Capítulo Nove: O Clã Chen do Norte do Rio

Após o Fracasso na Tribulação Liu Chengfeng 2851 palavras 2026-03-04 14:50:36

— Este é o meu reservado.

No momento em que Feng Tao e os outros estavam prestes a entrar, Feng Yang interveio. Suas palavras fizeram o grupo parar imediatamente e olhar para trás.

— O que você disse?

— Eu disse que este reservado foi preparado para mim! — respondeu Feng Yang.

— Que idiota do caramba! — xingou Liu Qiang, visivelmente aborrecido. Ao seu lado, Luo riu baixinho, com um brilho gélido nos olhos.

— Feng, se quer saber, acho melhor a gente dar uma lição nesse sujeito por você — sugeriu um deles.

— Feng, deixa pra lá, vamos para outro lugar — aconselhou Song Xue, tentando evitar confusão. Os jovens vestidos com roupas caras não deixavam dúvida de que eram filhos de famílias abastadas, e enfrentar gente assim só traria problemas para Feng Yang.

— Feng, não se estresse com um sujeito desses, já reservei o Salão da Rainha para vocês, aproveitem a noite! — apressou-se a dizer o gerente de meia-idade.

Afinal, o KTV era uma casa de entretenimento; se acontecesse algum escândalo ali, a reputação do lugar certamente seria prejudicada.

— E você, o que está esperando? Chame logo os seguranças para expulsar esses arruaceiros! — gritou o gerente para o atendente que permanecia estático, e logo fez um gesto convidando Feng Tao e seus amigos a sair.

— Feng Yang, que tal irmos comer alguma coisa? — sussurrou Ning Jing, que, apesar do seu jeito descontraído, percebeu que a situação entre Feng Yang e aqueles filhos de papai só poderia piorar se permanecessem ali.

— Comer? — Feng Yang balançou a cabeça.

— Não, hoje vamos cantar! — disse ele. Feng Yang não era de guardar rancor, mas a atitude de Feng Tao realmente lhe tirara do sério. Além disso, após tudo que a família Feng vinha fazendo ultimamente, ele sentiu que era hora de abrir os olhos de alguns.

Mesmo tendo que se disfarçar ultimamente para parecer um fracassado por causa de Ling Jing e seus comparsas, não se podia esquecer que ele era um imortal, a um passo da ascensão!

Um imortal não se deixa humilhar!

A suposta glória da família Feng não significava nada para ele; para Feng Yang, todos ali não passavam de formigas. Por causa de Feng Tianwen, podia até tolerar Feng Tao uma ou duas vezes, mas isso não dava à família o direito de abusar dele constantemente!

— O que é meu, é meu. — Um sorriso frio desenhou-se em seus lábios enquanto falava, deixando Ning Jing e os demais atônitos.

Naquele instante, Feng Yang parecia um estranho; nada do sujeito sempre sorridente de outros dias — havia nele um perigo latente.

O atendente também ficou paralisado, e, quando finalmente ia se aproximar, a porta giratória se abriu novamente, dando passagem a um homem de meia-idade vestindo um traje tradicional chinês.

Assim que entrou, o homem avistou Feng Yang e apressou o passo em sua direção. Lembrando-se das instruções de Chen Yunsheng, trocou o tratamento formal por um mais respeitoso.

— Jovem Feng, você ainda está aqui?

— Senhor Xu — respondeu Feng Yang em voz baixa. O recém-chegado era o mordomo particular de Chen Yunsheng, o que o deixou surpreso por vê-lo ali.

Percebendo o espanto de Feng Yang, o mordomo explicou rapidamente:

— O patrão ficou receoso de que você não fosse bem atendido, por isso me mandou conferir pessoalmente. — E, franzindo a testa, acrescentou: — Já preparei o Salão da Rainha para você. Ninguém o levou até lá?

— Sim, o reservado foi preparado, mas houve um contratempo; foi ocupado por outros.

— Quem ousou tanto? — O semblante do mordomo endureceu imediatamente. Embora não soubesse exatamente quem era Feng Yang, sabia que não era alguém com quem se devesse brincar. Afinal, toda vez que o milionário Chen encontrava Feng Yang, era só reverências e respeito. Se alguém assim se curvava, Feng Yang certamente tinha raízes profundas.

— Feng Yang, você é mesmo alguém importante? — perguntou Ning Jing, puxando discretamente a manga de Feng Yang enquanto seguiam o mordomo rumo ao andar de cima. Song Xue e outra amiga também prestavam atenção.

No trabalho, sempre circulavam boatos de que Feng Yang era filho de uma família poderosa, e Zhang Yu não perdia a chance de zombar chamando-o de "Jovem Feng". Mas, para Ning Jing e as demais, tudo isso parecia piada, uma realidade distante demais.

Agora, diante daquele aparato, elas já não sabiam o que pensar sobre Feng Yang.

— Jovem Feng, tenho que admitir, você tem mesmo prestígio! — comentou Liu, já dentro do Salão da Rainha.

— Este lugar é realmente extraordinário! — exclamou Luo, sentando-se no sofá e relaxando de corpo e alma. Sua experiência permitia perceber: aquele sofá italiano fora desenhado pelo próprio mestre Bojie Bonbo.

— E não é para menos. Ouvi meu pai dizer que este salão raramente é aberto ao público; não basta ter dinheiro para entrar aqui! — disse o jovem Zhou Fan, que, apesar do visual discreto, era o único do grupo com conexões políticas.

— Nada de especial — minimizou Feng Tao, tentando manter o ar de indiferença, embora estivesse igualmente impressionado. Mas agora, por estar aliado aos Chen, futuro promissor no norte de Jiang, tinha que parecer superior aos demais.

— Hahaha, Jovem Feng, você é mesmo conhecedor! — começaram logo a bajular, conscientes de que só estavam ali graças à influência de Feng Tao. Quando o gerente os acompanhou até o salão, cruzaram olhares de inveja por todo o caminho; todos se perguntavam que espécie de figurões eles eram.

Nesse momento, a porta do reservado se abriu, atraindo todos os olhares.

— O que é isso? Não sabe bater? — resmungou Liu Qiang.

— E o vinho? Você não disse que traria uma garrafa? — reclamou Luo, certo de que se tratava de um funcionário do KTV.

— Ora, vejam só, um bando de garotos que ainda não cresceram — zombou o mordomo Xu, a voz carregada de desdém.

— Que audácia! Olha como fala! — Liu Qiang foi o primeiro a se irritar, levantando-se de súbito.

— Se têm juízo, sumam daqui! — disparou o mordomo, impaciente. Pelo que ouvira enquanto subiam, aqueles sujeitos vinham desrespeitando o Jovem Feng. Se Chen Yunsheng soubesse, as consequências seriam sérias; por isso, Xu apressou-se a chegar antes que Feng Yang.

— Quem diabos é você? — questionou Zhou Fan, contrariado.

— Amigo, talvez você ainda não saiba com quem está falando — murmurou Liu Qiang, semicerrando os olhos.

— Sou Feng Tao, da família Feng — disse Feng Tao, levantando-se, aborrecido com a situação e com a antipatia que sentia pelo recém-chegado.

— Família Feng? Feng Tao? — O mordomo Xu riu, desdenhoso, o que deixou Feng Tao ainda mais irritado.

— Meu pai é Feng Jingyi. Se pedir desculpas agora, posso deixar passar — ameaçou Feng Tao.

O mordomo Xu apenas riu, o que encheu os olhos de Feng Tao de rancor, mas logo o mordomo recompôs a expressão.

— Rapaz, nem você nem seu pai me impressionam. Mesmo que Feng Tianwen estivesse aqui, eu hesitaria, mas só isso.

Aquelas palavras não deixavam espaço para negociação: ainda que Feng Tianwen já tivesse falecido, Xu deixava claro que não colocava a família Feng acima de nada.

— Amigo, é melhor manter o respeito, afinal, em Jiangbei quem manda é a família Chen — murmurou Feng Tao, tentando soar firme.

— Então tem ligações com os Chen? — ironizou o mordomo Xu.

— Claro! Foi a família Chen que ajudou o Jovem Feng em seus problemas. E aí, ficou com medo? — provocou Luo.

Mal as palavras saíram, uma voz ecoou:

— Medo? Feng Tao, ligue agora para os Chen. Quero ver quem ousa atender!