Capítulo Vinte e Quatro: Meu sobrenome é Zhang, de arrogante!

Após o Fracasso na Tribulação Liu Chengfeng 2346 palavras 2026-03-04 14:50:44

— Irmãozinho, não pretende contar para a irmã quem você realmente é? — No reservado, Anabela Degas provava o vinho tinto em sua taça. Não se sabia se de propósito, mas uma gota deslizou pelo canto de sua boca, que ela logo lambeu com a língua delicada, tornando sua presença ainda mais sedutora.

Que feiticeira! Pensou Fernando Yang. Viveu três mil anos e conheceu muitas mulheres belíssimas, mas se fosse para falar de sedução, Anabela Degas certamente ocupava os primeiros lugares. Seu charme parecia entranhado nos ossos, cada movimento era capaz de enfeitiçar qualquer um.

Claro que isso valia para pessoas comuns. Fernando Yang, no entanto, não era um homem qualquer. Balançando a cabeça, pousou a xícara de chá sobre a mesa.

— O que quer dizer com isso, irmã Anabela? Eu sou apenas eu, filho bastardo de Fernando Teixeira.

— Ora, que malandro! — exclamou ela com um biquinho, encarando-o com olhos grandes e brilhantes, como se pudessem transbordar a qualquer instante.

— Irmã te ajudou tanto da última vez, agora te convida especialmente para jantar, e ainda assim não pretende contar nada de verdade?

— Irmã Anabela, agora está sendo injusta comigo. Pode perguntar por todo o norte do Rio, quem não sabe que sou o filho bastardo de Fernando Teixeira? Ainda por cima fui expulso da família, logo vou estar vagando pelas ruas...

O jeito delicado e sofrido de Anabela era realmente de partir o coração, qualquer outro já teria cedido. Mas Fernando Yang era firme, e sabia bem: quanto mais bela a mulher, mais perigosa poderia ser.

— Que ingrato! — Anabela recolheu o olhar, fingindo-se ofendida. Não insistiria mais; mesmo tendo encontrado Fernando poucas vezes, já percebera que ele era o mais difícil de lidar. Se ele não queria falar, seria inútil insistir.

Fernando sorriu, mas seus olhos brilharam por um instante. Aquela mulher sondava sua vida com frequência; talvez fosse hora de pedir para Chen Yun investigar sua origem. E se ela viesse da Capital Celestial... O olhar de Fernando se obscureceu.

Destruir uma flor pela raiz era cruel, mas não seria a primeira vez.

— Senhor, para onde vamos? — perguntou Guo Song, já dentro do Audi, olhando para o patrão com respeito e sugerindo, cauteloso:

— Vamos à Mansão Fumada?

Afinal, havia duas missões em sua vinda ao norte: Anabela Degas e Chen Yun. Agora, com o fracasso na primeira, restava procurar Chen Yun.

— Vamos esperar uns dias — suspirou Chu Xueliang. Viera ao norte esperando alcançar dois objetivos de uma só vez, mas não previra o revés: uma carta suprema havia surgido em seu caminho.

Apesar do fracasso, havia um benefício. Os olhos de Chu Xueliang brilharam com malícia. Pensava que a Casa dos Prazeres era de Chen Yun, mas viu no registro que a sua era apenas uma carteirinha de diamante, número 66. Se Chen Yun fosse dono, teria a melhor carta, ou nenhuma. Não sendo nenhum dos casos, a casa não era dele.

Isso era um alívio, pois a rede de contatos da Casa dos Prazeres era temível.

— Chen Yun, você não teve sorte desta vez. Sofri um grande revés, então toda a minha raiva vai recair sobre você! — murmurou Chu Xueliang, certo de que, em poucos dias, faria Chen Yun se curvar diante de sua força.

Afinal, era da família Chu, o Grupo Chu tinha bilhões em patrimônio. Como não conseguiria lidar com o homem mais rico do norte do Rio?

— Hehe, senhor, aposto que assim que Chen Yun ouvir seu nome, vai aceitar tudo na hora! — adulou Guo Song, fazendo Chu Xueliang resmungar, mas sentindo-se melhor.

— Primeiro ao KTV Luxo Imperial!

Após o jantar com Anabela na Casa dos Prazeres, os dias seguintes transcorreram tranquilos. Ou quase: Fernando Tang procurou Fernando Yang, chorando e pedindo seu retorno, dizendo que antes havia sido egoísta e esquecido os laços de sangue.

Fernando Yang apenas riu, sarcástico. Que laços? Quando estava na família, se não fosse por Fernando Teixeira, já teriam se livrado dele. Agora, apenas temiam por sua força e o risco de destruição da família.

De fato, ele já lhes dera uma chance — não matara Fernando Tao no Barão Dourado. Mas preferiram ignorar a oportunidade; então, que não culpassem Fernando Yang por ser impiedoso.

Quando saiu da família, avisou: que jamais viessem lhe pedir nada.

Vendo a frieza de Fernando Yang, Fernando Tang ficou desconcertado, e, enfurecido, chutou Fernando Tao ao chão, xingando e socando:

— Tudo culpa sua, seu imprestável! Como ousa desrespeitar seu tio?

— Hoje eu te mato, seu moleque!

Fernando Yang ignorou toda a cena e foi embora. Já em seu quarto, ligou para Chen Yun.

— Não exagere. Se a família Fernando cair, que caia. Mas solte as pessoas.

Afinal, fora o velho Fernando quem o salvara no passado; isso ele nunca esqueceria. A família poderia desaparecer, mas não precisava morrer.

Quanto ao que fariam dali em diante, não era mais problema de Fernando Yang.

— Está certo — respondeu Chen Yun, do outro lado da linha. Logo, perguntou:

— Mestre, as ervas que pediu já estão prontas. Quando vai usá-las?

— Esta noite. Hoje as estrelas se escondem da lua, é o momento ideal para abrir o forno.

— Entrego no canal de TV?

— Não, leve ao Parque do Rio Norte.

Às nove e quinze da noite, Fernando Yang chamou um táxi até o Parque do Rio Norte. O motorista o olhava curioso.

— Rapaz, a essa hora no parque... Não vai fazer besteira, vai?

— Fique tranquilo, irmão. Só perdi algo quando vim com minha namorada de dia — mentiu Fernando Yang. O parque estava abandonado há tempos; ir ali à noite era realmente suspeito.

— Ah, veio com a namorada... — O motorista alongou as palavras, com um olhar insinuante. — Quer que eu espere?

Ao desembarcar, Fernando dispensou o motorista com um aceno.

Ao mesmo tempo, um Range Rover negro avançava rapidamente rumo ao parque. O motorista, vestido de preto, estava inquieto.

— Senhor, será que o Mestre Xu não está nos enganando? Está cada vez mais escuro, quem viria a um lugar desses à noite?

— Ele que não ouse! — O jovem corpulento no banco traseiro rugiu. — Se ele nos enrolar, vou arrancar-lhe a pele! Meu nome é Zhang, de arrogante mesmo!