Capítulo Vinte e Três: Acima do Diamante, Reina o Soberano!

Após o Fracasso na Tribulação Liu Chengfeng 2338 palavras 2026-03-04 14:50:43

Sobre a mesa, dois objetos que poderiam ser chamados de cartões de sócio estavam dispostos, um à esquerda e outro à direita. Ambos tinham o mesmo tamanho, mas um deles brilhava intensamente, como um diamante, enquanto o outro era negro e profundo, lembrando uma obsidiana. No cartão luminoso lia-se o número 99; já no negro, apenas o solitário número 1.

Por um instante, todos na sala ficaram atônitos.

Ninguém esperava que Feng Yang tirasse um cartão de sócio!

— Moleque, você está tirando a gente para bobo! — gritou Guo Song, aproximando-se em seguida.

— Todo mundo sabe que o Cartão de Sócio do Salão do Imortal Ébrio tem apenas cinco níveis: bronze, prata, ouro, platina e diamante, cada um feito do material correspondente! Você acha que somos ignorantes a ponto de acreditar em qualquer coisa que apareça?

Dizendo isso, Guo Song ostentava um sorriso frio, levantando a mão direita, pronto para acertar um tapa em Feng Yang.

Guo Song não era um mero acompanhante de Chu Xueliang; ele compreendia perfeitamente o papel de um servo fiel. Como agora, era o momento de agir! Diante de An Hongdou, o jovem senhor precisava manter a postura, e cabia ao criado fazer o papel do vilão. Assim, ao dar um tapa e expulsar o rapaz, preservava a imagem do patrão e ainda se mostrava eficiente perante An Hongdou — quem sabe até recebesse uma recompensa depois. Um plano perfeito!

— Seu idiota, acha que pode peitar o Jovem Chu? Está cansado de viver! — gritou, fazendo menção de desferir o golpe.

Porém, no instante em que a mão ia cair, alguém foi mais rápido e segurou-lhe o braço.

Guo Song ficou surpreso e, ao virar-se, viu que era ninguém menos que seu próprio senhor.

— Jovem senhor? — espantou-se, logo tentando se justificar.

— Esse moleque está passando dos limites, veio com um cartão falso só para nos enganar. Eu só queria dar-lhe uma lição!

— Que lição, nada! Sai da minha frente! — esbravejou Chu Xueliang, puxando Guo Song com força, quase derrubando-o. Mas não tinha tempo para se preocupar com isso. Naquele momento, seu rosto estava tomado pelo pânico, suor brotava da testa, e ele olhava para Feng Yang com evidente temor.

— Meu criado não sabe o que faz, por favor, não leve a mal. Eu peço desculpas! — disse, apressado e nervoso.

A cena pegou An Hongdou completamente desprevenida. O que estava acontecendo? De repente, Chu Xueliang parecia outra pessoa, pedindo desculpas a Feng Yang, inquieto, coberto de suor. Parecia... com medo de alguma coisa!

— Você disse que ia me expulsar? — Feng Yang perguntou, sorrindo para Chu Xueliang.

— Não, não, de forma alguma! — respondeu o outro, balançando a cabeça desesperado, percebendo que tinha se metido numa enrascada.

— Disse também que esta seria minha primeira e última vez no Salão do Imortal Ébrio? — voltou a perguntar Feng Yang, fazendo Chu Xueliang balançar a cabeça ainda mais rápido, como um chocalho.

— Não, não, não! — Se pudesse, Chu Xueliang se esbofeteava ali mesmo.

— E que eu sou muito inferior a você?

— Não, não é isso, eu... eu bebi demais hoje, falei bobagens, só falei bobagens! — respondeu, quase à beira da loucura, sentindo-se cada vez mais desconfortável diante do jovem e, sobretudo, diante daquele cartão negro sobre a mesa, que lhe causava um medo crescente.

Aquela aura negra parecia ter um poder hipnótico, como se fosse engolir-lhe inteiro. Afinal, quem era aquele sujeito, para possuir um cartão daqueles?

— Bebeu demais? Então suma daqui! — a voz de Feng Yang soou muito mais alta, o insulto direto soando quase como uma redenção para Chu Xueliang.

— Obrigado, obrigado, já estou indo! — E, dito isso, correu porta afora, deixando An Hongdou ainda mais perplexa.

— O que deu nele?

— Sei lá, talvez tenha sido possuído — respondeu Feng Yang, dando de ombros, embora seu olhar se estreitasse. Era provável que Chu Xueliang tivesse reconhecido o cartão em sua mão e fugido apavorado. Caso contrário, Feng Yang não hesitaria em usar a força para pô-lo para fora, visto que aquele sujeito exagerara demais em seu exibicionismo.

— Possuído... — An Hongdou franziu os lábios, achando ridícula a desculpa, mas não disse mais nada. Apenas lançou um olhar demorado para o cartão negro. Havia algo estranho naquilo. Um cartão negro, com o número 1... seria mesmo um cartão do Salão do Imortal Ébrio? Por que nunca ouvira falar de tal coisa?

Se realmente fosse um cartão de sócio do salão...

Ao pensar nisso, An Hongdou tapou a boca, sem coragem de levar o raciocínio adiante. Se o cartão de Feng Yang fosse de fato autêntico, que tipo de pessoa ele seria?

— Espera por mim, jovem senhor!

Vendo seu patrão fugir em disparada, Guo Song ficou momentaneamente perdido, mas logo saiu correndo atrás, gritando pelo corredor.

— Jovem senhor, por que estamos fugindo? Quer que eu vá falar com o gerente?

— Falar o quê, seu idiota! — esbravejou Chu Xueliang, dando-lhe um tapa na cabeça.

— Não foi você quem me disse que An Hongdou estava aqui? Está querendo me matar, é isso? — resmungou, batendo novamente na cabeça do criado.

Guo Song, sentindo-se injustiçado, murmurou baixinho:

— Mas ela estava mesmo aqui...

Chu Xueliang explodiu de raiva.

— Estava, estava, mas o problema é que ela não estava sozinha! — E, a cada palavra, acertava mais um tapa na cabeça de Guo Song.

O criado sentia-se cada vez mais humilhado, mas não ousava esquivar-se, embora sua cabeça girasse com as pancadas.

— Jovem senhor, aquele cartão era mesmo verdadeiro?

— O que você acha? — respondeu, irritado. Se não fosse verdadeiro, ele teria passado por aquilo tudo?

— Não olhe para mim desse jeito. Vou te contar uma coisa: o cartão que ele tinha é absolutamente autêntico. Sabe por que os cartões do Salão do Imortal Ébrio começam a partir do número 2?

Chu Xueliang sorriu amargamente.

— Acima do diamante, existe o Supremo!

Talvez todos soubessem dos cinco níveis — bronze, prata, ouro, platina e diamante. Mas ele sabia que havia algo além do diamante!

Por acaso, um dia vira uma coleção completa dos cartões, e o menor número era o 2, o que o deixara intrigado. Por que a numeração começava ali? Agora ele entendia: o cartão número 1 já não era considerado diamante!

E aquele jovem tinha justamente o cartão número 1. Era o verdadeiro primeiro sócio do Salão do Imortal Ébrio. Só de pensar nisso, Chu Xueliang sentia a pele toda arrepiar.