Capítulo Dezenove: Vou te mostrar o mundo
Os faróis do carro piscavam, deixando Li Mingyue e sua amiga completamente boquiabertas.
Um Porsche 911!
Ambas sabiam bem quanto valia aquele carro, um luxo entre os luxos. Mesmo vindo de famílias abastadas, adquirir um veículo daqueles não era tarefa simples para elas.
Afinal, possuir e manter um carro desses são conceitos bem diferentes!
— Mingyue, olha só aquele carro... — exclamou Qi Jiuyue, com os olhos cheios de espanto. Quem podia dirigir um carro daqueles era, sem dúvida, alguém rico ou poderoso. Não imaginava que Feng Yang tivesse tanta sorte a ponto de conquistar uma namorada assim.
O rosto de Li Mingyue também estava sombrio, mas ela continuou irredutível.
— Feng Yang, homem de verdade depende de si próprio. Viver às custas de mulher não é mérito algum! Meu namorado é muito melhor que você!
Feng Yang franziu a testa, já sem paciência. Quando estava prestes a responder, a mulher ao seu lado agarrou-lhe o braço.
— E o que há de errado em viver às custas de alguém? Isso também é uma habilidade! Quero ver se você consegue fazer seu namorado depender de você! Além disso, concordo plenamente com o que meu namorado disse: sou infinitamente mais bonita que você!
— Você... — Li Mingyue, furiosa, ainda tentou rebater, mas a mulher de vestido tradicional nem lhe deu atenção, puxando Feng Yang consigo e indo embora.
— Viu só, é mesmo um inútil! — resmungou Li Mingyue ao vê-los se afastar. Depois ergueu o queixo, altiva como um cisne.
— Aquele almofadinha queria estar à minha altura? Pois saiba que meu namorado agora é Jiang Shaofeng!
Jiang Shaofeng!
Ao ouvir o nome, um lampejo de surpresa brilhou nos olhos de Qi Jiuyue, que logo perguntou:
— Mingyue, você está com Jiang Shaofeng?
— Sim — respondeu Li Mingyue, com um sorriso tímido, mas claramente orgulhosa.
Naquela região de Jiangbei, Jiang Shaofeng era uma figura de respeito. Filho de família rica, mas sem ser um playboy. Um dos dez jovens mais notáveis de Jiangbei, ídolo de inúmeras jovens.
— Uau, parabéns!
— Parabéns nada! Venha, vou te levar para jantar no Mansão do Ébrio Imortal! — Li Mingyue acenou com a mão, cheia de autoconfiança.
— No Mansão do Ébrio Imortal? Você ficou louca? — exclamou Qi Jiuyue. — Aquilo sim é um covil de gente rica!
— Hehe, Shaofeng é executivo lá agora. Ganha mais de um milhão por ano. Vamos lá prestigiar! — Li Mingyue sorriu satisfeita.
— Ah, então é só para ver seu namorado mesmo! — brincou Qi Jiuyue, com um olhar de inveja.
— Shaofeng só tem 23, não é? E já fatura milhões ao ano. Não é à toa que é um dos melhores de Jiangbei!
— Claro! Por isso digo que ele é muito melhor que Feng Yang, aquele inútil. E Shaofeng está no Mansão do Ébrio Imortal apenas temporariamente. Ele quer empreender, está ali só para fazer contatos...
...
— Irmãozinho, mais uma vez a irmã te ajudou muito! Como vai me agradecer? — no Porsche, a mulher de vestido tradicional sorria, lábios vermelhos acentuando sua beleza sedutora.
Feng Yang reclinava-se despreocupado no banco, mas seus olhos estavam semicerrados.
— Não tem medo de elas espalharem que a grande estrela An Hongdou tem namorado? Vai partir o coração de muitos fãs... — Sim, aquela mulher era ninguém menos que An Hongdou.
O fato de ela aparecer de novo o deixava em alerta. Será que aqueles caras já haviam restringido a busca a Jiangbei?
— Ora, que olhar é esse? Ajudei tanto você, não deveria me agradecer? — An Hongdou se aproximou ainda mais, lambendo os lábios vermelhos.
Sentindo o perfume sutil dela, Feng Yang desviou-se, encostando-se ao outro lado do banco. Aquela mulher realmente não era simples!
— Ha! Medroso, acha que vou te devorar? — An Hongdou riu, seu rosto delicado repleto de alegria. Logo depois, afastou-se e olhou para frente, dizendo:
— Vamos, hoje a irmã vai te levar para jantar!
— Não deve ser apenas jantar, não é? — Feng Yang semicerrava os olhos.
— Hehe, você é esperto! Quero que me faça um pequeno favor... — os olhos dela se estreitaram como luas crescentes, e ela ria animada.
— Mingyue, olha lá! Aquele não é o mesmo Porsche de antes? — dentro do BMW, Qi Jiuyue apontava o carro vermelho à frente.
— É mesmo! — Li Mingyue arregalou os olhos surpresa. O Porsche já tinha ido embora há um tempo, mas não tinha ido longe.
— Será que eles também vão ao Mansão do Ébrio Imortal? — murmurou Qi Jiuyue.
— Que nada! — resmungou Li Mingyue. — Aquilo lá é caríssimo, como ele poderia... — Parou no meio da frase. Ia dizer que Feng Yang não teria condições, mas lembrou que agora ele estava com uma mulher rica.
— Olha, eles realmente estão virando ali!
— Pois melhor ainda! — Li Mingyue bufou e pisou fundo, fazendo o BMW avançar com um rugido, quase atropelando um idoso.
— Tá cega, garota! — gritou o velho.
— Quero que aquele inútil do Feng Yang veja a diferença entre ele e meu namorado!
— Você não vai me dizer que está me levando ao Mansão do Ébrio Imortal, vai? — perguntou Feng Yang, no banco do passageiro.
— Claro que sim! É o restaurante mais famoso de Jiangzhou, sempre quis conhecer! — respondeu An Hongdou, sorrindo.
— Só avisando, não tenho dinheiro! — disse Feng Yang, abrindo as mãos em sinal de desdém, mas um brilho estranho passou por seu olhar. Da última vez ela também mencionou esse restaurante, agora o levava diretamente para lá. Estaria tentando testá-lo?
Será possível que ela soubesse que o verdadeiro dono do Mansão do Ébrio Imortal era ele mesmo?
Impossível. Tudo era tratado secretamente por Chen Yunsheng. Nem ele nunca aparecera no restaurante!
— Fique tranquilo, você não vai gastar nada. Para falar a verdade, sou membro platinum aqui! — disse ela, exibindo uma carteirinha do tamanho de um cartão de crédito, de platina, cheia de arabescos. No canto inferior esquerdo, uma sequência de números e, ao centro, um elaborado caractere de “imortal”.
— Só esse cartãozinho custou mais de um milhão! — disse ela, com ar de dor, sem notar o olhar estranho de Feng Yang.
Ele conhecia esse cartão melhor do que ninguém: bronze, prata, ouro, platina e diamante. No Mansão do Ébrio Imortal não se vendia cartões de sócio; só eram dados como brinde para grandes consumidores.
— Chegamos! Vamos, hoje vou te mostrar algo extraordinário! — disse An Hongdou, erguendo o cartão com um sorriso travesso, leve como uma fada entre as flores.