Capítulo Quarenta e Cinco - Extorsão

Caçador Supremo Não é uma nuvem passageira. 2919 palavras 2026-02-08 04:25:17

Enoque estava gravemente ferida, deitada no chão sem se mover. Mário aproximou-se sorrindo maliciosamente e tirou de sua mochila uma corda. Embora soubesse que Enoque não conseguiria se levantar tão cedo, por precaução, amarrou-a com firmeza.

Depois de prender Enoque como um pacote, Mário percebeu que tinha certo talento para isso; o nó que fez, por acaso, lembrava até aquele famoso “Laço de Tartaruga” das lendas. O corpo sensual de Enoque parecia ainda mais sedutor, a ponto de até estudantes universitários perderem o controle ao vê-la, que dirá crianças.

Mas assim não podia ser, amarrou-a com tanta força que nem conseguiria tirar-lhe as roupas. Sem despí-la, não conseguiria realizar seu experimento. Sem alternativa, Mário desamarrou Enoque e prendeu-a novamente, desta vez de forma mais simples, apenas amarrando suas mãos e pés para trás — suficiente para impedir qualquer tentativa de fuga.

Quando Enoque recobrou a consciência, percebeu que além de estar amarrada, aquele aventureiro ainda tentava tirar suas roupas. Assustada, gritou:

— Seu canalha! O que pensa que está fazendo?

— Estou tirando suas roupas — respondeu Mário, com total honestidade.

Aquele jogo virtual era incrivelmente realista; ele já tinha muitas ideias guardadas na cabeça, e agora, com uma NPC capturada, não podia deixar de experimentar. Tirar as roupas de Enoque era apenas o começo.

— Solte-me agora! Se o povo da vila descobrir isso, você será expulso para sempre das cidades humanas! — ameaçou Enoque.

Pelo que sabia, os aventureiros temiam muito ser banidos das cidades humanas.

— Se isso vier à tona? Realmente, o castigo é um pouco severo — Mário assentiu.

Mas, para ele, que era um aventureiro capaz de se suicidar várias vezes ao dia sem se incomodar, ser expulso não era nada — se fosse necessário, bastava recomeçar. Do que havia de ter medo?

Enquanto falava, Mário já tinha desabotoado todos os fechos da armadura de Enoque.

— Pare agora, ou vou chamar ajuda! — Enoque exclamou, apavorada.

— Você mora tão isolada, não há ninguém por perto. Se abrir a boca, tampo imediatamente sua boca e cuido de você sem pressa — respondeu Mário, sem nenhum medo.

— E se alguém realmente aparecer, direi que foi você quem tentou me violentar. Não se esqueça, fui eu quem o convidou até aqui. Mesmo que acreditem em você, sua reputação estará arruinada — ameaçou Mário, agora invertendo o jogo.

Diante disso, Enoque ficou tensa e silenciou. NPCs, assim como podem ser enganados, também podem ser ameaçados.

Mário já havia enganado Gleison no Vale do Lobo Selvagem; agora, ao ameaçar Enoque, viu que também funcionava. O realismo daquele jogo estava além de qualquer outro, deixando para trás os jogos tradicionais.

Ora essa, até um NPC usa sutiã?

Sem dizer palavra, Enoque já estava sem a armadura, e Mário, surpreso, viu que ela ainda usava um sutiã preto de seda. Tentou abri-lo, mas não conseguiu.

O sistema avisou: “Seu nível de afeição ou obediência com Enoque é insuficiente!”

Mário ficou pasmo; só queria tentar, mas não esperava que realmente fosse possível, caso preenchesse os requisitos.

Falando nisso, afeição tudo bem, mas o que seria esse “nível de obediência”? Seria possível realmente transformar um NPC em escravo? Só de imaginar já era algo perverso; se isso se espalhasse, muitos jogadores tarados seriam atraídos.

Sem os requisitos necessários, Mário não avançou mais. Passou então a procurar pelas armas e pelo medalhão de invocação da Bruxa do Castigo Divino que Enoque tinha usado antes.

Revistou Enoque de cima a baixo, mas não encontrou nada. Parecia que os NPCs também tinham mochilas ou algo do tipo, impossibilitando o roubo direto de itens.

Mário parou e olhou para Enoque:

— Senhorita Enoque, quer que eu a solte?

— Ou você pretende me manter presa? Se eu não aparecer logo, o povo da vila virá atrás de mim e seu destino será ainda pior! — Enoque retrucou com um sorriso gelado.

Maldita mulher, pensou Mário. Tenta conversar calmamente e ela responde com arrogância!

Mas... calma, ela é só uma NPC.

— Você me enganou, tentou me prejudicar, e ainda quer que eu simplesmente a solte? Não tenha medo, sou aventureiro, não temo ser descoberto; no máximo, recomeço do zero. Mas você é uma habitante deste mundo, sua reputação arruinada não tem volta — Mário falou pacientemente.

Diante disso, Enoque ficou em silêncio. Sabia que o aventureiro tinha razão: independentemente do objetivo inicial, foi ela quem o convidou para sua casa, o que de outra forma seria impossível. Se o caso se espalhasse, mesmo que a maioria acreditasse nela, sempre haveria quem duvidasse.

— Eu lhe dou cem moedas de prata como compensação — cedeu Enoque.

— Está longe de ser suficiente. Quero o medalhão de invocação da Bruxa do Castigo Divino — exigiu Mário, sem rodeios.

Era piada; depois de tanto esforço para completar aquela missão, não aceitaria apenas duzentas moedas de prata!

— Esse objeto não serve para você. Para invocar a Bruxa do Castigo Divino é preciso ter o sangue do meu clã — Enoque recusou.

— Isso não importa. Mesmo que eu não possa usar, posso vender! — insistiu Mário.

— Tudo bem, lhe dou — Enoque hesitou, mas concordou.

O sistema notificou: “Você recebeu 100 moedas de prata!” “Você recebeu o item ‘Medalhão de Invocação Selado’!”

Medalhão de Invocação Selado: item especial, condições insuficientes, impossível de utilizar.

Com o aviso do sistema, apareceu no inventário de Mário uma tábua preta, e ao conferir viu que Enoque não havia mentido — realmente não podia ser usada.

— Já lhe dei o que queria, agora me solte! — Enoque exigiu.

Conseguiu extorquir, mas a inteligência dos NPCs ainda deixava a desejar, pois ela entregou o item com tanta facilidade.

— Ainda não é suficiente. Preciso de mais alguma coisa para soltá-la.

Um medalhão inutilizável obviamente não satisfazia Mário.

— Maldito! Trapaceiro! — Enoque se irritou profundamente.

— Dê-me mais alguma coisa! Só mais uma, e eu a solto! — pediu Mário, quase suplicando.

— Não tenho mais nada, já lhe dei tudo! — Enoque fechou os olhos e se recusou a falar com ele.

Tudo? Só se fosse para enganar trouxa!

Antes de ver o medalhão, Mário até poderia acreditar, mas sabendo que Enoque possuía um sangue especial capaz de invocar a Bruxa do Castigo Divino, não acreditava mais nela!

Com expressão de quem nada mais tinha a perder, Enoque parecia imune a ameaças e mesmo repetir as anteriores não surtiria efeito. Mas Mário ainda tinha um último recurso.

De olhos fechados, Enoque subitamente sentiu uma mão apertando seu peito. Abriu os olhos, furiosa e assustada, e gritou:

— Canalha! Tire suas mãos de mim!

Não é que realmente se pode abusar de NPCs?

Mário achou curioso; sempre teve essa ideia, mas acreditava que isso prejudicaria demais o relacionamento com a NPC, dificultando qualquer extorsão. Mas agora, com a negociação praticamente rompida, não tinha mais escrúpulos.

Apesar disso, Mário, ao tocar Enoque, não sentia absolutamente nada. O capacete virtual ainda estava em fase de testes, com muitas funções restritas; o tato, por enquanto, só permitia sentir armas e golpes de combate — outras sensações eram quase inexistentes.

— Senhorita Enoque, tem certeza de que não pode me oferecer mais nada? — perguntou Mário, sorrindo maliciosamente.

— Não tenho mais nada!

Pelo tom de voz, era evidente que mentia!

Veremos quem tem mais paciência; tempo era o que não lhe faltava.

Logo, o rosto de Enoque ficou ruborizado, sua respiração tornou-se ofegante.

O sistema notificou: “Seu nível de obediência com Enoque aumentou em 10!”

Mário ficou surpreso. Só isso já aumentava o nível de obediência? Se continuasse, talvez conseguisse pontos suficientes para tirar o sutiã dela?

Provavelmente não; segundo Enoque, logo algum NPC viria investigar.

— Senhorita Enoque, já pensou bem? Estou ficando sem paciência. Pretendo tirar sua calça também e jogá-la na vila. Veja o seu estado — se o povo da vila a visse assim, o que pensariam de você?

Sentindo que o tempo era curto, Mário intensificou suas ameaças.

— Eu ainda tenho algo muito importante para lhe dar, mas preciso que me prometa uma coisa — disse Enoque, finalmente rendida. Se fosse exposta daquela maneira na vila, jamais conseguiria viver ali novamente.