Capítulo Vinte e Cinco: Todo o Norte do Rio é Meu!

Após o Fracasso na Tribulação Liu Chengfeng 2276 palavras 2026-03-04 14:50:44

Ao entrar no Parque do Rio do Norte, caminhando por cinco minutos e virando uma esquina, Feng Yang avistou o furgão estacionado ali. Chen Yunsheng era realmente confiável, havia conseguido o veículo para ele em tão pouco tempo.

Ao abrir o furgão, Feng Yang percebeu que dentro não havia muita coisa, apenas quatro caixas de madeira do tamanho de notebooks.

Com um salto ágil, Feng Yang subiu no furgão e sentou-se de pernas cruzadas, mas logo balançou a cabeça. Embora o furgão oferecesse privacidade, sua lataria de ferro impedia a circulação de energia espiritual. Se Feng Yang estivesse em um nível mais avançado, isso não seria um problema, mas, no estágio atual, essa barreira era suficiente para afetar a formação do elixir.

“É melhor preparar os elixires lá fora”, murmurou ele, pegando as quatro caixas de madeira e pulando do veículo.

Naquele horário e em um parque deserto, ainda mais com rumores de aparições, dificilmente alguém apareceria por ali.

“Ginseng antigo.” Ao abrir a primeira caixa, um sorriso surgiu em seu rosto. Aquela raiz era mesmo especial; fora um presente de aniversário que um jovem dera a Chen Yunsheng, e agora, ao que parecia, ele havia repassado aquele presente para Feng Yang.

Claro, Chen Yunsheng não precisava daquilo. Embora o ginseng tivesse certa idade, não era nada extraordinário, no máximo poderia prolongar a vida de alguém em um ou dois anos, tempo que para ele pouco significava. Além do mais, mesmo Feng Yang estando apenas no estágio inicial, poderia facilmente ampliar a vida de Chen Yunsheng por três a cinco anos, se quisesse.

Nas mãos certas, o ginseng poderia alcançar seu verdadeiro potencial. Apesar de não ser tão antigo quanto o ideal, junto com outras ervas principais, serviria adequadamente como coadjuvante na fórmula.

“Raiz de Fo-ti.” Ao abrir a segunda caixa, deparou-se com uma raiz negra, comprida, do tamanho de uma mão de bebê e com aparência quase humana.

“Pela aparência, deve ter uns trezentos anos”, murmurou Feng Yang, cortando um pedacinho e provando. “Trezentos e vinte e cinco anos, aproximadamente. Muito raro.” Para alguém como Chen Yunsheng, adquirir ervas com mais de cem anos já era notável, já que ele era apenas um comerciante comum e, nos dias de hoje, o planeta Dihuang vivia uma era de declínio das artes místicas, com energia espiritual escassa e poucas ervas de qualidade.

Feng Yang abriu as duas últimas caixas; dentro, encontrou duas raízes de rodiola rósea e um pequeno pedaço de cogumelo reishi, ambos com pouco mais de trezentos anos.

“Essas coisas devem ter custado metade da fortuna do Yunsheng!”, comentou com um sorriso. Mas logo descartou o pensamento; afinal, Chen Yunsheng só se tornara o homem mais rico do Norte graças às estratégias de Feng Yang no passado. Em outras palavras, nada mais fazia do que recuperar o que já fora seu.

Ainda assim, gastar de uma vez tantos milhões fazia seu coração apertar.

“Devo ativar aqueles espiões ocultos?” Feng Yang hesitou, semicerrando os olhos.

Antes de atravessar o tributo celestial, Feng Yang havia tomado precauções, deixando pessoas de confiança infiltradas em várias posições. Chen Yunsheng era apenas um de seus discípulos; havia outros cinco, inclusive dois cultivadores entre eles!

Se decidisse recorrer a eles agora, receberia grande auxílio.

“Por ora, não devo envolvê-los”, decidiu, desfazendo a tensão do olhar e balançando a cabeça. Chen Yunsheng era único, e sua confiança era baseada no caráter dele; quanto aos demais, não podia confiar plenamente.

Além disso, o local da travessia do tributo celestial só era conhecido por aquele pequeno grupo.

“Por enquanto, Yunsheng ainda consegue sustentar a situação. Só se ele não aguentar mais, tentarei contato com algum dos outros.”

Com essa decisão tomada, Feng Yang sentou-se de pernas cruzadas. Com um gesto rápido, as ervas flutuaram no ar. Ao mesmo tempo, a energia espiritual em sua mão direita começou a se concentrar, formando um forno alquímico de meio metro de altura.

Assim que o forno se materializou, as ervas foram sugadas para dentro dele, e uma chama invisível surgiu em sua base.

Se algum cultivador presenciasse aquela cena, ficaria espantado. Manipular energia para formar um forno exigia um domínio extremo; caso contrário, não só a alquimia fracassaria, como as veias do praticante poderiam ser danificadas.

Poucos cultivadores conseguiam tal proeza; Feng Yang, que já atingira o nível Celestial, tinha domínio absoluto de sua energia espiritual. O maior problema, aliás, era não ter acesso a um forno alquímico de verdade.

“Senhor, não conseguimos seguir em frente com o carro”, disse o motorista, virando-se para o jovem robusto no banco de trás.

“Não consegue passar?” O homem, forte e de ombros largos, franziu a testa.

“Desça do carro!”

“Como?” O motorista hesitou, surpreso.

“Eu mandei descer, está surdo?” resmungou o homem, abrindo a porta e saindo. O motorista não teve escolha senão segui-lo, embora estivesse claramente assustado. Ele nunca fora corajoso, e a razão de não querer prosseguir era o parque escuro à frente, que lhe trouxe à mente histórias assustadoras. Arranjou uma desculpa para voltar, mas seu patrão não lhe deu ouvidos.

Ao entrarem no parque, o motorista seguia apreensivo. Após alguns minutos de caminhada, de repente tapou a boca com a mão, estendendo a outra e balbuciando, trêmulo:

“S-se-senhor, aquilo ali... é uma pessoa ou…”

“Mas que diabos, como você é covarde!” O homem robusto deu-lhe um tapa na cabeça, irritado, mas seus olhos logo brilharam.

“O mestre Xu é mesmo um gênio!” O adivinho de um olho só havia indicado que ali encontrariam algo valioso, e o homem viera mais por curiosidade. Não esperava realmente encontrar alguém ali.

No instante seguinte, seus olhos se arregalaram. Sob o céu noturno, um brilho emergiu—uma esfera do tamanho de uma bolinha de gude.

“Tesouro!” exclamou o homem, empolgado.

“Haha, o mestre Xu previu com precisão! Desta vez, Zhang Wenfu não veio em vão!”

Mal acabara de falar, viu a figura sentada se levantar de súbito e estender a mão para agarrar a esfera brilhante.

Com o semblante mudado, Zhang Wenfu exclamou:

“Pare!”

Ao gritar, acelerou o passo e correu até lá. Em cerca de dez segundos, estava diante do jovem, a quem lançou um olhar de desdém antes de dizer novamente:

“Amigo, aquilo era meu!”

“Seu?” Feng Yang franziu a testa, sem vontade de discutir, e respondeu friamente:

“Isso me pertence.”

“Ei, rapaz”, Zhang Wenfu sorriu diante da atitude de Feng Yang, como quem encara um ingênuo. “Você deve ser alguém sem experiência. Não vou discutir, mas aquilo é meu, e tudo que eu desejar em Jiangbei é meu. Entendeu?”