Capítulo Quatorze: Agora Também Posso Mandar Você Embora!
— Droga, perdi a noção do tempo!
De repente, Feng Yang abriu os olhos na cama; ao se mexer, dois fios brancos que saíam de seu nariz desapareceram instantaneamente. Era sábado, aniversário de Chen Yunsheng.
Após uma higiene rápida, olhou as horas com um sorriso amargo: já passava das dez. Chegar à mansão Yan Hai antes do meio-dia seria difícil.
— Se eu soubesse, não teria meditado ontem à noite — murmurou, balançando a cabeça. Pegou às pressas um casaco qualquer e saiu correndo do dormitório. Nos últimos dias, não teve descanso, praticando sua técnica a cada momento para aprimorar seu cultivo.
Afinal, até para produzir pílulas era preciso ter certo nível de poder, e agora ele perdera a hora por causa disso.
Ao sair apressado da emissora, Feng Yang avistou um Audi preto parado na entrada. Assim que o viu, a porta do carro se abriu e o mordomo Xu, em trajes formais, desceu.
— Senhor Feng.
— Está aqui há muito tempo. Por que não me ligou? — Feng Yang não esperava que Chen Yunsheng enviasse alguém para buscá-lo, mas logo entendeu: se não fosse uma data especial, talvez o próprio Chen Yunsheng viesse.
— Não foi nada, imaginei que já estivesse descendo — sorriu o mordomo Xu, abrindo a porta traseira.
— Prefiro ir na frente — respondeu Feng Yang, fechando a porta dos fundos e indo para o banco do passageiro. Instantes depois, Xu sentou-se ao volante e virou-se para ele:
— Senhor Feng, vamos para o Flor de Jacarandá, então?
Feng Yang assentiu. Não era à toa que Xu trabalhava para Chen Yunsheng havia vinte anos — era um homem de habilidades e tato. Feng Yang calculou por alto que Xu esperara por ele mais de uma hora.
E mesmo assim não ligou cobrando, coisa rara de se ver.
O carro partiu e, pouco mais de quarenta minutos depois, chegaram ao Hotel Flor de Jacarandá. O aniversário não seria na mansão Yan Hai: apesar de grande, hoje a elite de Jiangbei inteira estaria presente, e Chen Yunsheng não gostava de estranhos em sua casa.
No estacionamento subterrâneo, Xu soltou o cinto, olhou para Feng Yang e disse suavemente:
— Senhor Feng, chegamos. Vamos descer?
Ao sair do carro, Feng Yang notou um Mercedes preto não muito longe, com a placa familiar terminando em 588, o que o fez franzir a testa.
Era o carro da família Feng. Eles também vieram ao banquete?
Logo relaxou. Provavelmente estavam ali para tentar se aproximar dos Chen, já que a família Feng vivia tempos conturbados.
E quanto a criarem caso com ele?
Se tivessem um mínimo de bom senso, saberiam que ele não era alguém que a família Feng pudesse enfrentar.
— Senhor Feng, entre, por favor, tenho alguns assuntos para resolver — disse Xu, fechando a porta. Feng Yang assentiu e viu o mordomo se afastar apressado, com ar preocupado.
Notou que o celular de Xu acabara de vibrar — devia ser algo importante, caso contrário não o deixaria ali sozinho.
Deveria ser assunto pessoal.
Pela influência dos Chen em Jiangbei, ninguém ousaria criar problemas, ainda mais no aniversário de sessenta e seis anos de Chen Yunsheng.
— Ninguém seria tolo a esse ponto... — balbuciou, afastando o pensamento. Xu era o mordomo dos Chen, o que bastava para gerar respeito.
Na entrada do hotel, dois porteiros o olharam com desprezo, mas logo desviaram o rosto, sem tomar nenhuma atitude.
Feng Yang entrou direto, sem se importar com os olhares ou procurar briga: eram apenas mundanos, incapazes de enxergar sua verdadeira identidade. Além disso, um sujeito comum em um hotel quatro estrelas como o Flor de Jacarandá realmente destoava do ambiente.
O saguão estava cheio. Grupos conversavam, taças nas mãos; todos da alta sociedade de Jiangbei, aproveitando a ocasião para ampliar sua rede de contatos.
A chegada de Feng Yang chamou a atenção de alguns, mas ao notarem seu traje simples, logo desviaram o olhar. Suas roupas eram claramente de camelô; não valia a pena perder tempo com alguém assim, melhor usar o momento para se aproximar de pessoas influentes.
— Cheguei cedo demais... — pensou Feng Yang, olhando em volta e não vendo ninguém da família Chen. Estranhou, mas não se deteve. Foi até uma mesa lateral, pegou um doce e começou a comer calmamente.
— Nada mal, esses docinhos! — Talvez por estar sem comer desde manhã, pegou mais alguns. Embora estivesse em jejum, absorvendo energia do mundo ao redor, ainda precisava se alimentar de tempos em tempos, a menos que atingisse um nível superior; do contrário, precisava repor as energias a cada poucos dias.
— Está gostoso? — Uma voz soou ao seu lado, carregada de sarcasmo, fazendo Feng Yang franzir a testa. Quando ergueu o olhar, viu um rosto conhecido.
— Ah, Feng Yang, você realmente honra o nome da família Feng! — escarneceu o recém-chegado.
— O que está acontecendo? — sussurros começaram a se espalhar.
— Aquele ali não é o Feng Tao, da família Feng?
A voz de Feng Yang era alta, como se quisesse mesmo chamar a atenção. Logo, outros convidados começaram a observar.
— Parece que Feng Tao conhece aquele sujeito.
— Conhece? Não é aquele o filho bastardo do velho Feng? Como é mesmo o nome dele? Feng... Feng alguma coisa?
— Feng Yang!
— Veja só, que espetáculo, parece que não come há dias!
— Só podia ser um bastardo, não se importa com a própria imagem.
— Veio provocar de novo? — murmurou Feng Yang. Já havia arruinado Feng Tao no KTV Dourado e, por tabela, destruído a empresa Wahai, da família Feng. Não era para ele estar quieto em casa? Por que reapareceu agora?
— Taozinho, com quem está falando? — Uma voz se aproximou e, logo, Feng Jingtang apareceu de gravata.
— Você? — Ao se aproximar, lançou um olhar surpreso para Feng Yang, mas logo o espanto deu lugar ao desdém.
— Ora, um sujeito que se aproveita do nome da família Feng para dar golpes. Sem os Feng, você não é nada!
— Ah, é mesmo, quase esqueci que você não faz mais parte da família! — Feng Jingtang terminou, e Feng Tao bateu na testa, zombando.
— Depois que saiu da família, nem comida tem, só vem aqui se aproveitar do banquete!
— Você já disse isso no KTV Dourado — respondeu Feng Yang sem sequer levantar o olhar. Não se importava com os comentários da família Feng, mas não esperava que viessem provocá-lo de novo.
— Seu... — O rosto de Feng Tao ficou vermelho de raiva. As palavras de Feng Yang tocavam em sua ferida: no KTV Dourado, fora expulso como um criminoso!
— Por que a família Feng persegue tanto esse Feng Yang? — Alguém comentou, surpreso.
— No fim das contas, ele é sangue dos Feng, mesmo sendo filho ilegítimo. Já o expulsaram, por que não deixam o rapaz em paz?
— Você não entende. Ouvi dizer que, há alguns dias, Feng Yang se aproximou de Chen, o Jovem, e causou a ruína da Wahai, no distrito leste!
— Sério? E se ele tem ligação com Chen, a família Feng só está cavando a própria cova. Aqui em Jiangbei, quem manda é Chen. A ruína da Wahai começou depois que a família Chen se envolveu. Se Feng Yang realmente tem essa conexão, os Feng estão brincando com fogo.
Feng Jingtang olhou para Feng Yang e sorriu, com um olhar arrogante e tom de quem repreende um jovem descuidado.
— Sei que você tem ligação com o Jovem Chen, mas relações assim são frágeis. Hoje vou te ensinar uma lição.
O tom de superioridade se intensificou. Feng Jingtang deu um passo à frente, aproximou-se de Feng Yang, inclinou-se e sussurrou:
— Feng Yang, se consegui expulsá-lo da família Feng uma vez, hoje, diante de Chen, posso expulsá-lo daqui de novo!