Capítulo Dois: Algo Está Errado
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Yan Fugui guardava planos secretos em seu coração, mas Zhang Xiaoyan naturalmente não os conhecia. Apenas achava a pessoa à sua frente muito gentil, bastante diferente das que via nas novelas, que eram sempre exageradas. No entanto, a cautela necessária não podia faltar, então Zhang Xiaoyan não falou muito. Yan Fugui fez algumas gentilezas rápidas e se foi, pois sabia muito bem jogar para o longo prazo. O outro lado tinha apenas um pacote, nada mais; tentar tirar vantagem seria inútil. Afinal, morariam nos fundos, precisariam entrar e sair todos os dias, e para se estabelecer era preciso comprar muitas coisas. Se ele ficasse ali na porta, não teria chance de tirar vantagem? Por isso, foi embora com rapidez, deixando uma impressão de hospitalidade, amizade e união.
Quando ficaram sozinhos, Zhang Xiaoyan pegou a chave que havia recebido na secretaria do bairro para abrir a fechadura, mas a chave não entrou.
— O que está acontecendo? A fechadura foi trocada.
Zhang Xiaoyan teve um mau pressentimento. Aproximou-se da janela, bloqueou o sol com o braço e olhou para dentro. Que surpresa: o quarto estava cheio de poeira, e, curiosamente, havia muitos móveis antigos, como se aquele lugar fosse usado para guardar tralhas.
— Que problema! A vovó está mal, tem uma mulher usando a nossa casa!
Um menino de sete ou oito anos entrou correndo, trazendo um vento frio que incomodou a senhora Jia, que dormia quentinha na cama de tijolos.
— O que aconteceu, meu querido neto? Fale claramente, o que quer dizer com essa mulher usando nossa casa?
A vovó Jia levantou-se da cama e, ao ver o neto, não ficou brava, pelo contrário, puxou-o para perto e esfregou suas pequenas mãos frias.
— Na casa dos fundos tem uma mulher lá, eu vi! Ela estava mexendo na fechadura com a chave. Essa mulher foi trazida pelo terceiro tio.
O menino falou rápido, despejando tudo o que sabia.
— O quê? Isso é um absurdo! O maldito Yan Fugui quer fazer o quê? Até a casa da minha família ele ousa ocupar...
A vovó Jia estava meio sonolenta e não ouviu direito. Depois de ouvir novamente pelo neto, logo se levantou, agitando seu corpo robusto, pronta para ir ao quintal.
Todos no bairro sabiam que tipo de pessoa era a vovó Jia. Quando o terceiro tio trouxe gente para dentro, quem desconfiava já se preparava para o espetáculo, até chamaram familiares entediados para assistir. Afinal, era um show que ninguém queria perder.
Assim, todos correram em direção ao quintal em bando. Zhang Xiaoyan observava maravilhada, lembrando dos eventos originais da história. Realmente não dava para separar uma coisa da outra! O que viu até agora foi apenas a fachada do terceiro tio.
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Enquanto pensava nisso, ouviu um grupo barulhento se aproximar, liderado por uma mulher gorda que gritava palavrões.
— Quero ver qual prostituta sem vergonha ousa roubar a casa da minha família Jia! Ainda existe justiça nesse mundo?
— Sua velha maldita, o que está dizendo? Você diz que esta casa é sua?
Zhang Xiaoyan não era de temperamento fácil. No início, quis se conformar porque acabara de chegar a esse mundo, não sabia nada, não tinha cartas na manga nem apoio, então pensou em se manter discreta. Agora que o sistema havia aparecido, não tinha mais medo. Além disso, a boca da outra já estava suja desde que entrou no quintal, quem devia mais era ela. Por que tinha que aguentar ser insultada?
— Esta casa é minha sim, é da minha família Jia! — disse a vovó Jia com os olhos arregalados de raiva. Ela não esperava que uma jovem mulher ousasse insultá-la, por isso não ouviu direito a primeira frase da outra.
Ela não entendeu, mas os outros ouviram e começaram a cochichar, embora baixinho para não perder o desenrolar da confusão.
— Que piada! Sou funcionária da usina de aço, acabei de receber esta casa. Se vocês dizem que a casa é da família Jia, têm algum documento?
— Se houve erro na administração da usina, vou atrás dos chefes para resolver. A chave que tenho foi entregue pela secretaria do bairro, ou seja, a casa estava trancada. Se dizem que a casa é de vocês, onde está a prova?
— Ocupação sem justificativa de imóvel público? Acho que querem morrer.
A mulher gorda diante delas era a famosa invocadora de espíritos, Jia Zhangshi. Zhang Xiaoyan falou com firmeza, fazendo a vovó Jia engasgar com as palavras duras, que ficaram presas na garganta. Engolir era difícil, mas cuspir também não dava.
— Você diz que a casa é sua, então é sua? Quer enganar uma velha analfabeta com qualquer papel? Está tentando enganar quem? — resmungou a vovó Jia, enrolando-se em suas palavras.
— Então chama a polícia! Vamos ver a quem a casa realmente pertence.
Zhang Xiaoyan não queria mais perder tempo e tirou uma nota de um yuan, agitando-a na mão e dizendo em voz alta:
— Alguém pode ajudar a chamar a polícia para mim? Este dinheiro é uma recompensa pela ajuda.
Quando o dinheiro apareceu, todos ficaram agitados. Naquela época, meio quilo de carne custava cerca de cinquenta centavos; essa mulher ofereceu uma nota inteira como pagamento, quem não ficaria tentado?
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Alguns se viraram e correram para fora do quintal, provavelmente para chamar a polícia. Outros, mais espertos, gritaram:
— Ninguém se mexa, vou ajudar esta jovem a chamar a polícia!
Entraram na multidão, pegaram o dinheiro da mão de Zhang Xiaoyan e desapareceram como enguias.
A vovó Jia ficou furiosa ao ver as pessoas fugirem com o dinheiro. Ela sempre agiu conforme o lema: se puder enganar, engane; se puder insultar, insulte; e se não der mais, parta para a agressão. Nunca tinha visto alguém ameaçar chamar a polícia assim; ficou vermelha de raiva e medo.
Ao ouvir falar em polícia, o burburinho ao redor explodiu, mas isso não era problema de Zhang Xiaoyan, que ignorava o que diziam os outros.
O terceiro tio acabou de chegar ao seu posto habitual, pensando que ainda faltavam uns dez minutos para o turno acabar e se perguntando se deveria voltar para dentro e se aquecer um pouco. De repente, viu alguém correndo apressadamente para fora.
— Ei, Liu Guangtian, para onde vai? Não corra tanto, cuidado para não escorregar!
Liu Guangtian, que havia recebido a nota para chamar a polícia, não teve tempo para responder e sumiu rapidamente.
Como ele não respondeu, o terceiro tio não pensou muito, afinal, adolescentes são assim mesmo.
— Você ainda tem juízo? Se atreve a chamar a polícia? Cuidado para não ser preso, sua reputação vai para o ralo!
A vovó Jia, tendo pensado em uma estratégia, viu seu rosto mudar de expressão feroz para um sorriso gentil, que faria qualquer um pensar que ela era uma senhora bondosa.
— Você acha que ainda é antigamente? Agora vivemos numa sociedade de leis, a justiça prevalece!
— Não era para resolvermos as coisas dentro do bairro? Como podem chamar a polícia?
— Essa garota nova não é fácil de lidar, melhor ficar quieto e assistir ao espetáculo sem falar besteira.