Capítulo Dezessete: Rebater e Fugir
Zhang Xiaoyan, ao ouvir aquelas palavras, sentiu que estava prestes a explodir de raiva. Será que achavam que, por ser nova, seria fácil de intimidar? Na longa fala, repetiram várias vezes a palavra "nova", claramente querendo provocar confusão.
Assim que Yi Zhonghai terminou de falar, todos os olhares se voltaram para Zhang Xiaoyan. Ela, olhando para a arrogante e feroz senhora Jia no meio da multidão, deu uma risada desdenhosa.
Quem não estava envolvido assistia com interesse, mas Yi Zhonghai sentia que estava sendo provocado, e Liu Haizhong também. Quanto ao terceiro senhor, ele apenas queria ver o que aconteceria.
— Antes mesmo de me mudar para cá, ouvi dizer que vocês são o primeiro, segundo e terceiro senhores deste pátio, três chefes importantes, que impressionante! — Zhang Xiaoyan rebateu. — Que autoridade é essa para dizer quem tem culpa e quem não tem? Nem nossos grandes líderes agem assim.
— Por que me multam dez yuans? Quem lhes deu esse poder? Mostrem o documento oficial da prefeitura para eu ver se vocês têm direito de aplicar multas à vontade.
— Acham mesmo que eu sou um ignorante que vai aceitar qualquer coisa? É assim que vocês querem ser um "pátio modelo"? Acham que só vocês têm direito a prêmios de coletivos avançados?
— Ainda ficam repetindo que sou nova e não conheço as regras? Que regras são essas? Eu, uma jovem que conhece a lei, cumpre a lei, é sensata e esforçada, para vocês sou a desregrada?
— Essas regras do pátio, quem as estabeleceu? Sua família Yi? Ou a família Liu? Ou a família Jia?
Os citados ficaram surpresos e não ousaram responder. Quem teria coragem de admitir isso?
No instante em que Zhang Xiaoyan falou, Yi Zhonghai percebeu que havia cometido um erro ao convocar uma reunião geral do pátio para criticar o outro lado, quando deveria ter usado outro método. Mas, já estando naquele ponto, não havia como voltar atrás.
— Pare de falar besteira! Eu digo que você não se dá bem com os vizinhos, bate em idosos e crianças, e ainda joga as coisas da família Jia no pátio — rebateu Yi Zhonghai.
— O que significa se dar bem com os vizinhos? Com vizinhos que ocupam minha casa e não devolvem? Não quero esse tipo de vizinho! Se gostam deles, que levem as coisas deles para casa, por que fingir ser bonzinho aqui?
— Quanto a bater em idosos e crianças, nunca vi nenhum deles falando palavrões, manchando a reputação alheia, ou partindo para a agressão assim que abrem a boca. O que seria, então? Que eu fique parada, e que eles me agridam até me ferirem ou matarem para ser considerado boa vizinhança? Isso é uma piada!
— Meu professor, meus líderes, minha educação jamais me ensinaram essas regras.
— Você deve ser bem mais velho que eu, não é? Para você, sou uma criança. Então, se eu quiser lhe dar uns tapas, você não vai reagir, não vai se importar, certo? — disse Zhang Xiaoyan com um sorriso malicioso.
Yi Zhonghai se arrependeu profundamente. Não esperava que ela fosse tão afiada. Pelas expressões dela, talvez até fizesse isso mesmo. Ele rapidamente deu um sinal para seu principal capanga, o primeiro dos seus homens.
Mas todos sabiam como era He Yuzhu: primeiro, ele nunca batia em mulher; segundo, jamais batia em mulheres bonitas.
Zhang Xiaoyan não era uma beleza estonteante, mas os dois mestres que a criaram cuidaram bem dela. Nunca passou por falta de comida e, para a época, se fosse para avaliar, certamente teria nota acima de 80.
Se não fosse pela inteligência da dona original, que a levou a se disfarçar durante todo o caminho, ninguém saberia onde estaria sua alma agora. Depois de lavar o rosto e o cabelo, ela estava ainda mais bonita.
He Yuzhu, meio confuso, ao ver Zhang Xiaoyan, esqueceu até seu próprio nome e ficou paralisado. Seu próprio primeiro senhor foi deixado de lado, pois ele não prestava atenção em ninguém, só dava sinais para ele com os olhos.
Yi Zhonghai, vendo que não havia reação, lembrou-se dos defeitos de He Yuzhu. Irritado, mas sem alternativas, disse:
— Por que ninguém fala nada? Achei que essa reunião geral servisse para nos passar as orientações superiores, para elevar nosso pensamento e enriquecer nosso espírito. Mas não esperava que fosse assim.
— Amanhã vou à prefeitura reclamar de como você está conduzindo esse primeiro senhorado! — retrucou Zhang Xiaoyan.
Sem força para usar violência, ela apenas usava sua determinação para confrontar. Sabia quando parar para não provocar a ira deles a ponto de ser denunciada na prefeitura. Após despejar suas palavras, pegou seu banquinho e foi embora.
O terceiro senhor ficou amargo. Não esperava que a garota fosse tão obstinada, não aceitava nem uma injustiça! Agora, a confusão estava garantida. Ele sorriu levemente, segurando uma xícara de chá com as mãos aquecidas, olhando para os outros dois:
— Velho Yi, velho Yi, da próxima vez que chamar reunião, pelo menos avise a gente antes. Fiquei sem saber o que dizer.
E saiu rapidamente, sem querer enfrentar aquele rosto carrancudo, mas ainda assim, descarregou a culpa do erro nos outros, o que era meio verdade.
Liu Haizhong, furioso e sem palavras, ao ouvir o terceiro senhor, lançou um olhar fulminante para Yi Zhonghai e foi embora. Quanto às coisas deles, seus filhos já as tinham levado para casa, então nem precisavam se mexer.
Yi Zhonghai não esperava que a situação fosse assim e ficou nervoso. Ele sabia bem por que a prefeitura os nomeava chefes do pátio. Se esse problema chegasse até lá, ele estaria acabado.
Achava que a outra parte era apenas uma garotinha nova e que um pouco de intimidação a faria obedecer, mas não esperava uma tigresa. Por um momento, ficou completamente perdido.
Ouvindo os comentários ao redor, ele não tinha mais rosto para ficar ali, sentindo que sua autoridade se esvaía como fumaça.
Olhou ao redor, insatisfeito, e então voltou para dentro.
— Ei! Agora sim vai ter diversão! Quem diria que a vizinha nova fosse tão valente! — comentou alguém.
— Pois é, ontem ela já avisou que ia se mudar para cá. Eu vi tudo, do começo ao fim. A família Jia perdeu feio — disse outro.
— O que aconteceu? Conta aí! Acabei de sair do trabalho e nem jantei ainda! — perguntou outro curioso.
— Nem comeu e quer saber? Foi tudo por causa deles. Disseram que iam fazer reunião, e você ia faltar?
— Tá bom, fala logo. O que houve hoje? Quero ir pra casa comer antes que a comida esfrie e eu engasgue — pediu outro.
A multidão comentava animadamente, claramente vendo tudo como um espetáculo. E todos concordavam em uma coisa: essa nova moradora era difícil de lidar.
— Voltou à vida! Olha só esse pervertido, a pessoa já foi embora e ele ainda fica olhando — brincou Xu Damao, feliz da vida. Ele odiava os três senhores, pois sempre que brigava com eles, era Yi Zhonghai quem puxava a briga, fazendo ele sofrer muito.
— Ainda bem que tem essa vizinha nova. Pena que estou casado, e ainda por cima vizinho, senão não teria medo — pensou.
Apesar do que pensava, nada o impedia de assistir à confusão dos rivais. E ao ver He Yuzhu ficar bobo diante de Zhang Xiaoyan, não pôde deixar de rir com desprezo.
Ele não esperava que, depois que todos saíssem, aquele bobo ainda não tivesse percebido o que acontecia. Sendo rival, como poderia perder a chance de rir da cara do oponente? Por isso, foi até ele e acenou a mão diante dos olhos dele.