Capítulo Quatro: Um Compromisso Temporário
Após o policial terminar de falar, deu mais algumas recomendações aos três chefes do condomínio e, em seguida, encerrou a ocorrência e foi embora.
Durante todo o processo, após o retorno de Yi Zhonghai, a Sra. Jia permaneceu em silêncio. Não se sabe o que ele lhe disse, mas, sempre que ela tentava abrir a boca, era impedida por ele. Ela aceitava tudo o que o policial dizia sem qualquer objeção.
— Todos ouviram, não é? O policial foi claro: não façam o que não deve ser feito. Continuo dizendo que somos todos vizinhos, devemos ser unidos, gentis, respeitar os mais velhos e cuidar dos mais novos. No futuro, evitem ao máximo incomodar os policiais. Afinal, são apenas pequenas questões e vivemos todos aqui no mesmo pátio, nos vemos todos os dias; não fica bem levar as coisas para um nível maior. Muito bem, todos podem voltar aos seus afazeres, vamos dispersar!
Yi Zhonghai não se deu ao trabalho de acompanhar os policiais como os outros dois chefes fizeram. Em vez disso, após a partida deles, proferiu um discurso inflamado diante da multidão, lançando olhares ocasionais para Zhang Xiaoyan. Quando a maioria das pessoas se dispersou, ele se aproximou com seu sorriso característico de homem bondoso:
— Camarada Zhang Xiaoyan, sou o chefe responsável aqui, o "Primeiro Chefe" escolhido por todos. Em nome dos vizinhos, dou-lhe as boas-vindas ao nosso pátio. O desentendimento de agora pouco já passou, espero que não guarde mágoas. Se precisar de algo, pode procurar o Segundo Chefe, que está ali atrás, ou me encontrar no pátio central. Qualquer um de nós pode ajudá-la. Os policiais são muito ocupados, é melhor resolvermos as coisas internamente, não acha?
— Concordo, acho que tem razão — respondeu Zhang Xiaoyan com um sorriso enigmático. — No entanto, como a senhora aqui tentou usurpar minha casa à força e ainda me insultou, isso configura agressão pessoal e, por lei, é um delito. Gostaria de saber como os três chefes lidam com quem infringe a lei. Precisamos chamar a polícia novamente?
— Que história de delito é essa? São apenas pequenas desavenças de vizinhança — respondeu Yi Zhonghai. — A Sra. Jia ficou viúva cedo e criou o filho com muita dificuldade, por isso os vizinhos costumam ser compreensivos e não levam a mal. Ela realmente não deveria ter xingado, isso merece uma crítica, mas falar em usurpação de moradia é um exagero. A casa estava vazia, a família dela apenas acumulou alguns objetos ali. Como você apareceu de repente, eles ficaram confusos e acabaram causando esse alvoroço. Vou providenciar para que desocupem o local agora mesmo. Espere um momento, camarada Zhang Xiaoyan! Garanto que a casa estará livre hoje e amanhã você poderá se mudar.
A Sra. Jia não gostou nada disso. Ela tinha acabado de levar dois tapas e ninguém a defendeu! A crítica vaga do policial não serviu para nada, e agora ainda teria que devolver a casa. Cheia de rancor, ela pensou que Yi Zhonghai também era um inútil. Olhou em volta e não viu seu filho; perguntava-se onde ele teria se metido. Nem voltava para casa depois do trabalho, e ela sentia um certo ressentimento por ele não estar ali para defendê-la.
Ainda assim, ela dependia de Yi Zhonghai para certas coisas. Após ponderar, decidiu ceder a casa por enquanto. De qualquer forma, estava determinada a expulsar aquela mulher do pátio cedo ou tarde. Ao olhar para o rosto claro e bonito da jovem, a Sra. Jia arquitetava planos, decidindo que, quanto aos tapas que levou, faria o filho se vingar.
— Sra. Jia, ouviu o que o policial disse, não ouviu? Vá logo esvaziar a casa. Onde estão Qin Huairu e seu filho?
— À tarde os vegetais são mais baratos, mandei Qin Huairu ir comprar. Quanto ao meu filho, ele sempre volta com você do trabalho. Se você não sabe onde ele está, como eu saberia?
— Dongxu não veio pelo mesmo caminho que eu, disse que tinha algo para resolver e saiu mais cedo. Achei que ele já tivesse chegado. Bem, abra a casa e comece tirando as tralhas, o resto o casal que resolva.
— Você fala como se fosse fácil! Para onde vou levar tanta coisa? Não vou terminar tão cedo, ela que espere. Quando eu terminar, devolvo a casa.
Yi Zhonghai olhou para ela, sem palavras. Será que ela achava que os outros eram tolos?
— Algumas dessas coisas são inúteis. O que for madeira velha, peça para Dongxu cortar para lenha. O que for lixo, jogue fora. Selecionando bem, não sobrará quase nada.
— É fácil falar! Algumas coisas não uso agora, mas e se precisar depois? Vou ter que gastar dinheiro comprando novas?
Zhang Xiaoyan não quis ouvir mais aquela discussão. Apenas reforçou que se mudaria amanhã e foi embora.
Sua partida foi decidida, mas o pátio ferveu. Desde o momento em que ela chegou até a hora em que todos já estavam deitados, o assunto não mudou.
— Aquela moça era muito bonita, não era? Será que já tem pretendente? — perguntou a esposa do Terceiro Chefe, deitada, tentando descansar após um dia exaustivo, enquanto falava com o marido, que quase dormia.
— E se tiver ou não, o que você tem a ver com isso? Com aquele temperamento, acha que seu filho daria conta dela? — O Terceiro Chefe despertou o interesse por um momento, mas logo lembrou do que aconteceu e perdeu a vontade de continuar. A esposa concordou e virou-se para dormir.
No pátio dos fundos, na casa do Segundo Chefe, o assunto também era Zhang Xiaoyan.
— Nosso filho foi esperto em pegar aquela nota de um yuan logo de cara. Que sorte! Quem é essa tal de Zhang Xiaoyan? Tão generosa...
— Ela é a nova contratada da enfermaria da fábrica. Como assim nosso filho ganhou um yuan e não entregou para o pai? Guangtian, Guangfu, venham aqui agora!
O Segundo Chefe ficou furioso. Aquele valor equivalia a quase meio dia de trabalho. Ele achou um absurdo o filho não ter entregue o dinheiro. Pensou que, definitivamente, seu sustento na velhice dependeria do filho mais velho.
— Rápido, papai está nos chamando! — disse Liu Guangtian, o irmão mais velho, engolindo em seco com um tom de ressentimento.
— O dinheiro está com você, não é meu. Vá você! — respondeu Liu Guangfu, sem querer sair de debaixo das cobertas.
Sem escolha, Liu Guangtian respondeu ao chamado enquanto vestia a roupa e pegava o dinheiro. Felizmente, tinha sido esperto o suficiente para trocar a nota de um yuan por duas de cinquenta centavos.
— Pai, aqui estão cinquenta centavos. Tinha quase esquecido. — Ele entrou no quarto com um sorriso forçado.
— E o resto do dinheiro? — perguntou Liu Hai Zhong, com o rosto fechado.
— O resto deixei para mim, afinal, fui eu quem correu atrás. Amanhã irei ao campo comprar alguns ovos para o senhor. O senhor trabalha tão duro, eu vi e quero que se fortaleça.
O Segundo Chefe, sentindo uma ponta de satisfação, respondeu: — Hum! Pelo menos você tem consciência. Tudo bem, como demonstrou ser um filho filial, não vou te bater hoje. Amanhã, tente trazer o máximo de ovos que puder, e peço para sua mãe fritar um para você.
Liu Guangtian abriu a boca para tentar argumentar, mas o pai fez um gesto impaciente. Sem escolha, ele voltou para o quarto, sabendo que, se falasse mais uma palavra, levaria uma surra.
— Filho, o que vamos fazer? A casa que eu tinha reservado para o meu neto foi usurpada por aquela pequena megera sem vergonha. Ela é completamente irracional e ainda deu dois tapas na sua mãe. Você tem que se vingar por mim!