Capítulo Vinte e Dois: Este cartão, eu também tenho um
— Esta não é a primeira vez que entro no Pavilhão do Ébrio Imortal — disse Feng Yang, sorrindo suavemente. A simples frase fez com que Chu Xueliang, que acabara de recolher a mão, ficasse paralisado.
O olhar de An Hongdou também se estreitou. Feng Yang não era alguém simples, ela sentira isso desde o primeiro encontro, razão pela qual aceitara ajudar na emissora de Jiangbei. Por esse mesmo motivo, escolhera Feng Yang como escudo.
Jiang Shaofeng dizia que Feng Yang era um jovem aristocrata vindo da Capital Imperial, embora ele próprio negasse. Mas agora parecia que era realmente de lá!
— Que astuto! — murmurou An Hongdou, com os lábios curvados num sorriso encantador, capaz de fascinar qualquer um.
— Mas, como já disse antes, quando voltarmos a nos encontrar, vou arrancar sua pele e seus nervos!
— O quê? — Chu Xueliang se recompôs e caiu na risada, inclinando-se para frente e para trás, com exagero. Será que esse garoto sabia o que estava dizendo?
— Ora, então estou curioso para ouvir. Quando foi que você esteve aqui no Pavilhão do Ébrio Imortal? — perguntou Chu Xueliang, com sarcasmo, sem dar tempo para Feng Yang responder, continuando:
— Quanto gastou? Foram alguns milhares, ou dezenas de milhares?
— Não gastei nada — respondeu Feng Yang, balançando a cabeça, com indiferença. Afinal, o Pavilhão do Ébrio Imortal era seu empreendimento, como poderia pagar?
— Ah, essa é boa! — riu Chu Xueliang, divertindo-se.
— Não gastou nada? Se vai inventar histórias, faça direito!
Um lugar como o Pavilhão do Ébrio Imortal cobrava trezentos por um prato de macarrão, uma refeição era um valor absurdo. E esse garoto diz que não gastou nada, será que veio pedir esmola?
An Hongdou ficou surpresa. Como membro platinum, conhecia as regras do lugar: quem entrasse, mesmo sem pedir nada, apenas sentando, pagaria mil. Como alguém poderia entrar sem gastar?
— Senhor, para que perder tempo com ele? Você não é membro? Chame logo alguém para expulsá-lo! — disse o comparsa de Chu Xueliang, já arregaçando as mangas, ansioso para agir.
— Você não vai fazer isso, ele é meu namorado! — protestou An Hongdou, com os olhos cheios de dúvida. Feng Yang era, sem dúvida, alguém especial, mas suas palavras estavam cheias de contradições. O Pavilhão do Ébrio Imortal cobrava de todos, sem exceção!
— Ei! — Chu Xueliang fez um gesto para deter o comparsa e virou-se, com expressão solene, para repreender:
— O que está fazendo? Como sempre digo, temos que ser compreensivos. Se ele nunca veio, não conhece as regras. Como clientes frequentes, não podemos simplesmente trazê-lo, mas também não podemos ridicularizá-lo. Devemos instruí-lo.
— Sim, sim, senhor, está certo. Vou lembrar disso! — respondeu o comparsa rapidamente.
— Desculpe, meu ajudante não conhece as regras — disse Chu Xueliang, olhando para Feng Yang, e prosseguiu:
— Como cliente frequente, sinto-me na obrigação de lhe explicar como funciona aqui.
— O Pavilhão do Ébrio Imortal, de quem é esse negócio? Dizem que é de um jovem aristocrata da Capital Imperial, outros afirmam que pertence a Chen Yunsheng, o mais rico de Jiangbei, e há quem diga que é propriedade de algum líder da montanha. Mas isso não importa. O que precisa saber é que o dono é alguém extraordinário, uma verdadeira potência!
Essas palavras fizeram Feng Yang sorrir. Não imaginava tantas versões, então pegou novamente a xícara de chá.
Chu Xueliang ficou incomodado. Depois de falar tanto, o rapaz permanecia inabalável; isso não podia ser. Para destruir alguém de verdade, era preciso primeiro abalar seu espírito!
— Só as folhas de chá em sua xícara são colhidas em Anxi, cidade do chá. A colheita deve ocorrer às oito e quinze da manhã, quando o orvalho ainda não se dissipou, feita por jovens donzelas, e apenas um dia por mês, durante sete minutos, para preservar o sabor original. Sabe quanto vale esse gole que acaba de tomar?
— Não passa de algumas folhas de chá, nada tão extraordinário — respondeu Feng Yang, balançando a cabeça.
— Algumas folhas de chá? Você tem noção do que está dizendo? Nunca viu coisa igual!
— Falta de experiência? — Feng Yang sorriu.
— Não sei de onde tirou essas histórias, mas posso lhe garantir que o dono do Pavilhão do Ébrio Imortal é um jovem de menos de vinte anos, e essas folhas, tão sofisticadas segundo você, são apenas chá comum, lavado por uma nascente.
— Ah, essa é ótima! — riu Chu Xueliang, com ar de desprezo.
— Garoto, sou membro diamante aqui, sabia? Isso me dá acesso a muitos segredos do lugar!
Dizendo isso, Chu Xueliang retirou do bolso uma carta e jogou sobre a mesa. Era semelhante à de An Hongdou, mas com material transparente, semelhante a um diamante, e no canto inferior esquerdo havia o número 99.
— Então, não precisa fingir diante de mim. Com essa carta, tenho o mais alto nível de tratamento VIP; expulsar você seria fácil, mas não fiz isso. Sabe por quê?
O olhar de Chu Xueliang pousou sobre Feng Yang, enquanto continuava:
— Estou lhe dando uma chance. Ser expulso publicamente seria vergonhoso. Por isso, tento fazê-lo entender a diferença entre nós. Agora percebe por que não é adequado para este lugar? Se insistir, não me responsabilizo!
Com um sorriso frio, Chu Xueliang encarou Feng Yang, surpreso com sua resistência, pronto para romper qualquer cordialidade.
An Hongdou ficou aflita. Nunca imaginara que Chu Xueliang era membro diamante, um nível acima do seu. Assim, ele realmente poderia expulsar Feng Yang!
O que fazer? Afinal, fora ela quem trouxe Feng Yang. De qualquer modo, era sua responsabilidade.
— Essa carta, é tão poderosa assim? — disse Feng Yang, sorrindo, enquanto An Hongdou se desesperava. A frase fez Chu Xueliang gelar o rosto, pronto para mostrar quem mandava.
Mas antes que pudesse dizer algo, Feng Yang sorriu ainda mais.
— Que coincidência, eu também tenho uma dessas! — disse, enfiando a mão no bolso e, após alguns instantes, retirou uma carta.
Só que a carta era preta, com apenas um número: 1.