Capítulo Doze: A Astúcia da Terceira Tia

Siheyuan: Começando com o Sistema Escritor, uma folha de bordo 2408 palavras 2026-07-31 03:14:53

Jia Dongxu não insistiu mais; os dois trocaram as marmitas, mas ainda assim puxou metade da carne e dos legumes da marmita para o mestre, afinal, os pratos com carne tinham mais sabor e gordura.

Yi Zhonghai sabia bem como era o temperamento do seu discípulo e sentiu-se mais tranquilo. Depois que terminaram de comer, ambos saíram juntos do refeitório. Jia Dongxu caminhou um pouco mais rápido, foi até a pia fora do salão para lavar a marmita e então voltou, obediente, para ficar atrás do mestre.

— O que houve? Está preocupado com alguma coisa? — perguntou Yi Zhonghai.

— Mestre, sou um discípulo inútil. O senhor sabe como é a situação da minha família, não é? Foi só ontem à noite, depois do trabalho, quando estava bebendo com amigos que acabei exagerando. Só hoje de manhã soube pela minha mãe que a casa da família foi perdida e ainda exigem que a gente saia hoje mesmo. Não consigo pensar em uma solução boa. O filho cresce a cada dia, e Huairu ainda está grávida. Que tipo de situação é essa? — disse Jia Dongxu com o rosto cheio de angústia.

Yi Zhonghai, diante dessa situação, também não tinha solução. A casa havia sido designada pela fábrica, que era a proprietária original. Como poderia ele resolver isso?

— O filho ainda tem muito tempo para crescer! Dongxu, não se preocupe. Quem sabe o que o futuro reserva? Pode ficar tranquilo, a casa do seu filho não vai escapar. A outra parte é só uma garotinha. Vou investigar melhor e depois pensaremos em uma solução.

— Obrigado, mestre. O senhor é quem mais se importa comigo. Se meu pai estivesse vivo, eu certamente não precisaria me preocupar com essas coisas — disse Jia Dongxu emocionado, com os olhos vermelhos, fazendo quem o visse imaginar quantas injustiças ele havia sofrido.

— Não tem jeito, quem sabe a sorte do velho Jia? Agora você é pai, já tem filhos, não pode mais agir como antes, senão seu filho vai rir de você. Quanto à casa, não se apresse. Depois do trabalho, vamos juntos arrumar as coisas.

Yi Zhonghai dizia isso, mas no fundo também não se sentia bem. Ele não tinha filhos, mas agora tinha um bom discípulo que poderia cuidar dele no futuro. Pensando assim, não era uma perda.

Afinal, ele viu esse discípulo crescer, assumiu a relação de mestre e aprendiz, ensinou pessoalmente os princípios da vida e os conhecimentos do trabalho. Ele conhecia muito bem o discípulo, que era seu orgulho, então, quando o discípulo tinha problemas, ele era o primeiro a ajudar.

Nenhum dos dois imaginava que o novo proprietário da casa já havia resolvido tudo e se mudado para lá.

Deitada na cama, Zhang Xiaoyan de repente sentou-se. Ela havia esquecido: não havia sequer provado a Água das Mil Doenças que recebeu ontem, seria um desperdício de tempo.

Pensando nisso, não conseguiu ficar parada, levantou-se rapidamente, pegou uma tigela e, seguindo as instruções do sistema, colocou o dedo mindinho na borda da tigela. Logo sentiu uma sensação maravilhosa, fresca e até em movimento, como se a água fluísse lentamente do seu dedo mindinho para a tigela vazia.

Em pouco tempo, encheu metade da tigela, talvez menos de 200 mililitros, mas não se atreveu a deixar mais. A sensação era muito estranha. Curiosa, colocou o dedo diante dos olhos, mas não havia diferença aparente.

— Por que essa água tem cheiro de remédio? — perguntou.

— Ela pode curar todas as doenças, estritamente falando é um remédio líquido. Tem cheiro de remédio, isso é estranho? — respondeu o sistema.

— Ah, desculpe pelo meu comentário inútil — disse Zhang Xiaoyan, achando que havia falado besteira. Mas como deveria beber esse remédio?

— Vai beber direto?

— Vai fazer algum ritual? — retrucou o sistema.

— Não, não precisa — respondeu Zhang Xiaoyan, pegando a tigela e bebendo de um gole. Sentiu o aroma da medicina chinesa, mas não conseguiu identificar quais ervas, parecia ter muitas. Pensava que seria amargo, mas era fresco e suave, com um leve sabor adocicado quase imperceptível.

Não sabia se era efeito psicológico, mas sentiu o corpo mais leve e até a respiração parecia mais suave e fácil.

Depois de beber, estalou a língua querendo mais, mas sem um copo medidor, teve medo de exagerar e causar problemas. Relutante, virou a tigela de cabeça para baixo sobre a mesa.

Na parte da manhã, foi principalmente para comprar móveis, utensílios de cozinha e muitos itens para o cotidiano. Pensando nisso, colocou uma mochila nas costas, trancou a porta e saiu para o pátio.

Ela já não tinha muito dinheiro, na verdade só restava o dinheiro que o sistema lhe dera. Precisava trocar o dinheiro no banco por moedas, senão ao pagar com notas grandes de dez yuan, acabaria chamando atenção e trazendo problemas. Além disso, moedas facilitavam as compras, pois as pessoas geralmente carregavam notas pequenas, de um ou dois yuan, e poucas vezes uma nota de dez, a menos que fosse por algum motivo especial.

Ignorando os olhares curiosos das pessoas, passou pelo pátio do meio e pelo pátio da frente. Sabia que, se não fossem vistas, tudo bem, mas se a vissem, certamente inventariam assuntos para fofocar. De qualquer forma, não se importava.

— Você é a nova moradora? Como é mesmo seu nome...?

— Olá, meu nome é Zhang Xiaoyan. A senhora precisa de algo? — disse ela ao chegar no pátio da frente, onde viu uma mulher de meia-idade magra descascando cebolas na porta de sua casa. A mulher a cumprimentou, mas não conseguiu lembrar o nome dela imediatamente.

Zhang Xiaoyan reconheceu que era a esposa do terceiro tio, a quem todos no pátio chamavam de "tia terceira".

— Ah, sou sua tia terceira, todos aqui me chamam assim. Desculpe, acabei esquecendo agora. Zhang, vai sair?

Se fosse antes, Zhang Xiaoyan teria respondido com um rude "não é da sua conta!", mas agora sabia por que havia três homens responsáveis no pátio — o questionamento fazia sentido.

— Ainda preciso comprar alguns itens para casa, então vou ao comércio.

Era uma troca simples de perguntas e respostas, mas a tia terceira iluminou o rosto, largou as cebolas e sorridente disse:

— Vai comprar coisas? Tem cota para sabão? Eu tenho cota de sabão em barra e de sabonete. Pode ficar tranquila, tudo economizado em casa. A gente pode trocar por comida.

A tia terceira temia que ela estivesse sem dinheiro, afinal viu a quantidade de coisas que ela levou para dentro de casa esta manhã, então pensou em trocar por comida, que era a forma mais segura.

Zhang Xiaoyan não esperava que a tia terceira fosse tão esperta. Ela realmente não tinha cota para sabão.

— Preciso mesmo de sabão, mas não tenho cota para comida, então não posso trocar.

— Ah, para que falar disso? Eu confio em você, pode comprar comida e depois me dá. Vou pegar a cota para você agora mesmo!

A tia terceira disse isso e saiu correndo para casa antes que Zhang Xiaoyan pudesse responder.

Esse negócio era mesmo inteligente. Afinal, naquela época, quem conseguisse criar vários filhos e ainda mandar para a escola precisava ser esperto para conseguir sustentar a família.

Pensando nisso, Zhang Xiaoyan não foi embora. Ela realmente precisava comprar as coisas, mas queria confirmar direitinho quanto de comida era necessária para trocar por uma cota de sabão.