Capítulo Doze: Os Primeiros Sinais de Bravura

Após o Fracasso na Tribulação Liu Chengfeng 2566 palavras 2026-03-04 14:50:37

— Senhor Feng, vamos trocar de sala. — Vendo alguns homens levarem Feng Tao para fora, o mordomo Xu falou. Aquele jovem tinha uma posição especial; recebê-lo bem era o caminho mais seguro.

Feng Yang não respondeu, apenas assentiu com a cabeça. Ele mesmo não era exigente, mas naquele dia precisava daquele tratamento especial.

Ele já suportava a família Feng por tempo demais!

— Ei, vocês aí, por que estão saindo desse camarote? Acham que esse tipo de sala é para qualquer um?

Nesse instante, uma voz soou. Um homem de meia-idade se aproximou carregando uma bandeja com uma garrafa de vinho tinto. A garrafa era requintada, coberta de letras em inglês, claramente de alto valor.

— Estou falando com você mesmo, vestido como um mendigo! Só porque se chama Feng, acha que é o jovem senhor Feng? — O homem de meia-idade falou de novo; era o gerente Qin de antes.

— Que ousadia! Que modos são esses?! — O mordomo Xu franziu a testa e repreendeu.

— E você quem é... — O gerente Qin respondeu desdenhoso, mas ao encarar o rosto sombrio do mordomo Xu, engoliu o resto da frase.

— Senhor Xu... — O gerente Qin estremeceu, o medo estampado em seu olhar. Não era para menos: aquele era o mordomo pessoal do homem mais rico de Jiangbei, alguém a quem todos deviam respeito naquela cidade. E, mais importante, diziam que o verdadeiro dono do KTV Jinhuang era ele.

— Pegue suas coisas, acerte suas contas com o financeiro e suma daqui agora! — A sentença foi como um golpe para o gerente Qin, que ficou desesperado. O salário ali não era baixo, e como gerente, recebia um ótimo fixo mais comissões. Para onde conseguiria emprego igual?

— Senhor Xu, o que fiz de errado? Segui suas ordens e levei o jovem Feng para o camarote da Rainha, ainda dei de presente uma garrafa de Lafite, do meu bolso! — O gerente Qin tentou se explicar, ofendido.

— Levou o jovem Feng para o camarote da Rainha? — O mordomo Xu soltou um sorriso frio e fez um discreto gesto com a mão direita, sem tocar em Feng Yang, mas deixando claro que se referia a ele.

— Este é o verdadeiro jovem Feng!

— O quê? — O gerente Qin ficou atônito, tomado de espanto. Jamais imaginaria que aquele rapaz de roupas simples era o verdadeiro herdeiro dos Feng. Mas o pior nem era isso: acabara de humilhar justamente alguém que até o senhor Xu respeitava!

Desabando de joelhos, o gerente Qin suplicou:

— Jovem Feng, me perdoe! Fui cego e não reconheci a montanha diante de mim, eu... eu...

Feng Yang não reagiu muito diante daquela cena; já estava acostumado com tipos interesseiros como ele.

Deu mais alguns passos, mas então parou e apontou para um grupo que descia as escadas com dificuldade, esboçando um leve sorriso.

— Mande aquele pessoal pagar a conta. Se fizerem isso, não levarei o caso adiante.

O rosto do gerente Qin se iluminou na hora. Ergueu-se num salto:

— Ei, vocês aí! Seus desgraçados, fingiram ser o jovem Feng para me enganar, agora querem sair sem pagar? Nem pensem!

Mesmo com o barulho do KTV, sua voz firme foi ouvida por muitos.

Os homens que desciam as escadas empalideceram. Principalmente Feng Tao, que primeiro ficou surpreso e depois começou a se debater violentamente.

Desde que fora retirado do camarote, mantivera-se calado — sabia que, se descobrissem que o herdeiro da família Feng fora expulso, seria uma vergonha não só para ele, mas para toda família. Por isso, deixou-se levar sem protestar, mesmo sendo visto por outros.

Mas o grito do gerente Qin certamente atrairia atenção. O escândalo não teria como ser abafado.

E de fato, várias portas de camarotes começaram a se abrir.

— Ei, aquele parece o Feng Tao, da família Feng. Por que estão carregando ele?

— Ouvi dizer que não pagaram a conta...

— Não pode ser, será que o primogênito dos Feng não tem dinheiro pra pagar?

Os comentários deixaram Feng Tao de rosto lívido. Aquela noite prometia ser a maior humilhação de sua vida.

— Jovem Feng, venha comigo, vamos ao salão do Imperador — disse o mordomo Xu, em tom baixo, mas suficiente para ser ouvido por muitos.

— Salão do Imperador!

— Céus, ouvi bem?

Imediatamente, todos os olhares se voltaram para eles. No KTV Jinhuang, havia vários níveis de camarotes: popular, nobre, da Rainha e do Imperador. O primeiro era o mais acessível, mas ainda caro; o segundo, para poucos, custava dezenas de milhares; o da Rainha, mais de cem mil. Mas o do Imperador era um mistério — desde a inauguração, ninguém jamais entrara lá, nem mesmo os mais influentes.

— Quem serão afinal essas pessoas? — Alguém murmurou, olhos arregalados. Mas, logo após a fala do mordomo Xu, Feng Yang virou-se, deixando para trás apenas sua silhueta.

— Parece um jovem...

— Desde quando apareceu alguém tão importante assim em Jiangbei?

— Preciso descobrir imediatamente quem é!

Alguns mais espertos já puxavam o telefone para buscar informações.

— Alô, tio, sabe se chegou alguém importante em Jiangbei?

— Primo, você que é bem informado, me diz: veio alguém de destaque da capital pra cá?

Era uma oportunidade única: fazer amizade com o herdeiro do salão do Imperador poderia mudar o destino de qualquer um.

Feng Yang não sabia, mas mesmo querendo ser discreto, naquela noite Jiangbei foi tomada por rumores.

— Feng Yang, você não será mesmo um herdeiro de família tradicional, será? — sentada no sofá de couro macio, Ning Jing perguntou baixinho. Para ela, tudo parecia um sonho.

Mesmo sem entender muito daquele mundo, percebia que o jovem a quem todos chamavam de “Jing Jie” era especial.

— Que herdeiro o quê, Jing Jie! Já viu algum herdeiro trabalhando? — Feng Yang riu. Seus colegas nunca acreditavam em seu passado, e para ele, assim era melhor.

— Falando sério, quem nos trouxe até aqui foi o mordomo do homem mais rico de Jiangbei. Só salvei a vida dele uma vez.

— Ah, entendi — respondeu Ning Jing, um pouco desapontada.

— Já disse, Xiao Jing: no máximo, o Xiao Feng tem uma família com algum dinheiro. Esse papo de herdeiro está longe da nossa realidade. Olha os ricos de verdade: todos andam de grife! — comentou Song Xue.

— Exato, Song Jie tem olho clínico — concordou Feng Yang.

— Chega de papo, vamos cantar! Só estamos usando esse equipamento incrível graças ao Xiao Feng. Não aguento mais esperar!

Cantaram até às nove e meia da noite, quando finalmente deixaram o KTV. Feng Yang recusou a oferta de Wang Beiyi de levá-lo até a emissora, preferiu pegar um táxi. E foi justamente nesse momento que, no aeroporto de Wangqing, um jovem usando uma camiseta Givenchy estampada desembarcava.

— Jovem mestre, é só um ator, precisava mesmo vir até aqui? — perguntou um dos capangas atrás dele.

— O que você entende de estratégia? — O jovem deu um tapa na cabeça do subordinado, repreendendo-o.

— Só assim demonstro minha sinceridade. Além disso, para entrar em Wangqing, precisamos de aliados, como Chen Yunsheng, o homem mais rico de Jiangbei.

— Jovem mestre, e se ele não quiser cooperar?

— Cooperar ou não, não cabe a ele decidir!