Capítulo Seis: Reassentamento
Nesta época, para comprar móveis prontos só era possível ir ao mercado de câmbio estrangeiro. Claro que Zhang Xiaoyan não tinha tanto dinheiro agora, e mesmo que tivesse, não ousaria gastar ali, pois além do dinheiro era preciso usar cupons de câmbio estrangeiro, algo nada vantajoso para quem luta pela vida.
Nos outros lugares, os móveis eram feitos sob medida; para comprar móveis prontos, só restava o mercado de usados. Ela pegou um triciclo de aluguel e foi direto ao mercado de usados, onde circulou bastante e comprou móveis que preencheram duas carroças. Pagou metade do valor e combinou que o restante só seria pago após a entrega dos móveis em casa.
— Olha só quem chegou, camarada Xiao Zhang! Já comeu? Eu sou a esposa do seu terceiro tio, pode me chamar de tia San.
Assim que entrou no pátio, Zhang Xiaoyan viu uma mulher descascando cebolinha no corredor sob o beiral. Ao vê-la, a mulher sorriu e cumprimentou, de forma bastante natural, embora o olhar de cima a baixo causasse um certo desconforto.
— Olá! Já comi, pode ficar com seu trabalho. Preciso entrar para ver a casa, logo os móveis chegam.
— Tudo bem, vá logo cuidar disso! Se precisar, avise, meus dois filhos estão em casa e podem ajudar a carregar.
A tia San sorriu alegremente, sem se importar com a atitude um pouco fria de Zhang Xiaoyan.
Zhang Xiaoyan apenas acenou com a cabeça e seguiu direto para o quintal dos fundos. No caminho, passou pelo pátio central, onde uma nora lavava roupas na bacia. De imediato, reconheceu Qin Huairu, uma verdadeira sugadora de sangue que vivia à custa de He Yuzhu, sustentando seus filhos e a sogra, mas que nem sequer queria dar um filho para o marido — um comportamento extremamente desprezível.
Ela lançou um olhar para Qin Huairu, mas não disse nada, afinal não a conhecia bem, e seguiu seu caminho.
— Essa é a novata de ontem, não é? Que bonita!
— Bonita de que adianta? Nem sabemos quem ela é direito. Ontem aquela velha rabugenta Jia foi estapeada duas vezes por ela e ainda teve que chamar a polícia. A velha nem ousou abrir a boca depois disso.
Sob o corredor do pátio, outras mulheres faziam trabalhos de costura e comentavam os acontecimentos do dia anterior enquanto observavam Zhang Xiaoyan passar.
Qin Huairu, que lavava roupa próxima ao centro do pátio, ouvia tudo muito bem. O tanque ficava em posição estratégica, permitindo que ela visse tudo que acontecia na entrada.
Apesar de ter ficado um pouco contrariada no dia anterior, ao ver a aparência e a figura da mulher, Qin Huairu raramente admitiu que as vizinhas estavam certas: a mulher realmente era mais bonita que ela.
— Qin Huairu, para de enrolar! Faz dias que não compramos carne. Vai logo secar essa roupa e vai ao mercado comprar carne.
Jia, encostada na cama dentro do quarto, reclamava. O dia estava frio, ela não queria ficar exposta ao vento, e o fato de ter levado um tapa no rosto de uma jovem a deixava envergonhada. Sabia que as mulheres do bairro iam rir dela se a vissem na rua, por isso preferia ficar em casa.
— Sei, já vou.
Qin Huairu respondeu alto, preocupada. O cupom de carne do mês já tinha acabado, onde conseguiria carne? Ir ao mercado negro? Ela, uma simples nora, não ousaria se arriscar. Mas sua sogra tinha falado firme: se não trouxesse carne, a noite seria difícil.
Enquanto ponderava uma solução, lembrou-se de que o marido, Sha Zhu, era cozinheiro na usina siderúrgica e já tinha sido promovido a chefe. Quem sabe poderia ir até lá tentar alguma coisa? Pensava em como pedir a carne quando viu a mulher que acabara de entrar voltar pelo quintal.
Zhang Xiaoyan observava tudo pela janela, sem entender por que a casa ainda não estava desocupada, como combinado para aquele dia. Muito bem, pensou, já dei a chance.
Sem perder tempo, virou-se e saiu. Assim que os móveis chegassem, pediria ajuda aos carregadores para levar tudo para dentro.
Jia, pela janela, viu Zhang Xiaoyan passar pelo quintal dos fundos. Com uma expressão nada amigável, sentiu uma pontada de satisfação. Não ia se mudar, queria ver o que ela faria. Só iria considerar mudar quando o filho voltasse do trabalho. Se ela tivesse coragem, que tentasse mudar tudo à noite.
Com essa ideia na cabeça, Jia tirou um ovo do bolso, descascou rapidamente e comeu.
Zhang Xiaoyan saiu do pátio e foi até a administração do bairro. Ontem tinha se esquecido, mas lembrou que precisava reformar a casa. Claro que uma reforma grande era impossível, mas algumas mudanças, como nas janelas, eram necessárias. Sem uma grade de ferro, não havia segurança.
Na administração, foi atendida pelo diretor Wang. Após ouvir as razões de Zhang Xiaoyan, considerando que ela era uma mulher solteira vivendo sozinha, assinou o pedido rapidamente e ainda foi generoso ao fornecer o arame grosso necessário.
Agradecida pela atenção, Zhang Xiaoyan recebeu o arame, mesmo enferrujado em alguns pontos, sabia que poderia usá-lo para fazer uma grade de proteção e, quando possível, faria um tratamento para remover a ferrugem.
Ao sair da administração com o arame na mão, voltou para o pátio, onde a carroça dos móveis acabava de chegar.
— Camarada Zhang, você mora aqui mesmo?
— Sim, moro no quintal dos fundos. Preciso da ajuda dos senhores para carregar os móveis.
— Sem problema, siga na frente que a gente acompanha.
O carregador respondeu prontamente, descarregando a carroça e entrando. Zhang Xiaoyan apressou o passo e foi à frente para abrir o caminho.
— Não esperava que essa mulher fosse tão rica. Esses móveis devem ter custado um bom dinheiro!
— Meu gaveteiro também quebrou, queria comprar um novo, mas não sei o preço.
— Você não percebeu que são móveis usados? Devem ter vindo do mercado de segunda mão, não deve ter custado muito.
— Chegou fazendo festa, mas cadê a família dela?
— Esses bancos parecem novos. Essa madeira é de qualidade, parece resistente.
As mulheres do bairro se reuniram em volta, com suas agulhas na mão enquanto comentavam e davam pontos de vez em quando, sem parar de falar.
— A porta está trancada! Camarada Xiao Zhang, abra logo essa porta!
A líder, estranhando a porta fechada, chamou para que abrissem, achando que a jovem tivesse esquecido de destrancar.
— Bang!
Sem dizer palavra, Zhang Xiaoyan pegou um martelo na gaveta da escrivaninha nova e bateu na fechadura.
— Wang, por favor, jogue fora todo o lixo que está dentro, pode deixar no canto vazio da parede.
Depois de arrombar a fechadura, empurrou a porta com força e falou com os carregadores.
Eles eram profissionais, contratados para o serviço, não se importavam com detalhes além de confirmar que a casa pertencia a Zhang Xiaoyan. Concordaram e esperaram.
Quatro homens vieram: um ficou do lado de fora para vigiar, três rapidamente empilharam o lixo do interior no quintal e começaram a carregar os móveis para dentro.
Em pouco tempo, os dois carregamentos estavam dentro da casa.