso, o rosto estampado de interrogações.

Dongfang Xuan Shi, surpreso, replicou:

— O mestre não sabe?

Mal terminou a frase, surpreso ao perceber que até mesmo seu mestre, sempre tão informado, podia desconhecer algo.

Hao Yun Shi, captando a intenção do discípulo, sorriu:

— Não sou uma divindade, acabei de chegar, como poderia saber de tudo?

Dongfang Xuan Shi, agora radiante, esclareceu:

— Mestre, todos por aqui conhecem: é o Monumento da Espada.

— Ah, o Monumento da Espada — Hao Yun Shi murmurou, compreendendo de imediato.

Dongfang Xuan Shi explicou:

— Acabei de saber disso, não conheço os detalhes, só sei que é um tesouro.

Olhando para o mestre, continuou:

— Há muitos anos, gente de toda Zhongzhou vinha à Mansão da Espada que Ouve as Ondas para estudar o monumento, mas ninguém conseguiu decifrá-lo. Há mais de mil anos, ele desapareceu.

— Desapareceu? — Hao Yun Shi sorriu, subitamente entendendo toda a situação.

— Pois bem, Xuan Shi, entendi tudo. Não o culparei mais.

Aproveitou para instruí-lo mais uma vez, recomendando que retornasse à seita e permanecesse atento a novidades, aguardando instruções.

Saiu do pequeno aposento de Dongfang Xuan Shi, desaparecendo num piscar de olhos, elevando-se ao céu na direção da Floresta das Dez Mil Feras, com o Corpo Oculto pela Técnica do Silêncio.

Muito tempo se passou, cerca de duas horas.

Ao meio-dia, Dongfang Xuan Shi finalmente avistou Hao Yun Shi.

Aproximou-se e saudou, curvando-se:

— Mestre, o senhor Hong Xing convida-o.

— Oh — respondeu Hao Yun Shi —, e quando será?

— Amanhã. Um discípulo virá guiá-lo — respondeu Dongfang Xuan Shi.

Aliviado, Hao Yun Shi dispensou o discípulo e retirou-se para seus aposentos.

No quarto, Hao Yun Shi perguntou a Hundun:

— Hundun, você acha que há algo errado nisso tudo?

— Creio que Hong Xing também conhece esse segredo, apenas está preso aos interesses da Seita Qingyuan — respondeu Hundun.

Hao Yun Shi assentiu. Pela observação daquele dia, percebeu que Hong Xing não demonstrava ódio profundo, mas sim hesitação e angústia, o que tornava tudo ainda mais suspeito.

— Pelo visto, nossa esperança está em conseguir alguma brecha através de Hong Xing — concordou Hao Yun Shi.

— É, ao menos hoje saímos no lucro — disse Hundun, rindo.

— É verdade, foi um bom dia. E as pílulas, Hundun, você viu?

Hundun riu:

— São excelentes.

— Então podemos preparar a Pílula de Refinamento da Alma! — Hao Yun Shi exclamou, animado.

— Não tão rápido, Yun Shi. Ainda precisamos da receita — ponderou Hundun.

Hao Yun Shi sentiu um leve desapontamento, mas logo se recompôs:

— Parece que teremos de ir ao Vale do Bordo Carmesim.

— Sim, Yun Shi.

Com isso, Hao Yun Shi não disse mais nada, retirou-se do espaço interior da Torre Hundun e sentou-se sobre seu tapete de meditação, entrando em estado contemplativo.

A longa noite tornou-se ainda mais profunda, o tempo avançando até que, gradualmente, a escuridão cedeu lugar à luz do novo dia.