Capítulo Setenta: Serena

Caçador Supremo Não é uma nuvem passageira. 2627 palavras 2026-02-08 04:25:52

— Senhor Bobor, será que na Cidade Principal das Sombras há outras pessoas como você, que possuem habilidades especiais? — Depois de aprender a habilidade de decomposição, Chen Mo discretamente colocou mais uma moeda de ouro na mão de Bobor.

Sabendo que Bobor era um NPC ganancioso, Chen Mo queria ver se conseguia arrancar alguma informação dele, ainda mais ao notar que o grau de afinidade racial parecia realmente ter algum efeito. Decidiu que valia a pena tentar.

Os olhos de Bobor brilharam novamente e ele rapidamente guardou a moeda, mas suspirou:

— Agradeço sua intenção, aventureiro, mas, infelizmente, não sei de nada.

Ora essa, não sabe de nada e ainda tem coragem de aceitar o dinheiro!

Chen Mo, persistente, passou mais uma moeda de ouro. O gorducho pegou sem hesitar, mas dessa vez respondeu diferente:

— Aventureiro, não faça assim, eu realmente não sei.

Esse gordo é mesmo ganancioso. Para a maioria, duas moedas já seriam jogadas fora, mas Chen Mo ainda tinha dinheiro!

Deu-lhe mais uma moeda. Bobor apanhou num piscar de olhos, resmungando:

— Não faça isso, não pode agir assim comigo, está me colocando numa situação difícil!

Ainda não fala?

Restavam apenas duas moedas. Chen Mo, decidido, enfiou-as de uma vez nas mãos de Bobor, resoluto que, se o sujeito continuasse calado, procuraria uma chance de acabar com ele secretamente, livrando a cidade de um mal.

Talvez sentindo a intenção assassina de Chen Mo, Bobor, após receber as duas moedas, lançou um olhar furtivo ao redor, temendo ser visto, e então cochichou:

— Já que você está mesmo determinado e ainda aprendeu alquimia, vou lhe contar um segredo. Mas já aviso: só posso dizer o que sei. Se vai conseguir algo, depende da sua habilidade. Aquela mulher é de temperamento estranho, não costuma dar atenção a ninguém, especialmente a aventureiros promissores como você. Se ela te vir, provavelmente vai expulsá-lo.

— E o que isso tem a ver com alquimia? — Chen Mo não conteve a curiosidade.

— Ah, você não sabe — disse Bobor, rindo. — As habilidades alquímicas deste mundo são variadas. O que vocês, aventureiros, aprendem é apenas o básico. Embora seja básico, é o mais universal e sistemático. Aquela mulher aprendeu um tipo de alquimia prejudicial à nossa raça, por isso foi rejeitada e hoje vive nos arredores da Cidade das Sombras. Com o tempo, ficou cada vez mais excêntrica.

— Uma alquimia ruim para os humanos? Então, de que adianta eu aprender isso? — Chen Mo já se arrependia dos cinco ouros, que pareciam jogados fora.

— Quando ela foi expulsa da cidade, eu era só um moleque correndo pelado por aí, então tudo o que sei é de ouvir dizer. Não posso garantir nada. Veja só a habilidade de decomposição que ensinei: como ela destrói equipamentos humanos, foi proibida de ser passada adiante — Bobor explicou, rindo.

...

A mulher de quem Bobor falava chamava-se Selina. Após anotar a localização, Chen Mo deixou a Cidade Principal das Sombras.

Do lado de fora, estendia-se a Floresta Sombria.

Quem nunca esteve na Floresta Sombria imaginaria que se trata de um lugar lúgubre e escuro. Chen Mo também pensou assim ao ouvir o nome pela primeira vez. Mas, ao entrar na cidade e seguir até a floresta, percebeu como estava enganado.

Não era uma floresta comum, mas um bosque gigantesco, iluminado por uma luz suave e bela!

O solo era cinzento-escuro e, por toda parte, erguiam-se árvores de quatro ou cinco metros de diâmetro e mais de cem metros de altura! As raízes, entrelaçadas, formavam pontes arqueadas sobre o chão, mas as copas tinham poucas folhas, apenas pequenos pontos verdes pontilhando os troncos colossais.

Se não fosse a cidade humana logo atrás, Chen Mo pensaria ter chegado ao mundo dos gigantes.

As árvores ficavam bem espaçadas, mas as raízes, enormes, emergiam do solo e se entrecruzavam, tornando o terreno menos desolado apesar da vastidão cinzenta.

A luz do sol atravessava as raízes, criando halos coloridos. Monstros surgiam ao redor das raízes e muitos jogadores aproveitavam esse abrigo para caçar com facilidade. Mas isso só valia para a região dos monstros de nível 11 a 13; acima do nível 14, as raízes pouco ajudavam.

Como o nível dos jogadores ainda era baixo, os arredores da cidade estavam repletos de gente, quase como uma vila de iniciantes, com disputas constantes pelos monstros. Diferente, porém, da área inicial, ali o combate entre jogadores já era permitido, e Chen Mo logo viu grupos se enfrentando.

Na área de nível 11 a 13, havia mais gente do que monstros, mas Chen Mo conseguia se deslocar facilmente. O local onde Selina morava não era longe; após cerca de dez minutos caminhando, encontrou uma cabana sob as raízes arqueadas de uma árvore colossal.

A casa era tão chamativa quanto peculiar. Antes mesmo de se aproximar, Chen Mo percebeu um grupo de jogadores bloqueando a entrada.

No fórum, sempre havia relatos de jogadores desencadeando missões secretas. O local único onde Selina morava era irresistível para quem passasse por ali.

— Fora daqui! Se continuarem a me incomodar, não serei nada gentil! — gritou Selina, tal como Bobor dissera, de temperamento difícil. Nos últimos dias, vinha sendo importunada pelos aventureiros recém-chegados e já estava no limite da paciência.

— Mestra Selina, viemos sinceramente aprender com você. Não importa o que precise, faremos de tudo para ajudar! — disseram, em coro, cheios de fervor.

Vestida com uma túnica negra de fios prateados, Selina emanava uma aura profunda e misteriosa.

— Sumam já! Ou em três segundos, mato todos vocês! — ameaçou, fria.

— Mestra Selina, por favor, acredite em nossa sinceridade... — Alguns não desistiram, mas outros, ouvindo a ameaça, começaram a recuar discretamente.

— Já avisei! Se querem morrer, vou satisfazê-los! — gritou Selina, finalmente irritada. Com um gesto, lançou um punhado de pó escarlate sobre o grupo.

— Droga! Estamos envenenados! Essa NPC mata mesmo! —

Os jogadores atingidos pelo pó ficaram pálidos. Números de -500 de dano pairavam acima de suas cabeças, um espetáculo impressionante.

Com cerca de nível doze e mil pontos de vida, nenhum deles aguentou o veneno mortal. Em dois ou três segundos, todos tombaram mortos.

— Ainda bem que recuei a tempo.

— Melhor ir upar. Perder tempo com essa mulher é inútil.

Os sobreviventes, ainda distantes, suspiraram aliviados. Logo, só restou Chen Mo ali.

Agora, ele pôde ver o rosto de Selina claramente — e não conteve o suor na testa.

Depois do que Bobor dissera, imaginava uma velha de setenta anos. Mas diante dele estava uma mulher madura, de trinta e poucos anos, com cabelos vermelhos e nenhum sinal de velhice.

Pelo visto, Selina realmente não era uma NPC comum!

Ela era ainda mais difícil do que Bobor dissera. Para outros, os cinco ouros dados ao gorducho teriam sido totalmente desperdiçados. Mas Chen Mo já tinha experiência com esse tipo de pessoa!

Com um movimento, ele ativou o título de “O Caído”.

...

Segundo capítulo do dia. Desculpem pelo atraso, voltei tarde.