Capítulo Dez: O Mestre em Roubar Monstros
— Hehe, irmão, com a gente aqui, nem pense em conseguir caçar algum monstro. Vai tentar a sorte mais longe, talvez alguém ainda nem saiba que dá para desarmar a armadilha do caçador — disse um assassino chamado Mão Venenosa, dando tapinhas no ombro de Chen Mo e rindo.
No início do jogo, quando os caçadores usavam armadilhas para disputar monstros, ninguém conseguia competir. Mas, com o tempo, mais gente foi percebendo que dava para acionar a armadilha à força, tornando a situação dos caçadores lamentável.
Logo, os coelhos selvagens reapareceram. Mão Venenosa percebeu que Chen Mo não tinha ouvido seu conselho e apenas deu de ombros. Neste mundo, os avisos sinceros raramente agradam; esse sujeito provavelmente não queria dar o braço a torcer e estava determinado a competir até o fim.
Assim que o brilho do reaparecimento dos coelhos selvagens surgiu, os jogadores ao redor ergueram as armas, atacando ou conjurando feitiços. Em um piscar de olhos, todos os coelhos jaziam mortos, sem restar um sequer.
— Droga, cheguei atrasado de novo, não consegui pegar nenhum!
— Poxa, só faltavam alguns!
— Haha, consegui pegar mais um!
Vários comentários se espalharam pela multidão. Os que conseguiam caçar se alegravam, enquanto os que não conseguiam sentiam-se frustrados, ansiosos ao ver outros completarem a missão e avançarem, enquanto ficavam presos nessa tarefa inicial.
Mão Venenosa observava calmamente os que reclamavam ao redor. Mais uma vez, ele havia conseguido capturar um, e faltavam apenas cinco para terminar a missão. Os demais eram mais lentos do que ele, e nem cogitava se preocupar com Chen Mo, o caçador que tentava disputar monstros usando armadilhas.
Os coelhos selvagens rapidamente reapareceram. Os jogadores ao redor agiram em sincronia. Mão Venenosa girou a adaga com destreza, abatendo silenciosamente mais um coelho.
Desta vez, porém, ele olhou com curiosidade para Chen Mo. Na rodada anterior, o caçador tinha atacado o coelho com as mãos nuas, mas agora havia trocado para a besta de mão.
Considerando a pouca vida do coelho e o grande número de jogadores atacando, usar as mãos ou uma arma pouco fazia diferença: quem acertasse primeiro, levava. Para Mão Venenosa, usar ataques ou armas à distância era tolice contra monstros de reaparecimento fixo; o melhor era calcular o tempo e atacar corpo a corpo, antecipando o reaparecimento e garantindo a captura.
Vários ali faziam isso, mas nenhum conseguia superá-lo. Ele era mestre em calcular o tempo do reaparecimento e, se alguém fosse mais rápido, erraria o ataque. Assim, sempre era o primeiro a acertar o coelho.
O coelho reapareceu de novo. A adaga de Mão Venenosa cruzou o ar entre várias armas e desceu mais uma vez.
O coelho tombou instantaneamente, mas Mão Venenosa ficou atônito.
Não conseguiu pegar!
Olhou para Chen Mo, percebendo que fora a besta dele que roubara o coelho.
Foi sorte?
Mão Venenosa se perguntou.
O coelho reapareceu de novo. Mão Venenosa se concentrou, movendo a adaga com rapidez.
De novo não conseguiu! Outra vez o caçador levou!
Droga, topei com um expert!
O olhar de Mão Venenosa se fixou em Chen Mo, finalmente entendendo por que o caçador havia trocado o ataque desarmado pela besta.
Atacar com as mãos, por mais habilidoso que fosse, só permitiria empatar em velocidade; nesse caso, quem causasse mais dano ficaria com o monstro. Como assassino, Mão Venenosa tinha ataques mais potentes que um caçador desarmado, então Chen Mo jamais teria chance assim.
Por isso, o caçador optou pela besta, que proporcionava o dano combinado da arma e da flecha, superando em muito o ataque desarmado.
Mão Venenosa também tinha um golpe básico, o Estocada, mas ao usá-lo, não tinha cem por cento de certeza no acerto. Sua vantagem vinha, além do cálculo preciso, de um pequeno truque: retardava levemente o movimento do ataque ao se aproximar do ponto de reaparecimento, acelerando no exato momento em que o coelho surgia. Assim, mesmo com um pequeno erro de cálculo, ainda conseguia acertar antes dos outros. Se usasse a habilidade, precisaria de precisão absoluta, pois atacar cedo demais significava errar.
Mão Venenosa sabia que não conseguiria isso, por isso olhou para Chen Mo, surpreso e admirado.
Aquele caçador era, sem dúvida, um verdadeiro mestre!
Chen Mo, porém, não imaginava tudo isso. Na realidade, ele não era tão habilidoso quanto Mão Venenosa pensava. Apesar do cálculo, não existia precisão absoluta; conseguir capturar dois coelhos seguidos envolveu um pouco de sorte. Não pensava tanto quanto Mão Venenosa — estava apenas tentando pegar monstros. Se não conseguisse agora, tentaria de novo depois.
— Mestre, caçador ali do outro lado, venha aqui! Tenho monstros de sobra! — gritou Montanha Verde, eufórico como se tivesse feito uma grande descoberta, quando viu Chen Mo abater o segundo coelho.
Antes mesmo de Chen Mo aparecer, Montanha Verde já observava Mão Venenosa.
Era um completo novato, que entrou no jogo por curiosidade e logo se apaixonou por aquele mundo de fantasia tão realista. Mal conseguira chegar ao nível 4, pegou uma missão de caça e, ao sair da Vila de Ael, passou meia hora disputando monstros sem conseguir capturar um sequer.
Frustrado, decidiu pagar para que um grupo de jogadores cercasse um ponto de reaparecimento só para ele.
Dinheiro não era problema para Montanha Verde, e gostava dos olhares invejosos ao seu redor. Mas sabia que era absurdo precisar pagar para caçar um simples monstro, e nem toda aquela inveja escondia o desprezo de alguns.
Montanha Verde queria, como os outros, disputar monstros e sentir a emoção da vitória, mesmo que demorasse mais para completar as missões.
Por isso, observava tudo ao redor com atenção. Logo notou Mão Venenosa e pretendia se aproximar para aprender algo, mas então surgiu um caçador ainda mais habilidoso.
Para ele, Mão Venenosa já era excelente, mas aquele novo caçador era ainda melhor, e Montanha Verde não conseguiu disfarçar o entusiasmo.
Seu olhar era de súplica descarada. Chen Mo estava acostumado a esse tipo de pedido e logo entendeu o que Montanha Verde queria.
Após ponderar um pouco, Chen Mo se aproximou.
Ensinar um pouco ao endinheirado e ainda economizar tempo, por que não?
— Ei, Montanha, você disse que só ia nos ajudar na missão! — protestou um dos jogadores contratados, incomodado com o comportamento de Montanha Verde.
— Menos conversa, pago o dobro para cada um! — retrucou Montanha Verde, confiante, lançando um olhar que calou todos ao redor.
— Mestre, você é incrível! Pode me ensinar? Caramba, fiquei mais de meia hora tentando e não consegui pegar um monstro sequer! — Montanha Verde foi direto ao ponto, olhando para Chen Mo com expectativa.
Chen Mo executava os movimentos com tanta destreza que Montanha Verde se empolgava só de pensar em ser capaz de fazer igual.
— Claro — respondeu Chen Mo com um sorriso. Não era segredo: com bom timing e reflexos razoáveis, qualquer um podia conseguir.
Explicou o básico e Montanha Verde assentiu várias vezes, logo começando a testar o método nos monstros que reapareciam por perto.
— Haha! Parece que funciona mesmo! — exclamou Montanha Verde, animado ao perceber que a técnica dava resultado após algumas tentativas.
— Observe bem, identificar padrões é importante. Acertar o momento é fundamental. Monstros mais fortes podem ser mais complicados, mas a lógica é parecida — orientou Chen Mo, enquanto continuava caçando coelhos.
— É isso aí, mestre Chen Mo! — respondeu Montanha Verde, já adicionando Chen Mo como amigo.
— Completei a missão, vou indo. Pratique à vontade, e se tiver dúvidas, pode perguntar — disse Chen Mo.
Sem ninguém para competir, bastaram poucos minutos para Chen Mo caçar os vinte coelhos necessários.
— Valeu, mestre, até logo! — Montanha Verde agradeceu sem desviar os olhos do ponto de reaparecimento de um coelho, segurando a espada pronto para atacar.
Chen Mo viu que Montanha Verde estava totalmente concentrado e se despediu, afastando-se sozinho.
— Ei! — exclamou Montanha Verde, pouco depois, ao abater um coelho recém-aparecido com um golpe de espada.
— Hahaha! Agora também sei disputar monstros! Podem ir, já depositei o dinheiro para vocês! — gritou, rindo alto, dispensando os jogadores ao redor, e logo se misturou à multidão.
Já tinha completado a missão, mas agora que aprendera a competir, não poderia perder a chance de irritar os outros!
— Droga! O que está acontecendo? — exclamou, surpreso, ao ver mais de dez coelhos reaparecerem e não conseguir capturar nenhum.
— Não acredito! — murmurou, ficando obstinado. Fixou o olhar no ponto de reaparecimento e prometeu não desistir até conseguir pegar outro coelho!